Por maior valorização dos profissionais de Tanatopraxia

Autor: Silvio Heleno Martins Dutra

Curso Tanatopraxia – Somática Educar

Moro numa cidadezinha de pouco mais de 12,5 mil habitantes. Ilicínea, Sul de Minas Gerais. Região Sudeste, tida como a macrorregião mais rica do Brasil. Minha cidade tem como pilares de sua economia a Agricultura, Pecuária, Indústria Têxtil e Construção Civil.

  Há pouco mais de uma década, iniciou-se uma revolução tecnológica  nos meios de produção por aqui  e,  consequentemente, os seus trabalhadores tiveram que passar por amplo processo de qualificação. Implementos agrícolas, máquinas, tudo se modernizou rapidamente aumentando a capacidade de produção e uma melhor qualidade dos produtos. Esses profissionais qualificados passaram a ser disputados pelas empresas. Consequentemente os salários subiram e houve muita migração de trabalhadores de umas áreas para outras. 

Algumas pessoas que há algum tempo atrás trabalhavam com a tanatopraxia, em minha região,  migraram para essas áreas mais rentáveis e que oferecem possibilidade de crescimento. Algumas empresas oferecem vários benefícios: plano de saúde, cesta básica, cursos de aperfeiçoamento contínuo na respectiva área.

Um amigo que trabalhou muitos anos em uma empresa funerária, numa cidade próxima de onde eu moro, me relatou o quão difícil era sua vida profissional como tanatopraxista. Fez o curso em 2005. Começou a trabalhar como funcionário em uma funerária. Contou-me que no início, ao assinar a carteira de trabalho, acordou com o patrão jornada de trabalho, possíveis gratificações – que nunca vieram -,  e principalmente, exerceria o trabalho de tanatopraxista e agente funerário. Mas com o passar do tempo, foi acumulando funções outras que não estavam no contrato: motorista, recepcionista, necromaquiador, jornadas extenuantes ( chegou a emendar 48 h de serviço sem descanso). Ou seja, a funerária ficou literalmente nas mãos dele. Resultado: teve uma estafa. Ficou hipertenso. Por fim acabou mudando de profissão. 

Quem precisa dos serviços funerários espera, num momento tão difícil como esse, encontrar um profissional que ofereça um serviço de qualidade e principalmente respeito pelo corpo do  ente querido.  Trata-se de um ser humano, embora nele tenha cessado a vida. É o momento derradeiro. E pelo que as funerárias cobram, o serviço tem mesmo que ser de qualidade. Mas como manter um profissional de qualidade pagando um salário tão baixo?

Veja o que eu consegui levantar sobre o piso salarial de um tanatopraxista no Brasil, 2021:

“Um Agente Funerário – Tanatopraxista ganha em média R$ 1.381,47 no mercado de trabalho brasileiro para uma jornada de trabalho de 43 horas semanais de acordo com pesquisa do Salario.com.br junto a dados oficiais do Novo CAGED, eSocial e Empregador Web com um total de 5.779 salários de profissionais admitidos e desligados pelas empresas.

faixa salarial do Agente Funerário – Tanatopraxista CBO 5165-05 fica entre R$ 1.260,85 (média do piso salarial 2021 de acordos, convenções coletivas e dissídios), R$ 1.329,35 (salário mediana da pesquisa) e o teto salarial de R$ 2.225,28, levando em conta profissionais com carteira assinada em regime CLT de todo o Brasil.

perfil profissional mais recorrente é o de um trabalhador com 26 anosensino médio completo, do sexo masculino que trabalha 44h semanais em empresas do segmento de Serviços de funerárias.

A cidade com mais ocorrências de contratações e por consequência com mais vagas de emprego para Agente Funerário – Tanatopraxista é São Paulo – SP.”

Os principais locais de trabalho desse profissional:

  • Instituto Médico Legal (IML);
  • Funerárias;
  • Necrotérios;
  • Hospitais;
  • Clínicas;
  • Laboratórios de anatomia;
  • Departamentos de polícia.

Embora não seja considerada uma área popular e reconhecida entre a população, essa profissão é extremamente essencial.

Minha proposta aqui é um convite ao debate sobre a valorização deste profissional. Não é necessário esperar ter que utilizar os serviços de um para saber o tamanho de sua responsabilidade e a importância do seu serviço. Ter um profissional qualificado, com salário digno, que goste do trabalho que desempenha, que esteja bem de saúde física e mental é o mínimo que se pode esperar.

Faço questão de dizer que apesar de tudo, encontramos tanatopraxistas trabalhando há décadas nessa função e desempenhando um serviço de extrema qualidade. São mulheres e homens, mães e pais de famílias que se sentem muito honrados pelo trabalho que desempenham. E o fazem com extraordinário profissionalismo.

Ouvi o depoimento de alguns pais que tiveram que passar pela dura tarefa de velar e enterrar seus filhos. Dor terrível. Imensurável. Contra o curso normal e natural da vida. Mas que relatam que receberam um tratamento tão humanizado em relação à preparação do corpo de seu filho que mesmo diante de dor terrível tiveram um alento. Receberam o corpo do filho ou filha tão bem preparado que sentiram-se amparados. Acolhidos. Suavizados por tamanha perda.

Fonte:

Fonte: Marivaldo Silva, coordenador de tanatopraxia do Grupo Vila (Recife, PE)

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