A HISTÓRIA DO SANEAMENTO BÁSICO NO BRASIL E SEU TRATAMENTO

Ter saneamento básico é um fator essencial e de suma importância para um país poder ser chamado de país desenvolvido. Os serviços de água tratada, coleta e tratamento dos esgotos levam à melhoria da qualidade de vidas das pessoas, sobretudo na saúde infantil com redução da mortalidade, melhorias na educação, na expansão do turismo, na valorização dos imóveis, na renda do trabalhador, na despoluição dos rios e preservação dos recursos hídricos e efluentes, etc.

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Autor: David Machado Maas

Timbó – SC

Curso Capacitação Operador de Estação de Tratamento de Efluentes

Somática Educar

Sabemos que o saneamento básico é de extrema importância. Tanto para saúde e bem-estar da humanidade quanto para um país ser considerado desenvolvido.

Entretanto, infelizmente bilhões de pessoas no mundo não têm acesso ao mais básico de tudo: abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto. Em termos nacionais, são quase 35 milhões de brasileiros sem acesso ao atendimento de água, 46,9% da população não têm acesso à coleta de esgoto, o que representa quase 100 milhões de pessoas. Já no que diz respeito ao tratamento, apenas 46,3% de todo o volume de esgoto é tratado. Além do mais, diariamente são cerca de 5.715 piscinas olímpicas de esgoto jogadas diariamente na natureza.

Mesmo apresentando ainda inúmeros problemas no setor, não significa que os serviços de saneamento básico sejam algo recente, muito pelo contrário, há registros de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto há milhares anos.

Tudo começou na Antiguidade….

Na grande Roma, as ruas que apresentavam encanamentos serviam de fonte pública e, com o objetivo de prevenir doenças, separava a água para consumo da população. Na Grécia antiga, havia-se o costume de enterrar as fezes ou deslocarem para um local bem distante de suas casas. O Egito iniciou o controle do fluxo de água do rio Nilo e utilizava tubos de cobre para o palácio do faraó Keóps.

A Idade Média, por sua vez, foi um período de 10 séculos sem avanços no saneamento básico. Com a queda de Roma, o conhecimento ficou arquivado em mosteiros religiosos. Só foi revelado algo sobre saneamento em 1425. Assim, os ensinamentos sobre hidráulica, saneamento e a gestão ficaram escondidos durante toda a Idade Média. Nesse período, o gerenciamento de água deixou de ser do governo e passou a ser dos cidadãos. Lixo de todo tipo se acumulava nas ruas, facilitando o aumento de ratos e criando sérios problemas de saúde. Um dos mais graves foi a epidemia da peste bubônica, que só na Europa, causou a morte de cerca de 25 milhões de pessoas.

A primeira rede de distribuição de água e captação de esgoto foi construída há aproximadamente 4.000 anos, na Índia. Grandes tubos feitos de argila levavam as águas residuais e os detritos para canais cobertos que corriam pelas ruas e desembocavam nos campos, adubando e regando as colheitas.

Em Paris, no final do século XV, a distribuição de água era controlada por canalizações. Em 1664, a distribuição de água canalizada foi incrementada com a fabricação de tubos de ferro fundidos e moldados, por Johan Jordan, na França, sendo instalada no palácio de Versailles. Pouco depois, Johan inventou a bomba centrífuga e em 1775, Joseph Bramah inventou o vaso sanitário na Inglaterra, como vimos no texto anterior do blog sobre a origem dos banheiros.

No final do século XVIII, com a Revolução Industrial, a população das cidades aumentou muito causando um maior acúmulo de lixo e excrementos nas ruas. Por consequência disso, tornou-se necessária a criação de um sistema de esgoto e água que desse conta da demanda da população.

A primeira Estação de Tratamento de Água (ETA) foi construída em Londres em 1829 e tinha a função de coar a água do rio Tâmisa em filtros de areia. A ideia de tratar o esgoto antes de lançá-lo ao meio ambiente, porém, só foi testada pela primeira vez em 1874 na cidade de Windsor, Inglaterra. Porém com a descoberta de que doenças letais da época (como a cólera e a febre tifoide eram transmitidas pela água, técnicas de filtração e cloração foram mais amplamente estudadas e empregadas, chegando próximas ao que vemos hoje.

Surgimento do saneamento no Brasil

O primeiro registro de saneamento no Brasil ocorreu em 1561, quando o fundador Estácio de Sá mandou escavar o primeiro poço para abastecer o Rio de Janeiro. Em 1620, iniciou-se as obras do aqueduto do Rio Carioca para abastecimento do estado. A obra foi iniciativa de Aires Saldanha e tinha 270 metros de comprimento e 18 metros de altura. Entretanto, ela foi concluída mais de cem anos depois. Em 1723 ela foi entregue à população sendo o primeiro sistema de abastecimento de água no país. No período colonial, ações de saneamento eram feitas de forma individual, resumindo-se à drenagem de terrenos e instalação de chafarizes. Na capital, o primeiro chafariz foi construído em 1744. 

Durante a história do saneamento no Brasil existiram fatores que dificultaram o progresso ao longo dos anos. Podemos citar alguns obstáculos que impediram (e ainda impedem) que o desenvolvimento dessa área não tenha atingido crescimento expressivo durante esse período, são eles:

  • A falta de planejamento adequado;
  • O volume insuficiente de investimentos;
  • Deficiência na gestão das companhias de saneamento;
  • A baixa qualidade técnica dos projetos e a dificuldade para obter financiamentos e licenças para as obras.

A partir dos anos 1940, se iniciou a comercialização dos serviços de saneamento. Surgem então as autarquias e mecanismos de financiamento para o abastecimento de água, com influência do Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), hoje denominada Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).

No Brasil, 83,3 % da população são atendidos com fornecimento de água tratada e 35 milhões de brasileiros ainda não possuem acesso a este serviço. De acordo com dados fornecidos pelo SNIS 2015 e o Instituto Trata Brasil, para cada 100 litros de água tratada, 37% não são consumidas. Com relação a coletas e tratamentos de esgoto os números diminuem com relação a população atendida por esse serviço básico e aumentam quanto a população que não tem acesso nenhum. Segundo o levantamento de dados do SNIS 2015 e um estudo de saneamento em áreas irregulares feito pelo Instituto Trata Brasil em 2016, cerca de 50,3% da população do Brasil tem acesso à coleta de esgoto, enquanto mais de 100 milhões de brasileiros ainda não possuem acesso a este tipo de serviço.

Definição de Saneamento Básico:

Saneamento é o conjunto de medidas que visa preservar ou modificar as condições do meio ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde, melhorar a qualidade de vida da população e à produtividade do indivíduo e facilitar a atividade econômica. No Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado pela Constituição e definido pela Lei nº 11.445/2007 como o conjunto dos serviços, infraestrutura e Instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais. 

Embora atualmente se use no Brasil o conceito de Saneamento Ambiental como sendo os 4 serviços citados acima, o mais comum é o saneamento seja visto como sendo os serviços de acesso à água potável, à coleta e ao tratamento dos esgotos.

Conclusão:

Ter saneamento básico é um fator essencial e de suma importância para um país poder ser chamado de país desenvolvido. Os serviços de água tratada, coleta e tratamento dos esgotos levam à melhoria da qualidade de vidas das pessoas, sobretudo na saúde infantil com redução da mortalidade, melhorias na educação, na expansão do turismo, na valorização dos imóveis, na renda do trabalhador, na despoluição dos rios e preservação dos recursos hídricos e efluentes, etc.

Em 2017, segundo o Ministério da Saúde (DATASUS), foram notificadas mais de 258 mil internações por doenças de veiculações hídricas no país.

Em vinte anos (2016 a 2036), considerando o avanço gradativo do saneamento, o valor presente da economia com saúde, seja pelos afastamentos do trabalho, seja pelas despesas com internação no SUS, deve alcançar R$ 5,9 bilhões no país.

Por isso, deve ser tratado como prioridade à especialização e capacitação dos profissionais da área, além claro de incentivo e ajuda do governo para que possamos adequar e impulsionar o país todo com tratamento de água e efluentes de qualidade.

Fontes Consultadas: 

www.eosconsultores.com.br

www.cartacapital.com.br

https/etes-sustentaveis.org

www.tratabrasil.org.br

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Autor: Somática Educar

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