Salto para aprender

05/11/2008 às 04:56h


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Aproveitando a bagagem das crianças, brincadeiras de corda aprimoram a coordenação motora, o equilíbrio e o contato social no 1º e 2º ano

  
Nas aulas de Educação Física das séries iniciais, as brincadeiras cumprem vários objetivos pedagógicos - por exemplo, trabalhar o movimento e a coordenação motora e ensinar os alunos a perceber as diferentes formas de brincar como manifestações do jeito de ser de um grupo ou de cada um. Para trabalhá-las, o primeiro passo é descobrir de que as crianças brincam.

Na EMEF Carlos Chagas, em São Paulo, a professora de Maria Emília Lima percebeu que a turma do 1º ano conhecia muitas maneiras de pular corda. Na sala de aula, ela lançou o desafio à garotada: "Me contem como vocês brincam com cordas no dia-a-dia".

Seqüência didática - Repertório de corda
Debate sobre as práticas
Foi uma explosão de vozes: os alunos diziam o tipo de jogo e explicavam a maneira de praticá-lo. "Surgiram até coisas como balanço e cabo-de-guerra. Imaginei que falariam só dos jeitos de pular corda e não que relacionassem esse material a outras atividades", diz Maria Emília.

Depois de ouvir a turma, a professora tomou o cuidado - essencial - de registrar todas as sugestões no quadro. Para a tendência cultural, corrente dominante no ensino de Educação Física hoje, essa etapa é o ponto inicial de qualquer atividade na disciplina, pois permite o mapeamento do que a classe sabe e que práticas corporais vivencia (leia a seqüência didática na página seguinte). Partindo da idéia de que a trajetória e os interesses das crianças podem (e devem) ser explorados em sala, cabe ao professor incentivar a troca de experiências entre elas.

No fim, novas criações
A etapa seguinte é... brincar - hora de trabalhar funções psicomotoras, como a coordenação e o equilíbrio, e ampliar o repertório da classe. Na turma de Maria Emília, a garotada experimentou as modalidades em grupos. Em seguida, a professora propôs: "O que poderíamos mudar para que o jeito preferido de pular corda ficasse ainda mais legal?" É a chamada fase de ressignificação da prática. As crianças acabaram criando modalidades, juntando partes das brincadeiras que conheciam. "Uma das invenções foi a corda-cega, que é pular corda de olhos fechados. Foi uma aula de criatividade", comemora Maria Emília.

Seqüência Didática
Repertório de corda
 

Objetivos
Ampliar o repertório de brincadeiras com corda.
Identificar a evolução das diferentes formas de brincar com a corda através dos tempos.
Comparar as brincadeiras utilizando categorias predefinidas.
Desenvolver a coordenação motora e o equilíbrio.

Conteúdo
Brincadeiras de corda.

Anos
1º e 2º.

Tempo estimado
20 aulas.

Material necessário
Cordas.

Desenvolvimento

1ª ETAPA

Comece com um mapeamento sobre o que as crianças conhecem de brincadeiras com corda. Quantas sabem pular? Quais as modalidades favoritas? Registre as sugestões em um painel ou cartaz, que será completado nas etapas posteriores. Em seguida, proponha que a turma experimente-as na prática.

2ª ETAPA

Enriqueça o repertório sugerindo que todos perguntem aos pais e familiares quais formas de pular corda eles conhecem. Acrescente o registro no painel e promova uma nova rodada de brincadeiras.

3ª ETAPA

Divida a classe em grupos de quatro ou cinco alunos para a construção de brincadeiras, que podem ser vivenciadas em seguida. O registro pode ser feito por escrito ou por meio de desenhos que expliquem como é a modalidade criada. O painel deve receber as invenções ao término dessa etapa.

4ª ETAPA

Hora da categorização, um momento importante de reflexão. Retomando o painel, peça que a turma organize as brincadeiras, classificando-as por critérios específicos: número de jogadores, tipo de corda, forma de manuseio (como se bate a corda), número de cordas e origem da brincadeira (se foi sugestão deles ou dos parentes).

5ª ETAPA

Compartilhe com outros grupos da escola as aprendizagens construídas durante o projeto. Uma sugestão pode ser a eleição de monitores que, no intervalo, ensinem as brincadeiras para outros colegas.

Avaliação
Avalie se todas as etapas foram cumpridas adequadamente: no mapeamento, a participação dos alunos foi interessada e respeitosa? Nas vivências, as regras das brincadeiras foram acatadas? Houve adaptações às condições do grupo e do espaço? Sobre os desafios corporais, quantas crianças sabiam pular corda no início e no fim? Elas foram capazes de aprender (e criar) novas modalidades? E quanto às formas de registro, a turma conseguiu se expressar em relatos orais, por escrito e com desenhos?

 
Fonte: Anderson Moço para Revista Nova Escola
Disponível em:http://revistaescola.abril.com.br/online/planosdeaula/ensino-fundamental1/repertorio-corda-395015.shtml
Fonte da imagem: lidianetubino.pbwiki.com



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