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GESTÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO: CONTRIBUIÇÕES DA LUDICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Gestão Escolar na Educação

Autora: JAQUELINE DO AMARANTE
Artigo científico apresentado a FAVENI como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Gestão Escolar.
Artigo cedido pela autora para publicação em nosso website www.somaticaeducar.com.br

 

 

RESUMO: Este trabalho de pesquisa tem como objetivo evidenciar a importância da participação da gestão nos processos que ocorrem na escola, em todos os âmbitos. Uma gestão democrática e participativa, que observa, planeja e executa dentro da escola e em todo o ambiente escolar. Apresenta o gestor e seu papel no contexto atual, com tantos desafios e inquietações que surgem, e com significativas aprendizagens. Em meio a tantas mudanças na educação em geral busca-se um olhar sensível na educação infantil, fase de intensas aprendizagens e construção de significados e sentimentos para toda vida.

Palavras – chave: Gestão, Criança, Educação Infantil.

 

ABSTRACT: This research aims to highlight the importance of the participation of the management in the processes that occur in the school, in all the scopes. A democratic and participatory management that observes, plans and executes within the school and throughout the school environment. It presents the manager and his role in the current context, with so many challenges and concerns that arise, and with significant learning. In the midst of so many changes in education in general we seek a sensitive look at early childhood education, intense learning phase and building meanings and feelings for all life.

 

Key words: Management, Child, Early Childhood Education

 

 

ludicidade
Ludicidade

 

1. INTRODUÇÃO

A concepção de criança passa por várias mudanças que acabam refletindo na prática docente e nos processos de administração e gestão das escolas, na idade média a criança era vista como um ser em miniatura, quando conseguia realizar algumas tarefas era inserida no mundo adulto, sendo exposta a todo tipo de vivencia. A reorganização da sociedade pelos avanços, de constrói uma identificação de infância como o primeiro ciclo da vida humana, assim a consciência social sobre a importância da infância, deslocou-se gradativamente e a criança de pequena e de um lugar irracional passa para o status de aprendiz, sujeito e participante.

Diante de tantas mudanças tem-se um compromisso histórico com uma educação inclusiva, justa e igualitária, compreende-se a infância como condição da criança, enquanto sujeito de direitos, construtora de sua própria cultura, participante ativa na construção de sua identidade, autonomia e competência, por meio de suas relações e interações com o meio. Segundo Dewey (1959, p.53):

Temos,entretanto, suficientes divergências fundamentais: primeiro, o mundo pequeno e pessoal da criança contra o mundo impessoal da escola, infinitamente extenso, no espaço e no tempo; segundo, a unidade da vida da criança, toda afeição, contra as especializações e divisões do programa; terceiro, a classificação lógica de acordo com um principio abstrato, contra os laços práticos e emocionais da vida infantil.

A criança na escola em meio a tantas mudanças e conquistas, o educador gestor surge para que este momento tão significativo da vida torne-se especial e possibilite crescimento físico e intelectual às crianças especialmente na fase da educação infantil.

Estudos destacam a importância do trabalho de gestão na escola, que seja participativa, pois segundo Libâneo, Oliveira e Toschine (2008), esta é a faculdade das pessoas de autogovernar-se, de decidir sobre o próprio destino. Gestão participativa é o exercício responsável e compartilhado da direção e de cada membro da equipe escolar na tomada de decisões. A gestão no âmbito escolar no contexto atual, significa um processo que envolve todos os protagonistas da comunidade escolar, atuar conscientemente em todos os campos escolares, buscando aperfeiçoamento da práxis educacional, em consonância com o contexto no qual as crianças estão inseridas. Cabe ao gestor manter-se sempre atualizado e fundamentado para elaborar ou sugerir melhoras estratégias significativas de acordo com a proposta da escola, é esperada atuação para melhoria do processo ensino-aprendizagem, na definição dos instrumentos para concretizar as escolhas realizadas pela comunidade escolar.

Um olhar sensível na educação infantil é necessário por parte da equipe que faz parte da gestão da escola, buscar desde os pequenos o encantamento necessário para que a aprendizagem realmente aconteça em todos os sentidos, olhar esse que estará atento para todos os sentidos quanto a espaço físico e planejamento de experiências que as crianças terão nesse espaço, a parte gestora da escola deve estar atenta as necessidades que surgiram ao passar dos dias, a educação infantil é a base para toda a caminhada na educação, esse olhar sensível deve estar sobre os professores e crianças que fazem parte deste contexto.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 O GESTOR ESCOLAR

O gestor na escola não se resume á administração do estabelecimento de ensino, mas alguém responsável por mudanças e evolução, mudanças rápidas ocorrem todos os dias em todos os setores, algumas mais visíveis como as tecnológicas, a educação não é uma área inerte, as transformações ocorrem a partir do momento que as crianças e adultos interagem com o mundo externo. Na atualidade deve-se orientar com responsabilidade, motivação, preocupado com a formação continuada de seus colegas, compartilhando conhecimentos.

Na busca de uma gestão educacional que atenda às exigências dos dias atuais deve sugerir ma aproximação dos fatos administrativos com as questões pedagógicas, não é possível que a administração escolar paute-se apenas aspectos burocráticos, sua ênfase deve promover condições de aprendizagem à criança. Atualmente uma gestão democrática busca o envolvimento da comunidade na organização das questões educacionais, visando melhorias em todos os processos.

A concepção de gestão nos últimos tempos tem sido marcada pelo comprometimento da comunidade escolar na organização das questões educacionais, visando a melhoria de todos os processos na escola para melhor desenvolvimento de todos os aspectos que envolvem o desenvolvimento do ser humano.

O processo de gestão está sempre em mudanças que ocorrem dentro e fora da escola, o gestor deve procurar manter todos os segmentos da escola numa relação de troca de aprendizagens, tentar melhorar processos e aprendizagens da melhor maneira possível, manter-se em constante crescimento faz parte das funções do gestor, a informação o dialogo indispensáveis nas relações dentro e fora do ambiente escolar, visando promover a interação de todos, inclusive na tomada de decisões em conjunto, orientadas pelo compromisso com valores, princípios e objetivos educacionais, aceitando a diversidade de pensamentos.

O gestor pode estar a cada dia melhorando a imagem da escola trazendo cada vez mais a participação de toda a comunidade escolar na tomada de decisões, manter seu quadro de colaboradores e família escolar sentindo-se parte deste contexto, sabendo que cada pessoa tem um papel essencial na formação de todos, e buscam a melhor qualidade de ensino.

A gestão democrática implica um processo de participação coletiva; sua efetivação na escola pressupõe instâncias colegiadas de caráter deliberativo, bem como a implementação do processo de escolha de dirigentes escolares, a participação de todos os segmentos da comunidade escolar na construção do projeto político-pedagógico e na definição da aplicação dos recursos recebidos pela escola. (2006, p. 81).

Analisando as diversas situações e tomando decisões sobre cada uma em conjunto, cria-se a um processo de construção de uma escola competente que visa o compromisso com a sociedade, na citação acima Dourado reafirma a importância do trabalho em equipe na escola para que haja ações planejadas e conscientes que levem a escola a criar espaços de reflexão e de experiências de vida, numa comunidade educativa, onde se estabeleça, acima de tudo, a aproximação entre essas relevantes instituições: família e escola com gestores.

Todos os segmentos envolvidos no dia a dia escolar tem fundamental relevância nas decisões tomadas para melhor desenvolvimento do projeto de cada escola, a equipe de gestão os demais funcionários da escola e a comunidade escolar devem manter um dialogo claro e permanente na tomadas de decisões feitas na escola.

Essa maneira de responder as exigências de uma nova escola é com uma gestão participativa, onde o exercício responsável e compartilhado da direção e de cada membro da equipe escolar, composta por ações racionais , estruturadas e coordenadas por objetivos bem definidos.

 

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2.2 GESTÃO: UM OLHAR SENSÍVEL SOBRE A EDUCAÇÃO INFANTIL

Educação Infantil deve constitui-se um espaço onde a criança possa ter acesso a diferentes experiências socioculturais, desenvolvendo sua capacidade de expressão, pensamento, interação, comunicação, autonomia e afeto. Não sendo vista apenas como um momento de recreação, cuidados e preparo para etapas seguintes, é um espaço e tempo de vivências do respeito e da consideração pelas diferenças individuais, culturais e sociais.

Nesse espaço de educação infantil as diferentes linguagens ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender, expressando suas idéias, sentimentos, necessidades e desejos, avançar no processo de construção de significados, espaço para conhecer a cultura familiar e social na qual está inserida, segundo Aries(1978) destaca:

(…) afetividade era demonstrada, principalmente, por meio da valorização que a educação passou a ter. A aprendizagem das crianças, que antes se dava na convivência das crianças com os adultos em suas tarefas cotidianas, passou a dar-se na escola. O trabalho com fins educativos foi substituído pela escola(…). As crianças foram então separadas dos adultos até estarem “prontas” para a vida em sociedade(1978,p.33)

É de extrema importância que a Educação Infantil constitua-se em um espaço de escuta e respeito à criança, nas suas singularidades, por meio da brincadeira, da imaginação, do respeito às diferentes manifestações , pelo seu modo de ser e estar no mundo, é indispensável voltar os olhares à infância que emerge nas escolas, para organização das práticas pedagógicas em relação a primeira infância.

Na Educação Infantil são desenvolvidas todas as habilidades intelectuais e motoras da criança, é necessário que nessa fase da vida a criança seja incentivada para que tenha autonomia em suas atitudes e decisões. Para isso depende de um espaço que possibilite essas apropriações de significados de mundo, e vai depender do contexto que a criança está inserida, o que a escola e educadores estão proporcionando, segundo Loris Malaguzzi (citado em Edwards, 1999):

Valorizamos o espaço devido a seu poder de organizar, de promover relacionamentos agradáveis entre pessoas de diferentes idades, de criar um ambiente atraente, de oferecer mudanças, de promover escolhas e atividades, e a seu potencial para iniciar toda espécie de aprendizagem social, afetiva e cognitiva. Tudo isso contribui para uma sensação de bem-estar e segurança nas crianças. Também pensamos que o espaço deve ser uma espécie de aquário que espelhe as ideias, os valores, as atitudes e a cultura das pessoas que vivem nele.

Nesse espaço forma-se conceitos, as crianças precisam de oportunidades de estratégias para que desenvolvam suas habilidades, os gestores estão envolvidos em todos os processos da criança dentro da escola.

Conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2009, p.15).
As instituições de Educação Infantil são espaços de convívio coletivo, privilegiam trocas, acolhimento e aconchego para garantir bem-estar para crianças e adultos que com elas se relacionam e entre si. Os pesquisadores também destacam a importância da interação das crianças com a cultura e com o conhecimento, ou seja, a ampliação de trocas humanas, a partir de experiências no plano do conhecimento, dos afetos, das coisas e das pessoas. As crianças aprendem sobre si (capacidades e limites) e sobre o mundo nas interações sociais e o professor deve ser um mediador não só de cultura, mas de afetos.

No espaço escola o afeto está presente em todas as situações entre crianças, educadores e gestores que estão envolvidos em processos que ocorrem diariamente nas escolas, principalmente em momentos de conflito, pois nessa fase da aprendizagem as crianças são ainda individualistas, e sentem dificuldades na divisão de espaço ou de brinquedos, nesse instante a intervenção do adulto é indispensável.

Com as crianças da educação infantil o olhar deve ser especialmente sensível nessa fase da vida se vive plenamente com toda corporeidade, a criança experimenta seus pensamentos, sensações e sentimentos pelo corpo em constante movimento. Experiencia de forma natural manifestações da cultura corporal e os componentes da arte, a exemplo, pula corda cantando, desenha suas brincadeiras e constrói sentidos e significados das suas vivências. Potencializar a expressividade e a criatividade da criança está além de ampliar as linguagens artísticas e corporais, é necessário também relacioná-las, criar um envolvimento com o mundo e os outros, numa constante interação, assim, cria as suas próprias formas de comunicação.

O gestor tem um papel de constante reflexão e transformação em seu trabalho pedagógico,e com as crianças menores observar se realmente está sendo assegurado a elas direitos de brincar, conviver, participar, explorar, comunicar e se conhecer. Assim valorizar as vivências e experiências das crianças considerando as multiplicidades de suas linguagens- expressiva, comunicativa, simbólica, imaginativa e relacional que tem em relação ao mundo que a cerca.

É preciso que as escolas de Educação Infantil tenham seus objetivos diferentes do Ensino Fundamental, comprometer-se com uma gestão que busca a participação da comunidade escolar, o comprometimento das professoras e funcionários, a fim de todos juntos possam construir uma gestão escolar democrática e participativa levando em consideração a construção de uma pedagogia de infância. O espaço de educação infantil deve ser desafiador e interessante à criança, ambiente acolhedor, rico em interações, para que a criança construa vínculos, sinta segurança, confiança, e a partir das suas possibilidades inicie seu processo de construção da autonomia. Para isso professor e toda equipe precisam colocar a criança como protagonista de seu desenvolvimento e permitir que ela desenvolva todas suas habilidades em sua totalidade, que o cuidar/educar estejam juntos e que a criança seja ouvida realmente em suas necessidades e desejos. Permitir que a criança crie laços e segurança no ambiente que está é de primordial importância para seu desenvolvimento completo.

A rotina da Educação Infantil reflete a Gestão Escolar vivenciada no cotidiano da escola, pois deve ser construída por momentos de decisão coletiva, partilhada e comprometida com a autonomia dos sujeitos, sem transferir responsabilidades nas decisões, também pressupõe a construção de um Projeto Político Pedagógico onde a escola articula saberes, discussões e ações sobre a criança e a complexidade da Educação Infantil, para Barbosa( 2007, p.80)

Uma proposta político pedagógica é um documento de compromisso com as crianças brasileiras e com a sua educação, assim, a instituição como espaço público deve constantemente estar se abrindo para o diálogo e para a reflexão coletiva sobre o seu PPP, na tentativa de não sedimentar apenas a experiência vivia, mas confrontá- la com a prática, com seus efeitos, com seus ganhos e perdas e assim poder estar em constante reflexão e em permanente reconstrução.

A Gestão Escolar tem papel relevante na construção de um espaço aberto ao diálogo, com a participação dos pais, crianças, funcionários, direção para que todos possam opinar dando sugestões de melhoramentos em todos os sentidos á escola, construindo um processo de gestão democrática numa caminhada em conjunto com objetivos definidos por todos os segmentos da escola.

 

 

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3.CONCLUSÃO

A gestão escolar para o desenvolvimento é fundamental, estabelece uma dimensão importantíssima da educação, o ato de administrar a instituição escolar é acentuada ao desenvolvimento do sujeito aprendiz, pois o aluno não aprende somente na sala, mas em todos os ambientes escolares, e com todas as pessoas envolvidas nesse processo.

Gestão é a área de conhecimento humano, cheia de complexidade e desafios diários, cada organização escolar requer a tomada de decisões, a coordenação de muitas atividades, e conhecimento de seres humanos, afinal estão todos envolvidos nesse processo e necessitam de atenção individual e reconhecimento de suas funções e desempenho. Portanto a condução de pessoas, avaliação de desempenho dirigido aos objetivos traçados, em suma os gestores enfrentam novos e sérios desafios que vão surgindo ao longo do trajeto e irão gerir os pressupostos técnicos / pedagógicos das instituições escolares, tal qual surgem à educação infantil e todos os demais segmentos da escola.

Um local de vivências coletivas uma gestão evidenciada com proposta de interação, a instituição tem uma concepção de gestão escolar que reflete a realidade daquele espaço, de profissionais com diferentes trajetórias de vida pessoal e profissional, assim deve ser construída coletivamente, com formação continuada que busca a participação efetiva na proposta de trabalho coerente com os anseios dessa comunidade escolar.

Os desafios de construir uma pedagogia da infância devem ser postos em discussão e reflexão de todos o segmentos da comunidade escolar e interessados nas melhorias da escola como um todo. a fim de que possamos encontrar uma Educação Infantil uma Gestão Escolar consciente e comprometida que o professor e todos os funcionários envolvidos e que atuam com crianças dessa faixa etária possam desempenar com satisfação seu papel, como gestor de sua própria prática envolvido com os objetivos que complementam a Educação Infantil.

Uma gestão para o desenvolvimento depende de profissionais comprometidos em envolvidos com a educação, conscientes da importância de cada pessoa em sua função eu a escola precisa de cada envolvido nesse processo de maneira disponível e atenta a todos os desejos das crianças em sua complexidade e curiosidade, disponibilizar um ambiente rico de oportunidades é a diferença, um olhar realmente que olhe e enxergue as intenções das pequenas falas dos pequenos, que de todas as maneiras. Uma escola democrática que permite a criança desenvolver-se de acordo com suas possibilidades, que os pais possam vir até a escola de seu filho com confiança e tranqüilidades que estará feliz e desenvolvendo todas suas possibilidades.

Uma gestão comprometida com todos os aspectos que envolvem o espaço da escola tanto físico quanto profissional, manter uma relação de troca de saberes e relações, possibilita melhor desempenho de todos os segmentos que fazem parte do contexto escolar, de forma participativa e democrática.

4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARIÈS, P. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Livros Técnicos Científicos. Editora S.A, 1978.

BARBOSA & HORN- Projetos pedagógicos na educação infantil ( faltou editora e ano etc)

BARBOSA,M.C.S.- Por amor e por força: rotinas na educação infantil ( faltou editora e ano etc)

BARBOSA, M.C.S. Projeto político-pedagógico para a educação infantil. In: REDIN, E; REDIN M. M.; MÜLLER, F. (Orgs). Infâncias: cidades e escolas amigas das crianças. Porto Alegre: Mediação, 2007. BUSSMANN, A.C. O projeto político-pedagógico.

DOURADO, L. F. Gestão escolar democrática- a perspectiva dos dirigentes escolares da rede municipal de Goiânia. Goiânia: Alternativa, 2003.

EDWARDS, C; GANDINI, L; FORMAN, G. As cem linguagens da criança: A abordagem de Reggio Emilia na educação da primeira infância. Porto Alegre: Artmed, 1999.

FARIA, V. L. B. Currículo na educação infantil ldiálogo com os demais elementos da Proposta Pedagógica/ Vitória Faria Salles-2ed (ver. E . amp)-São Paulo : Ática, 2012

IJUÍ, PROPOSTA CURRICULAR Tempo e espaço de ser criança Educação Infantil Cadernos SMED-Ijuí/RS ( Faltou ano).

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ALIMENTANDO A EDUCAÇÃO FINANCEIRA

[1]ALIMENTANDO A EDUCAÇÃO FINANCEIRA

 

 

[2]VESSOZI, Lucas da Costa; [3]HAGEL, Nadine Vitória da Costa; [4]JAEGER, Márcia Andréia Radüns

 

 

RESUMO: Este projeto reafirma a importância da Educação Financeira na vida dos alunos, acreditando na formação de adultos que demonstrem atitudes conscientes no gerenciamento da própria vida. O trabalho tem como base a produção e comercialização de alimentos, o qual foi incentivado a partir da adesão com o Projeto JEPP Jovens Empreendedores Primeiros Passos. A metodologia utilizada para o presente projeto baseou-se em referências bibliográficas pertinentes ao tema abordado. O objetivo geral é a inclusão da criança em assuntos financeiros ao oportunizar a conscientização para que no futuro se torne um adulto aliado às ferramentas indispensáveis para uma vida financeira saudável e equilibrada.

 

Palavras-chave: Alimentação. Matemática Financeira. Comercialização. Produção.

 

INTRODUÇÃO

 

Este trabalho tem como foco fomentar a cultura empreendedora, desenvolver práticas de aprendizagem, levando em consideração a autonomia do aluno, o desenvolvimento de atributos e atitudes necessárias para administrar a própria vida. Nesse sentido, a proposta é de desenvolver a matemática financeira através da montagem de um ambiente para oferta de produtos alimentícios, chamado “Espaço Gastronômico”, priorizando a alimentação saudável.

Através dos sabores, das cores e das combinações de alimentos, a proposta abrange estudo e reflexão sobre a utilização da matemática financeira, levando em consideração os aspectos culturais da região que influenciam neste hábito das pessoas. Assim serão oportunizadas atividades para a montagem do “Espaço Gastronômico”.

Este trabalho surge através do Projeto JEPP Jovens Empreendedores Primeiros Passos que trás como tema “Sabores e Cores”, que tem como desafio a produção e comercialização alimentícia através de vivências que possibilitem estimular atitudes empreendedoras nos alunos, ou seja, o aprender de forma prática e contextualizada.

Desta forma faz-se necessário um olhar sensível em reconhecer o contexto em que nosso aluno está inserido, observando as limitações e oportunidades para que o negócio alcance os objetivos planejados, através do envolvimento da comunidade escolar.

 

educação financeira
Leia o Texto na Íntegra – CLIQUE AQUI!

 

MATERIAL E MÉTODOS

 

Este projeto busca desenvolver um trabalho empreendedor na linha alimentícia, o qual inicialmente foi apresentado às famílias dos educandos, a partir de um planejamento prévio baseado em experiências bem sucedidas em anos anteriores, que possibilitaram conhecimentos em um contexto interdisciplinar, através de viagens de estudo, o qual foi bem aceito pelas famílias. Na Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino, através do Plano  de Estudo estão contempladas todas as áreas do conhecimento, entre estas, o estudo sobre a História do Rio Grande do Sul, no qual os alunos tiveram a oportunidade de visitar e conhecer alguns dos lugares estudados: Santo Ângelo e São Miguel das Missões. Estudo que pode ser ampliado para todas as outras áreas ao ser contextualizado. E esta é a proposta para este ano letivo. Soistak afirma que:

Um projeto gera situações de aprendizagem, ao mesmo tempo reais e diversificadas. Favorece, assim, a construção da autonomia e da autodisciplina, por meio de situações criadas em sala de aula para reflexão, discussão, interesse, necessidade de decisão, observação e críticas em torno do trabalho em andamento. Isso proporciona ao aluno, além da implementação do seu compromisso com o social, tornar-se sujeito do seu próprio conhecimento (SOISTAK, 2010,p.34).

 

A trajetória proposta apresenta 11 encontros, tempo em que os alunos vivenciam etapas da montagem de um negócio. Em cada encontro, o aluno realiza uma sequência de atividades que auxiliam na construção de conceitos, procedimentos e atitudes relacionadas ao plano de negócio e ao comportamento empreendedor, onde os alunos são convidados a exercitar uma postura mais consciente e ativa do dia-a-dia.

O foco principal tem início no encontro 5 “Qual a Nossa Fatia do Mercado?”, com uma visita a um restaurante para conhecer sua estrutura e funcionamento administrativo. Partindo dessa ideia do que é empreender, a turma optou em produzir alimentos para degustação, tendo como base uma lista de alimentos sugerida pelos alunos no encontro 2 “Higiene é tudo”, posteriormente passaram por um processo de pesquisa com a comunidade escolar sobre qual seria o alimento melhor aceito para comercialização, visando uma alimentação saudável, através de consumo consciente.

Conhecendo e aplicando os comportamentos empreendedores e os passos do plano de negócio, a turma partiu para uma listagem dos ingredientes utilizados na produção dos alimentos definidos na pesquisa. Assim partimos para uma segunda pesquisa, a dos preços. Com foco no encontro 7 “ Me dá um dinheiro aí!”,  fez-se a análise dos aspectos financeiros, no qual se calculam os custos para definir os preços dos produtos. Com o auxílio de encartes de supermercados, bem como a visita a alguns estabelecimentos na área da alimentação  próximos a escola, o grupo criou uma tabela com a quantidade de ingredientes e seu custo. Com base a esta, definimos a melhor opção de compra. Isso também possibilitou a definição do custo e valor necessários para comercialização, com o objetivo de não obtermos prejuízo e assim visarmos lucros.  Neste momento o grupo parte para a compra dos ingredientes.

Definido o produto a ser comercializado, juntamente com seu valor de custo e consumo, tem-se a necessidade de iniciar a fase de montagem do “Espaço Gastronômico”. No encontro 8 destacamos o item “Propaganda é a alma do negócio!”, onde se enfatiza a questão da divulgação, definindo as ações de marketing para o “Espaço Gastronômico”como o convite, os cartazes, o outdoor,…

No objetivo de fortalecer o espírito de equipe e colaboração, são distribuídas as tarefas ao grupo, para a produção e a montagem do espaço. No momento da comercialização outra escala é feita como o caixa, o atendente, o auxiliar de limpeza, repositor, ou seja, é o momento de colocar em prática tudo o que foi planejado para montar o negócio envolvendo a comunidade escolar, de acordo com:

“Assim, a criança ao socializar diferentes estratégias utilizadas na resolução de problemas possibilita uma análise qualitativa dos dados apresentados e as soluções possíveis. Portanto resolver problemas é um exercício contínuo de desenvolvimento da curiosidade, criatividade, confiança, senso crítico, autonomia do raciocínio lógico, porque permite diferentes formas de pensar sobre as problematizações enfrentadas no dia-a-dia enquanto cidadão” (Proposta Curricular,2011, pg. 24).

 

Com a produção e comercialização, é chegada a hora de avaliar os resultados do funcionamento do “Espaço Gastronômico”, como também a participação da equipe na atividade empreendedora. Assim percebeu-se que com o envolvimento da turma e o sucesso da primeira experiência, surge a possibilidade de dar sequência ao negócio.

Assim o grupo decide em semanalmente realizar na escola a comercialização de produtos que são produzidos com auxílio das famílias, com objetivo de arrecadar fundos para a viagem de estudo planejada para o mês de novembro.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

 

A Educação Financeira não significa ensinar simplesmente a economizar, mas também ter a noção correta de como usar da melhor forma o dinheiro, visando uma melhor qualidade de vida. Segundo D’Aquino (2008, p.4), “a função da Educação Financeira infantil deve ser somente criar as bases para que na vida adulta nossos filhos possam ter uma relação saudável, equilibrada e responsável em relação ao dinheiro.”

O Brasil vive um contexto consumista, e por isso é muito importante que os alunos aprendam a dar valor ao que têm, a conhecer os limites dos gastos, manejar o dinheiro, administrar os consumos e saber o valor que tem cada bem.

Desta forma, após cada comercialização o grupo realiza um registro que aponta qual o produto vendido, a quantidade, o valor unitário e o total adquirido em forma de “ata”. Estes registros ficam “arquivados” como demonstrativo financeiro para posterior prestação de contas aos alunos e familiares. Nesse sentido é importante aproximar  os alunos de ferramentas e conceitos que ajudem a conquistar autonomia e qualidade de vida tanto hoje quanto no futuro.

O processo de  comercialização é organizado e realizado pelos alunos sob orientação da professora onde o grupo se dispõe ao trabalho coletivo no atendimento ao público para alcançar um objetivo comum. Destacamos como resultado positivo do projeto a participação dos alunos, colaboração, respeito e a reflexão sobre o tema abordado e também as conseqüências da boa administração do dinheiro aliados aos conteúdos e conceitos matemáticos.

 

LEIA O TEXTO NA ÍNTEGRA

 

CONCLUSÕES:

 

O projeto “Alimentando a Educação Financeira” está em desenvolvimento, porém é necessário mencionar que cada vez mais cedo os alunos assumem hábitos consumistas. Por isso a necessidade de desenvolver este trabalho para estimular a aprendizagem, através das vivências oportunizadas, a prática do diálogo compartilhado e permanente, o debate de diferentes pontos de vista, a argumentação, o aprender a ouvir, o planejamento, a negociação na tomada de decisões, a construção coletiva do conhecimento, o desenvolvimento de novas habilidades e aperfeiçoamento daquelas já construídas.

A partir do pressuposto que a educação é um processo pelo qual  o aluno constrói o conhecimento através da mediação do professor, propomos a Educação financeira como forma de estimular os alunos a administrar desde cedo pequenos valores, para que no futuro estejam preparados para enfrentar problemas e situações relacionadas às finanças, tendo em vista  uma melhor qualidade de vida com consumo consciente.

O projeto desenvolvido atinge os objetivos propostos na medida em que verificamos que esta prática propicia a criação de uma história de vida coletiva, na qual o aluno está inserido como um sujeito que faz descobertas e constrói conhecimentos significativos, especificamente acerca da Educação Financeira e Empreendedora.  Estes aspectos influenciarão diretamente ao administrar a vida pessoal e profissional. Assim, a possibilidade de reflexão e análise dos dados obtidos pela pesquisa torna-se um momento importante na medida que possibilita a contextualização da matemática, relacionando-a com o cotidiano dos alunos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

D’AQUINO, Cassia de. Educação financeira: Como educar seus filhos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

 

MUNICÍPIO DE IJUÍ, Secretaria Municipal de Educação de Ijuí. Proposta curricular da rede municipal de ensino: um processo coletivo em permanente (re) construção. Ijuí: GD, 2004.

 

SEBRAE, Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas. Jovens empreendedores: Primeiros Passos. 5º Ano: Livro do Aluno. Brasília, 2012.

 

SOISTAK, Maria Marilei. Ensino-aprendizagem por meio de projetos desenvolvidos por equipes de reponsabilidades em sala de aula: o enfoque no ensino de matemática nas séries iniciais. 2010.97. Dissertação (mestrado em Ensino de Ciência e Tecnologia) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Ponta Grossa. Curso de Pós-Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia. Ponta Grossa, 2010.

 

 

 

 

 

[1] Categoria: Ensino Fundamental; Modalidade: Matemática aplicada e /ou inter-relação com outras disciplinas.

[2] Aluno do ensino fundamental anos iniciais.

[3] Aluna do ensino fundamental anos iniciais.

[4] Professor Orientador: Márcia Jaeger, Escola Municipal Fundamental Dona Leopoldina, Ijuí RS, donaleopoldina@ijui.rs.gov.br.

 

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CONTRIBUIÇÕES DA AVALIAÇÃO NO CONTEXTO EDUCACIONAL

 

JAEGER, Márcia Andréia Radüns. Contribuições da avaliação no contexto educacional. 2016. 22p. Trabalho de Conclusão de Curso (Pós-Graduação em Especialização em Gestão e Organização Escolar), Centro de Ciências Empresariais e Sociais Aplicadas, Universidade Norte do Paraná, Ijuí, 2016.

 

 

RESUMO

 

 

O presente artigo buscou realizar uma descrição reflexiva na busca de resultados que provoquem transformações com aprendizagens significativas, criando-se assim possibilidades para fortalecer o processo de avaliação. Neste desafio algumas ações foram desenvolvidas e socializadas entre os educadores, partindo de hipóteses para a elaboração e, posteriormente o desenvolvimento e a prática do Conselho de Classe na Educação Infantil e nos Anos Iniciais de uma escola da rede pública municipal. Este colegiado tem o objetivo de abordar, durante sua execução a intervenção e a reflexão para realizar uma avaliação acentuada das ações educacionais do educando bem como da prática pedagógica docente, na condição de mudanças ao processo de ensino e aprendizagem. Desta maneira é possível criar formas e modos de efetivarem-se os princípios da Gestão Democrática como práxis criadora no qual pesquisadores e demais participantes estão envolvidos de modo cooperativo. Neste estudo buscaram-se como fundamentação as reflexões o apoio de autores estudados durante o curso em andamento e demais que tratam sobre o assunto. A descrição deste artigo apresenta-se com uma abordagem qualitativa, no qual dados foram colhidos, descritos e analisados.

 

Palavras-chave: Avaliação. Processo. Conselho de Classe.

 

 

 

JAEGER, Márcia Andréia Radüns. Contributions of evaluation in the educational context. 2016. 22p. Course Completion Work (Graduate in Specialization in Management and School Organization), Center for Business and Applied Social Sciences, Northern University of Paraná, Ijuí, 2016.

 

 

ABSTRACT

 

The present article sought to make a reflective description in the search for results that provoke transformations with meaningful learning, thus creating possibilities to strengthen the evaluation process. In this challenge, some actions were developed and socialized among educators, starting from hypotheses for the elaboration and later the development and practice of the Class Council in Early Childhood Education and in the Early Years of a school in the municipal public network. This collegiate has the objective of approaching during its execution the intervention and the reflection to carry out a marked evaluation of the educational actions of the student as well as of the teaching pedagogical practice, in the condition of changes to the process of teaching and learning. In this way it is possible to create ways and means to implement the principles of Democratic Management as a creative praxis in which researchers and other participants are involved in a cooperative way. In this study we sought as a basis the reflections the support of authors studied during the course in progress and others that deal with the subject. The description of this article presents a qualitative approach, in which data were collected, described and analyzed.

 

Keywords: Evaluation. Process. Class council

 

avaliação educacional
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 1 INTRODUÇÃO

 

 

Este artigo tem o propósito de realizar uma reflexão durante a elaboração do Projeto Político Pedagógico, referente ao processo de avaliação de uma escola da rede pública municipal, que atende crianças na faixa etária de quatro meses até onze anos de idade. Este documento orienta a ação educativa da instituição, através de estratégias que buscam garantir o sucesso dos objetivos educacionais.

Analisando a escola como um órgão de gestão que atua com o trabalho voltado ao coletivo, e desta forma considerando que o ensino e a aprendizagem de qualidade são consequências da sua avaliação, acredita-se que a mesma depende de ações conjuntas para a qualificação do desempenho educacional, com ênfase no planejamento articulado em direção à melhoria dos resultados.

A formação de profissionais competentes pode advir da avaliação diária do trabalho pedagógico prestado na escola, o qual provoca o debate, faz-se análises, criam-se convicções e consequentemente geram críticas e incertezas. No entanto estes fatores colaboram no sentido de fortalecer ações que consolidem na melhoria da educação, garantindo direitos à aprendizagem nos princípios da educação inclusiva e na perspectiva de uma gestão democrática.

Desta maneira a metodologia do trabalho a ser desenvolvido, apresenta como objetivos observar as potencialidades, possibilidades e distorções ao analisar, avaliar e verificar implicações em relação ao procedimento avaliativo. A partir de análises em embasamentos teóricos pertinentes ao assunto, busca-se através da reflexão, maneiras de fundamentar a ação educativa da escola no processo de avaliação.

Deste modo a avaliação passa a ser compreendida como um conjunto de ações que apresenta a função de orientar a atuação pedagógica, tornando-se uma aliada no processo da aprendizagem, na perspectiva de qualificar o desempenho dos sujeitos envolvidos e assim ocultar o olhar daquela avaliação que surge apenas para julgar o fracasso ou sucesso do ser humano. É criar possibilidades ao docente de avaliar por meio da intervenção pedagógica, o nível em que o educando se encontra com relação à expectativa de aprendizagem. Deste modo a avaliação ocorre constantemente, de forma sistemática, através da análise qualitativa observada durante a construção do conhecimento.

É importante mencionar que uma das metas é articular na instituição de ensino a efetivação do conselho de classe através da gestão participativa, na busca da adequação às exigências da sociedade, tendo em vista esta como uma valorosa ferramenta na qualificação do conhecimento.

Portanto, com base na Proposta Político Pedagógica, o objetivo deste trabalho é refletir sobre a importância e a necessidade da prática avaliativa e através desta implementar o conselho de classe na referida rede de ensino. Assim, viabilizar na escola processos educativos flexíveis, significativos e inclusivos no seu contexto amplo e articulado, possibilitando a qualidade no desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem no espaço educativo.

 

 

2 CONTRIBUIÇÕES DA AVALIAÇÃO NO CONTEXTO EDUCACIONAL

 

 

 

2.1 ESTRUTURA E GESTÃO DA ESCOLA

 

 

Com base nas leituras sugeridas durante as web aulas, especialmente nas disciplinas de Avaliação Institucional e Avaliação da Aprendizagem, assim como da Gestão nos Espaços Educativos do curso de Especialização em Gestão e Organização da Escola, o presente artigo trás a perspectiva da gestão democrática e da efetivação do direito à educação escolar com qualidade social. Como pesquisadora, para dar embasamento ao trabalho é necessário o auxílio de teóricos para abranger a abordagem deste assunto com o objetivo de fundamentar as ideias e concepções na busca do conhecimento.

A instituição escolar é o local privilegiado de trabalho com o conhecimento e tem responsabilidade na formação do cidadão ao possibilitar a construção de saberes indispensáveis para inserção social. Essa representação da escola na comunidade é fundamental para realizar uma prática pedagógica comprometida, através de um processo de gestão democrática.

A gestão é a maneira de organizar o funcionamento da escola como instituição pública nos seus amplos aspectos em relação à administração, finanças, tecnologias, cultura e pedagogia, com a finalidade de dar transparência às suas ações. Oportuniza a comunidade escolar e local a aquisição de conhecimentos, saberes e ideias, num processo de interação e permanente aprendizagem. Neste sentido, organizar a gestão escolar requer um olhar constante, pois o processo de gestão é considerado como mediação das diferentes realidades incluídas no contexto escolar, no sentido de pensar em estratégias que articulem a comunidade num envolvimento efetivo no compromisso com a educação.

Segundo Brasil (2013, p. 56) “a gestão democrática é entendida como princípio que orienta processos e procedimentos administrativos e pedagógicos, no âmbito da escola e nas suas relações com os demais órgãos do sistema educativo de que faz parte”. A referida instituição pauta sua gestão a partir da concepção democrático-participativa ao desenvolver o trabalho entre a direção e a comunidade escolar, com ênfase nas tarefas educacionais e relações humanas, de acordo com:

 

Define-se, pois, a gestão democrática como processo em que se criam condições para que os membros de uma coletividade, não apenas tomem parte de forma regular e contínua, de suas decisões mais importantes, mas assumam responsabilidade por sua implementação (LÜCK, 2009, p. 57).

 

As reflexões no coletivo e a participação na deliberação, coordenação e avaliações sistemáticas do trabalho na escola também fundamentam a gestão, que compartilha com os envolvidos no contexto escolar os objetivos sócio-políticos, administrativos, pedagógicos e financeiros. Exerce assim a aplicação destes com transparência na prestação de contas das despesas executadas às unidades responsáveis, sempre que necessário.

Gerir a escola democraticamente pressupõe desenvolver ações na área administrativa e pedagógica, na busca pela qualidade da educação implementada no Sistema Municipal de Ensino. Nesse contexto são realizadas intervenções, projetos contextualizados, a partir da concepção que estabelece a prática da ação reflexiva. Busca o diálogo permanente com a comunidade escolar e o comprometimento com as diretrizes estabelecidas no Plano de Ações Articuladas e no Plano de Desenvolvimento da Escola – PDDE Interativo.

A gestão democrática é composta por colegiados como o Conselho Escolar e o Círculo de Pais e Mestres – CPM, cujas ações são planejadas através do estatuto próprio e de acordo com a demanda da escola. O Conselho de Classe, outro órgão do colegiado, tem como objetivo analisar o processo de ensino no trabalho pedagógico da instituição, na perspectiva da qualidade e da inclusão.

O artigo 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação destaca que “Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades […]”. Ainda nesta perspectiva afirma-se que:

 

Um órgão colegiado escolar constitui-se em um mecanismo de gestão da escola que tem por objetivo auxiliar na tomada de decisão em todas as suas áreas de atuação, procurando diferentes meios para alcançar o objetivo de ajudar o estabelecimento de ensino em todos os seus aspectos, pela participação de modo interativo (…) (LÜCK, 2009, p. 67).

Acredito que um dos princípios que norteia o ensino é o fazer coletivo, por isso, trabalha-se para que cada profissional desempenhe de maneira consciente o seu papel, ao oportunizar a participação dos educadores nas formações continuadas para que possam se qualificar, tanto em relação à sua função, como no gerenciamento das relações na escola. Quanto às famílias a escola propicia diferentes momentos de reflexão e interação com professores e outros profissionais para garantir o sucesso e a permanência da criança no processo educacional.

Diante disso é fundamental reforçar que a participação democrática de todos os integrantes da escola, já foi garantida pela LDB9394/96 (BRASIL, 1996) ao reconhecer a necessidade da participação da equipe escolar na construção do Projeto Político Pedagógico. Assim, a Gestão Escolar passa a ter como objetivo, promover a transformação social por meio da democratização do ensino, através da garantia de acesso e permanência com sucesso do aluno na escola.

 

2.2 AVALIAÇÃO, UMA FERRAMENTA PARA UM ENSINO DE QUALIDADE

 

 

Dessa forma, a metodologia do presente trabalho que inicia sua caminhada dentro da instituição de ensino, propõem como objetivo, analisar, avaliar, observar potencialidades, possibilidades ou distorções e verificar implicações em relação ao processo de avaliação. É uma explicação da ação desenvolvida no método do trabalho da pesquisa que busca fundamentar a relação do embasamento teórico com a prática educativa da escola.

A abrangência deste estudo trata de uma pesquisa-ação num projeto que ocorre com o coletivo da instituição, tendo como tema a efetivação e implementação do Conselho de Classe nas etapas de Educação Básica (Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental) que são atendidas na respectiva unidade escolar e assim tornar-se parte integrante do item avaliação na Proposta Política Pedagógica da referida.

Em nosso dia a dia, estamos, de maneira permanente, avaliando e sendo avaliados, e também onde estabelecemos processos de interação durante a constante troca de experiências. Na instituição escolar, a prática pedagógica apresenta concepções, representações de sentidos e ações que fazem parte de nossa cultura, expressando a maneira de como cada sujeito vê o mundo.

A avaliação é compreendida como um conjunto de ações, onde através dela que o professor, a escola e os pais, verificarão se os objetivos do processo ensino e aprendizagem foram alcançados, e a partir dessa observação ela passa a ter a função de sustentar e orientar a intervenção pedagógica. Acontece contínua e sistematicamente, por meio da interpretação qualitativa do conhecimento construído pela criança e respeita seu tempo de aprendizagem. Propicia ao educador a possibilidade de saber o quanto a criança se aproxima ou não da expectativa de aprendizagem em função da intervenção pedagógica realizada. De acordo com Brasil (2016, p. 343) “o foco da avaliação (…) se centra na criança integral, nela como um todo, na sua complexidade e particularidade e na diversidade das crianças entre elas”.

Por ser um processo diagnóstico-construtivo, a avaliação leva em conta três aspectos relevantes. O primeiro refere-se ao fato de que, como processo, é dinâmica e evolutiva e constitui-se em um elemento que sofre transformação.

Segundo, a questão diagnóstica encontra-se presente nesta fase inicial do processo de avaliação e acompanha criança e educador ao longo do processo de aprendizagem. De acordo com a Proposta Curricular Tempo e Espaço de Ser Criança:

 

O processo de avaliação tem como função acompanhar, orientar e redirecionar a prática educativa. O professor, então, não apenas avalia a criança e seu desenvolvimento, mas também a sua prática pedagógico e o próprio projeto educativo da escola, constituindo-se assim o caráter global e formativo da avaliação (SMEd, 2014, p. 73).

 

O terceiro, o processo construtivo, diz respeito à utilização dos dados mais significativos que somam para o desenvolvimento da criança por meio da aprendizagem.

Ao avaliar o aluno, o professor deve sempre buscar o seu desenvolvimento integral, comparando os resultados já obtidos no seu processo de aprendizagem, reconhecendo o seu empenho de acordo com suas condições permanentes e temporárias, e constatar o que ele alcançou e quais as suas possibilidades de aprendizagens para um trabalho futuro.

Neste processo entre o presente e o futuro, quando o professor busca levantar o que o aluno possui de conhecimentos prévios e o que se espera que ele aprenda, Hoffmann (1996, p. 61) afirma que “avaliação é ‘movimento’, é ação e reflexão”.

A avaliação da criança acontece em todos os momentos. Por ter entre as finalidades o desenvolvimento individual e coletivo não pode ser vista como uma forma de ameaça, controle ou classificação. Os educadores realizam o acompanhamento da mesma de forma contínua, diagnóstica e participativa, consideram o todo e respeitam as diferenças e os saberes.

Para Fernandes (2001, p. 67) é necessário compreendermos que:

 

[…] a avaliação, não se destina a julgar de forma mesquinha ou punir com castigos e privações, nem deve ser pretexto para prêmios e recompensas. Ela é, ao contrário, um processo de redirecionamento e, portanto, de crescimento. Não se trata apenas de avaliar por avaliar, porque está na moda ou porque foi imposto pela Secretaria de Educação. É avaliar para refletir, para discutir, para acompanhar, para buscar melhorar. Avaliar como processo de maturação institucional para a transformação da escola em função da conquista da autonomia.

 

A avaliação não deve ser realizada apenas em momentos isolados do trabalho pedagógico, mas deve sim, fazer parte processo educativo como um todo. A partir do instante em que a avaliação deixa de ser um juízo de quantidade de conteúdo memorizado e passa a ser analisada como um juízo de qualidade das novas aprendizagens, ela passa a ser vista como um instrumento nas mãos do professor que o auxilia a refletir de que modo está construindo sua prática docente, sobre possíveis inadequações metodológicas, a fim de levar o aluno a aprender cada vez mais. Assim, a avaliação deve ser ao mesmo tempo, ponto de chegada e ponto de partida para novas intervenções pedagógicas.

Para tanto, a avaliação deve ser uma ferramenta, com o objetivo de promover o desenvolvimento do aluno, através de conhecimentos ainda não adquiridos durante seu processo de aprendizagem, ajudar a promover na instituição um ensino de qualidade, pois, os resultados da avaliação proporcionam uma base sólida para que os problemas da escola sejam solucionados, independentes de serem problemas referentes à sala de aula ou a escola sem perder o principia da autonomia escolar. Assim, observo a avaliação como uma ação formativa, um movimento com vida, que possibilita formar cidadãos.

Neste momento, reflito sobre as palavras de Hadji (2001) referente à avaliação, a qual cumpre com um único papel, a de ferramenta para a aprendizagem discente, podendo-se dizer que a avaliação formativa informa os dois personagens do processo educativo, o professor e o aluno.

No entanto, conforme a Proposta Político pedagógica de 2014 da instituição, três grandes funções são desempenhadas pela avaliação no sistema de ensino:

 

  1. a) Função Diagnóstica: tem por finalidade realizar uma sondagem de conhecimentos e experiências já disponíveis no aluno, bem como detectar a existência de pré-requisitos necessários à aquisição de um novo saber. Permite, ainda, identificar progressos e dificuldades de alunos e professores diante do objetivo proposto.
  2. b) Função Formativa: tem por finalidade proporcionar o feedback para o professor e para o aluno, durante o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Propicia aos envolvidos (professor/aluno) no processo a correção de falhas, esclarecimento de dúvidas e estímulo à continuação do trabalho para o alcance do objetivo. Proporciona também, ao docente informações sobre o desenvolvimento do trabalho, adequação de métodos e materiais, comunicação com o aluno e adequabilidade da linguagem.
  3. c) Função Somativa: tem o propósito de oferecer subsídios para o registro das informações relativas ao desempenho do aluno. Esta função visa proporcionar uma medida que poderá ser expressa em uma nota, conceito ou relatório sobre o desempenho do aluno, entende-se que a mesma acontecerá ao final de cada unidade de ensino, ou ao final de cada trimestre, ou ainda no final do ano letivo, por ocasião do Conselho de Classe, visto que esta avaliação é que proporcionará um diálogo mais objetivo entre os professores (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2014, p. 48).

 

Assim, na referida escola o registro da avaliação é expresso através de Relatórios de Aprendizagem e acontece ao final de cada semestre para a Educação Infantil e trimestralmente para o Ensino Fundamental.

No Relatório de Aprendizagem da Educação Infantil constam a adaptação, o convívio sócio-cultural, construção de saberes, vivências diárias, interação, descobertas e pesquisa, bem como a proposta de trabalho do grupo de educadores, que se baseiam na Proposta Curricular Tempo e Espaço de Ser Criança da Rede Municipal e na Proposta Político-Pedagógica da escola. O Relatório de Aprendizagem é o documento utilizado para informar aos responsáveis o que é desenvolvido na escola e permite às famílias conhecerem o trabalho da instituição, sendo um direito dos pais/responsáveis acompanhar e compreender as práticas pedagógicas desenvolvidas.

Para amparar o educador nesta avaliação e para documentar sobre o desenvolvimento das crianças e sobre a prática educativa, diferentes instrumentos de registro são utilizados: portfólio (registro das observações do educador e registros da criança), fotografias, filmagens e trabalho em grupo. Desta forma na Educação Infantil como nos Anos Iniciais, surgiu a necessidade da implantação do Conselho de Classe como uma ferramenta de apoio ao processo avaliativo, pois além da observação, é necessário um olhar e escuta atentos, voltados para análise, registros e intervenções. Por isso a importância de analisar de maneira crítica o quê, como, com quem, porque fazem ou deixam de fazer, de forma a captar detalhes que levem ao registro do observado. O acompanhamento também significa problematizar e questionar para proporcionar à criança uma interferência válida para que avance no seu processo de desenvolvimento. Este processo é construído gradativamente, na medida em que há interação com o grupo no ambiente escolar.

Por isso, a avaliação deve ser entendida como o acompanhamento do desenvolvimento da criança. Possui um caráter qualitativo desvinculado de qualquer atribuição no que diz respeito à nota ou conceito, sem objetivo de seleção, promoção ou classificação. Salienta-se que na Educação Infantil o ato de avaliar visa analisar o sujeito, já que possuem interesses e curiosidades relativos à sua faixa etária. Significa que existe avaliação e esta ocorre diariamente, com valorização da criatividade, do lúdico, da experiência e das diferentes manifestações humanas que fazem parte do cotidiano infantil.

No Ensino Fundamental os resultados da avaliação estão relacionados aos objetivos, conceitos e conteúdos de cada área do conhecimento. Os Relatórios de Aprendizagem deste nível de ensino contemplam a evolução da criança no período. Para amparar o educador nesta avaliação, diferentes instrumentos de registro são utilizados: portfólio (registro das observações do educador e registros da criança), fotografias, filmagens, caderno da criança, trabalho em grupo, autoavaliação e a efetivação do Conselho de Classe. Os instrumentos utilizados nos processos de avaliação referem-se ao planejamento de atividades com o propósito de subsidiar, com dados, a análise do educador acerca do momento de aprendizagem das crianças. Através destes instrumentos o professor acompanha o processo de ensino-aprendizagem e se necessário redimensiona a sua prática em sala, a fim de melhorar e garantir a qualidade de ensino. Conforme o Parecer CMEI:

 

Para que a criança possa acompanhar suas conquistas, suas dificuldades e suas possibilidades ao longo do processo de aprendizagem, apontadas pelo processo avaliativo, o professor deve compartilhar com elas e seus pais as observações registradas. Nessas situações, o retorno para as crianças deve acontecer de forma contextualizada, o que fortalece a função formativa que deve ser atribuída à avaliação (nº 02/2008 – Item 5.11).

 

Na busca por sujeitos autônomos e críticos, a escola propõe-se a implementar a auto avaliação da aprendizagem, realizada pela criança a partir da análise oral ou escrita de seu próprio processo e a auto avaliação do ensino, realizada pelo educador a partir da reflexão de sua prática, como forma de ocorrer uma transformação quanto aos conceitos e às concepções interpretados pela classe docente no que se refere à ação avaliativa.

Neste sentido, o Conselho de Classe é outro instrumento que pode contribuir para a identificação e a melhoria do desempenho da criança. Favorece a integração entre educadores e crianças, a análise do currículo e a eficácia dos métodos de ensino utilizados, ao mesmo tempo em que facilita a compreensão dos fatos com a exposição de diversos pontos de vista.

 

2.3 IMPLANTAÇÃO DO CONSELHO DE CLASSE

 

 

Nessa etapa do trabalho chegamos à implementação e efetivação do Conselho de Classe. Seu papel precisa estar presente na estrutura organizacional da escola, enquanto instância colegiada. Se caracteriza como espaço de avaliação coletiva do trabalho escolar e como instrumento de democratização das relações escolares. Acredita-se que o mesmo contribui para a democratização das relações presentes na comunidade escolar.

Conforme descrito anteriormente o objetivo é refletir e implementar o Conselho de Classe, viabilizando uma escola que promova processos educativos inclusivos, flexíveis e significativos num contexto amplo e articulado, como mecanismo de participação na Gestão e no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido na instituição. Para tanto o papel do Gestor é fundamental para desempenhar esse trabalho de maneira que atenda as demandas sociais, articule a Escola para promover um ensino de qualidade sistematizando propostas alinhadas a concepções contemporâneas que desenvolvam integralmente cada indivíduo. Nesse desafio é necessário gerar um processo de mudança nas organizações escolares que buscam se adequar aos novos padrões da sociedade atual, por meio da inovação e da prática da Gestão Participativa. Conforme Dalben (2004):

 

O conselho de classe é um órgão colegiado que pode propiciar o debate permanente e a geração de ideias numa produção social. A dimensão dos espaços coletivos é essencial para o estabelecimento de uma relação social transformadora, e torna-se fundamental o resgate das instâncias colegiadas na escola.

 

No primeiro momento a proposta de trabalho teve como foco a Proposta Político Pedagógica, no qual todos os segmentos da comunidade escolar estão envolvidos e são desafiados a refletir sobre objetivos, metas, ações, propostas na instituição. No segundo momento, em conversas com o grupo de profissionais da Escola ficou evidente o desejo de implementar e efetivar o Conselho de Classe que existe apenas teoricamente no Regimento Escolar, a fim de qualificar o processo de avaliação:

 

Art. 61. O Conselho de Classe está previsto em calendário escolar e abrange os profissionais da Educação Infantil e Ensino Fundamental da Escola. O período de realização do Conselho de Classe é anterior à entrega dos Relatórios de Aprendizagem da Educação Infantil e Ensino Fundamental (REGIMENTO ESCOLAR, 2012, p. 21).

 

O Conselho de Classe é um espaço que contribui para a identificação e a melhoria do desempenho do educando, com a finalidade de registrar, diagnosticar e levantar soluções individuais de melhoria na aprendizagem, favorecendo assim a integração entre educadores, coordenação pedagógica e equipe diretiva, a análise do currículo e da eficácia dos métodos de ensino utilizados, ao mesmo tempo em que facilita a compreensão dos fatos com a exposição de diversos pontos de vista, possibilita orientações mais homogêneas e a autoanálise do docente.

O Conselho de Classe é um dos mecanismos que permite a Gestão Democrática na instituição de ensino. É um momento de discussão coletiva onde é apontado o aproveitamento do aluno, suas dificuldades, desempenho dos profissionais da educação e seus métodos de ensino, compartilhando informações na busca de melhorias do processo ensino-aprendizagem, acreditando nisso como pesquisadora propus efetivar a implementação da prática do Conselho de Classe na instituição.

No processo de gestão democrática, o Conselho de Classe constitui-se numa das instâncias de vital importância, pois é mais um dos mecanismos de participação da comunidade na gestão e no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido na unidade escolar. Guarda em si a possibilidade de articular os diversos segmentos da escola e tem por objeto de estudo o processo de ensino, que é o eixo central em torno do qual se desenvolve o processo de trabalho escolar.

A partir de então, iniciou-se a realização dos Conselhos de Classe na Educação Infantil e nos Anos iniciais, conforme descrição anterior, no qual participaram todos os educadores envolvidos. Nesta reunião avaliativa, os envolvidos no processo ensino-aprendizagem discutem acerca da aprendizagem dos alunos, o desempenho dos docentes, os resultados das estratégias de ensino empregadas, a adequação da organização curricular e outros aspectos referentes a esse processo. Assim sendo, o conselho de classe deve ser um instrumento de fundamental importância para o acompanhamento do processo ensino aprendizagem, sobre isso temos a seguinte referência:

 

É a atividade que reúne um grupo de professores da mesma série, visando em conjunto chegar a um conhecimento mais sistemático da turma, bem como acompanhar e avaliar cada aluno individualmente, através de reuniões periódicas (SANT’ANNA, 1995, p. 88).

 

O conselho de Classe é mais do que uma reunião pedagógica, é parte integrante do processo de avaliação desenvolvido pela escola. É o momento privilegiado para redefinir práticas pedagógicas com o objetivo de superar a fragmentação do trabalho escolar e oportunizar formas diferenciadas de ensino que realmente garantam a todos os alunos a aprendizagem.

Considerando as práticas sociais e as relações humanas no contexto educacional, fundamentadas pelos princípios da administração compartilhada que gera participação, busca de autonomia e humanização nas relações é pertinente à efetivação do Conselho de Classe. Assim a Gestão Democrática da educação que é tratada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional como um dos princípios que devem reger o ensino, traz contribuições na forma de administrar a educação, constituindo-se num fazer coletivo permanentemente em processo de mudança baseada nos paradigmas de qualidade que definem a finalidade da escola. Desta forma a Gestão Democrática implica em novos processos de organização em uma dinâmica que favoreça processos coletivos e participativos que, neste caso tem como objetivo analisar o processo de ensino no trabalho escolar tendo como meta o fortalecimento de ações que consolidem a qualidade da educação.

Estudos referente ao Projeto Político Pedagógico, possibilitam a algumas considerações:

 

[…] o Conselho de Classe é outro instrumento que pode contribuir para a identificação e a melhoria do desempenho do educando, favorecendo a integração entre educadores e educandos, a análise do currículo e da eficácia dos métodos de ensino utilizados, ao mesmo tempo em que facilita a compreensão dos fatos com a exposição de diversos pontos de vista, possibilita orientações mais homogêneas e a autoanálise do docente (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2014, p. 50).

 

A função do Conselho é tornar dinâmico o processo de ensino aprendizagem, deve conduzir a analise e reflexões na prática pedagógica, tendodestaque nos processos avaliativos adequados a reorganização do conhecimento. É um dos mais importantes espaços de discussão pedagógica, pois dinamiza o coletivo escolar pela via da gestão no processo de ensino. Ainda para a autora Sant’anna é abordado o Conselho de Classe como um procedimento referente ao processo escolar, e deve em particular observar aspectos do currículo, como a mesma cita:

 

Para que haja sentido o Conselho de Classe deve: Não rotular o aluno […]; Fazer observações concretas […], Debater o aproveitamento de cada aluno […], Estabelecer o tipo de assistência especial para o aluno que não apresentou rendimento favorável. […], Orientar o aluno de como e para que estudar, Orientar o aluno para auto avaliar-se (SANT’ANNA, 2005, p. 89).

 

A efetivação da nova proposta de avaliação, constitui em promover maior participação e aproximação entre os membros da escola e assim obter maiores subsídios para oportunizar o desenvolvimento integral das crianças, através da ampliação de seus conhecimentos. Nesse sentido, avaliar não é apenas medir, comparar ou julgar. Para se alcançar e aperfeiçoar uma educação com índices satisfatórios, que venha valorizar o professor, estimular o desenvolvimento do seu trabalho e promover a escola para todos, sendo o maior objetivo: a aprendizagem.

 

… a gestão democrática como o processo em que se criam condições para que os membros de uma coletividade não apenas tomem parte, de forma regular e contínua, de suas decisões mais importantes, mas assumam responsabilidade por sua implementação (LÜCK, 2009, p. 57).

 

Dessa maneira, a forma de gerenciar as escolas da rede pública, de acordo com objetivos da Gestão Compartilhada é efetivar a execução de políticas públicas assegurando qualidade, equidade e responsabilidade social na instituição escolar envolvendo a comunidade que está inserida na respectiva unidade de ensino. Pensar, portanto na educação atual torna-se um grande desafio no sentido da ampliação e da qualificação deste processo onde a docência é compreendida como articulação e onde o objetivo da avaliação é enriquecer e valorizar as relações de aprendizagem.

 

 

3 CONCLUSÃO

 

 

Considerando a ação de avaliar como processo que se faz necessário no acompanhamento permanente do desenvolvimento do educando, é pertinente momentos na escola para refletir sobre a prática pedagógica da instituição, para ações que fortaleçam a educação e que proporcione conhecimentos e valores de formação cidadã em relações democráticas e participativas, como forma de almejar um novo horizonte para o ensino e a aprendizagem, pois “se não houver a aprendizagem esperada, estamos diante de uma certeza: o ensino não cumpriu sua finalidade – a de fazer aprender” (Both, 2011 apud Saraiva, 2008, p.27).

Assim, discutir o papel da avaliação no trabalho pedagógico escolar é fundamental para entendermos a necessidade de se consolidar uma escola democrática, principalmente quando esta escola está preocupada em garantir ao seu aluno, a sua permanência com sucesso, na medida em que busca construir uma educação de qualidade e excelência, pois o ato de avaliar visa observar e promover o sujeito, acontecendo no decorrer de todo o processo de ensino aprendizagem.

Desta forma a nova Proposta Pedagógica da instituição passa a conter um olhar ampliado sobre o processo avaliativo, para tanto, é preciso que ela seja concebida no processo de ensino e aprendizagem de forma contínua, onde um grande trabalho se desenvolve na organização proposta. Assim, acredito que este instrumento trás muitas contribuições no processo educacional e no fortalecimento da melhoria na qualidade da educação.

A ampliação do processo avaliativo com a implementação e efetivação do Conselho de Classe neste semestre/trimestre, surge como possibilidade do educador rever sua prática e assim contribuir para melhorar e redirecionar o trabalho pedagógico e principalmente o progresso do educando. Neste sentido percebe-se um clima de transição, uma gestão democrática que dá voz e vez para os membros de sua equipe escolar. Observa-se o comprometimento do grupo de educadores com sua prática educativa na busca de melhores resultados. De tal modo a avaliação passa a ter um caráter de mediação na ação reflexão ação dos envolvidos no processo educacional, ou seja, ela passa a ser mediadora na construção do conhecimento.

Enfim, é preciso alcançar progressos, é preciso mudança na postura educacional, mudança esta que venha ampliar o aspecto pedagógico referente à avaliação. Se a escola é considerada um espaço privilegiado para a formação de cidadãos, a avaliação não pode fragmentar o processo. Deve favorecer, ser vista e praticada como um benefício para o processo ensino aprendizagem, ou seja, a favor da aprendizagem.

 

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4.           REFERÊNCIAS

 

 

BOTH, I. J. Avaliação: “voz da consciência” da aprendizagem. Curitiba: Ibpex, 2011. (Série Avaliação Educacional).

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes curriculares nacionais da educação básica. Brasília: MEC/SEB/DICEI, 2013.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes curriculares nacionais da educação básica. Brasília: MEC/SEB/DICEI, 2016.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Pedagogias das infâncias, crianças e docências na educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 2016.

DALBEN, Â. I. L. F. Conselho de classe e avaliação: perspectivas na gestão pedagógica da escola.Campinas, SP: Papirus, 2004.

 

GODOI, E. G. Avaliação na educação infantil: um encontro com a realidade. Porto Alegre: Mediação, 2010.

FERNANDES, M. E. A. Avaliação institucional da escola: base teórica e construção de projeto. Edições Demócrito Rocha: Fortaleza, 2001, p. 39-61

HADJI, C.A avaliação desmistificada. Porto Alegre: Artmed, 2001.

http://www.pedagogia.com.br/artigos/funcoes_avaliacao/index.php?pagina=0.

LÜCK, E. Concepções e processos democráticos de gestão educacional. Rio de Janeiro: Vozes, 2009.

MUNICÍPIO DE IJUÍ. Conselho Municipal de Educação. Escola Municipal Fundamental Dona Leopoldina. REGIMENTO ESCOLAR (2012-2016).

 

MUNICÍPIO DE IJUÍ. Secretaria Municipal de Educação de Ijuí. Conselho Municipal de Educação de Ijuí. Parecer nº 02/2008. Institui as Diretrizes Curriculares da Educação Infantil para o Sistema Municipal de Ensino. Ijuí, 2008.

 

MUNICÍPIO DE IJUÍ. Secretaria Municipal de Educação de Ijuí. Educação infantil: tempo e espaço de ser criança. Ijuí, 2014.

MUNICÍPIO DE IJUÍ. Secretaria Municipal de Educação de Ijuí. Proposta político pedagógica da Escola Municipal Fundamental Dona Leopoldina. Ijuí, 2014-2015.

SANT’ANNA, I. M. Por que avaliar? Como avaliar?:critérios e instrumentos. Rio de Janeiro: Vozes, 1995.

UNOPAR – UNIVERSIDADE NORTE DO PARANÁ. Considerações gerais: normas da ABNT. 3. ed. atual. Paraná, 2012.

 

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A oralidade, a leitura e a escrita na Alfabetização

a ação pedagógica deve garantir a perspectiva do alfabetizar letrando, a partir do qual a criança, de posse do domínio do código linguístico é desafiada a fazer uso dessa habilidade em seu cotidiano.

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As questões referentes ao ensino e a aprendizagem da leitura e da escrita têm estado em evidência no âmbito educacional. Muito se tem pesquisado em relação às concepções sobre alfabetização na perspectiva do letramento, na busca de uma maior compreensão do processo pelo qual se desenvolvem e, através do qual o papel da escola deve favorecer aos educandos  que participem cada vez mais de práticas sociais letradas.

A alfabetização e o letramento estão presentes na ação pedagógica, em práticas planejadas e organizadas através de projetos didáticos, sequências didáticas ou nas sequências de atividades. Para isso, o professor precisa analisar de forma diagnóstica as especificidades das crianças com o objetivo de conduzir a prática pedagógica condizente com a individualidade de cada uma.

É importante ressaltar que o processo de letramento inicia-se bem antes do processo de alfabetização, pois as crianças estão inseridas em um contexto que é cercado de material escrito e de pessoas que usam a leitura e a escrita.

 

oralidade
a oralidade, a leitura e a escrita na Alfabetização

É fundamental compreender essas duas práticas para possibilitar a alfabetização e considerar que as modalidades oral e escrita da língua interagem e se influenciam mutuamente. A alfabetização requer um contexto de letramento, com desenvolvimento de habilidades de uso da leitura e da escrita, bem como nas práticas sociais que envolvem a linguagem.

Nesse contexto, as crianças precisam vivenciar, desde cedo, situações que os levem a pensar sobre as características do nosso sistema de escrita de forma reflexiva, lúdica, inserida em atividades de leitura e escrita de diferentes textos. Se alfabetizar é ensinar a ler e escrever, letrar é o resultado da ação de ensinar e aprender e participar de  práticas sociais de leitura e escrita. Compreende-se então que não basta aprender a ler e a escrever, mas, sobretudo, adquirir competências para usar a leitura e a escrita em práticas sociais. Sendo assim, faz-se necessário alfabetizar e letrar.

Entretanto, para que todas as ações pedagógicas planejadas tenham  melhor desempenho é importante o uso de significativos e variados recursos como livros didáticos, jogos de alfabetização, obras literárias, obras complementares, tendo como referência os direitos de aprendizagem das crianças, pois assim, poderemos avançar na democratização da alfabetização plena para todos os cidadãos, com liberdade, autonomia e respeito à diversidade.

Por isso, acredito que a ação pedagógica deve garantir a perspectiva do alfabetizar letrando, a partir do qual a criança, de posse do domínio do código linguístico é desafiada a fazer uso dessa habilidade em seu cotidiano.

Autora: Vera Gramville

Professora da Rede Pública do Município de Ijuí – Rio Grande do Sul – Brasil

contato: veramgranville@gmail.com

 

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