O SER HUMANO E O USO SUSTENTÁVEL E EFICIENTE DA ENERGIA

Grandes ganhos em melhorias de eficiência energética têm sido alcançados em anos recentes, e muito mais ganhos podem ser obtidos em países industrializados com mudanças de políticas que incentivem o desenvolvimento e a implementação de tecnologias já existentes e futuras.

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Autor: RENATO FERRAZ AKAOUI

e-mail: rakaoui@gmail.com

Curso ENGENHARIA E GESTÃO DE ENERGIAS RENOVÁVEIS

A prosperidade humana sempre esteve intimamente ligada à nossa capacidade de capturar, coletar e aproveitar energia. O controle do fogo e a domesticação de plantas e animais foram dois dos fatores essenciais que permitiram que nossos ancestrais fizessem a transição de uma existência rude e nômade para sociedades estáveis e com raízes que pudessem gerar a riqueza coletiva necessária para formar civilizações.

Durante milênios, a energia em forma de biomassa e biomassa fossilizada foi utilizada para cozinhar e aquecer, além da criação de materiais que iam do tijolo ao bronze. Apesar desses desenvolvimentos, na verdade a riqueza relativa em todas as civilizações foi fundamentalmente definida pelo acesso e controle da energia, conforme medido pelo número de animais e humanos que serviam às ordens de um indivíduo específico.

A Revolução Industrial e tudo o que se seguiu lançaram uma parcela cada vez maior da humanidade para uma era dramaticamente diferente e mágica. Vamos ao mercado local puxados por centenas de cavalos e podemos voar ao redor do mundo com a força de centenas de milhares de cavalos. Nossas casas são aquecidas no inverno, frescas no verão e iluminadas à noite.

O uso amplamente disseminado de energia é a razão fundamental para centenas de milhares de humanos gozarem um alto padrão de vida. O que tornou isso possível foi nossa habilidade de usar a energia com cada vez mais destreza. A ciência e a tecnologia (C&T) nos forneceram os meios para obter e explorar fontes de energia, principalmente combustíveis fósseis, para que o consumo de energia do mundo atual seja equivalente a cerca de mais de dezessete bilhões de cavalos trabalhando para o mundo 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.

Visto por outro ângulo, a quantidade de energia necessária para manter um ser humano vivo e sustentado varia entre 2 000 e 3000 quilocalorias por dia. Em contraste, o consumo médio de energia por pessoa nos Estados Unidos é 16 de aproximadamente 350 x 109 joules por ano, ou 230 000 quilocalorias por dia. O americano médio, portanto, consome uma energia equivalente às necessidades biológicas de 100 pessoas, enquanto o resto dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) usa energia equivalente às necessidades de aproximadamente 50 pessoas. Em comparação, a China e a Índia atualmente consomem cerca de 9-30 vezes menos energia por pessoa do que os Estados Unidos. O consumo mundial de energia praticamente dobrou entre 1971 e 2004, e espera-se que cresça mais 50% até 2030, à medida que os países em desenvolvimento migram – num cenário de negócios como de costume – para uma prosperidade econômica profundamente enraizada no uso crescente de energia.

O caminho que o mundo está tomando atualmente não é sustentável: há custos associados ao uso intensivo de energia. O uso atual e a grande dependência de combustíveis fósseis estão levando à degradação dos meios ambientes locais, regionais e globais. Assegurar o acesso a recursos vitais de energia, principalmente de petróleo e gás natural, tornou-se um fator definitivo nos alinhamentos políticos e estratégias. O acesso iníquo à energia, principalmente das pessoas em áreas rurais dos países em desenvolvimento, e a consequente exaustão das fontes baratas de energia terão profundos impactos sobre a segurança internacional e sobre a prosperidade econômica.

Apesar de o cenário atual de energia parecer sombrio, acreditamos que há soluções sustentáveis para o problema energético. Uma combinação de políticas fiscais e regulatórias locais, nacionais e internacionais pode acelerar consideravelmente a disseminação das eficiências energéticas existentes, que permanecem como a parte mais prontamente implementável da solução.

Grandes ganhos em melhorias de eficiência energética têm sido alcançados em anos recentes, e muito mais ganhos podem ser obtidos em países industrializados com mudanças de políticas que incentivem o desenvolvimento e a implementação de tecnologias já existentes e futuras.

A transição oportuna para o uso sustentável de energia também exigirá políticas para gerar ações que otimizem as consequências macroeconômicas do uso da energia de curto e de longo prazo. A descarga de efluentes brutos em um rio sempre será mais barata, em nível microeconômico, do que o tratamento dos resíduos, especialmente para os poluidores à montante.

As consequências previstas da mudança climática incluem uma redução maciça na água fornecida mundialmente pela eliminação paulatina das geleiras; pela devastação cada vez maior das enchentes, secas, incêndios, tufões e furacões; deslocamento permanente de dezenas a centenas de milhares de pessoas devido à elevação do nível do mar; alterações na distribuição espacial de alguns vetores de doenças infecciosas, especialmente onde esses vetores ou patógenos dependem da temperatura e da umidade; e perda significativa da biodiversidade.

De forma semelhante, a poluição atmosférica relativa à energia impõe impactos adversos consideráveis à saúde de um grande número de pessoas em todo o mundo – criando riscos e custos que normalmente não são capturados nas escolhas do mercado de energia nem nas decisões de políticas. Assim, torna-se crítico considerar os custos adicionais que serão necessários para mitigar as potenciais consequências sociais e ambientais adversas ao tentar avaliar a verdadeira opção de baixo custo em qualquer análise macroeconômica de longo prazo sobre o uso e a produção de energia.

Avanços significativos na conversão de energia solar em eletricidade são necessários, enquanto o desenvolvimento de tecnologias econômicas e de grande escala de armazenagem de energia e de transmissão de longa distância permitiriam que recursos transitórios como eólico, fotovoltaico solar e geração térmica se tornassem parte da base de geração de energia. Também, métodos eficientes de conversão de biomassa celulósica em combustível de transporte moderno podem ser desenvolvidos e reduzir consideravelmente o rastro de carbono desse combustível cada vez mais precioso. Este relatório do Inter Academy Council (IAC) é o resultado de uma série de oficinas e estudos comissionados do IAC e patrocinados pela academia, que foram usados para complementar os muitos estudos anteriores sobre questões energéticas.

Dois exemplos de conjuntos de políticas relativamente modestas, mas de grande efeito que provocaram mudanças importantes nos sistemas econômicos, são o exemplo da Califórnia da estabilização do consumo de eletricidade per capita nos últimos 30 anos, e o exemplo do Brasil com o nascimento da indústria dos biocombustíveis, que saltou bem adiante de países economicamente mais desenvolvidos.

O apoio agressivo da ciência e tecnologia de energia, associado a incentivos que aceleram o desenvolvimento e implementação simultâneos de soluções inovadoras podem transformar todo o cenário de demanda e oferta de energia. Acredito que isso é possível, tanto técnica quanto economicamente, para elevar as condições de vida de quase toda a humanidade para o nível agora desfrutado por uma grande classe média nos países industrializados — ao mesmo tempo em que reduz substancialmente os riscos de segurança ambiental e de energia associados aos padrões atuais de produção e de uso de energia.

Atender às necessidades de energia básica das pessoas mais pobres deste planeta é um imperativo moral e social que pode e deve ser buscado juntamente com objetivos de sustentabilidade.

Deve-se fazer esforços conjuntos para aumentar a eficiência energética e reduzir a intensidade energética da economia mundial.

Tecnologias para captura e sequestro de carbono de combustíveis fósseis, particularmente do carvão mineral, podem desempenhar um papel importante no gerenciamento custo-efetivo das emissões globais de dióxido de carbono.

A competição pelas reservas de petróleo e gás natural pode potencialmente se tornar uma fonte de crescente tensão geopolítica e vulnerabilidade econômica para muitas nações nas próximas décadas.

Como um recurso de baixo conteúdo de carbono, a energia nuclear pode continuar a oferecer uma contribuição significativa ao portfólio mundial de energia no futuro, mas apenas se questões importantes relativas a custo de capital, segurança e proliferação de armas forem tratadas.

A energia renovável, em suas muitas formas, oferece imensas oportunidades para progresso tecnológico e inovação Durante os próximos 30 a 60 anos, deve-se dirigir esforços sustentados para que essas oportunidades se tornem realidade, como parte de uma estratégia abrangente para apoiar uma diversidade de opções de recursos durante o próximo século.

Os biocombustíveis representam uma grande promessa para enfrentar, simultaneamente, as questões de mudanças climáticas e de segurança energética.

O desenvolvimento de tecnologias custo-efetivas de armazenagem de energia, novos vetores energéticos e infraestrutura de transmissão avançada podem substancialmente reduzir os custos e expandir a contribuição de uma variedade de opções de fornecimento de energia.

A comunidade de C&T – juntamente com o público em geral – tem um papel fundamental a desempenhar promovendo soluções de energia sustentável e deve se engajar efetivamente.

FONTE : Um futuro com energia sustentável: iluminando o caminho – FAPE

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Como as Torres Eólicas do Sertão já produzem energia equivalente a 10% de Itaipu?

Mais de 500 torres com 80 metros de altura foram instaladas nas divisas de Pernambuco, Ceará e Piauí. As torres do sertão já estão gerando o equivalente a 10% de Itaipu, a maior hidroelétrica do País. 

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Sertão e Energia Eólica

 

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Dados Gerais Sobre Energia Eólica no Brasil – Crescimento de 25 % somente em 2017

Os dados mostram a força de um setor que está em crescimento e ganhando importância cada vez maior

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Rio Grande do Norte permanece como maior produtor de energia eólica do país

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE divulgou, nesta segunda-feira(18/09), dados consolidados do seu boletim InforMercado mensal que mostram que a produção de energia eólica em operação comercial no sistema Interligado Nacional – SIM, entre janeiro e julho de 2017 , foi 25,3% superior à geração no mesmo período do ano passado.

Os dados mostram a força de um setor que está em crescimento e ganhando importância cada vez maior e sendo inclusive a salvação de muitas cidades do Nordeste devido ao baixo nível dos reservatórios da região.

De acordo com o infograficoeolicanobrasil   o boletim aponta que, por estado, o Rio Grande do Norte permanece como maior produtor de energia eólica do país com 1.227 MW médios em 2017, aumento de 25,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida, aparece a Bahia com 819 MW médios produzidos (+30%), o Rio Grande do Sul, que alcançou 565,6 MW médios (+16,3%) e o Ceará com 494 MW médios (+1,3%).

 

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