A oralidade, a leitura e a escrita na Alfabetização

As questões referentes ao ensino e a aprendizagem da leitura e da escrita têm estado em evidência no âmbito educacional. Muito se tem pesquisado em relação às concepções sobre alfabetização na perspectiva do letramento, na busca de uma maior compreensão do processo pelo qual se desenvolvem e, através do qual o papel da escola deve favorecer aos educandos  que participem cada vez mais de práticas sociais letradas.

A alfabetização e o letramento estão presentes na ação pedagógica, em práticas planejadas e organizadas através de projetos didáticos, sequências didáticas ou nas sequências de atividades. Para isso, o professor precisa analisar de forma diagnóstica as especificidades das crianças com o objetivo de conduzir a prática pedagógica condizente com a individualidade de cada uma.

É importante ressaltar que o processo de letramento inicia-se bem antes do processo de alfabetização, pois as crianças estão inseridas em um contexto que é cercado de material escrito e de pessoas que usam a leitura e a escrita.

 

oralidade

a oralidade, a leitura e a escrita na Alfabetização

É fundamental compreender essas duas práticas para possibilitar a alfabetização e considerar que as modalidades oral e escrita da língua interagem e se influenciam mutuamente. A alfabetização requer um contexto de letramento, com desenvolvimento de habilidades de uso da leitura e da escrita, bem como nas práticas sociais que envolvem a linguagem.

Nesse contexto, as crianças precisam vivenciar, desde cedo, situações que os levem a pensar sobre as características do nosso sistema de escrita de forma reflexiva, lúdica, inserida em atividades de leitura e escrita de diferentes textos. Se alfabetizar é ensinar a ler e escrever, letrar é o resultado da ação de ensinar e aprender e participar de  práticas sociais de leitura e escrita. Compreende-se então que não basta aprender a ler e a escrever, mas, sobretudo, adquirir competências para usar a leitura e a escrita em práticas sociais. Sendo assim, faz-se necessário alfabetizar e letrar.

Entretanto, para que todas as ações pedagógicas planejadas tenham  melhor desempenho é importante o uso de significativos e variados recursos como livros didáticos, jogos de alfabetização, obras literárias, obras complementares, tendo como referência os direitos de aprendizagem das crianças, pois assim, poderemos avançar na democratização da alfabetização plena para todos os cidadãos, com liberdade, autonomia e respeito à diversidade.

Por isso, acredito que a ação pedagógica deve garantir a perspectiva do alfabetizar letrando, a partir do qual a criança, de posse do domínio do código linguístico é desafiada a fazer uso dessa habilidade em seu cotidiano.

Autora: Vera Gramville

Professora da Rede Pública do Município de Ijuí – Rio Grande do Sul – Brasil

contato: veramgranville@gmail.com

 

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REFLEXÕES: Numeramento e Alfabetização Matemática

 

REFLEXÕES: Numeramento e Alfabetização Matemática

 Autoras :

Adriana Elisa Endruweit1

Glaucia Regina Bieger2

1 Especialista em Educação Infantil pela UNINTER e graduada em Pedagogia pela UNIJUI. Professora da rede municipal de Ijuí/RS. E-mail: adri.e1972@gmail.com.br

2 Especialista em Gestão Escolar pela FAVENI e licenciada em Matemática pela UNIJUÍ. Professora da rede municipal de Ijuí/RS. E- mail: glauciabieger@hotmail.com

 

Resumo: O presente artigo se constitui a partir de uma pesquisa qualitativa que se faz, considerando uma análise documental e tem como objetivo, problematizar, discutir e despertar nas escolas a discussão e reflexão sobre o Numeramento e Alfabetização Matemática. A partir de um levantamento e análise dos entendimentos, das proposições, das considerações e das possíveis contribuições apresentadas pelos pesquisadores Fonseca (2004) e Danyluk (2004). A pesquisa pode contribuir no processo de numeramento e alfabetização matemática, pois se configura como uma possibilidade de reflexão, capaz de promover um novo olhar para o ensino da matemática. Diante disso faz-se necessário cada vez mais que professores procurem entender como se dá a alfabetização e o numeramento efetivando assim seu aluno a capacidade de realmente ler o mundo.

Palavras chaves: Alfabetização matemática; Numeramento; Ensino de Matemática, Letramento.

Abstract: This article is based on a qualitative research that is done, considering a documentary analysis and aims to problematize, discuss and awaken in schools the discussion and reflection on Numeracy and Mathematical Literacy. From a survey and analysis of the understandings, the propositions, the considerations and the possible contributions presented by the researchers Fonseca (2004) and Danyluk (2004). The research can contribute to the numbering and mathematical literacy process, since it can be considered as a possibility of reflection, capable of promoting a new look at the teaching of mathematics. Faced with this, it is increasingly necessary for teachers to try to understand how literacy and numbering are done, thus making the student the ability to actually read the world.

Key words: Mathematical literacy; Numbering; Mathematics teaching, literacy.

INTRODUÇÃO

A educação deve preparar o homem para desenvolver sua própria capacidade dando-lhe conhecimento, ajudando-o a ser sábio, coerente, humilde, corajoso nas lutas, correto e autêntico, justo nas críticas, capaz de ver seus próprios erros, de buscar seu ideal e seu próprio meio de sobrevivência, atitudes honestas diante das coisas, das pessoas, dos fatos e da vida.

Educar é formar indivíduos com a capacidade de agirem na sociedade, agir de forma que possam mudar sempre para melhor, nós futuros educadores,

devemos possibilitar ao educando a encontrar as próprias alternativas de solução

– problema, quando eu crio uma situação eu devo pensar, refletir para resolvê-la. É através das situações que aprendemos a enfrentar as coisas. Porque problematizados, questionados, e com isso temos que refletir para buscarmos soluções.

A educação está passando por inúmeras transformações, principalmente no que diz respeito às formas de interação dos alunos com o conhecimento e a informação. O Ensino Fundamental, por ser a base de todo o sistema educacional, vem questionando todo o sistema de  acerca da memorização, de escritas mecânicas e sem sentido que não garantem o aprendizado da criança e que, por conseqüência, alimenta o fracasso escolar.

Torna-se assim cada vez mais acirrada e intrigante, a preocupação de como alfabetizar e fazer com que as crianças leiam, escrevam, interpretem, compreendam com competência, adquirindo a base alfabética. Acredita-se que a escola precise enfocar a aprendizagem enquanto função social, onde o ler e o escrever não se restrinjam, mas que se tornem um desafio na construção do conhecimento.

Desta forma, a escrita e a leitura podem transformar toda e qualquer forma de aprendizado, desde que estas cumpram os desafios que estão sendo propostos na atualidade e que as instituições escolares estejam dispostas a modificar; juntamente com professores, gestores e comunidade escolar;  as formas de leitura e escrita de mundo a qual começam já antes mesmo das crianças ingressarem na escola o que na maioria das vezes é desconsiderado pelas instituições.

Diante da preocupação que envolve todo um contexto escolar sobre o letramento, como fica a matemática? Onde acontece a aprendizagem da matemática? O que é esse tal numeramento? Qual a relação de leitura e escrita com a matemática? As escolas estão preocupadas com a aprendizagem dos alunos?

Essas são questões desafiadoras, que geram dúvidas e abrem espaço para um conflito muito grande quando pensamos nas aulas de matemática propostas na atualidade. Pensar que pouco tem sido feito enquanto prática faz com que análises sejam realizadas, que estas nos levam a perceber que algumas posições necessitam ser revistas na educação.

A partir dessas considerações, buscamos através desta pesquisa, problematizar e discutir ideias e entendimentos apresentados por pesquisadores como, Fonseca (2004), Danyluk (1991) sobre o Numeramento e Alfabetização Matemática. A pesquisa é qualitativa e se faz com e a partir de análises documentais.

ALFABETIZAÇÃO MATEMÁTICA E NUMERAMENTO

 

O mundo está em constantes transformações e não podemos ficar alheios a elas, pois a educação é algo sempre presente em nossas vidas, mesmo quando não percebemos no amontoado de fazeres e saberes do cotidiano, as mudanças estão acontecendo, por isso podemos dizer que a educação, a aprendizagem, não acontecem somente na escola mas também fora dela.

Na formação cidadã, é preciso garantir a todos, em igualdade, a construção de conhecimentos matemáticos essenciais à vida e também proporcionar situações de aprendizagem que possibilitem aos educando perceberem que a matemática está presente no seu dia-a-dia, nas mais diferentes situações.

As tarefas e demandas, face ao mundo do trabalho ou à vida diária podem requerer muito mais que simplesmente a habilidade para aplicar as capacidades básicas de matemática. Estar preparado para atender a essas demandas e tarefas requer que o sujeito esteja, mais do que alfabetizado matematicamente, “numerado”.

O numeramento é visto como um amplo conjunto de habilidades, estratégias, crenças e disposições que o sujeito necessita para manejar efetivamente e engajar-se autonomamente em situações que envolvam números e dados quantitativos ou quantificáveis, ou ainda, informação baseadas em dados quantitativos. (FONSECA: 2004, p: 103).

Isso quer dizer que quando o sujeito confronta com alguma situação, os mesmos devem utilizar os seus conhecimentos, habilidades, estratégias para atingir as metas que deseja.

Numeramento é um domínio de habilidades que envolvem um subconjunto de habilidades essenciais tanto da matemática como do letramento e que vem sendo entendida como:

…um agregado de capacidades, conhecimentos, crenças e hábitos da mente, bem como as habilidades gerais de comunicação e resolução de problemas, que os indivíduos precisam para efetivamente manejar as situações do mundo real ou para interpretar elementos matemáticos ou quantificáveis envolvidos em tarefas. (Cumming; Gal; Ginsburg, 1998:2 apud FONSECA, 2004,94).

Ser numerado envolve algumas habilidades de letramento e de habilidades de matemática, de acordo com o que é determinado em alguma situação. Numeramento, não depende apenas de conhecimentos técnicos (regras, operações), mas sim disposições, crenças, hábitos.

Os diferentes tipos de atividades da vida diária fornecem contextos e conflitos com os quais e nos quais se usam capacidades matemáticas. O nível das capacidades que um indivíduo necessita possuir depende, geralmente, das características dos meios particulares onde estes têm suas funções, ou onde vivem (local de trabalho, casa).

Algumas capacidades fundamentais como contar os números ou algumas idéias sobre adição e subtração, devem estar em todos os contextos. Outras capacidades matemáticas e habilidades de manejo dos números envolvidos em um texto (o que requer certas capacidades de letramento) podem ser requeridas em alguns contextos e em outros não.

O numeramento pode mudar ao longo do tempo, dependendo das circunstâncias pessoais de vida, trabalho, mudanças tecnológicas. O desempenho dos “numerados” envolve a influência de vários componentes, incluindo o conhecimento dos domínios específicos e das estratégias, bem como o conhecimento de mundo que pode ter sido adquirido dentro ou fora da escola.

Para tornar o ato de pensar matemático real para as pessoas, faz necessário que todo educador matemático considere os saberes já construídos, proporcione situações de aprendizagem que desenvolvam o pensamento lógico, o espírito de investigação, visando um educando crítico e criativo, que aprenda a matemática presente na vida.

Quando falamos em alfabetização, pensamos na aprendizagem da língua. É compreender as linguagens que o mundo apresenta, para que haja uma comunicação e interação do sujeito com a realidade em que vive. O homem a utiliza como instrumento para expor trocar idéias com os outros. A linguagem é o meio de estabelecer relação humana, é o aspecto fundamental do modo de ser e de existir do ser humano, por meio dela, expressa aquilo que compreende e interpreta o mundo. Conhece as letras e as relações possíveis entre elas, na utilização das estratégias de leitura, no sentido de reconhecer palavras, decompondo-as em silabas, letras.

Mesmo antes da escolarização a criança é constantemente envolvida em atividades matemáticas que mesmo não sendo assim reconhecidas por elas envolvem aspectos quantitativos da realidade. Isto significa que mesmo antes de freqüentar a escola as crianças classificam, ordenam, quantificam e medem e desta forma mantêm uma boa relação com a Matemática. Mas porque essa relação se complica quando a criança inicia sua vida escolar e se agrava no decorrer de todos os níveis de ensino?

Em geral, têm mostrado que pouco se trabalha com Matemática no início da escolarização. Seja na educação infantil ou nas séries iniciais do ensino fundamental a prioridade no trabalho dos professores são os processos de aquisição da leitura e da escrita, como se somente esse fosse componente fundamental da alfabetização, a Matemática é o segundo plano, e ainda assim tratada de forma descontextualizada, desligada da realidade, das demais disciplinas.

A alfabetização, no entanto, não pode ocupar somente o campo das letras. Trabalhando dentro da perspectiva do letramento, ser alfabetizado é fazer uso da leitura e da escrita, tocando em todos os ramos do conhecimento, percebemos então que é preciso também alfabetizar numericamente as pessoas. Desde pequenas, as crianças mergulham no mundo dos números, muitas vezes sem compreendê-lo.

As relações estabelecidas entre linguagem natural e a linguagem matemática ajudam-nos a compreender os significados atribuídos pelos alunos nos processos de leitura, escrita e interpretação do texto matemático, bem como situá-los dentro de contextos. Dessa maneira, se entendidas tais relações, permitirá aos seus envolvidos (alunos e professores) avançarem nas atividades propostas em aulas de matemática.

A criança que ingressa na escola traz conhecimentos matemáticos informais que devem ser considerados pelo professor ao organizar sua proposta de trabalho. A escola marca a transição de um contexto familiar para outro influenciado pela cultura, com outros códigos e possibilidades de relações e a Matemática surge como porta de entrada para novas competências e estratégias próprias do mundo escolar.

O ensino estabeleceu como sujeito alfabetizado aquele que consegue ler e, interpretar determinados código e sinais, se referindo ao alfabeto e aos números. O ato de alfabetizar diz respeito à compreensão e á interpretação dos sinais, com significados, impressos em um texto, bem como a expressão escrita de significados.

O termo “Alfabetização, refere-se aos atos de aprender a ler e a escrever a linguagem matemática usada nas primeiras serie da escolarização (…). Ser alfabetizado, em matemática, então é entender o que se lê e escreve o que se entende a respeito das primeiras noções de aritmética, geometria e lógica. (DANYLUK, 1991:45)

Ser alfabetizado em Matemática é compreender o que se lê e escreve a respeito das noções de números e operações, espaço e forma, grandezas e medidas e tratamento da informação.

Se ler é compreender e interpretar aquilo que está impresso em um texto, então, ao ler o discurso matemático o leitor deve compreender e interpretar aquilo que o texto de matemática mostra, ou seja, os símbolos e signos expressos pela linguagem matemática. ( DANYLUK,1991:39).

A alfabetização matemática é um ponto chave para o conhecimento matemático, pois as primeiras noções de aritmética, geometria, são compreendidas como os primeiros passos, o que dará maior possibilidade de aprendizagem.

Muitas vezes os conteúdos de matemática são expostos para os alunos, exigindo a memorização, influenciando assim na não compreensão dos significados, fazendo com que os alunos evitem esta disciplina.

Tomo a Educação como zelo, como cuidado com o ser do aluno e, com isso, falo em Alfabetização no sentido de compreender e interpretar aquilo que se escreve e que se lê. Não a considero apenas no ato de a pessoa escrever e ler o seu nome ou, então, não no sentido de decodificar palavras, silabas ou frases. Eu compreender o mundo em que o leitor esta, inserido, na sua realidade, realidade do outro, na realidade de todos nós (DANYLUK,1991:109).

CONCLUSÃO

 

Esta pesquisa contribui para o estudo de teóricos que, auxiliam, enriquecem o trabalho pedagógico, pois ensinar matemática não é nem explicar detalhadamente (de fora para dentro) para os alunos e nem esperar que eles tenham a estrutura de pensamento pronta, para então ensiná- la. O nosso papel, como professores, é intervir para a construção do conhecimento que, quanto mais abrangente for, mais elementos fornecerão para a própria estruturação do pensamento.

O aluno não aprende sozinho (daí a grande importância da escola): ele aprende resolvendo problemas do cotidiano, refletindo sobre o que observa, no confronto com as soluções e idéias dos outros – dentro e fora da sala de aula e da escola. A idéia de número é um exemplo típico deste aprender: comparar, relacionar, ordenar, comprar, vender, etc, fazem parte dos problemas que as pessoas tentam resolver no seus dia-a-dia. A contagem, por exemplo, é um instrumento que se usa para determinar quantidades, inclusive em jogos infantis. Ações e relações como essas devem ser institucionalizadas na escola, para conduzir à construção da idéia de número pelo aluno.

Diante disso faz-se necessário cada vez mais professores que também busquem entender como se da a alfabetização e o numeramento efetivando assim seu aluno a capacidade de realmente ler o mundo. É de tamanha importância que o profissional formado em matemática desperte em suas escolas a discussão e reflexão da alfabetização matemática e numeramento uma vez que este mais do que ninguém sabe da necessidade real e urgente de se pensar nestes conceitos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ADELINO,Paula Resende;FONSECA ,Maria da Conceição Ferreira Reis: Práticas de Numeramento nos livros didáticos de Matemática voltados para a educação de Jovens e Adultos. p.1-20. Disponível em

<http://www2.rc.unesp.br/eventos/matematica/ebrapem2008/upload/250-1-A- AdelinoFonsecaTrabalhoXIIEBRAPEM.pdf>. Acesso em 23 de janeiro de 2017.

DANYLUK, Ocsana S, Alfabetização Matemática: o cotidiano da vida escolar, Caxias do Sul: 2°edição, EDUCS, 1991.

FONSECA, Maria da Conceição Ferreira Reis: Sobre a adoção do conceito de numeramento no desenvolvimento de pesquisas e praticas pedagógicas na educação matemática de jovens e adultos. Universidade Federal de Minas Gerais. p.1-12. Disponível em:<www.sbem.com.br/files/ix_enem/Palestra/PA%20-%2001.doc>. Acesso em 23 de janeiro de 2017.

Letramento no Brasil: habilidades matemáticas: reflexões a partir do INAF 2002/organizadora Maria da Conceição Ferreira Reis Fonseca.-São Paulo: Global:Ação Educacional Assessória, Pesquisa e Informação: Instituto Paulo Montenegro,2004.

PAIS, Luis Carlos. Ensinar e Aprender Matemática. Belo Horizonte: Autentica 2006.

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