A PRÁTICA DE BRINCAR COM UMA CRIANÇA

Os jogos e as brincadeiras devem fazer parte do cotidiano das crianças. Através deles, a criança pode estimular o desenvolvimento do seu raciocínio lógico, da cooperação, criatividade, coordenação, imaginação e socialização.

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Autora: Elizabeth Neves Machado D’Ingiullo

Trabalho Final Curso “O Lúdico no Processo de Ensino e Aprendizagem”

Instituição: www.somaticaeducar.com

e-mail autora: bethden@uol.com.br

e-mail instituição: contato@somaticaeducar.com

O Lúdico

Introdução do Projeto:

Os jogos e as brincadeiras devem fazer parte do cotidiano das crianças. Através deles, a criança pode estimular o desenvolvimento do seu raciocínio lógico, da cooperação, criatividade, coordenação, imaginação e socialização. Através do jogo, as crianças aprendem a respeitar regras, discutir, inventar, criar e transformar o mundo onde estão inseridos.

Ao brincar a criança amplia seus conhecimentos por meio das conversas e discussões que venham a acontecer durante a interação com as demais, ou ainda, quando está sozinha, através de sua própria imaginação que transforma seus brinquedos em seres animados capazes de dialogar com ela, estabelecendo também uma interação produtiva em termos de aprendizagens.

O trabalho com o lúdico é uma prática fundamental para ser utilizada em sala de aula em todas as fases de aprendizagem. É através dos jogos e brincadeiras que os alunos desenvolvem suas habilidades cognitivas e motoras, proporcionando ao professor a observação do desenvolvimento da criança por meio da sua liberdade para criar e imaginar diversas situações.

Jogos e brincadeiras são ferramentas importantíssima no processo de desenvolvimento da criança, por esse motivo, muito pode ser trabalhado nesse sentido. Contar histórias, ouvir histórias, dramatizar, jogar com regras, desenhar, entre outras atividades, constituem meios prazerosos de aprendizagem. À medida que a criança interage com os objetos e com outras pessoas, construí relações e conhecimentos a respeito do mundo em que vive.

Além de jogos e brincadeiras, acho importante ensinar também as crianças a produzir brinquedos com sucatas. É muito interessante ver uma criança transformar um simples copo ou uma garrafa de plástico, por exemplo, em uma fantástica nave espacial com tripulantes e tudo.

A brincadeira que planejei para atender essa atividade foi a de ler uma história e depois trabalhar na confecção de um brinquedo (com sucata) no formato do personagem principal da história lida.

Desenvolvimento do Projeto “A Prática de Brincar”

Nome completo: Elizabeth Neves Machado D’Ingiullo

Curso: O Lúdico no Processo de Ensino e Aprendizagem

E-mail: bethden@uol.com.br

Primeiro nome da criança: Rebecca

Idade da criança: 5 anos

A criança tem algum problema de saúde: Não

Condições físicas e emocionais da criança no início da atividade: Boas condições físicas e emocionais, sem sinais de ansiedade, depressão ou problema de comportamento.

Descrição e reflexão sobre a atividade brincar vivenciada

A atividade planejada foi a de contar uma história. A história que escolhi foi “A Princesa e o Sapo”. Escolhi essa história porque fala sobre cooperação, honestidade, bondade e diálogo.

Através da história, a criança pode desenvolver a imaginação, a criatividade, as emoções, o gosto pela leitura e pela linguagem, criando empatia com os personagens. As histórias despertam na criança o lado lúdico, sabemos que é no lúdico que a criança desenvolve criatividade e senso crítico.

As histórias são excelentes ferramentas para ajudar a criança na observação, reflexão e memória.

Após a narrativa, a criança será convidada a participar da produção de um porta-objeto com material reciclado no formato de um sapo. Será um momento especial, de muita diversão e conscientização ambiental.

O brinquedo confeccionado com recicláveis, além de ajudar a preservar o meio ambiente, contribui para o desenvolvimento da criatividade da criança, do seu pensamento crítico e do aprendizado em relação ao desperdício. É uma maneira simples, barata e divertida de educar e contribuir para a formação de cidadãos críticos, facilitando a internalização das regras e valores.

Objetivo pretendido com a brincadeira Jogos e brinquedos disponibilizados.

Os objetivos pretendidos com essa atividade:

– Incentivar o prazer pela leitura e por ouvir histórias.

– Conhecer-se e reconhecer no outro diferenças em relação a si próprio, respeitando-as.

– Perceber que suas atitudes geram consequências nas relações sociais e naturais.

– Usar diferentes linguagens para expressar motivos, razões e as próprias vivências.

– Envolver a criança na produção de objetos que utilizam materiais recicláveis.

– Incentivar a criança a valorizar os recursos naturais, evitar o desperdício, reaproveitando tudo que pode ser reaproveitado.

Como você se apresentou e explicou sua atividade à criança?

Apresentei-me como alguém que adora contar histórias. Contei-lhe que conhecia muitas histórias bonitas e divertidas. Com jeitinho fui introduzindo pequenas conversas para quebrar o silêncio dela naquele momento, elogiando seu vestido, seu cabelo, e introduzindo informações sobre a atividade, despertando-lhe a curiosidade sobre a história que eu iria lhe contar.

Continuei aguçando seu interesse, contando-lhe que dentro da minha sacola tinha muitas coisas divertidas para brincarmos. Ela foi ficando cada vez mais animada e interessada na atividade.

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Qual foi a estratégia de abordagem à criança utilizada por você?

Depois de ter me apresentado e despertado a curiosidade da criança, desenrolei um tapete que eu havia levado para desenvolver a atividade. Penso que criar um ambiente aconchegante influencia muito na hora dela soltar a imaginação e acaba deixando a experiência ainda mais emocionante.

Sentei-me e a convidei a sentar-se também. Depois tirei dois fantoches (sapo e princesa) um de cada vez da minha sacola. Ao ver os fantoches, ela se sentou mais perto de mim e seus olhinhos curiosos brilharam. Ele estava visivelmente motiva a ouvir a história.

Como a criança reagiu a sua aproximação?

Inicialmente tímida, mas conforme fui conversando e lhe mostrando o que eu havia trazido, rapidamente ficou receptiva e muito interessada em ouvir a história.

Qual foi o comportamento da criança durante a atividade: forma de interação da criança com você e com os jogos e brinquedos propostos?

A criança se manteve atenta, interessada e concentrada. De acordo com o desenvolvimento da história, ela ora vibrava ora demonstrava desapontamento ou ansiedade.

Enquanto esperávamos a cola do porta-objetos secar, motivei-a a expressar suas ideias e impressões a respeito da história que eu lhe contara. Depois, ela me pediu para segurar os fantoches. Então pedi-lhe para que contasse a história usando os fantoches. Ela imediatamente aceitou e recontou a história. Foi um momento ótimo, de muita descontração.

Quanto à confecção do porta-objeto personalizado, ela amou a ideia e foi muito receptiva. Produziu cada parte do objeto com muita atenção e cuidado. Quando viu o porta-objeto pronto, com a aparência do sapinho da história, ficou ainda mais feliz. Depois que o pegou, não parou de abrir e fechar o zíper da boca do sapinho, dizendo: – Fui eu que fiz. Um momento encantador!

Fatores que facilitaram e dificultaram o desenvolvimento da atividade lúdica.

Os fatores que facilitaram o desenvolvimento dessa atividade foram: Eu ter me preparado bem antes de aplicar a atividade. Li e reli a história. Pratiquei contar a história várias vezes. Ensaiei a voz de cada personagem, as entonações das falas dos personagens para cada momento da história, a fim de que a criança pudesse reconhecer facialmente os sentimentos de alegria, medo, dúvida, etc.  Todos os gestos e os movimentos do meu corpo foram estudados e elaborados para melhor poder contar a história.

Durante toda a narrativa procurei manter o olhar nos olhos da criança. Tive também a preocupação de explicar o significado das palavras que considerei mais difíceis, mas sem perder a atenção da criança.

Para a atividade com o material reciclado, levei as duas garrafas já cortadas. Todos os demais materiais foram levados limpos, organizados, e sem oferecer perigo quando fossem manipulados. Esses foram apresentados para a criança individualmente para que ela pudesse identificar cada um e entendesse como eles seriam usados para a confecção do porta-objetos.

Qual é sua avaliação sobre a atividade vivenciada?

A minha avaliação dessa atividade foi muita boa, por ter sido bem significativa e prazerosa para a criança e gratificante para mim.

Refletindo sobre toda atividade, foi possível compreender como é importante planejar e compreender os caminhos que serão trilhados durante a aplicação da atividade. E, no final, fazer uma avaliação, com a finalidade de verificar se os objetivos planejados foram alcançados e/ou se precisam ser revistos e melhorados.

Através dessa atividade, embora tenha sido curta e isolada, ficou claro que quando se conta uma história, é possível despertar a imaginação, a criatividade e até o gosto pela leitura na criança.

Quando apresentamos a leitura de forma lúdica, mágica, prazerosa, proporcionando conhecimento e despertando a imaginação, sonhos, sentimentos, entre outros. Aí, o encantamento pela leitura é inevitável.

Quanto à confecção do porta-objetivo, foi outra grata surpresa. A criança ficou motivada e empenhada em produzir o objeto, principalmente depois que lhe contei que o porta-objeto seria no formato do personagem principal da história, o sapo. Enquanto confeccionávamos o porta-objeto com materiais recicláveis, fiquei lhe explicando a importância de se reciclar para a vida das pessoas e do nosso planeta.

O que você manteria em relação ao seu planejamento da atividade e por quê?

Na verdade, manteria esse planejamento, porque com ele conseguiu atingir todos os objetivos propostos. As atividades foram executadas com pleno êxito e com excelentes resultados.

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E o que você faria diferente e por quê?

O que eu acrescentaria para aprimorar essa atividade: Colocaria mais objetos na minha sacola para representar cenários, outros personagens e para efeitos sonoros. Uma tigela com água, por exemplo, poderia ser o lago na história. Criativos recursos visuais e sonoros enriquecem ainda mais o momento da narrativa.

O que eu acrescentaria para aprimorar essa atividade: Colocaria mais objetos na minha sacola para representar cenários, outros personagens e para efeitos sonoros. Uma tigela com água, por exemplo, poderia ser o lago na história. Criativos recursos visuais e sonoros enriquecem ainda mais o momento da narrativa.

Porta-objetos em formato de sapo.

Materiais necessários:

– Duas garrafas pet verdes

– Tesoura

– Zíper vermelho

– Cola super bonder (ou similar)

– Pedaço de papel branco

– Caneta preta

passo 1

 

Passo a passo

1º passo: Duas garrafas verdes pet (já que essa é a cor dos sapos) da mesma cor e do mesmo tamanho.

2º passo: Cortar as duas garrafas pet da mesma maneira, ficando apenas com a parte inferior de ambas.

Passo 2

3º passo: Pegar um zíper vermelho para fazer referência à boca do sapo. Passar cola em suas duas extremidades. Colar cada uma das partes de garrafa pet em uma extremidade. Esperar secar para continuar.

Passo 3

4º passo: No pedaço de papel branco, desenhar e recortar dois círculos, que serão o contorno dos olhos do sapo. No centro de cada um deles, com a caneta preta, desenhar duas bolinhas. Colar os olhos em uma das garrafas pet. Pronto! Um porta-objetivos no formato de um sapinho.

 “As atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança, já que através destas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convive fisicamente e opera mentalmente.” Airton Negrine

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GESTÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO: CONTRIBUIÇÕES DA LUDICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Gestão Escolar na Educação

Autora: JAQUELINE DO AMARANTE
Artigo científico apresentado a FAVENI como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Gestão Escolar.
Artigo cedido pela autora para publicação em nosso website www.somaticaeducar.com.br

 

 

RESUMO: Este trabalho de pesquisa tem como objetivo evidenciar a importância da participação da gestão nos processos que ocorrem na escola, em todos os âmbitos. Uma gestão democrática e participativa, que observa, planeja e executa dentro da escola e em todo o ambiente escolar. Apresenta o gestor e seu papel no contexto atual, com tantos desafios e inquietações que surgem, e com significativas aprendizagens. Em meio a tantas mudanças na educação em geral busca-se um olhar sensível na educação infantil, fase de intensas aprendizagens e construção de significados e sentimentos para toda vida.

Palavras – chave: Gestão, Criança, Educação Infantil.

 

ABSTRACT: This research aims to highlight the importance of the participation of the management in the processes that occur in the school, in all the scopes. A democratic and participatory management that observes, plans and executes within the school and throughout the school environment. It presents the manager and his role in the current context, with so many challenges and concerns that arise, and with significant learning. In the midst of so many changes in education in general we seek a sensitive look at early childhood education, intense learning phase and building meanings and feelings for all life.

 

Key words: Management, Child, Early Childhood Education

 

 

ludicidade
Ludicidade

 

1. INTRODUÇÃO

A concepção de criança passa por várias mudanças que acabam refletindo na prática docente e nos processos de administração e gestão das escolas, na idade média a criança era vista como um ser em miniatura, quando conseguia realizar algumas tarefas era inserida no mundo adulto, sendo exposta a todo tipo de vivencia. A reorganização da sociedade pelos avanços, de constrói uma identificação de infância como o primeiro ciclo da vida humana, assim a consciência social sobre a importância da infância, deslocou-se gradativamente e a criança de pequena e de um lugar irracional passa para o status de aprendiz, sujeito e participante.

Diante de tantas mudanças tem-se um compromisso histórico com uma educação inclusiva, justa e igualitária, compreende-se a infância como condição da criança, enquanto sujeito de direitos, construtora de sua própria cultura, participante ativa na construção de sua identidade, autonomia e competência, por meio de suas relações e interações com o meio. Segundo Dewey (1959, p.53):

Temos,entretanto, suficientes divergências fundamentais: primeiro, o mundo pequeno e pessoal da criança contra o mundo impessoal da escola, infinitamente extenso, no espaço e no tempo; segundo, a unidade da vida da criança, toda afeição, contra as especializações e divisões do programa; terceiro, a classificação lógica de acordo com um principio abstrato, contra os laços práticos e emocionais da vida infantil.

A criança na escola em meio a tantas mudanças e conquistas, o educador gestor surge para que este momento tão significativo da vida torne-se especial e possibilite crescimento físico e intelectual às crianças especialmente na fase da educação infantil.

Estudos destacam a importância do trabalho de gestão na escola, que seja participativa, pois segundo Libâneo, Oliveira e Toschine (2008), esta é a faculdade das pessoas de autogovernar-se, de decidir sobre o próprio destino. Gestão participativa é o exercício responsável e compartilhado da direção e de cada membro da equipe escolar na tomada de decisões. A gestão no âmbito escolar no contexto atual, significa um processo que envolve todos os protagonistas da comunidade escolar, atuar conscientemente em todos os campos escolares, buscando aperfeiçoamento da práxis educacional, em consonância com o contexto no qual as crianças estão inseridas. Cabe ao gestor manter-se sempre atualizado e fundamentado para elaborar ou sugerir melhoras estratégias significativas de acordo com a proposta da escola, é esperada atuação para melhoria do processo ensino-aprendizagem, na definição dos instrumentos para concretizar as escolhas realizadas pela comunidade escolar.

Um olhar sensível na educação infantil é necessário por parte da equipe que faz parte da gestão da escola, buscar desde os pequenos o encantamento necessário para que a aprendizagem realmente aconteça em todos os sentidos, olhar esse que estará atento para todos os sentidos quanto a espaço físico e planejamento de experiências que as crianças terão nesse espaço, a parte gestora da escola deve estar atenta as necessidades que surgiram ao passar dos dias, a educação infantil é a base para toda a caminhada na educação, esse olhar sensível deve estar sobre os professores e crianças que fazem parte deste contexto.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 O GESTOR ESCOLAR

O gestor na escola não se resume á administração do estabelecimento de ensino, mas alguém responsável por mudanças e evolução, mudanças rápidas ocorrem todos os dias em todos os setores, algumas mais visíveis como as tecnológicas, a educação não é uma área inerte, as transformações ocorrem a partir do momento que as crianças e adultos interagem com o mundo externo. Na atualidade deve-se orientar com responsabilidade, motivação, preocupado com a formação continuada de seus colegas, compartilhando conhecimentos.

Na busca de uma gestão educacional que atenda às exigências dos dias atuais deve sugerir ma aproximação dos fatos administrativos com as questões pedagógicas, não é possível que a administração escolar paute-se apenas aspectos burocráticos, sua ênfase deve promover condições de aprendizagem à criança. Atualmente uma gestão democrática busca o envolvimento da comunidade na organização das questões educacionais, visando melhorias em todos os processos.

A concepção de gestão nos últimos tempos tem sido marcada pelo comprometimento da comunidade escolar na organização das questões educacionais, visando a melhoria de todos os processos na escola para melhor desenvolvimento de todos os aspectos que envolvem o desenvolvimento do ser humano.

O processo de gestão está sempre em mudanças que ocorrem dentro e fora da escola, o gestor deve procurar manter todos os segmentos da escola numa relação de troca de aprendizagens, tentar melhorar processos e aprendizagens da melhor maneira possível, manter-se em constante crescimento faz parte das funções do gestor, a informação o dialogo indispensáveis nas relações dentro e fora do ambiente escolar, visando promover a interação de todos, inclusive na tomada de decisões em conjunto, orientadas pelo compromisso com valores, princípios e objetivos educacionais, aceitando a diversidade de pensamentos.

O gestor pode estar a cada dia melhorando a imagem da escola trazendo cada vez mais a participação de toda a comunidade escolar na tomada de decisões, manter seu quadro de colaboradores e família escolar sentindo-se parte deste contexto, sabendo que cada pessoa tem um papel essencial na formação de todos, e buscam a melhor qualidade de ensino.

A gestão democrática implica um processo de participação coletiva; sua efetivação na escola pressupõe instâncias colegiadas de caráter deliberativo, bem como a implementação do processo de escolha de dirigentes escolares, a participação de todos os segmentos da comunidade escolar na construção do projeto político-pedagógico e na definição da aplicação dos recursos recebidos pela escola. (2006, p. 81).

Analisando as diversas situações e tomando decisões sobre cada uma em conjunto, cria-se a um processo de construção de uma escola competente que visa o compromisso com a sociedade, na citação acima Dourado reafirma a importância do trabalho em equipe na escola para que haja ações planejadas e conscientes que levem a escola a criar espaços de reflexão e de experiências de vida, numa comunidade educativa, onde se estabeleça, acima de tudo, a aproximação entre essas relevantes instituições: família e escola com gestores.

Todos os segmentos envolvidos no dia a dia escolar tem fundamental relevância nas decisões tomadas para melhor desenvolvimento do projeto de cada escola, a equipe de gestão os demais funcionários da escola e a comunidade escolar devem manter um dialogo claro e permanente na tomadas de decisões feitas na escola.

Essa maneira de responder as exigências de uma nova escola é com uma gestão participativa, onde o exercício responsável e compartilhado da direção e de cada membro da equipe escolar, composta por ações racionais , estruturadas e coordenadas por objetivos bem definidos.

 

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2.2 GESTÃO: UM OLHAR SENSÍVEL SOBRE A EDUCAÇÃO INFANTIL

Educação Infantil deve constitui-se um espaço onde a criança possa ter acesso a diferentes experiências socioculturais, desenvolvendo sua capacidade de expressão, pensamento, interação, comunicação, autonomia e afeto. Não sendo vista apenas como um momento de recreação, cuidados e preparo para etapas seguintes, é um espaço e tempo de vivências do respeito e da consideração pelas diferenças individuais, culturais e sociais.

Nesse espaço de educação infantil as diferentes linguagens ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender, expressando suas idéias, sentimentos, necessidades e desejos, avançar no processo de construção de significados, espaço para conhecer a cultura familiar e social na qual está inserida, segundo Aries(1978) destaca:

(…) afetividade era demonstrada, principalmente, por meio da valorização que a educação passou a ter. A aprendizagem das crianças, que antes se dava na convivência das crianças com os adultos em suas tarefas cotidianas, passou a dar-se na escola. O trabalho com fins educativos foi substituído pela escola(…). As crianças foram então separadas dos adultos até estarem “prontas” para a vida em sociedade(1978,p.33)

É de extrema importância que a Educação Infantil constitua-se em um espaço de escuta e respeito à criança, nas suas singularidades, por meio da brincadeira, da imaginação, do respeito às diferentes manifestações , pelo seu modo de ser e estar no mundo, é indispensável voltar os olhares à infância que emerge nas escolas, para organização das práticas pedagógicas em relação a primeira infância.

Na Educação Infantil são desenvolvidas todas as habilidades intelectuais e motoras da criança, é necessário que nessa fase da vida a criança seja incentivada para que tenha autonomia em suas atitudes e decisões. Para isso depende de um espaço que possibilite essas apropriações de significados de mundo, e vai depender do contexto que a criança está inserida, o que a escola e educadores estão proporcionando, segundo Loris Malaguzzi (citado em Edwards, 1999):

Valorizamos o espaço devido a seu poder de organizar, de promover relacionamentos agradáveis entre pessoas de diferentes idades, de criar um ambiente atraente, de oferecer mudanças, de promover escolhas e atividades, e a seu potencial para iniciar toda espécie de aprendizagem social, afetiva e cognitiva. Tudo isso contribui para uma sensação de bem-estar e segurança nas crianças. Também pensamos que o espaço deve ser uma espécie de aquário que espelhe as ideias, os valores, as atitudes e a cultura das pessoas que vivem nele.

Nesse espaço forma-se conceitos, as crianças precisam de oportunidades de estratégias para que desenvolvam suas habilidades, os gestores estão envolvidos em todos os processos da criança dentro da escola.

Conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2009, p.15).
As instituições de Educação Infantil são espaços de convívio coletivo, privilegiam trocas, acolhimento e aconchego para garantir bem-estar para crianças e adultos que com elas se relacionam e entre si. Os pesquisadores também destacam a importância da interação das crianças com a cultura e com o conhecimento, ou seja, a ampliação de trocas humanas, a partir de experiências no plano do conhecimento, dos afetos, das coisas e das pessoas. As crianças aprendem sobre si (capacidades e limites) e sobre o mundo nas interações sociais e o professor deve ser um mediador não só de cultura, mas de afetos.

No espaço escola o afeto está presente em todas as situações entre crianças, educadores e gestores que estão envolvidos em processos que ocorrem diariamente nas escolas, principalmente em momentos de conflito, pois nessa fase da aprendizagem as crianças são ainda individualistas, e sentem dificuldades na divisão de espaço ou de brinquedos, nesse instante a intervenção do adulto é indispensável.

Com as crianças da educação infantil o olhar deve ser especialmente sensível nessa fase da vida se vive plenamente com toda corporeidade, a criança experimenta seus pensamentos, sensações e sentimentos pelo corpo em constante movimento. Experiencia de forma natural manifestações da cultura corporal e os componentes da arte, a exemplo, pula corda cantando, desenha suas brincadeiras e constrói sentidos e significados das suas vivências. Potencializar a expressividade e a criatividade da criança está além de ampliar as linguagens artísticas e corporais, é necessário também relacioná-las, criar um envolvimento com o mundo e os outros, numa constante interação, assim, cria as suas próprias formas de comunicação.

O gestor tem um papel de constante reflexão e transformação em seu trabalho pedagógico,e com as crianças menores observar se realmente está sendo assegurado a elas direitos de brincar, conviver, participar, explorar, comunicar e se conhecer. Assim valorizar as vivências e experiências das crianças considerando as multiplicidades de suas linguagens- expressiva, comunicativa, simbólica, imaginativa e relacional que tem em relação ao mundo que a cerca.

É preciso que as escolas de Educação Infantil tenham seus objetivos diferentes do Ensino Fundamental, comprometer-se com uma gestão que busca a participação da comunidade escolar, o comprometimento das professoras e funcionários, a fim de todos juntos possam construir uma gestão escolar democrática e participativa levando em consideração a construção de uma pedagogia de infância. O espaço de educação infantil deve ser desafiador e interessante à criança, ambiente acolhedor, rico em interações, para que a criança construa vínculos, sinta segurança, confiança, e a partir das suas possibilidades inicie seu processo de construção da autonomia. Para isso professor e toda equipe precisam colocar a criança como protagonista de seu desenvolvimento e permitir que ela desenvolva todas suas habilidades em sua totalidade, que o cuidar/educar estejam juntos e que a criança seja ouvida realmente em suas necessidades e desejos. Permitir que a criança crie laços e segurança no ambiente que está é de primordial importância para seu desenvolvimento completo.

A rotina da Educação Infantil reflete a Gestão Escolar vivenciada no cotidiano da escola, pois deve ser construída por momentos de decisão coletiva, partilhada e comprometida com a autonomia dos sujeitos, sem transferir responsabilidades nas decisões, também pressupõe a construção de um Projeto Político Pedagógico onde a escola articula saberes, discussões e ações sobre a criança e a complexidade da Educação Infantil, para Barbosa( 2007, p.80)

Uma proposta político pedagógica é um documento de compromisso com as crianças brasileiras e com a sua educação, assim, a instituição como espaço público deve constantemente estar se abrindo para o diálogo e para a reflexão coletiva sobre o seu PPP, na tentativa de não sedimentar apenas a experiência vivia, mas confrontá- la com a prática, com seus efeitos, com seus ganhos e perdas e assim poder estar em constante reflexão e em permanente reconstrução.

A Gestão Escolar tem papel relevante na construção de um espaço aberto ao diálogo, com a participação dos pais, crianças, funcionários, direção para que todos possam opinar dando sugestões de melhoramentos em todos os sentidos á escola, construindo um processo de gestão democrática numa caminhada em conjunto com objetivos definidos por todos os segmentos da escola.

 

 

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3.CONCLUSÃO

A gestão escolar para o desenvolvimento é fundamental, estabelece uma dimensão importantíssima da educação, o ato de administrar a instituição escolar é acentuada ao desenvolvimento do sujeito aprendiz, pois o aluno não aprende somente na sala, mas em todos os ambientes escolares, e com todas as pessoas envolvidas nesse processo.

Gestão é a área de conhecimento humano, cheia de complexidade e desafios diários, cada organização escolar requer a tomada de decisões, a coordenação de muitas atividades, e conhecimento de seres humanos, afinal estão todos envolvidos nesse processo e necessitam de atenção individual e reconhecimento de suas funções e desempenho. Portanto a condução de pessoas, avaliação de desempenho dirigido aos objetivos traçados, em suma os gestores enfrentam novos e sérios desafios que vão surgindo ao longo do trajeto e irão gerir os pressupostos técnicos / pedagógicos das instituições escolares, tal qual surgem à educação infantil e todos os demais segmentos da escola.

Um local de vivências coletivas uma gestão evidenciada com proposta de interação, a instituição tem uma concepção de gestão escolar que reflete a realidade daquele espaço, de profissionais com diferentes trajetórias de vida pessoal e profissional, assim deve ser construída coletivamente, com formação continuada que busca a participação efetiva na proposta de trabalho coerente com os anseios dessa comunidade escolar.

Os desafios de construir uma pedagogia da infância devem ser postos em discussão e reflexão de todos o segmentos da comunidade escolar e interessados nas melhorias da escola como um todo. a fim de que possamos encontrar uma Educação Infantil uma Gestão Escolar consciente e comprometida que o professor e todos os funcionários envolvidos e que atuam com crianças dessa faixa etária possam desempenar com satisfação seu papel, como gestor de sua própria prática envolvido com os objetivos que complementam a Educação Infantil.

Uma gestão para o desenvolvimento depende de profissionais comprometidos em envolvidos com a educação, conscientes da importância de cada pessoa em sua função eu a escola precisa de cada envolvido nesse processo de maneira disponível e atenta a todos os desejos das crianças em sua complexidade e curiosidade, disponibilizar um ambiente rico de oportunidades é a diferença, um olhar realmente que olhe e enxergue as intenções das pequenas falas dos pequenos, que de todas as maneiras. Uma escola democrática que permite a criança desenvolver-se de acordo com suas possibilidades, que os pais possam vir até a escola de seu filho com confiança e tranqüilidades que estará feliz e desenvolvendo todas suas possibilidades.

Uma gestão comprometida com todos os aspectos que envolvem o espaço da escola tanto físico quanto profissional, manter uma relação de troca de saberes e relações, possibilita melhor desempenho de todos os segmentos que fazem parte do contexto escolar, de forma participativa e democrática.

4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARIÈS, P. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Livros Técnicos Científicos. Editora S.A, 1978.

BARBOSA & HORN- Projetos pedagógicos na educação infantil ( faltou editora e ano etc)

BARBOSA,M.C.S.- Por amor e por força: rotinas na educação infantil ( faltou editora e ano etc)

BARBOSA, M.C.S. Projeto político-pedagógico para a educação infantil. In: REDIN, E; REDIN M. M.; MÜLLER, F. (Orgs). Infâncias: cidades e escolas amigas das crianças. Porto Alegre: Mediação, 2007. BUSSMANN, A.C. O projeto político-pedagógico.

DOURADO, L. F. Gestão escolar democrática- a perspectiva dos dirigentes escolares da rede municipal de Goiânia. Goiânia: Alternativa, 2003.

EDWARDS, C; GANDINI, L; FORMAN, G. As cem linguagens da criança: A abordagem de Reggio Emilia na educação da primeira infância. Porto Alegre: Artmed, 1999.

FARIA, V. L. B. Currículo na educação infantil ldiálogo com os demais elementos da Proposta Pedagógica/ Vitória Faria Salles-2ed (ver. E . amp)-São Paulo : Ática, 2012

IJUÍ, PROPOSTA CURRICULAR Tempo e espaço de ser criança Educação Infantil Cadernos SMED-Ijuí/RS ( Faltou ano).

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REFLEXÕES: Numeramento e Alfabetização Matemática

Ser numerado envolve algumas habilidades de letramento e de habilidades de matemática, de acordo com o que é determinado em alguma situação

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REFLEXÕES: Numeramento e Alfabetização Matemática

 Autoras :

Adriana Elisa Endruweit1

Glaucia Regina Bieger2

1 Especialista em Educação Infantil pela UNINTER e graduada em Pedagogia pela UNIJUI. Professora da rede municipal de Ijuí/RS. E-mail: adri.e1972@gmail.com.br

2 Especialista em Gestão Escolar pela FAVENI e licenciada em Matemática pela UNIJUÍ. Professora da rede municipal de Ijuí/RS. E- mail: glauciabieger@hotmail.com

 

Resumo: O presente artigo se constitui a partir de uma pesquisa qualitativa que se faz, considerando uma análise documental e tem como objetivo, problematizar, discutir e despertar nas escolas a discussão e reflexão sobre o Numeramento e Alfabetização Matemática. A partir de um levantamento e análise dos entendimentos, das proposições, das considerações e das possíveis contribuições apresentadas pelos pesquisadores Fonseca (2004) e Danyluk (2004). A pesquisa pode contribuir no processo de numeramento e alfabetização matemática, pois se configura como uma possibilidade de reflexão, capaz de promover um novo olhar para o ensino da matemática. Diante disso faz-se necessário cada vez mais que professores procurem entender como se dá a alfabetização e o numeramento efetivando assim seu aluno a capacidade de realmente ler o mundo.

Palavras chaves: Alfabetização matemática; Numeramento; Ensino de Matemática, Letramento.

Abstract: This article is based on a qualitative research that is done, considering a documentary analysis and aims to problematize, discuss and awaken in schools the discussion and reflection on Numeracy and Mathematical Literacy. From a survey and analysis of the understandings, the propositions, the considerations and the possible contributions presented by the researchers Fonseca (2004) and Danyluk (2004). The research can contribute to the numbering and mathematical literacy process, since it can be considered as a possibility of reflection, capable of promoting a new look at the teaching of mathematics. Faced with this, it is increasingly necessary for teachers to try to understand how literacy and numbering are done, thus making the student the ability to actually read the world.

Key words: Mathematical literacy; Numbering; Mathematics teaching, literacy.

INTRODUÇÃO

A educação deve preparar o homem para desenvolver sua própria capacidade dando-lhe conhecimento, ajudando-o a ser sábio, coerente, humilde, corajoso nas lutas, correto e autêntico, justo nas críticas, capaz de ver seus próprios erros, de buscar seu ideal e seu próprio meio de sobrevivência, atitudes honestas diante das coisas, das pessoas, dos fatos e da vida.

Educar é formar indivíduos com a capacidade de agirem na sociedade, agir de forma que possam mudar sempre para melhor, nós futuros educadores,

devemos possibilitar ao educando a encontrar as próprias alternativas de solução

– problema, quando eu crio uma situação eu devo pensar, refletir para resolvê-la. É através das situações que aprendemos a enfrentar as coisas. Porque problematizados, questionados, e com isso temos que refletir para buscarmos soluções.

A educação está passando por inúmeras transformações, principalmente no que diz respeito às formas de interação dos alunos com o conhecimento e a informação. O Ensino Fundamental, por ser a base de todo o sistema educacional, vem questionando todo o sistema de  acerca da memorização, de escritas mecânicas e sem sentido que não garantem o aprendizado da criança e que, por conseqüência, alimenta o fracasso escolar.

Torna-se assim cada vez mais acirrada e intrigante, a preocupação de como alfabetizar e fazer com que as crianças leiam, escrevam, interpretem, compreendam com competência, adquirindo a base alfabética. Acredita-se que a escola precise enfocar a aprendizagem enquanto função social, onde o ler e o escrever não se restrinjam, mas que se tornem um desafio na construção do conhecimento.

Desta forma, a escrita e a leitura podem transformar toda e qualquer forma de aprendizado, desde que estas cumpram os desafios que estão sendo propostos na atualidade e que as instituições escolares estejam dispostas a modificar; juntamente com professores, gestores e comunidade escolar;  as formas de leitura e escrita de mundo a qual começam já antes mesmo das crianças ingressarem na escola o que na maioria das vezes é desconsiderado pelas instituições.

Diante da preocupação que envolve todo um contexto escolar sobre o letramento, como fica a matemática? Onde acontece a aprendizagem da matemática? O que é esse tal numeramento? Qual a relação de leitura e escrita com a matemática? As escolas estão preocupadas com a aprendizagem dos alunos?

Essas são questões desafiadoras, que geram dúvidas e abrem espaço para um conflito muito grande quando pensamos nas aulas de matemática propostas na atualidade. Pensar que pouco tem sido feito enquanto prática faz com que análises sejam realizadas, que estas nos levam a perceber que algumas posições necessitam ser revistas na educação.

A partir dessas considerações, buscamos através desta pesquisa, problematizar e discutir ideias e entendimentos apresentados por pesquisadores como, Fonseca (2004), Danyluk (1991) sobre o Numeramento e Alfabetização Matemática. A pesquisa é qualitativa e se faz com e a partir de análises documentais.

ALFABETIZAÇÃO MATEMÁTICA E NUMERAMENTO

 

O mundo está em constantes transformações e não podemos ficar alheios a elas, pois a educação é algo sempre presente em nossas vidas, mesmo quando não percebemos no amontoado de fazeres e saberes do cotidiano, as mudanças estão acontecendo, por isso podemos dizer que a educação, a aprendizagem, não acontecem somente na escola mas também fora dela.

Na formação cidadã, é preciso garantir a todos, em igualdade, a construção de conhecimentos matemáticos essenciais à vida e também proporcionar situações de aprendizagem que possibilitem aos educando perceberem que a matemática está presente no seu dia-a-dia, nas mais diferentes situações.

As tarefas e demandas, face ao mundo do trabalho ou à vida diária podem requerer muito mais que simplesmente a habilidade para aplicar as capacidades básicas de matemática. Estar preparado para atender a essas demandas e tarefas requer que o sujeito esteja, mais do que alfabetizado matematicamente, “numerado”.

O numeramento é visto como um amplo conjunto de habilidades, estratégias, crenças e disposições que o sujeito necessita para manejar efetivamente e engajar-se autonomamente em situações que envolvam números e dados quantitativos ou quantificáveis, ou ainda, informação baseadas em dados quantitativos. (FONSECA: 2004, p: 103).

Isso quer dizer que quando o sujeito confronta com alguma situação, os mesmos devem utilizar os seus conhecimentos, habilidades, estratégias para atingir as metas que deseja.

Numeramento é um domínio de habilidades que envolvem um subconjunto de habilidades essenciais tanto da matemática como do letramento e que vem sendo entendida como:

…um agregado de capacidades, conhecimentos, crenças e hábitos da mente, bem como as habilidades gerais de comunicação e resolução de problemas, que os indivíduos precisam para efetivamente manejar as situações do mundo real ou para interpretar elementos matemáticos ou quantificáveis envolvidos em tarefas. (Cumming; Gal; Ginsburg, 1998:2 apud FONSECA, 2004,94).

Ser numerado envolve algumas habilidades de letramento e de habilidades de matemática, de acordo com o que é determinado em alguma situação. Numeramento, não depende apenas de conhecimentos técnicos (regras, operações), mas sim disposições, crenças, hábitos.

Os diferentes tipos de atividades da vida diária fornecem contextos e conflitos com os quais e nos quais se usam capacidades matemáticas. O nível das capacidades que um indivíduo necessita possuir depende, geralmente, das características dos meios particulares onde estes têm suas funções, ou onde vivem (local de trabalho, casa).

Algumas capacidades fundamentais como contar os números ou algumas idéias sobre adição e subtração, devem estar em todos os contextos. Outras capacidades matemáticas e habilidades de manejo dos números envolvidos em um texto (o que requer certas capacidades de letramento) podem ser requeridas em alguns contextos e em outros não.

O numeramento pode mudar ao longo do tempo, dependendo das circunstâncias pessoais de vida, trabalho, mudanças tecnológicas. O desempenho dos “numerados” envolve a influência de vários componentes, incluindo o conhecimento dos domínios específicos e das estratégias, bem como o conhecimento de mundo que pode ter sido adquirido dentro ou fora da escola.

Para tornar o ato de pensar matemático real para as pessoas, faz necessário que todo educador matemático considere os saberes já construídos, proporcione situações de aprendizagem que desenvolvam o pensamento lógico, o espírito de investigação, visando um educando crítico e criativo, que aprenda a matemática presente na vida.

Quando falamos em alfabetização, pensamos na aprendizagem da língua. É compreender as linguagens que o mundo apresenta, para que haja uma comunicação e interação do sujeito com a realidade em que vive. O homem a utiliza como instrumento para expor trocar idéias com os outros. A linguagem é o meio de estabelecer relação humana, é o aspecto fundamental do modo de ser e de existir do ser humano, por meio dela, expressa aquilo que compreende e interpreta o mundo. Conhece as letras e as relações possíveis entre elas, na utilização das estratégias de leitura, no sentido de reconhecer palavras, decompondo-as em silabas, letras.

Mesmo antes da escolarização a criança é constantemente envolvida em atividades matemáticas que mesmo não sendo assim reconhecidas por elas envolvem aspectos quantitativos da realidade. Isto significa que mesmo antes de freqüentar a escola as crianças classificam, ordenam, quantificam e medem e desta forma mantêm uma boa relação com a Matemática. Mas porque essa relação se complica quando a criança inicia sua vida escolar e se agrava no decorrer de todos os níveis de ensino?

Em geral, têm mostrado que pouco se trabalha com Matemática no início da escolarização. Seja na educação infantil ou nas séries iniciais do ensino fundamental a prioridade no trabalho dos professores são os processos de aquisição da leitura e da escrita, como se somente esse fosse componente fundamental da alfabetização, a Matemática é o segundo plano, e ainda assim tratada de forma descontextualizada, desligada da realidade, das demais disciplinas.

A alfabetização, no entanto, não pode ocupar somente o campo das letras. Trabalhando dentro da perspectiva do letramento, ser alfabetizado é fazer uso da leitura e da escrita, tocando em todos os ramos do conhecimento, percebemos então que é preciso também alfabetizar numericamente as pessoas. Desde pequenas, as crianças mergulham no mundo dos números, muitas vezes sem compreendê-lo.

As relações estabelecidas entre linguagem natural e a linguagem matemática ajudam-nos a compreender os significados atribuídos pelos alunos nos processos de leitura, escrita e interpretação do texto matemático, bem como situá-los dentro de contextos. Dessa maneira, se entendidas tais relações, permitirá aos seus envolvidos (alunos e professores) avançarem nas atividades propostas em aulas de matemática.

A criança que ingressa na escola traz conhecimentos matemáticos informais que devem ser considerados pelo professor ao organizar sua proposta de trabalho. A escola marca a transição de um contexto familiar para outro influenciado pela cultura, com outros códigos e possibilidades de relações e a Matemática surge como porta de entrada para novas competências e estratégias próprias do mundo escolar.

O ensino estabeleceu como sujeito alfabetizado aquele que consegue ler e, interpretar determinados código e sinais, se referindo ao alfabeto e aos números. O ato de alfabetizar diz respeito à compreensão e á interpretação dos sinais, com significados, impressos em um texto, bem como a expressão escrita de significados.

O termo “Alfabetização, refere-se aos atos de aprender a ler e a escrever a linguagem matemática usada nas primeiras serie da escolarização (…). Ser alfabetizado, em matemática, então é entender o que se lê e escreve o que se entende a respeito das primeiras noções de aritmética, geometria e lógica. (DANYLUK, 1991:45)

Ser alfabetizado em Matemática é compreender o que se lê e escreve a respeito das noções de números e operações, espaço e forma, grandezas e medidas e tratamento da informação.

Se ler é compreender e interpretar aquilo que está impresso em um texto, então, ao ler o discurso matemático o leitor deve compreender e interpretar aquilo que o texto de matemática mostra, ou seja, os símbolos e signos expressos pela linguagem matemática. ( DANYLUK,1991:39).

A alfabetização matemática é um ponto chave para o conhecimento matemático, pois as primeiras noções de aritmética, geometria, são compreendidas como os primeiros passos, o que dará maior possibilidade de aprendizagem.

Muitas vezes os conteúdos de matemática são expostos para os alunos, exigindo a memorização, influenciando assim na não compreensão dos significados, fazendo com que os alunos evitem esta disciplina.

Tomo a Educação como zelo, como cuidado com o ser do aluno e, com isso, falo em Alfabetização no sentido de compreender e interpretar aquilo que se escreve e que se lê. Não a considero apenas no ato de a pessoa escrever e ler o seu nome ou, então, não no sentido de decodificar palavras, silabas ou frases. Eu compreender o mundo em que o leitor esta, inserido, na sua realidade, realidade do outro, na realidade de todos nós (DANYLUK,1991:109).

CONCLUSÃO

 

Esta pesquisa contribui para o estudo de teóricos que, auxiliam, enriquecem o trabalho pedagógico, pois ensinar matemática não é nem explicar detalhadamente (de fora para dentro) para os alunos e nem esperar que eles tenham a estrutura de pensamento pronta, para então ensiná- la. O nosso papel, como professores, é intervir para a construção do conhecimento que, quanto mais abrangente for, mais elementos fornecerão para a própria estruturação do pensamento.

O aluno não aprende sozinho (daí a grande importância da escola): ele aprende resolvendo problemas do cotidiano, refletindo sobre o que observa, no confronto com as soluções e idéias dos outros – dentro e fora da sala de aula e da escola. A idéia de número é um exemplo típico deste aprender: comparar, relacionar, ordenar, comprar, vender, etc, fazem parte dos problemas que as pessoas tentam resolver no seus dia-a-dia. A contagem, por exemplo, é um instrumento que se usa para determinar quantidades, inclusive em jogos infantis. Ações e relações como essas devem ser institucionalizadas na escola, para conduzir à construção da idéia de número pelo aluno.

Diante disso faz-se necessário cada vez mais professores que também busquem entender como se da a alfabetização e o numeramento efetivando assim seu aluno a capacidade de realmente ler o mundo. É de tamanha importância que o profissional formado em matemática desperte em suas escolas a discussão e reflexão da alfabetização matemática e numeramento uma vez que este mais do que ninguém sabe da necessidade real e urgente de se pensar nestes conceitos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ADELINO,Paula Resende;FONSECA ,Maria da Conceição Ferreira Reis: Práticas de Numeramento nos livros didáticos de Matemática voltados para a educação de Jovens e Adultos. p.1-20. Disponível em

<http://www2.rc.unesp.br/eventos/matematica/ebrapem2008/upload/250-1-A- AdelinoFonsecaTrabalhoXIIEBRAPEM.pdf>. Acesso em 23 de janeiro de 2017.

DANYLUK, Ocsana S, Alfabetização Matemática: o cotidiano da vida escolar, Caxias do Sul: 2°edição, EDUCS, 1991.

FONSECA, Maria da Conceição Ferreira Reis: Sobre a adoção do conceito de numeramento no desenvolvimento de pesquisas e praticas pedagógicas na educação matemática de jovens e adultos. Universidade Federal de Minas Gerais. p.1-12. Disponível em:<www.sbem.com.br/files/ix_enem/Palestra/PA%20-%2001.doc>. Acesso em 23 de janeiro de 2017.

Letramento no Brasil: habilidades matemáticas: reflexões a partir do INAF 2002/organizadora Maria da Conceição Ferreira Reis Fonseca.-São Paulo: Global:Ação Educacional Assessória, Pesquisa e Informação: Instituto Paulo Montenegro,2004.

PAIS, Luis Carlos. Ensinar e Aprender Matemática. Belo Horizonte: Autentica 2006.

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