CONTRIBUIÇÕES DA AVALIAÇÃO NO CONTEXTO EDUCACIONAL

 

JAEGER, Márcia Andréia Radüns. Contribuições da avaliação no contexto educacional. 2016. 22p. Trabalho de Conclusão de Curso (Pós-Graduação em Especialização em Gestão e Organização Escolar), Centro de Ciências Empresariais e Sociais Aplicadas, Universidade Norte do Paraná, Ijuí, 2016.

 

 

RESUMO

 

 

O presente artigo buscou realizar uma descrição reflexiva na busca de resultados que provoquem transformações com aprendizagens significativas, criando-se assim possibilidades para fortalecer o processo de avaliação. Neste desafio algumas ações foram desenvolvidas e socializadas entre os educadores, partindo de hipóteses para a elaboração e, posteriormente o desenvolvimento e a prática do Conselho de Classe na Educação Infantil e nos Anos Iniciais de uma escola da rede pública municipal. Este colegiado tem o objetivo de abordar, durante sua execução a intervenção e a reflexão para realizar uma avaliação acentuada das ações educacionais do educando bem como da prática pedagógica docente, na condição de mudanças ao processo de ensino e aprendizagem. Desta maneira é possível criar formas e modos de efetivarem-se os princípios da Gestão Democrática como práxis criadora no qual pesquisadores e demais participantes estão envolvidos de modo cooperativo. Neste estudo buscaram-se como fundamentação as reflexões o apoio de autores estudados durante o curso em andamento e demais que tratam sobre o assunto. A descrição deste artigo apresenta-se com uma abordagem qualitativa, no qual dados foram colhidos, descritos e analisados.

 

Palavras-chave: Avaliação. Processo. Conselho de Classe.

 

 

 

JAEGER, Márcia Andréia Radüns. Contributions of evaluation in the educational context. 2016. 22p. Course Completion Work (Graduate in Specialization in Management and School Organization), Center for Business and Applied Social Sciences, Northern University of Paraná, Ijuí, 2016.

 

 

ABSTRACT

 

The present article sought to make a reflective description in the search for results that provoke transformations with meaningful learning, thus creating possibilities to strengthen the evaluation process. In this challenge, some actions were developed and socialized among educators, starting from hypotheses for the elaboration and later the development and practice of the Class Council in Early Childhood Education and in the Early Years of a school in the municipal public network. This collegiate has the objective of approaching during its execution the intervention and the reflection to carry out a marked evaluation of the educational actions of the student as well as of the teaching pedagogical practice, in the condition of changes to the process of teaching and learning. In this way it is possible to create ways and means to implement the principles of Democratic Management as a creative praxis in which researchers and other participants are involved in a cooperative way. In this study we sought as a basis the reflections the support of authors studied during the course in progress and others that deal with the subject. The description of this article presents a qualitative approach, in which data were collected, described and analyzed.

 

Keywords: Evaluation. Process. Class council

 

 

 

 1 INTRODUÇÃO

 

 

Este artigo tem o propósito de realizar uma reflexão durante a elaboração do Projeto Político Pedagógico, referente ao processo de avaliação de uma escola da rede pública municipal, que atende crianças na faixa etária de quatro meses até onze anos de idade. Este documento orienta a ação educativa da instituição, através de estratégias que buscam garantir o sucesso dos objetivos educacionais.

Analisando a escola como um órgão de gestão que atua com o trabalho voltado ao coletivo, e desta forma considerando que o ensino e a aprendizagem de qualidade são consequências da sua avaliação, acredita-se que a mesma depende de ações conjuntas para a qualificação do desempenho educacional, com ênfase no planejamento articulado em direção à melhoria dos resultados.

A formação de profissionais competentes pode advir da avaliação diária do trabalho pedagógico prestado na escola, o qual provoca o debate, faz-se análises, criam-se convicções e consequentemente geram críticas e incertezas. No entanto estes fatores colaboram no sentido de fortalecer ações que consolidem na melhoria da educação, garantindo direitos à aprendizagem nos princípios da educação inclusiva e na perspectiva de uma gestão democrática.

Desta maneira a metodologia do trabalho a ser desenvolvido, apresenta como objetivos observar as potencialidades, possibilidades e distorções ao analisar, avaliar e verificar implicações em relação ao procedimento avaliativo. A partir de análises em embasamentos teóricos pertinentes ao assunto, busca-se através da reflexão, maneiras de fundamentar a ação educativa da escola no processo de avaliação.

Deste modo a avaliação passa a ser compreendida como um conjunto de ações que apresenta a função de orientar a atuação pedagógica, tornando-se uma aliada no processo da aprendizagem, na perspectiva de qualificar o desempenho dos sujeitos envolvidos e assim ocultar o olhar daquela avaliação que surge apenas para julgar o fracasso ou sucesso do ser humano. É criar possibilidades ao docente de avaliar por meio da intervenção pedagógica, o nível em que o educando se encontra com relação à expectativa de aprendizagem. Deste modo a avaliação ocorre constantemente, de forma sistemática, através da análise qualitativa observada durante a construção do conhecimento.

É importante mencionar que uma das metas é articular na instituição de ensino a efetivação do conselho de classe através da gestão participativa, na busca da adequação às exigências da sociedade, tendo em vista esta como uma valorosa ferramenta na qualificação do conhecimento.

Portanto, com base na Proposta Político Pedagógica, o objetivo deste trabalho é refletir sobre a importância e a necessidade da prática avaliativa e através desta implementar o conselho de classe na referida rede de ensino. Assim, viabilizar na escola processos educativos flexíveis, significativos e inclusivos no seu contexto amplo e articulado, possibilitando a qualidade no desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem no espaço educativo.

 

 

2 CONTRIBUIÇÕES DA AVALIAÇÃO NO CONTEXTO EDUCACIONAL

 

 

 

2.1 ESTRUTURA E GESTÃO DA ESCOLA

 

 

Com base nas leituras sugeridas durante as web aulas, especialmente nas disciplinas de Avaliação Institucional e Avaliação da Aprendizagem, assim como da Gestão nos Espaços Educativos do curso de Especialização em Gestão e Organização da Escola, o presente artigo trás a perspectiva da gestão democrática e da efetivação do direito à educação escolar com qualidade social. Como pesquisadora, para dar embasamento ao trabalho é necessário o auxílio de teóricos para abranger a abordagem deste assunto com o objetivo de fundamentar as ideias e concepções na busca do conhecimento.

A instituição escolar é o local privilegiado de trabalho com o conhecimento e tem responsabilidade na formação do cidadão ao possibilitar a construção de saberes indispensáveis para inserção social. Essa representação da escola na comunidade é fundamental para realizar uma prática pedagógica comprometida, através de um processo de gestão democrática.

A gestão é a maneira de organizar o funcionamento da escola como instituição pública nos seus amplos aspectos em relação à administração, finanças, tecnologias, cultura e pedagogia, com a finalidade de dar transparência às suas ações. Oportuniza a comunidade escolar e local a aquisição de conhecimentos, saberes e ideias, num processo de interação e permanente aprendizagem. Neste sentido, organizar a gestão escolar requer um olhar constante, pois o processo de gestão é considerado como mediação das diferentes realidades incluídas no contexto escolar, no sentido de pensar em estratégias que articulem a comunidade num envolvimento efetivo no compromisso com a educação.

Segundo Brasil (2013, p. 56) “a gestão democrática é entendida como princípio que orienta processos e procedimentos administrativos e pedagógicos, no âmbito da escola e nas suas relações com os demais órgãos do sistema educativo de que faz parte”. A referida instituição pauta sua gestão a partir da concepção democrático-participativa ao desenvolver o trabalho entre a direção e a comunidade escolar, com ênfase nas tarefas educacionais e relações humanas, de acordo com:

 

Define-se, pois, a gestão democrática como processo em que se criam condições para que os membros de uma coletividade, não apenas tomem parte de forma regular e contínua, de suas decisões mais importantes, mas assumam responsabilidade por sua implementação (LÜCK, 2009, p. 57).

 

As reflexões no coletivo e a participação na deliberação, coordenação e avaliações sistemáticas do trabalho na escola também fundamentam a gestão, que compartilha com os envolvidos no contexto escolar os objetivos sócio-políticos, administrativos, pedagógicos e financeiros. Exerce assim a aplicação destes com transparência na prestação de contas das despesas executadas às unidades responsáveis, sempre que necessário.

Gerir a escola democraticamente pressupõe desenvolver ações na área administrativa e pedagógica, na busca pela qualidade da educação implementada no Sistema Municipal de Ensino. Nesse contexto são realizadas intervenções, projetos contextualizados, a partir da concepção que estabelece a prática da ação reflexiva. Busca o diálogo permanente com a comunidade escolar e o comprometimento com as diretrizes estabelecidas no Plano de Ações Articuladas e no Plano de Desenvolvimento da Escola – PDDE Interativo.

A gestão democrática é composta por colegiados como o Conselho Escolar e o Círculo de Pais e Mestres – CPM, cujas ações são planejadas através do estatuto próprio e de acordo com a demanda da escola. O Conselho de Classe, outro órgão do colegiado, tem como objetivo analisar o processo de ensino no trabalho pedagógico da instituição, na perspectiva da qualidade e da inclusão.

O artigo 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação destaca que “Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades […]”. Ainda nesta perspectiva afirma-se que:

 

Um órgão colegiado escolar constitui-se em um mecanismo de gestão da escola que tem por objetivo auxiliar na tomada de decisão em todas as suas áreas de atuação, procurando diferentes meios para alcançar o objetivo de ajudar o estabelecimento de ensino em todos os seus aspectos, pela participação de modo interativo (…) (LÜCK, 2009, p. 67).

Acredito que um dos princípios que norteia o ensino é o fazer coletivo, por isso, trabalha-se para que cada profissional desempenhe de maneira consciente o seu papel, ao oportunizar a participação dos educadores nas formações continuadas para que possam se qualificar, tanto em relação à sua função, como no gerenciamento das relações na escola. Quanto às famílias a escola propicia diferentes momentos de reflexão e interação com professores e outros profissionais para garantir o sucesso e a permanência da criança no processo educacional.

Diante disso é fundamental reforçar que a participação democrática de todos os integrantes da escola, já foi garantida pela LDB9394/96 (BRASIL, 1996) ao reconhecer a necessidade da participação da equipe escolar na construção do Projeto Político Pedagógico. Assim, a Gestão Escolar passa a ter como objetivo, promover a transformação social por meio da democratização do ensino, através da garantia de acesso e permanência com sucesso do aluno na escola.

 

2.2 AVALIAÇÃO, UMA FERRAMENTA PARA UM ENSINO DE QUALIDADE

 

 

Dessa forma, a metodologia do presente trabalho que inicia sua caminhada dentro da instituição de ensino, propõem como objetivo, analisar, avaliar, observar potencialidades, possibilidades ou distorções e verificar implicações em relação ao processo de avaliação. É uma explicação da ação desenvolvida no método do trabalho da pesquisa que busca fundamentar a relação do embasamento teórico com a prática educativa da escola.

A abrangência deste estudo trata de uma pesquisa-ação num projeto que ocorre com o coletivo da instituição, tendo como tema a efetivação e implementação do Conselho de Classe nas etapas de Educação Básica (Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental) que são atendidas na respectiva unidade escolar e assim tornar-se parte integrante do item avaliação na Proposta Política Pedagógica da referida.

Em nosso dia a dia, estamos, de maneira permanente, avaliando e sendo avaliados, e também onde estabelecemos processos de interação durante a constante troca de experiências. Na instituição escolar, a prática pedagógica apresenta concepções, representações de sentidos e ações que fazem parte de nossa cultura, expressando a maneira de como cada sujeito vê o mundo.

A avaliação é compreendida como um conjunto de ações, onde através dela que o professor, a escola e os pais, verificarão se os objetivos do processo ensino e aprendizagem foram alcançados, e a partir dessa observação ela passa a ter a função de sustentar e orientar a intervenção pedagógica. Acontece contínua e sistematicamente, por meio da interpretação qualitativa do conhecimento construído pela criança e respeita seu tempo de aprendizagem. Propicia ao educador a possibilidade de saber o quanto a criança se aproxima ou não da expectativa de aprendizagem em função da intervenção pedagógica realizada. De acordo com Brasil (2016, p. 343) “o foco da avaliação (…) se centra na criança integral, nela como um todo, na sua complexidade e particularidade e na diversidade das crianças entre elas”.

Por ser um processo diagnóstico-construtivo, a avaliação leva em conta três aspectos relevantes. O primeiro refere-se ao fato de que, como processo, é dinâmica e evolutiva e constitui-se em um elemento que sofre transformação.

Segundo, a questão diagnóstica encontra-se presente nesta fase inicial do processo de avaliação e acompanha criança e educador ao longo do processo de aprendizagem. De acordo com a Proposta Curricular Tempo e Espaço de Ser Criança:

 

O processo de avaliação tem como função acompanhar, orientar e redirecionar a prática educativa. O professor, então, não apenas avalia a criança e seu desenvolvimento, mas também a sua prática pedagógico e o próprio projeto educativo da escola, constituindo-se assim o caráter global e formativo da avaliação (SMEd, 2014, p. 73).

 

O terceiro, o processo construtivo, diz respeito à utilização dos dados mais significativos que somam para o desenvolvimento da criança por meio da aprendizagem.

Ao avaliar o aluno, o professor deve sempre buscar o seu desenvolvimento integral, comparando os resultados já obtidos no seu processo de aprendizagem, reconhecendo o seu empenho de acordo com suas condições permanentes e temporárias, e constatar o que ele alcançou e quais as suas possibilidades de aprendizagens para um trabalho futuro.

Neste processo entre o presente e o futuro, quando o professor busca levantar o que o aluno possui de conhecimentos prévios e o que se espera que ele aprenda, Hoffmann (1996, p. 61) afirma que “avaliação é ‘movimento’, é ação e reflexão”.

A avaliação da criança acontece em todos os momentos. Por ter entre as finalidades o desenvolvimento individual e coletivo não pode ser vista como uma forma de ameaça, controle ou classificação. Os educadores realizam o acompanhamento da mesma de forma contínua, diagnóstica e participativa, consideram o todo e respeitam as diferenças e os saberes.

Para Fernandes (2001, p. 67) é necessário compreendermos que:

 

[…] a avaliação, não se destina a julgar de forma mesquinha ou punir com castigos e privações, nem deve ser pretexto para prêmios e recompensas. Ela é, ao contrário, um processo de redirecionamento e, portanto, de crescimento. Não se trata apenas de avaliar por avaliar, porque está na moda ou porque foi imposto pela Secretaria de Educação. É avaliar para refletir, para discutir, para acompanhar, para buscar melhorar. Avaliar como processo de maturação institucional para a transformação da escola em função da conquista da autonomia.

 

A avaliação não deve ser realizada apenas em momentos isolados do trabalho pedagógico, mas deve sim, fazer parte processo educativo como um todo. A partir do instante em que a avaliação deixa de ser um juízo de quantidade de conteúdo memorizado e passa a ser analisada como um juízo de qualidade das novas aprendizagens, ela passa a ser vista como um instrumento nas mãos do professor que o auxilia a refletir de que modo está construindo sua prática docente, sobre possíveis inadequações metodológicas, a fim de levar o aluno a aprender cada vez mais. Assim, a avaliação deve ser ao mesmo tempo, ponto de chegada e ponto de partida para novas intervenções pedagógicas.

Para tanto, a avaliação deve ser uma ferramenta, com o objetivo de promover o desenvolvimento do aluno, através de conhecimentos ainda não adquiridos durante seu processo de aprendizagem, ajudar a promover na instituição um ensino de qualidade, pois, os resultados da avaliação proporcionam uma base sólida para que os problemas da escola sejam solucionados, independentes de serem problemas referentes à sala de aula ou a escola sem perder o principia da autonomia escolar. Assim, observo a avaliação como uma ação formativa, um movimento com vida, que possibilita formar cidadãos.

Neste momento, reflito sobre as palavras de Hadji (2001) referente à avaliação, a qual cumpre com um único papel, a de ferramenta para a aprendizagem discente, podendo-se dizer que a avaliação formativa informa os dois personagens do processo educativo, o professor e o aluno.

No entanto, conforme a Proposta Político pedagógica de 2014 da instituição, três grandes funções são desempenhadas pela avaliação no sistema de ensino:

 

  1. a) Função Diagnóstica: tem por finalidade realizar uma sondagem de conhecimentos e experiências já disponíveis no aluno, bem como detectar a existência de pré-requisitos necessários à aquisição de um novo saber. Permite, ainda, identificar progressos e dificuldades de alunos e professores diante do objetivo proposto.
  2. b) Função Formativa: tem por finalidade proporcionar o feedback para o professor e para o aluno, durante o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Propicia aos envolvidos (professor/aluno) no processo a correção de falhas, esclarecimento de dúvidas e estímulo à continuação do trabalho para o alcance do objetivo. Proporciona também, ao docente informações sobre o desenvolvimento do trabalho, adequação de métodos e materiais, comunicação com o aluno e adequabilidade da linguagem.
  3. c) Função Somativa: tem o propósito de oferecer subsídios para o registro das informações relativas ao desempenho do aluno. Esta função visa proporcionar uma medida que poderá ser expressa em uma nota, conceito ou relatório sobre o desempenho do aluno, entende-se que a mesma acontecerá ao final de cada unidade de ensino, ou ao final de cada trimestre, ou ainda no final do ano letivo, por ocasião do Conselho de Classe, visto que esta avaliação é que proporcionará um diálogo mais objetivo entre os professores (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2014, p. 48).

 

Assim, na referida escola o registro da avaliação é expresso através de Relatórios de Aprendizagem e acontece ao final de cada semestre para a Educação Infantil e trimestralmente para o Ensino Fundamental.

No Relatório de Aprendizagem da Educação Infantil constam a adaptação, o convívio sócio-cultural, construção de saberes, vivências diárias, interação, descobertas e pesquisa, bem como a proposta de trabalho do grupo de educadores, que se baseiam na Proposta Curricular Tempo e Espaço de Ser Criança da Rede Municipal e na Proposta Político-Pedagógica da escola. O Relatório de Aprendizagem é o documento utilizado para informar aos responsáveis o que é desenvolvido na escola e permite às famílias conhecerem o trabalho da instituição, sendo um direito dos pais/responsáveis acompanhar e compreender as práticas pedagógicas desenvolvidas.

Para amparar o educador nesta avaliação e para documentar sobre o desenvolvimento das crianças e sobre a prática educativa, diferentes instrumentos de registro são utilizados: portfólio (registro das observações do educador e registros da criança), fotografias, filmagens e trabalho em grupo. Desta forma na Educação Infantil como nos Anos Iniciais, surgiu a necessidade da implantação do Conselho de Classe como uma ferramenta de apoio ao processo avaliativo, pois além da observação, é necessário um olhar e escuta atentos, voltados para análise, registros e intervenções. Por isso a importância de analisar de maneira crítica o quê, como, com quem, porque fazem ou deixam de fazer, de forma a captar detalhes que levem ao registro do observado. O acompanhamento também significa problematizar e questionar para proporcionar à criança uma interferência válida para que avance no seu processo de desenvolvimento. Este processo é construído gradativamente, na medida em que há interação com o grupo no ambiente escolar.

Por isso, a avaliação deve ser entendida como o acompanhamento do desenvolvimento da criança. Possui um caráter qualitativo desvinculado de qualquer atribuição no que diz respeito à nota ou conceito, sem objetivo de seleção, promoção ou classificação. Salienta-se que na Educação Infantil o ato de avaliar visa analisar o sujeito, já que possuem interesses e curiosidades relativos à sua faixa etária. Significa que existe avaliação e esta ocorre diariamente, com valorização da criatividade, do lúdico, da experiência e das diferentes manifestações humanas que fazem parte do cotidiano infantil.

No Ensino Fundamental os resultados da avaliação estão relacionados aos objetivos, conceitos e conteúdos de cada área do conhecimento. Os Relatórios de Aprendizagem deste nível de ensino contemplam a evolução da criança no período. Para amparar o educador nesta avaliação, diferentes instrumentos de registro são utilizados: portfólio (registro das observações do educador e registros da criança), fotografias, filmagens, caderno da criança, trabalho em grupo, autoavaliação e a efetivação do Conselho de Classe. Os instrumentos utilizados nos processos de avaliação referem-se ao planejamento de atividades com o propósito de subsidiar, com dados, a análise do educador acerca do momento de aprendizagem das crianças. Através destes instrumentos o professor acompanha o processo de ensino-aprendizagem e se necessário redimensiona a sua prática em sala, a fim de melhorar e garantir a qualidade de ensino. Conforme o Parecer CMEI:

 

Para que a criança possa acompanhar suas conquistas, suas dificuldades e suas possibilidades ao longo do processo de aprendizagem, apontadas pelo processo avaliativo, o professor deve compartilhar com elas e seus pais as observações registradas. Nessas situações, o retorno para as crianças deve acontecer de forma contextualizada, o que fortalece a função formativa que deve ser atribuída à avaliação (nº 02/2008 – Item 5.11).

 

Na busca por sujeitos autônomos e críticos, a escola propõe-se a implementar a auto avaliação da aprendizagem, realizada pela criança a partir da análise oral ou escrita de seu próprio processo e a auto avaliação do ensino, realizada pelo educador a partir da reflexão de sua prática, como forma de ocorrer uma transformação quanto aos conceitos e às concepções interpretados pela classe docente no que se refere à ação avaliativa.

Neste sentido, o Conselho de Classe é outro instrumento que pode contribuir para a identificação e a melhoria do desempenho da criança. Favorece a integração entre educadores e crianças, a análise do currículo e a eficácia dos métodos de ensino utilizados, ao mesmo tempo em que facilita a compreensão dos fatos com a exposição de diversos pontos de vista.

 

2.3 IMPLANTAÇÃO DO CONSELHO DE CLASSE

 

 

Nessa etapa do trabalho chegamos à implementação e efetivação do Conselho de Classe. Seu papel precisa estar presente na estrutura organizacional da escola, enquanto instância colegiada. Se caracteriza como espaço de avaliação coletiva do trabalho escolar e como instrumento de democratização das relações escolares. Acredita-se que o mesmo contribui para a democratização das relações presentes na comunidade escolar.

Conforme descrito anteriormente o objetivo é refletir e implementar o Conselho de Classe, viabilizando uma escola que promova processos educativos inclusivos, flexíveis e significativos num contexto amplo e articulado, como mecanismo de participação na Gestão e no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido na instituição. Para tanto o papel do Gestor é fundamental para desempenhar esse trabalho de maneira que atenda as demandas sociais, articule a Escola para promover um ensino de qualidade sistematizando propostas alinhadas a concepções contemporâneas que desenvolvam integralmente cada indivíduo. Nesse desafio é necessário gerar um processo de mudança nas organizações escolares que buscam se adequar aos novos padrões da sociedade atual, por meio da inovação e da prática da Gestão Participativa. Conforme Dalben (2004):

 

O conselho de classe é um órgão colegiado que pode propiciar o debate permanente e a geração de ideias numa produção social. A dimensão dos espaços coletivos é essencial para o estabelecimento de uma relação social transformadora, e torna-se fundamental o resgate das instâncias colegiadas na escola.

 

No primeiro momento a proposta de trabalho teve como foco a Proposta Político Pedagógica, no qual todos os segmentos da comunidade escolar estão envolvidos e são desafiados a refletir sobre objetivos, metas, ações, propostas na instituição. No segundo momento, em conversas com o grupo de profissionais da Escola ficou evidente o desejo de implementar e efetivar o Conselho de Classe que existe apenas teoricamente no Regimento Escolar, a fim de qualificar o processo de avaliação:

 

Art. 61. O Conselho de Classe está previsto em calendário escolar e abrange os profissionais da Educação Infantil e Ensino Fundamental da Escola. O período de realização do Conselho de Classe é anterior à entrega dos Relatórios de Aprendizagem da Educação Infantil e Ensino Fundamental (REGIMENTO ESCOLAR, 2012, p. 21).

 

O Conselho de Classe é um espaço que contribui para a identificação e a melhoria do desempenho do educando, com a finalidade de registrar, diagnosticar e levantar soluções individuais de melhoria na aprendizagem, favorecendo assim a integração entre educadores, coordenação pedagógica e equipe diretiva, a análise do currículo e da eficácia dos métodos de ensino utilizados, ao mesmo tempo em que facilita a compreensão dos fatos com a exposição de diversos pontos de vista, possibilita orientações mais homogêneas e a autoanálise do docente.

O Conselho de Classe é um dos mecanismos que permite a Gestão Democrática na instituição de ensino. É um momento de discussão coletiva onde é apontado o aproveitamento do aluno, suas dificuldades, desempenho dos profissionais da educação e seus métodos de ensino, compartilhando informações na busca de melhorias do processo ensino-aprendizagem, acreditando nisso como pesquisadora propus efetivar a implementação da prática do Conselho de Classe na instituição.

No processo de gestão democrática, o Conselho de Classe constitui-se numa das instâncias de vital importância, pois é mais um dos mecanismos de participação da comunidade na gestão e no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido na unidade escolar. Guarda em si a possibilidade de articular os diversos segmentos da escola e tem por objeto de estudo o processo de ensino, que é o eixo central em torno do qual se desenvolve o processo de trabalho escolar.

A partir de então, iniciou-se a realização dos Conselhos de Classe na Educação Infantil e nos Anos iniciais, conforme descrição anterior, no qual participaram todos os educadores envolvidos. Nesta reunião avaliativa, os envolvidos no processo ensino-aprendizagem discutem acerca da aprendizagem dos alunos, o desempenho dos docentes, os resultados das estratégias de ensino empregadas, a adequação da organização curricular e outros aspectos referentes a esse processo. Assim sendo, o conselho de classe deve ser um instrumento de fundamental importância para o acompanhamento do processo ensino aprendizagem, sobre isso temos a seguinte referência:

 

É a atividade que reúne um grupo de professores da mesma série, visando em conjunto chegar a um conhecimento mais sistemático da turma, bem como acompanhar e avaliar cada aluno individualmente, através de reuniões periódicas (SANT’ANNA, 1995, p. 88).

 

O conselho de Classe é mais do que uma reunião pedagógica, é parte integrante do processo de avaliação desenvolvido pela escola. É o momento privilegiado para redefinir práticas pedagógicas com o objetivo de superar a fragmentação do trabalho escolar e oportunizar formas diferenciadas de ensino que realmente garantam a todos os alunos a aprendizagem.

Considerando as práticas sociais e as relações humanas no contexto educacional, fundamentadas pelos princípios da administração compartilhada que gera participação, busca de autonomia e humanização nas relações é pertinente à efetivação do Conselho de Classe. Assim a Gestão Democrática da educação que é tratada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional como um dos princípios que devem reger o ensino, traz contribuições na forma de administrar a educação, constituindo-se num fazer coletivo permanentemente em processo de mudança baseada nos paradigmas de qualidade que definem a finalidade da escola. Desta forma a Gestão Democrática implica em novos processos de organização em uma dinâmica que favoreça processos coletivos e participativos que, neste caso tem como objetivo analisar o processo de ensino no trabalho escolar tendo como meta o fortalecimento de ações que consolidem a qualidade da educação.

Estudos referente ao Projeto Político Pedagógico, possibilitam a algumas considerações:

 

[…] o Conselho de Classe é outro instrumento que pode contribuir para a identificação e a melhoria do desempenho do educando, favorecendo a integração entre educadores e educandos, a análise do currículo e da eficácia dos métodos de ensino utilizados, ao mesmo tempo em que facilita a compreensão dos fatos com a exposição de diversos pontos de vista, possibilita orientações mais homogêneas e a autoanálise do docente (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2014, p. 50).

 

A função do Conselho é tornar dinâmico o processo de ensino aprendizagem, deve conduzir a analise e reflexões na prática pedagógica, tendodestaque nos processos avaliativos adequados a reorganização do conhecimento. É um dos mais importantes espaços de discussão pedagógica, pois dinamiza o coletivo escolar pela via da gestão no processo de ensino. Ainda para a autora Sant’anna é abordado o Conselho de Classe como um procedimento referente ao processo escolar, e deve em particular observar aspectos do currículo, como a mesma cita:

 

Para que haja sentido o Conselho de Classe deve: Não rotular o aluno […]; Fazer observações concretas […], Debater o aproveitamento de cada aluno […], Estabelecer o tipo de assistência especial para o aluno que não apresentou rendimento favorável. […], Orientar o aluno de como e para que estudar, Orientar o aluno para auto avaliar-se (SANT’ANNA, 2005, p. 89).

 

A efetivação da nova proposta de avaliação, constitui em promover maior participação e aproximação entre os membros da escola e assim obter maiores subsídios para oportunizar o desenvolvimento integral das crianças, através da ampliação de seus conhecimentos. Nesse sentido, avaliar não é apenas medir, comparar ou julgar. Para se alcançar e aperfeiçoar uma educação com índices satisfatórios, que venha valorizar o professor, estimular o desenvolvimento do seu trabalho e promover a escola para todos, sendo o maior objetivo: a aprendizagem.

 

… a gestão democrática como o processo em que se criam condições para que os membros de uma coletividade não apenas tomem parte, de forma regular e contínua, de suas decisões mais importantes, mas assumam responsabilidade por sua implementação (LÜCK, 2009, p. 57).

 

Dessa maneira, a forma de gerenciar as escolas da rede pública, de acordo com objetivos da Gestão Compartilhada é efetivar a execução de políticas públicas assegurando qualidade, equidade e responsabilidade social na instituição escolar envolvendo a comunidade que está inserida na respectiva unidade de ensino. Pensar, portanto na educação atual torna-se um grande desafio no sentido da ampliação e da qualificação deste processo onde a docência é compreendida como articulação e onde o objetivo da avaliação é enriquecer e valorizar as relações de aprendizagem.

 

 

3 CONCLUSÃO

 

 

Considerando a ação de avaliar como processo que se faz necessário no acompanhamento permanente do desenvolvimento do educando, é pertinente momentos na escola para refletir sobre a prática pedagógica da instituição, para ações que fortaleçam a educação e que proporcione conhecimentos e valores de formação cidadã em relações democráticas e participativas, como forma de almejar um novo horizonte para o ensino e a aprendizagem, pois “se não houver a aprendizagem esperada, estamos diante de uma certeza: o ensino não cumpriu sua finalidade – a de fazer aprender” (Both, 2011 apud Saraiva, 2008, p.27).

Assim, discutir o papel da avaliação no trabalho pedagógico escolar é fundamental para entendermos a necessidade de se consolidar uma escola democrática, principalmente quando esta escola está preocupada em garantir ao seu aluno, a sua permanência com sucesso, na medida em que busca construir uma educação de qualidade e excelência, pois o ato de avaliar visa observar e promover o sujeito, acontecendo no decorrer de todo o processo de ensino aprendizagem.

Desta forma a nova Proposta Pedagógica da instituição passa a conter um olhar ampliado sobre o processo avaliativo, para tanto, é preciso que ela seja concebida no processo de ensino e aprendizagem de forma contínua, onde um grande trabalho se desenvolve na organização proposta. Assim, acredito que este instrumento trás muitas contribuições no processo educacional e no fortalecimento da melhoria na qualidade da educação.

A ampliação do processo avaliativo com a implementação e efetivação do Conselho de Classe neste semestre/trimestre, surge como possibilidade do educador rever sua prática e assim contribuir para melhorar e redirecionar o trabalho pedagógico e principalmente o progresso do educando. Neste sentido percebe-se um clima de transição, uma gestão democrática que dá voz e vez para os membros de sua equipe escolar. Observa-se o comprometimento do grupo de educadores com sua prática educativa na busca de melhores resultados. De tal modo a avaliação passa a ter um caráter de mediação na ação reflexão ação dos envolvidos no processo educacional, ou seja, ela passa a ser mediadora na construção do conhecimento.

Enfim, é preciso alcançar progressos, é preciso mudança na postura educacional, mudança esta que venha ampliar o aspecto pedagógico referente à avaliação. Se a escola é considerada um espaço privilegiado para a formação de cidadãos, a avaliação não pode fragmentar o processo. Deve favorecer, ser vista e praticada como um benefício para o processo ensino aprendizagem, ou seja, a favor da aprendizagem.

 

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4.           REFERÊNCIAS

 

 

BOTH, I. J. Avaliação: “voz da consciência” da aprendizagem. Curitiba: Ibpex, 2011. (Série Avaliação Educacional).

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes curriculares nacionais da educação básica. Brasília: MEC/SEB/DICEI, 2013.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes curriculares nacionais da educação básica. Brasília: MEC/SEB/DICEI, 2016.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Pedagogias das infâncias, crianças e docências na educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 2016.

DALBEN, Â. I. L. F. Conselho de classe e avaliação: perspectivas na gestão pedagógica da escola.Campinas, SP: Papirus, 2004.

 

GODOI, E. G. Avaliação na educação infantil: um encontro com a realidade. Porto Alegre: Mediação, 2010.

FERNANDES, M. E. A. Avaliação institucional da escola: base teórica e construção de projeto. Edições Demócrito Rocha: Fortaleza, 2001, p. 39-61

HADJI, C.A avaliação desmistificada. Porto Alegre: Artmed, 2001.

http://www.pedagogia.com.br/artigos/funcoes_avaliacao/index.php?pagina=0.

LÜCK, E. Concepções e processos democráticos de gestão educacional. Rio de Janeiro: Vozes, 2009.

MUNICÍPIO DE IJUÍ. Conselho Municipal de Educação. Escola Municipal Fundamental Dona Leopoldina. REGIMENTO ESCOLAR (2012-2016).

 

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Gestão escolar: reflexões sobre o conselho de classe

1 INTRODUÇÃO

Autora : Vera Lúcia Martins Gramville

e-mail: veramgranville@gmail.com

Orientadora: Maria de Fátima Oliveira.

Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão Escolar, do Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica, apresentado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Programa de Pós Graduação em Educação, como requisito para a obtenção do título de Especialista em Gestão Escolar.

 

RESUMO[1]

 

 

O presente Trabalho de Conclusão de Curso se refere às ações programadas ou mesmo posteriores à organização do Projeto Intervenção (PI), mas já implementadas na instituição de ensino. Este documento é uma descrição reflexiva de algo que produziu resultados e provocou mudanças e aprendizagens e é também uma forma de avaliação e um indicativo das necessidades da escola. As referidas reflexões têm como embasamento teórico os autores das salas ambiente do curso de especialização em andamento: Vera M. V. Peroni, João F. de Oliveira, Karine N. de Moraes, Luiz F. Dourado, Janialy A., A. Tres… e alguns autores que também contribuíram nas análises que constam neste documento: Both (2011), Bruel (2010), Lück (2009) e Oliveira (2011). As ações do PI foram desenvolvidas como ação conjunta no processo de gestão partilhada entre o diretor e o grupo da escola ao propor, elaborar e desenvolver reflexões pertinentes à avaliação. Assim é possível criar formas e modos de concretizar os princípios da Gestão Democrática como práxis criadora no qual pesquisadores e participantes estão envolvidos de modo coletivo. O alvo de intervenção é a implementação do Conselho de Classe, tendo como objetivo uma avaliação mais completa do educando e do próprio trabalho docente, oportunizando espaço de reflexão sobre ações educacionais e análise da prática pedagógica favorecendo mudanças para estratégias mais adequadas ao processo ensino aprendizagem.

 

Palavras-chave: Avaliação. Gestão Democrática. Conselho de Classe.

 

 

ABSTRACT

 

 

This Course Completion Work refers to the actions programmed or even after the Intervention Project (PI) organization, but already implemented in the educational institution. This document is a reflective description of something that has produced results and brought about changes and learning and is also a form of evaluation and an indication of the needs of the school. These reflections have as theoretical background the authors of the environment rooms of the ongoing specialization course: Vera MV Peroni, and some authors who have also contributed to the analyzes included in this document: Both (2011), Bruel (2010), Lück (2009) and Oliveira (2011). The IP actions were developed as a joint action in the shared management process between the director and the school group in proposing, elaborating and developing reflections pertinent to the evaluation. Thus, it is possible to create ways and means of realizing the principles of Democratic Management as a praxis in which researchers and participants are involved in a collective way. The objective of intervention is the implementation of the Class Council, aiming at a more complete evaluation of the student and the teaching work itself, providing space for reflection on educational actions and analysis of the pedagogical practice favoring changes to strategies more appropriate to the learning teaching process.

 

Keywords: Evaluation. Democratic Management. Class Council.

 

 

[1]GRAMVILLE, Vera Lucia Martins. Gestão escolar: um olhar sobre o conselho de classe. Ijuí. 2013. Trabalho de Conclusão de Curso – Programa de Pós Graduação em Educação. Universidade federal do Rio Grande do Sul. Ijuí/RS, 2013.

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho pretende refletir sobre o Projeto Político Pedagógico no Projeto Intervenção (PI), porque é o documento que norteia em todos os âmbitos a ação educativa da escola, onde é preciso criar estratégias para garantir o alcance dos objetivos educacionais, pois a participação favorece a construção da autonomia. O contexto escolar em que ocorreu a intervenção foi em uma instituição pública de ensino da rede municipal que atende as primeiras etapas da Educação Básica: Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental. O alvo de intervenção foi a implementação do Conselho de Classe na instituição de ensino. Faz-se necessário abordar o ensino e a avaliação como componentes educacionais que conseguem facilitar a aprendizagem quando ensejados em atuação partilhada e articulada.

Considerando que o ensino, a aprendizagem e a avaliação dependem de ações conjuntas para melhoria do desempenho educacional, temos como eixo reflexivo o Conselho de Classe enquanto espaço legitimador de discussão e participação, sendo este um órgão colegiado de gestão que efetiva o trabalho coletivo onde seu resultado será melhor quanto maior for a integração de seus membros.

De acordo com esses aspectos, têm-se como finalidade no Conselho de Classe organizar um espaço de discussão coletiva considerando objetivo geral e objetivos específicos, mencionados posteriormente, para refletir sobre o processo de ensino, contemplando, desta maneira uma avaliação mais completa do educando e do próprio trabalho docente na busca de encontrar estratégias adequadas no processo ensino aprendizagem.

No decorrer do texto serão abordados assuntos relacionados ao Referencial Teórico: reflexões com embasamento em autores que trazem suporte ao assunto pesquisado. Além disso, posteriormente a Metodologia de trabalho discorre sobre a abrangência deste estudo que trata de uma pesquisa-ação, apresentando uma abordagem qualitativa, onde os dados foram coletados, descritos e interpretados. Na sequência há descrição das ações desenvolvidas durante o processo e finalmente, as considerações pertinentes com o objetivo proposto no trabalho favorecendo a elaboração de metas na instituição de ensino.

As referidas reflexões têm como embasamento teórico os autores das salas ambiente do curso em andamento: Vera M. V. Peroni, João F. de Oliveira, Karine N. de Moraes, Luiz F. Dourado, Janialy A., A. Tres… e  alguns autores que também contribuíram nas análises que constam neste documento: Both(2011), Bruel(2010), Lück(2009) e Oliveira(2011).

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Considerando leituras das Salas Ambiente do curso de Especialização em Gestão Escolar, na perspectiva da gestão democrática e da efetivação do direito à educação escolar com qualidade social,busca-se neste momento a fundamentação teórica como base de sustentação da pesquisa apresentada neste trabalho, servindo como ponto de partida para que, como pesquisadora, possa embasar o trabalho a partir da relação de ideias com o tema pesquisado. Os referenciais a seguir apresentados constituem a base legal e teórica para análises posteriormente mencionadas que foram selecionadas a partir de uma concepção de gestão escolar democrática por ser esta a linha orientadora do curso.

A busca pela fundamentação teórica pressupõe suporte para estudos, análises e reflexões sobre o tema em evidência.  Nesse sentido é necessária a utilização de teóricos para fundamentar ideias e concepções na busca do conhecimento, na abrangência da abordagem deste assunto, pois:

A educação pode ser entendida como a apropriação da cultura, historicamente produzida pelo homem, e a escola enquanto locus privilegiado de produção sistematizado do saber. Isso significa que a escola precisa ser organizada no sentido de que suas ações, que devem ser eminentemente educativas, atinjam os objetivos da instituição de formar sujeitos concretos: participativos, críticos e criativos(OLIVEIRA, MORAES e DOURADO.2012, p.2).

No processo de gestão democrática percebe-se a necessidade de repensar a educação escolar no Brasil em relação à sua função e seu significado para a sociedade, atribuindo um novo sentido à escola pública brasileira. Assim, é preciso pensar em maneiras na tentativa de garantir formas mais efetivas de participação pois, os sujeitos, na medida em que se envolvem no processo de gestão, aprendem e ensinam de acordo com suas vivências, viabilizando uma escola que promova processos significativos e flexíveis com vistas à inclusão.Em todo esse processo o Projeto Pedagógico é o ponto inicial para uma gestão escolar efetiva, pois é esse documento que expressa as informações sobre a identidade, as intencionalidades educativas e as estratégias para promover o alcance dos objetivos definidos, pois:

O ato de planejar é inerente à vida das pessoas e, no que concerne a área educacional, uma atividade intrínseca. O planejamento dialógico, consciente e participativo torna-se fundamental para se construir um projeto de educação que vise à formação de sujeitos críticos, criativos, reflexivos e solidários e, mais ainda, para a construção de uma escola democrática. É um instrumento que possibilita a participação ativa de todas as pessoas envolvidas no processo educacional (LIMA, 2007, p.91).

Os termos gestão compartilhada e gestão participativa não se limitam à área educacional, porém fazem parte da luta destes profissionaisna busca de um projeto de educação pública de qualidade social abrangendo características democráticas. O respectivoprincípio de gestão foi aprovado na Constituição Federal no art. 206, no inciso VI: “gestão democrática do ensino público, na forma da lei”( BRASIL. Constituição, 1988.).

 A gestão é uma maneira de organizar o funcionamento da escola como instituição pública nos seus amplos aspectos, em relação à administração, finanças, tecnologias, cultura,pedagogia,com a finalidade de dar transparência às suas ações e atos e oportunizar  à comunidade escolar e local a aquisição de conhecimentos, saberes e ideias, num processo de interação e permanente aprendizagem, dessa maneira:

Essa nova forma de administrar a educação constitui-se num fazer coletivo, permanentemente em processo, processo que é mudança contínua e continuada, mudança que está baseada nos paradigmas emergentes da nova sociedade do conhecimento, os quais, por sua vez, fundamentam a concepção de qualidade na educação e definem também a finalidade da escola (OLIVEIRA, MORAES e DOURADO.2012, p.3).

Nesse sentido o projeto intervenção deve ser compreendido e desenvolvido como ação conjunta, compartilhada entre o diretor e o grupo de profissionais da escola e fundamenta-se nos pressupostos da pesquisa-ação. Envolve estudo sistemático com foco na realidade da escola, envolvendo os segmentos que fazem parte da referida comunidade de modo a uma possível intervenção e contribuições pertinentes ao assunto. Desta maneira, forma o processo de gestão educacional se propõe avançar na articulação, mobilização, organização e participação, buscando envolvimento de todos para garantir a qualidade efetiva dos processos educacionais.

Implica um repensar constante: ”Criar estratégias para garantir a participação e a decisão na gestão dos espaços, dos equipamentos e dos processos relativos ao convívio social é de fundamental importância”(Oliveira,2011,p.57),por isso, o Projeto Político Pedagógico deve ser organizado coletivamente nos paradigmas da gestão democrática e precisa tratar de questões como: função social da escola, concepções de educação, currículo, avaliação, infância, desafios e demandas da comunidade, definição de objetivos, metas, conforme:

Como o próprio nome afirma, trata-se de um projeto,poispor meio de estratégias de planejamento ele detecta desafios e organiza as intencionalidades e potencialidades com vistas ao alcance de objetivos. Étambém político, porque expressa o compromisso com a transformação social. É pedagógico, porque tem como meio os processos de ensino e de aprendizagem (OLIVEIRA,2011, p. 59).

Por isso acredito que a atividade de gestão é considerada como atividade de mediação que, nesta busca de mudança exige esforço contínuo, solidário e paciente a partir de ações no cotidiano escolar. Nesse sentido é preciso pensar em estratégias para articular a comunidade escolar num envolvimento efetivo no compromisso com a educação.

Considerando todos esses aspectos e refletindo sobre a realidade da escola, é possível afirmar que o trabalho do diretor é repleto de desafios que geram encontros, desencontros, reflexões, conflitos, mas também realizações ao pensar na mediação das relações interpessoais no trabalho coletivo da escola, buscando para isso um ambiente propício. Acredito que para construir uma escola democrática, interativa, aberta, dinâmica e acolhedora é necessário o envolvimento político de todos que participamdo processo educacional.  A construção da participação é lenta e demanda tempo e trabalho. Para que a instituição escolar se constitua democrática de fato é necessário participação e envolvimento nos aspectos políticos, sociais e culturais. Portanto, o ato de administrar a escola, deverá ter como destaque também a ênfase na autonomia e na divisão de responsabilidades, privilegiando a participação.

É preciso refletir sobre a educação com base nos avanços históricos e na mudança da escola para contextualizar os desafios que se apresentam no cotidiano em relação à administração de recursos humanos, currículo… Nesse sentido as relações mudam, algumas pelas conquistas no campo da legislação e outras pelo conhecimento a que temos acesso e que influenciam no modo de pensar e agir.

Enfim, é necessário avaliação constante para construir argumentos que garantam uma análise sobre a qualidade da educação. Portanto, é fundamental a materialização de políticas públicas educacionais democratizantes que busquem a autonomia dos indivíduos. Destaca-se a importância da compreensão de que o mundo é produzido historicamente pelos homens na relação em que estabelecem entre si e, por isso mesmo pode ser transformado e repensado.

A educação constitui-se em um processo amplo, que abrange diferentes instâncias da vida de cada sujeito. É o que o compõe, sendo resultado de seu desenvolvimento físico, intelectual, moral, afetivo e social e norteia seu relacionamento na sociedade em que está inserido. Por viver em um mundo permeado por situações e vivências, os sujeitos estão constantemente abstraindo conhecimentos e novas experiências.

A ação educativa não ocorre apenas na escola, mas estase constitui em um espaço privilegiado de sistematização de aprendizagens cotidianas, de construção de conhecimentos cognitivos, afetivos e psicomotores, e onde se consolida a formação do cidadão.

 Partindo da ideia de que aprender significa apreender, passara saber, conceitua-se aprendizagem como o processo pelo qual o ser humano vivencia o construir, o formular, o acomodar informações, adquirindo assimsaberes sobre determinados objetos/assuntos. Este processo é parte importante e indispensável no desenvolvimento de todas as habilidades que formam/constituem o ser humano, porque de acordo com:

Conceber a ação de avaliar sob os aspectos de dar e perceber valor em outrem constitui forma pedagógica correta, uma vez que atinge o âmago e a essência do ser humano, mediante o reconhecimento profundo não somente das dificuldades escolares que apresenta, como, e principalmente, dos valores e das potencialidades perceptíveis e latentes (BOTH, 2011, p. 53).

A organização curricular ocorrerá através de situações significativas, planejadas e estruturadas pelos contextos educativos que norteiam o trabalho. No momento em que o educador sistematizar suas próprias ações e os processos vividos pelos educandos, tornará concreta sua intenção na proposta pedagógica, embasadas nos referenciais teóricos e na realidade, permitirão a construção de uma proposta curricular que venha a atender as necessidades da educação, de modo a organizar o processo educativo de acordo com metas a alcançar os objetivos propostos.


 

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Gestão escolar: reflexões sobre o conselho de classe

3 METODOLOGIA

A prática do trabalho pedagógico no dia-a-dia da escola, gera análise, crítica, debates, convicções, incertezas. Todos esses fatores são fundamentais para formação de bons profissionais, pois contribuem no sentido de fortalecer ações que consolidem a qualidade da educação, garantindo direitos à aprendizagem nos princípios da educação inclusiva, na perspectiva da gestão democrática.

Dessa forma a metodologia do presente trabalho que já possui uma caminhada na instituição de ensino, tem como objetivo, analisar, avaliar, observar potencialidades, limitações ou distorções e verificar implicações em relação ao processo de avaliação. É uma explicação da ação desenvolvida no método do trabalho da pesquisa que busca fundamentar a relação do embasamento teórico com a prática educativa da escola.

A abrangência deste estudo trata de uma pesquisa-ação num projeto que ocorre com o coletivo da instituição, tendo como tema a implementação do Conselho de Classe nas etapas de Educação Básica (Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental) que são atendidas na respectiva unidade escolar. Este trabalho apresenta uma abordagem qualitativa, onde os dados foram coletados, descritos e interpretados, pois:

Pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo (PROJETO-INTERVENÇÃO,2012,p.2).

No primeiro momento a proposta de trabalho teria como foco no Projeto Intervenção a revisão do Projeto Político Pedagógico, no qual todos os segmentos da comunidade escolar poderiam estar envolvidos e desafiados a refletir sobre a realidade educacional na instituição. Durante estudos com o grupo de trabalho da Escola ficou evidente o desejo de implementar e efetivar o Conselho de Classe na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental que existe apenas teoricamente no Regimento Escolar e na Proposta Político Pedagógica. Esse instrumento de avaliação acontecia na escola antes desta ser redimensionada no ano de 2006, onde deixou de atender alunos dos anos finais e passou a atender a Educação Infantil, a qual era uma grande demanda na região. A partir de então a escola conta com uma nova realidade. Um novo Projeto Político Pedagógico foi pensado, porém durante sua elaboração não houve um diálogo efetivo com a comunidade escolar, tanto que muitas pessoas desconhecem esse documento, de acordo com as respostas analisadas no questionário que foi enviado à comunidade escolar durante o início desta pesquisa.

Em nosso dia a dia, estamos, de maneira permanente, avaliando e sendo avaliados, e também onde estabelecemos processos de interação durante a constante troca de experiências. Na instituição escolar, a prática pedagógica apresenta concepções, representações de sentidos e ações que fazem parte de nossa cultura, expressando a maneira de como cada sujeito vê o mundo.

A avaliação é um processo que não se limita a julgar sucessos ou fracassos dos sujeitos,mas é compreendida como um conjunto de ações que têm a função de orientar a intervenção pedagógica, com objetivo de facilitar a aprendizagem em prol de um bom desempenho do ser humano. Acontece de forma sistemática e constante, por meio da interpretação qualitativa no decorrer do desempenho na construção do conhecimento.  Oportuniza ao docente a possibilidade de conhecer onível em que o educando se encontra, em relação à expectativa de aprendizagem, em função da intervenção pedagógica realizada.

Desta forma consta na pesquisa a proposição dos objetivos que se dividem em geral e específicos a seguir:

  • Objetivo Geral: analisar a implantação de um Conselho de Classe na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental da Escola Imperatriz.
  • Objetivos específicos:
  • Estudar a gestão democrática;
  • Analisar a aceitação ou não da implantação de um conselho de classe;
  • Conhecer as expectativas da comunidade escolar em relação a implantação de um conselho de classe;
  • Propôr ações/metas a serem realizadas durante e após a implantação do conselho de classe.

O desafio, então passa a ser em relação à avaliação que preocupa os educadores em busca de estratégias de fortalecimento da efetivação na qualidade no processo ensino aprendizagem. Algumas ações já foram realizadas em relação à entrevistas, debates, encaminhamentos… Dessa forma, acredito na gestão como processo de mobilização de pessoas para a participação que possa promover a realização dos objetivos educacionais.

Este trabalho tem como objetivo refletir e implementar o Conselho de Classe na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, viabilizando uma escola que promova processos educativos inclusivos, flexíveis e significativos num contexto amplo e articulado, como mecanismo de participação na Gestão e no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido na instituição.  Para isso a função do Gestor é essencial para realização deste trabalho na instituição, de maneira que atenda a demanda, articulando a escola para promover um ensino de qualidade de acordo com propostas e concepções que desenvolvam integralmente cada sujeito. Em relação a este assunto é pertinente mencionar que uma das metas, é articular um processo de mudança nas unidades escolares com envolvimento dos segmentos da comunidade que buscam se adequar aos novos padrões de nossa sociedade, através da Gestão Participativa.

Com base nos referidos autores, é importante ressaltar que osprincípios da administração compartilhada geram participação, busca de autonomia e humanização nas relações, sendo pertinente, neste contexto, a efetivação do Conselho de Classe na respectiva Escola. Assim a Gestão Democrática da educação que é tratada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional como:

Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:

I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;

II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes(BRASIL, LDBEN, 1996).

Dessa forma,um dos princípios que deve ter importância relevanteno ensino, na maneira de administrar a educação, constitui-senum fazer coletivo destacando  a finalidade da escola. Desta forma a Gestão Democrática implica em novos processos de organização que visem e favoreçam processos coletivos que, neste caso tem como objetivo analisar o processo de ensino no trabalho pedagógico da instituição,na perspectiva da qualidade, efetivação de aprendizagens significativas, na inclusão e no direito à diversidade.

Com embasamento teórico oferecido pelo curso em Gestão Escolar, é possível verificar que o Conselho de Classe é um dos mecanismos que proporciona o processo democrático na instituição de ensino. É um espaço de discussão em que participam os profissionais da educação, com objetivo de apontar o desempenho do aluno, suas dificuldades, análisedo trabalho docente e seus métodos de ensino, compartilhando informações na busca de melhor qualificação do processo ensino-aprendizagem. Realizamos na escola, reuniões mensais com foco no âmbito administrativo e pedagógico como objetivo de investir na formação dos profissionais da educaçãoque atuam na instituição, gerando cada vez maior comprometimento do grupo, conforme:

A ampliação das finalidades da educação escolar pode ser pensada se considerarmos o conjunto de necessidades que cada indivíduo possui, das mais amplas às mais específicas, tais como: potencializar o desenvolvimento físico, social, intelectual e afetivo; aprimorar as capacidades de comunicação por meio do uso de diferentes linguagens; estimular o gosto da investigação e pela aprendizagem; valorizar oo exercício do pensamento crítico, do raciocínio lógico e da capacidade de argumentação; entre outras ( SILVA, 2011, p.80).

De acordo com o que já foi mencionado anteriormente o Projeto Intervenção teria como foco a revisão do PPP da escola. Foi organizado, então um questionário com objetivo de avaliar o conhecimento em relação à este documento e a forma de participação da comunidade(professores, pais e funcionários) em sua elaboração. No decorrer deste tempo, durante reuniões de estudo, ficou evidente o desejo de efetivar na escola o Conselho de Classe, órgão colegiado que consta no PPP, mas que não estava acontecendo. Então este passou a ser o foco: efetivar este instrumento com objetivo de termos uma avaliação mais completa. Estudamos O Projeto Político Pedagógico que traz algumas considerações:

Neste sentido, o Conselho de Classe é outro instrumento que pode contribuir para a identificação e a melhoria do desempenho do educando, favorecendo a integração entre educadores e educandos, a análise do currículo e da eficácia dos métodos de ensino utilizados, ao mesmo tempo em que facilita a compreensão dos fatos com a exposição de diversos pontos de vista, possibilita orientações mais homogêneas e a auto análise do docente (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2011, p.50).

Portanto, ao final do segundo semestre/2012, realizamos o primeiro Conselho de Classe com o grupo de educadoras e equipe diretiva da escola, oportunizando uma visão mais completa, adequada e abrangente do papel da avaliação no processo ensino-aprendizagem.

O desafio passou a ser também estudar o Regimento Escolar, que passou por reformulações durante o ano de 2012, foi aprovado pelo Conselho Municipal de Educação e passou a constar o artigo que trata do Conselho de Classe, previsto em calendário escolar para ser realizado no período anterior à entrega dos Relatórios de Aprendizagem na Educação Infantile no Ensino Fundamental, abrangendo os profissionais da educação na instituição.

Considerando que a escola constitui-se em um espaço privilegiado de sistematização de aprendizagens cotidianas, de construção de conhecimentos cognitivos, afetivos e psicomotores, e onde se efetiva a formação do cidadão, o tema apresentado neste trabalho torna-se de suma relevância, pois busca contribuir com a descentralização do poder, demonstrando a necessidade de integração entre o gestor sua equipe pedagógica e administrativa, educadores, pais, educandos, funcionários e outras pessoas que possam fazer parte da comunidade da instituição educacional a qual dirige para qualificar a prática pedagógica e o processo ensino-aprendizagem, além de promover a autonomia, a auto construção, o comprometimento e a transformação social.

Através da participaçãoa responsabilidade passa a ser estimulada, o sujeito se comprometeem ações nas quais faz parte, com o que ajudou a construir, a cuidar, elaborar.Nesse contesto se constitui umimportante fator que somado aos demais agrega valor e faz a diferença ao processo educacional. Consequentemente, o trabalho institucional eleva seu nível de qualidade, pois os sujeitos estão em contínuo processo de desenvolvimento, construção,ação e transformação.

 Além disso, organizar o calendário escolar/2013 com encontros determinados para o Conselho de Classe destas respectivas etapas, conforme anexo posterior.


 

4 AÇÕES DESENVOLVIDAS:

 

Através desta produção escrita, procuro articular os conteúdos e conceitos estudados com as ações narradas, expressando de forma crítica os conhecimentos até agora adquiridos e as transformações que a intervenção provocou na instituição, na atuação como gestora escolar. O relato das diferentes ações implementadas constam na sequência da formacomo foi desenvolvido o processo na escola. A seguir constam as ações realizadas para implementação do Conselho de Classe como um dos mecanismos da Gestão Democrática:

4.1 Revisão do Projeto Político Pedagógico da escola;

4.2 Análise do Regimento Escolar da instituição;

4.3 Reuniões de estudo, discussões e debates sobre Conselho de Classe;

4.4 Elaboração de questões a serem debatidas no Conselho de Classe;

4.5 Implementação e efetivação do Conselho de Classe;

4.6 Avaliação do processo;

4.7 Organização para constar o Conselho de Classe no calendário de 2013.

 

4.1 REVISÃO DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DA ESCOLA

O processo de gestão democrática depende de espaços de discussão, pois com base nestes momentos acontecem reflexões onde é importante enfatizar o compromisso profissional de cada educador em relação à princípios éticos que conduzem a sociedade na busca da transformação da realidade social. Nessa perspectiva é preciso incentivo para que todos os segmentos da comunidade escolar possam participar de alguma maneira para contribuir no processo educativo, valorizando também os profissionais da educação ao investir no processo de formação contínua, possibilitando estudo e fundamentação teórica do Projeto Político Pedagógico. Essa forma coletiva de envolvimento gera mais probabilidades de encontrar mecanismos para vencer o desafio de garantir uma educação de qualidade.

Acredito que para realizar um trabalho de gestão democrática de maneira efetiva é necessário desenvolver também ações interdisciplinares, encontros e diálogopermanente com a comunidade escolar, propiciar a organizaçãode ambientes acolhedores que visem incentivar o hábito da leitura. É importante também considerar a busca do respeito à individualidade de cada educando de acordo com suas especificidades, abrangendo a educação inclusiva para o ensino regular em geral. Ou seja, todosujeito é singular e único no processo de desenvolvimento de conceitos, conteúdos e habilidades, cabendo à escola explorar o potencial de cada um.Nessa perspectiva seguimos a caminho de garantir direito à Educação para Todos.

A possibilidade da construção de práticas administrativas na escola, voltadas para a transformação social, reside exatamente nesta contradição existente no seu interior. Nesse sentido,a administração escolar é, atualmente, vista por alguns como mediação, ou seja, como elemento mediador entre os recursos diversos existentes na instituição escolar(humanos, financeiros, materiais, pedagógicos, entre outros) e a busca dos seus objetivos(a formação cidadã) (OLIVEIRA, MORAES e DOURADO, s/d, p.4).

Percebemos, portanto queno sistema educacional é necessário um conjunto de elementos relacionados com propósito na busca de resultados das atividades sistematizadas,nas quaishá ações de acordo com objetivos intencionalmente a realizar determinadas finalidades. Essas ações precisam ser planejadas. Em todo esse processo o Projeto Político Pedagógico é o ponto inicial e fundamental para uma gestão escolar efetiva, pois,é esse documento que expressa informações sobre a identidade, diagnóstico escolar,intencionalidades educativas e as estratégias para promover o alcance dos objetivos definidos coletivamente. Em torno dessas questões o grupo de educadoras da escola discutiu, analisou, refletiu e concluiu que tão importante quanto a reformulação e fundamentação da Proposta Político Pedagógica, seria a implementação do Conselho de Classe na instituição com objetivo de termos uma avaliação efetiva e completa.

A participação nessa perspectiva é mais que estratégia: é atitude que expressa compromisso e mobilização. Assim sendo, a participação de todos agrega aos espaços públicos, nesse caso, às unidades escolares, a dinâmica dos debates, das diferentes realidades, assim como as demandas dos diferentes segmentos da população. Essa é a realidade a ser vivida, elaborada e pronunciada nos tempos atuais (OLIVEIRA. 2011, p. 33).

Durante análise da atual Proposta Político Pedagógica percebe-se claramente que a prioridade é dirigida ao educando. Afinal, é ele o fim e justificativa única de qualquer ação educativa. Assim sendo, esta proposta é fundamentalmente um processo dialógico entre educadores e educandos, diálogo em que se procura discutir a pedagogia da escola, o papel da educação no cotidiano da comunidade e o vivenciar de um trabalho elaborado, constituindo-se em uma proposta de trabalho que considera o coletivo, através da participação dos pais, educandos, professores, funcionários.

De acordo com os princípios de gestão democrática, o presente documento busca caracterizar a realidade da instituição, com clareza de ideias e objetivos do grupo da escola como um todo, que prima pela efetivação de uma educação de qualidade, proporcionando às crianças, dentro do espaço escolar, o acesso aos mais variados conhecimentos. Através de práticas pedagógicas coerentes com esta postura, objetiva-se a formação de cidadãos pensantes, capazes de interagir e transformar seu meio de acordo com as suas necessidades e da sua comunidade.

4.2 ANÁLISE DO REGIMENTO ESCOLAR DA INSTITUIÇÃO

O gestor, durante sua atuação na unidade de ensino, precisa ser um profissional com olhar crítico no trabalho que desenvolve. Nessa concepção, precisaplanejar ações em que a participação coletivabusque a avaliação dos resultados envolvendo todos os responsáveis pelo processo de ensino aprendizagem. Esta forma de gestão possibilita uma constante reflexão sobre as metas da escola, pois, conta com ideias, sugestões, troca de experiências, diversidade de conhecimentos, análises, metodologias, conceitos, enquanto instituição de ensino, comprometida com os resultados da aprendizagem, num processo contínuo de construção e reconstrução que faz parte do dia a dia da escola. Nesse sentido, no decorrer do segundo semestre/2012, durante reuniões de estudo, analisamos também o Regimento Escolar que toda instituição de ensino deve possuir, pois, neste documento constam normas e regras. Este documento precisa estar disponível à comunidade escolar e ser do conhecimento administrativo e pedagógico do grupo de profissionais da referida instituição.

Durante estudos, foram sugeridas alterações. Em destaque sobre avaliação: o Conselho de Classe passa a ser implementado semestralmente na Educação Infantil e trimestralmente nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Este documento passou por Homologação da Secretaria Municipal de Educação e pelo Conselho Municipal de Educação em dezembro/2012. Complementando de acordo com Oliveira:

O regimento escolar é um conjunto de regras que definem a organização administrativa, didática, pedagógica, disciplinar da instituição, estabelecendo normas que deverão ser seguidas para na sua elaboração, como, por exemplo, os direitos e deveres de todos que convivem no ambiente. Define os objetivos da escola, os níveis de ensino que oferece e como ela opera. Dividindo as responsabilidades e atribuições de cada pessoa, evitando assim, que o gestor concentre todas as ordens, todo o trabalho em suas mãos, determinando o que cada um deve fazer e como deve fazer.O Regimento deve surgir da reflexão que a escola tem sobre si mesma, porém, deve estar de acordo com a legislação e a ordem que é aplicada no país, estado e município. Ele é um o documento administrativo e normativo de uma unidade escolar que, fundamentado na proposta pedagógica e coordena o funcionamento da escola, regulamentando ações entre os representantes do processo educativo. Ele deve ser baseado em um texto referencial e em princípios democráticos, adotados pela Secretaria de Estado da Educação que são a base para promover a discussão, a reflexão e a tomada de decisão pelos membros da escola, buscando respostas às questões referentes ao processo de ensino e aprendizagem (OLIVEIRA, Emanuelle, 2013).

4.3 REUNIÕES DE ESTUDO, DISCUSSÕES E DEBATES SOBRE CONSELHO DE CLASSE

 

No processo de gestão democrática percebe-se a necessidade de repensar a educação escolar em relação à sua função e seu significado para a sociedade, atribuindo um novo sentido à escola pública brasileira. Espaço este de interação, intervenção, observação, registro e documentação durante o processo ensino aprendizagem. Dessa forma é preciso pensar e elaborar meios para garantir a participaçãodos sujeitos que ao se envolverem no processo educacional, aprendem e ensinam com base em suas experiências, pontos de vista e visões de mundo, viabilizando uma escola que promova processos inclusivos, flexíveis e significativos.

Esta é a realidade da instituição onde atuo e realizo o trabalho de gestão de maneira comprometida, buscando ações que consolidem a qualidade da educação, dialogando com a comunidade.

Este, portanto, é o maior desafio dos tempos atuais: promover a mudança das concepções que fundamentam a organização de todo o universo da educação pública escolar, na perspectiva da qualidade, da garantia de aprendizagens significativas, da inclusão e do reconhecimento do direito à diversidade (OLIVEIRA, 2011, p.21).

A equipe de gestão escolar viabiliza o processo de formação contínua dentro do espaço escolar, ou seja, exercício democrático, dialógico e participativo, visando o desenvolvimento global da instituição de ensino da qual é responsável, conforme Tres:

É um grande desafio para o gestor escolar atuar como líder e desenvolver formas de organização inovadoras, empreendedoras e participativas, mas isto é indispensável. Algumas das importantes e atuais funções do gestor escolar são prever e antecipar às mudanças, assim o gestor deve saber ir além e intuir a mudanças, aprender a pesquisar, avaliar e enfrentar os novos desafios. Sendo assim, o gestor para liderar as mudanças e implantá-las deve ter a consciência da existência de riscos para que assim possa evitar possíveis erros, por meio de um planejamento bem elaborado e participativo. No entanto, os erros e acertos do passado podem ser fundamentais para direcionar decisões futuras (TRES, s/d, p.4).

Nessa perspectiva, as análises, discussões e reflexõesdos profissionais da educação na escola sobre o seu próprio trabalho na oportunidade do Conselho de Classe será um instrumento que possibilitaaprendizagem e é esse espaço de interação que permite realizar uma avaliação mais adequadana busca do melhor caminho ao alcance dos objetivos, metas e ações no processo educacional, buscando comprometimento na tomada de decisão.

O papel do educador no cotidiano escolar torna-se relevanteno processo ensino-aprendizagem, uma vez que se constitui no provocador de reflexões e ações, de interações e relações que se constroem. Portanto, mediador de saberes e conhecimentos.

É o educador quem planeja o espaço e o tempo das aprendizagens, a fim de dinamizar uma ação pedagógica coerente. Sendo assim, elabora estratégias, encaminhamentos, metodologias, prevê recursos e situações de ensino, desafiando o educando a pensar, a construir seu próprio conhecimento, num movimento dialógico e interativo.

No Ensino Fundamental os resultados da avaliação estão relacionados aos objetivos, conceitos e conteúdos de cada área do conhecimento. Os Relatórios de Aprendizagem deste nível de ensino contemplam a evolução do educando no período. Para amparar o educador nesta avaliação, diferentes instrumentos de registro são utilizados: portfólio (registro das observações do educador e registros do educando), fotografias, filmagens, caderno do educando, trabalho em grupo, auto avaliação, Conselho de Classe, provas objetivas e dissertativas. Ao referir-se aos instrumentos utilizados nos processos de avaliação, se está falando das tarefas que são planejadas com o propósito de subsidiar, com dados, a análise do educador acerca do momento de aprendizagem dos educandos. (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2011,p.50).

Enquanto a escola de ensino fundamental tem como sujeito o aluno, e como objeto fundamental o ensino nas diferentes áreas através da aula; a escola infantil e a pré-escola têm como objeto as relações educativas travadas num espaço de convívio coletivo que tem como sujeito a criança de zero a cinco anos de idade. Assim, a ênfase na apropriação de significados pelas crianças, na ampliação progressiva de conhecimentos de modo contextualizado, com estratégias apropriadas às diferentes fases do desenvolvimento infantil permeadas pelas funções de cuidado e educação se justifica na formação integral do educando. Conforme PPP:

A avaliação é entendida como o acompanhamento do desenvolvimento do educando, possuindo um caráter qualitativo desvinculado de qualquer atribuição no que diz respeito à nota ou conceito. Salienta-se que na Educação Infantil o ato de avaliar visa promover o sujeito (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2011,p.50).

4.4 ELABORAÇÃO DE QUESTÕES A SEREM DEBATIDAS NO CONSELHO DE CLASSE

Ao criar oportunidades de encontros pedagógicos na escola, o grande desafioé reconhecernos outros seus pontos fortes, e unir as pessoas por suas competências, para, assim compartilhar responsabilidades a caminho do processo de gestão democrática. Portanto, acredito que todos os saberes são essenciais para contribuir com uma prática pedagógica contextualizada para construir uma educação de qualidade.

Ao estudar e analisar textos pertinentes à legislação educacional, percebe-se a grande preocupação em melhorar e qualificar a participação em cada instituição escolar brasileira. Para tanto se torna necessário possibilitar abertura de espaços no cotidiano escolar buscando criar um melhor processo de funcionamento administrativo e pedagógico para que as pessoas possam se desenvolver e viver melhor ao interagir em  ambientes de descobertas, criações, debates, construção e reflexão sobre a prática.

Desta forma, temos na escola um currículo organizado e baseado na Proposta Curricular da Rede Municipal como conjunto de experiências, vivências e atividades de aprendizagem a serem desenvolvidas no decorrer de cada ano. Através desta base curricular se torna possível significar a vivência escolar dos sujeitosnum projeto cultural que este espaço oportuniza. É a ação, o caminho construído e planejado coletivamente de forma diferenciada de acordo com a realidade na qualse contempla a possibilidade de que os alunos possam realizar escolhas, introduzir interesses ou modificações no desenvolvimento do trabalho, com a finalidade da troca relevante e significativa dos conteúdos culturais com os quais a escola deve trabalhar.

Considerando estes aspectos, buscamos na oportunidade do Conselho de Classe, organizar uma discussão coletiva onde foram apontadas algumas questões de acordo com os objetivo deoportunizar momentos de reunir os docentes para refletir sobre a aprendizagem dos alunos e o processo de ensino, promovendo uma avaliação mais completa dos educandos e dos educadores, possibilitando encaminhamentos pedagógicos mais adequados e, respectivamente, os objetivos específicos a serem debatidos.

É uma oportunidade de reunir os educadores da instituição com o objetivo de refletir sobre a aprendizagem dos alunos e o processo de ensino, favorecendo uma avaliação mais completa de cada educando e do próprio trabalho docente, promovendo possibilidades de encontrar estratégias mais adequadas para melhoria na qualidade educacional.

Em um momento posterior, realiza a reflexão de suas ações, analisa a prática,revê procedimentos, encaminhamentos, condutas, a fim de qualificar sua ação. Nesta fase também documenta momentos e resultados da aprendizagem. Deste modo, o planejamento configura-se em ação docente essencial.

4.5 IMPLEMENTAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO CONSELHO DE CLASSE

 

Nessa etapa do trabalho chegamos à implementação e efetivação do Conselho de Classe. Seu papel precisa estar presente na estrutura organizacional da escola, enquanto instância colegiada. Caracteriza-se como espaço de avaliação coletiva do trabalho escolar e como instrumento de democratização das relações escolares. Acredita-se que o mesmo contribui para a democratização das relações presentes na comunidade escolar.

O Conselho de Classe é mais um dos mecanismos de participação da comunidade na gestão e no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido na unidade escolar. Constitui-se numa das instâncias de vital importância num processo de gestão democrática, pois “guarda em si a possibilidade de articular os diversos segmentos da escola e tem por objeto de estudo o processo de ensino, que é o eixo central em torno do qual desenvolve-se o processo de trabalho escolar (OLIVEIRA,  MORAIS e DOURADO  apud Dalben, 1995, p.16).

O Conselho de Classe aconteceu outubro/2012 na escola envolvendo o grupo de profissionais da educação. Discorremos em torno das questões em foco. Esta foi a primeira experiência deste mecanismo nesta gestão. Ao observar e diagnosticar o professor deve registrar saberes sobre cada aluno de forma a perceber o nível de conhecimento e, portanto definir alvos a serem alcançados por todos. Alguns aspectos que foram discutidos: possibilidade de ampliar e rever horários de recuperações paralelas, maior atenção à frequência escolar, oportunizar mais momentos de estudo, estratégias para acompanhar a turma do 5º ano, possibilidade de oferecer laboratório de aprendizagem em turno inverso, organizar mais reuniões com pais de acordo com as especificidades da turma, organizar visitas domiciliares, ampliar situações de aprendizagem no laboratório de informática, retomar ações referentes à leitura que constam no PPP da escola, promover seminários para socialização de estudos e práticas pedagógicas. Portanto, foi um momento em que avaliamos e fomos avaliados. Um momento que também favorece a integração entre professores e equipe pedagógica, promovendo a troca de ideias e tomada de decisões rumo à melhoria do processo educacional, permitindo a avaliação de métodos utilizados com a exposição de diversos pontos de vista.

Durante o processo de avaliação é pertinente destacar que este espaço se constitui em um momento de investigação onde o educador visualiza a metodologia de seu trabalho, verificando se alcançou os objetivos curricularespropostos no respectivo Plano de Estudose quais as dificuldades dos educandos, de maneira a buscar novos encaminhamentos para a superação dos problemas constatados.Portanto a avaliação representa um momento dialético no processo do desenvolvimento, viabilizando ação-reflexão, da autonomia, do pensamento, da criatividade e criticidade, não simplesmente do educando, mas do próprio educador.

4.6 AVALIAÇÃO DO PROCESSO

 

Em sua função avaliativa, o Conselho de Classe, de acordo com suas atribuições, deve conduzir a umamodificação das relações, possibilitando a gestão democrática, enquanto instância colegiada. Tem ênfase nos processos avaliativos capazes de reorganizar o conhecimento, de analisar as relações pedagógicas, promovendodiscussões que contribuem paramelhorar metas na área educacional.

O papel do Conselho, portanto, é tornar dinâmico, flexível e significativo o processo de avaliação por meio da análise e reflexão dos participantes e estabelecer no coletivo,meios para a superação das dificuldades tanto na área administrativa como pedagógica.

Nesta perspectiva, é pertinente destacar noprocesso de construção e elaboração das práticas pedagógicas, a participação como forma significativa de promover maior aproximação entre os membros da escola, o que ainda acontece de maneira limitada porque essa participação não envolve todos de maneira efetiva, mas busca caminhos para uma gestão compartilhada da educação escolar, de acordo com:

A gestão democrática como o processo em que se criam condições para que os membros de uma coletividade não apenas tomem parte, de forma regular e contínua, de suas decisões mais importantes, mas assumam responsabilidade por sua implementação(LÜCK,2009, p.57).

Além de tratar de temas atuais e do interesse do grupo, é importante valorizar o que a criança já sabe, respeitar o modo de pensar de cada um, abrir espaço para confrontar ideias e tomar decisões relacionadas a aprendizagens da escola e da vida diária. Desta maneira exclui-se a prática que tem por base o fazer por fazer, não se aceita o jogar por jogar, reforçando que ação pedagógica necessita ser desafiadora, problematizadora e produtora de aprendizagens. Assim, as ações educativas possibilitam que as crianças criem uma postura investigativa, crítica e pesquisadora.

Acredito que no momento em que o educador sistematizar suas próprias ações e os processos vividos pelos educandos, tornará concreta sua intenção na proposta pedagógica, embasadas nos referenciais teóricos e na realidade, permitirão a construção de uma proposta curricular que venha a atender as necessidades da educação, de modo a organizar sua prática educativa com a finalidade de alcançar os objetivos propostos.

Partindo dessa ideia, a instituição escolar tem o compromisso de assumir seu papel com coerência e responsabilidade, promovendo momentos em que os educandostenham direito à educação com qualidade, respeitando suas especificidades e seu direito de permanência na escola dese apropriar de novos conceitos.

A avaliação, portanto tem papel fundamental, pois, visa redirecionar, realimentar, conduzir, enriquecer e valorizar o ensino em relação à aprendizagem. Deve ser realmente a construção de indicadores para a reorganização da prática pedagógica, considerando as condições de aprendizagem de cada educando e desafiando-os no processo de evolução dessas condições.

Considerando este caminho da avaliação, temos ainda ajustes para organizar e continuar pensando em estratégias para um bom desempenho: o tempo de duração do Conselho de Classe precisa, ser revisto, pois o momento de discussões pode ser ampliado.

4.7 ORGANIZAÇÃO PARA PREVER O CONSELHO DE CLASSE NO CALENDÁRIO DE 2013, PARA SER APROVADO PELO CONSELHO ESCOLAR E PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE IJUÍ

 

Realizar a gestão colegiada na escola implica a participação de todos os segmentos da comunidade escolar em todos os âmbitos da gestão: planejar, executar, acompanhar, avaliar está num processo permanente de construção e reconstrução. De acordo com o proposto na escola, organizamos também no Calendário Escolar/2013 a previsão de datas do Conselho de Classe para a Educação Infantil e para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental de acordo com o que menciona o PPP:

O processo de avaliação constitui-se em um momento de investigação onde o educador visualiza o seu trabalho, verificando se alcançou os objetivos propostos e quais as dificuldades dos educandos, de maneira a buscar novos encaminhamentos para a superação dos problemas constatados, necessários para a compreensão da realidade. Então a avaliação representa um momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação-reflexão, da autonomia, do pensamento, da criatividade e criticidade, não simplesmente do educando, mas do próprio educador(PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2011,p.49).

Este calendário foi homologado pela Secretaria Municipal de Educação e entra em vigor a partir de fevereiro de 2013. As datas para Educação Infantil são junho e novembro e para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental são maio, agosto e novembro.

5CONSIDERAÇÕES FINAIS

O educador possui neste processo a importante função de acompanhar a criança minuciosamente em sua totalidade, contemplando a adaptação ao ambiente escolar e a interação com o grupo de colegas. Trata-se de um olhar atento, voltado para intervenções.  O acompanhamento também significa problematizar e questionar, proporcionando ao educando uma interferência válida para que ele avance no seu processo de desenvolvimento.

É indispensável que o acompanhamento da criança seja documentado em relatórios de avaliação que serão entregues às famílias, valorizando o vínculo escola-família e proporcionando aos pais o acompanhamento do processo. À medida que os pais forem informados, também poderão auxiliar no estímulo ao desenvolvimento integral de seus filhos.

O ato de avaliar visa observar e promover o sujeito, diferenciando-se por ser uma avaliação dialética, acontecendo no decorrer do todo o processo de ensino aprendizagem, não se limitando a resultados no final de um período.

Considerando a ação de avaliar como processo que se faz necessário no acompanhamento permanente do desenvolvimento do educando, é pertinente oportunizar momentos na escola para refletir sobre a prática pedagógica na instituição buscando fortalecer ações que consolidem qualidade na educação e que proporcione conhecimento e valores de formação cidadã em relações democráticas e participativas.

Durante o corrente ano realizamos mais um momento privilegiando o Conselho de Classe, espaço em que está se fortalecendo a discussão coletiva com vistas a um objetivo comum: qualidade educacional. Nesse sentido, pensar a educação em nosso tempo é, sem dúvida um grande desafio, pois são avanços pertinentes à ampliação e qualificação da democracia que, consequentemente abrange a garantia de direitos. Conseguimos traçar metas na escola a partir dessas discussões, entre as quais se destacam a ativação da biblioteca na escola com livros adquiridos pela instituição e recebidos pelo Programa Nacional do Livro Didático e acompanhamento pedagógico em turno inverso.

Considerando a ação de avaliar como processo que se faz necessário no acompanhamento permanente do desenvolvimento do educando, é pertinente e necessário momentos na escola para refletir sobre a prática pedagógica na instituição buscando fortalecer ações que consolidem qualidade na educação e que proporcione conhecimento e valores de formação cidadã em relações democráticas e participativas.

Neste sentido o que chama atenção é o envolvimento do grupo de educadores da escola que demonstra cada vez mais comprometimento com sua prática educativa na busca de melhores resultados. Temos ainda muito trabalho a ser feito dentro da organização proposta, por isso acredito que este instrumento terá muitas contribuições no processo educacional e no fortalecimento da melhoria da qualidade da educação.

Este projeto de trabalho propõe acesso a espaços e ações com vistas ao fortalecimento da escola pública como direito social básico.


 

REFERÊNCIAS

 

BOTH. Ivo José. Avaliação: ”voz da consciência” da aprendizagem. Curitiba:Ibpex, 2011. Série Avaliação Educacional

BRASIL. Constituição, 1988.

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BRUEL. Ana Lorena de Oliveira. Políticas e legislação da educação básica no Brasil. Curitiba: Ibpex, 2010.

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LIMA. Márcia Regina Canhoto de. Paulo Freire e a administração escolar: em busca de um sentido. Brasília: Líber Livro Editora, 2007.

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LÜCK. Heloísa. Concepções e processos democráticos de gestão educacional. Petrópolis: Editora Vozes, 2008. Série Cadernos de Gestão.

LÜCK. Heloísa. Gestão educacional: uma questão paradigmática. Petrópolis: Editora Vozes, 2009. Série Cadernos de Gestão.

LÜCK. Heloísa. Liderança em gestão escolar. Petrópolis: Editora Vozes, 2009. Série Cadernos de Gestão.

OLIVEIRA. Emanuelle. Regimento Escolar. Disponível em http://www.infoescola.com/educação/regimento-escolar.Acesso em: 03. Jan.2013.

OLIVEIRA. Márcia Cristina de. Caminhos para a gestão compartilhada da educação escolar. Curitiba: Ibpex, 2011. Série Processos Educacionais.

OLIVEIRA, João Ferreira de; MORAES, Karine Nunes de; DOURADO, Luiz Fernandes. Texto: Organização da educação escolar no Brasil na perspectiva da gestão democrática: sistemas de ensino, órgãos deliberativos e executivos, regime de colaboração, programas, projetos e ações. Políticas e Gestão na Educação/UFRGS, S/D.

OLIVEIRA, João Ferreira de; MORAES, Karine Nunes de; DOURADO, Luiz Fernandes. Texto: Gestão escolar democrática: definições, princípios e mecanismos de implementação. Políticas e Gestão na Educação/UFRGS, S/D.

Proposta Político Pedagógica(2010-2011). IJUÍ. Secretaria Municipal de Educação. Escola Municipal Fundamental Dona Leopoldina.

TRES. Janialy Alves Araújo. Texto: Desafios do gestor escolar para a mudança organizacional da escola/ FAFIRE, S/D, UFRGS.

TEXTO: PROJETO-INTERVENÇÃO. UFRGS. S/D. Escola de Gestores da Educação Básica.

SILVA. Mônica Ribeiro. Perspectivas curriculares contemporâneas. Curitiba: Ibepex, 2011.

TEXTO NA ÍNTEGRA

 

 

 

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