Por que fazer um Curso de Energia Solar na Somática Educar?

Energia Solar Fotovoltaica

 

A Energia solar é a designação dada a todo tipo de captação de energia luminosa, energia térmica (e suas combinações) proveniente do sol, e posterior transformação dessa energia captada em alguma forma utilizável pelo homem, seja diretamente para aquecimento de água ou ainda como energia elétrica ou energia térmica.(Fonte: wikipédia)

 

 

A Energia Solar Fotovoltaica é a energia obtida através da conversão direta da luz em eletricidade (Efeito Fotovoltaico). O efeito fotovoltaico, relatado por Edmond Becquerel, em 1839, é o aparecimento de uma diferença de potencial nos extremos de uma estrutura de material semicondutor, produzida pela
absorção da luz. A célula fotovoltaica é a unidade fundamental do processo de conversão.(Fonte: http://www.portal-energia.com/energia-solar-fotovoltaica/).

 

 

Inicialmente o desenvolvimento dessa tecnologia apoiou-se na busca, por empresas do setor de telecomunicações, de fontes de energia para sistemas instalados em localidades remotas. Ao longo do tempo a Energia Solar Fotovoltaica e seu uso visa gerar energia limpa e renovável possibilitando a valorização da propriedade além da geração da própria energia elétrica e praticamente acabar com a conta de luz

 

 

Tendência Energia Solar Fotovoltaica

A tendência mundial é a busca por novas fontes de energia que possam  atender ao acelerado crescimento da demanda, de forma não poluente e sustentável.No Brasil, temos todas as fontes energéticas, sejam as que já estão consolidadas como as que despontam no cenário, a médio e longo prazo. No caso da geração de energia elétrica a partir de fontes fotovoltaicas o mercado brasileiro  é extremamente promissor. Além do fato do país possuir, por conta de sua localização geográfica, uma fonte inesgotável do principal insumo – o sol -, também dispõe da matéria prima essencial para produção do silício utilizado na fabricação das células fotovoltaicas. (Fonte: ABINEE).

 

Segundo a ANEEL, a energia solar deve representar 15% da matriz energética brasileira até 2030. Conhecer e acreditar nos fundamentos do setor de energia solar é o primeiro passo para o empreendedor ou profissional que quer estabelecer um negócio na área, ou ainda, firmar-se como um especialista desse segmento.

 

Segundo a ANEEL, até 2024, cerca de 1,2 milhão de geradores de energia solar ou mais deverão ser instalados em casas e empresas em todo o Brasil, representando 15% da matriz energética brasileira e até o ano 2030 o mercado de energia fotovoltaica deverá movimentar cerca de R$ 100 bilhões

A energia solar ou fotovoltaica é captada através do sol e é considerada uma energia infinita. O Brasil apresenta um potencial incrível e vem crescendo, extraordinariamente, nos últimos anos.

 

PROFISSIONAL DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA – INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO
.

 

Dentre as profissões existentes no mercado de energia solar brasileiro, a de energia solar fotovoltaica destaca-se como uma das mais requisitados no setor, visto que em uma instalação (seja ela residencial, comercial ou industrial), são necessários, no mínimo, de dois desses profissionais.

 

 

A faixa salarial de um instalador fotovoltaico é de R$ 1.000 a R$ 3.000,00, mas pode assumir valores muito maiores, que estarão atrelados a um nível mais alto de conhecimento do profissional fotovoltaico, além obviamente de formar seu próprio negócio de instalação de energia solar

 

 

Logo, ter uma formação profissional assume a possibilidade de aumento de empregabilidade e aumento de renda e mesmo a possibilidade de você mesmo criar a sua própria empresa e a Somática Educar está oferecendo essa oportunidade de cursos profissionalizantes Energia Solar Fotovoltaica sem mensalidade, com o valor único e o mais acessível no mercado de cursos a distância de qualidade e com certificado reconhecido.

 

 

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Alguns Cursos da Somática Educar

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Técnicas Preditivas de Monitoramento

SOMÁTICA EDUCAR – CURSOS PROFISSIONALIZANTES.

 

Técnicas Preditivas de Monitoramento.

 

 

Autor: Paulo César Carrio

E-mail: paulo.carrio@gmail.com

 

Local / Data: Valinhos, 01 de Julho de 2018.

 

Trabalho Final do Curso de Técnicas Preditivas aplicadas à Detecção de Falhas em Equipamentos Industriais da Somática Educar.

 

 

INTRODUÇÃO

Muller (1991) destaca que até os anos 60 era prática comum continuar utilizando os equipamentos até os mesmos apresentarem sérios problemas de desempenho ou até mesmo quebrarem, destaca ainda que tal abordagem conduziu a muitas falhas catastróficas, o que na maioria das vezes foi substituída por manutenções nos equipamentos críticos em datas planejadas. Tal método de manutenção preventiva que muitas vezes é utilizado nos processos industriais, tem efetivamente minimizado falhas graves. Contudo sua maior limitação é que uma manutenção fixa programada pode às vezes resultar em custosas inspeções frequentes. Conforme TAVARES (1987) Manutenção Preventiva é aquela que se conduz aos intervalos pré-determinados com o objetivo de reduzir a possibilidade de o equipamento situar-se em uma condição abaixo do nível requerido de aceitação. Esta manutenção pode tomar por base intervalos de tempo pré-determinados e/ou condições preestabelecidas de funcionamento, podendo ainda requerer que, para sua execução o equipamento seja retirado de operação. SOTHARD (1996) ressalta que a manutenção preventiva envolve cuidados rotineiros sobre equipamentos e inclui lubrificação das máquinas e reposição de peças de desgaste intensivo. Complementa que isoladamente a manutenção preventiva não propicia condições de previsão mais aprofundada sobre falhas dos componentes ou sobre como evitar consequências na produção. Ainda complementa que a manutenção preditiva revisa o desempenho do passado para prever quando um componente específico irá falhar. Exemplifica que a manutenção pode optar pela troca de um componente a cada 380 horas de uso, trocando a peça prematuramente de forma a evitar parada. A manutenção preditiva é a manutenção preventiva efetuada no momento exato, detectado através de análises estatísticas e análises de sintomas. Muitos classificam a manutenção preditiva como uma manutenção corretiva planejada. TAVARES define a manutenção preditiva da seguinte forma: “entende-se por controle preditivo de manutenção, a determinação do ponto ótimo para executar a manutenção preventiva num equipamento, ou seja, o ponto a partir do qual a probabilidade do equipamento falhar assume valores indesejáveis. A determinação desse ponto traz como resultado índices ideais de prevenção de falhas, tanto sob o aspecto técnico como pelo aspecto econômico, uma vez que a intervenção no equipamento não é feita durante o período que ainda está em condições de prestar o serviço, nem no período em que suas características operativas estão comprometidas” (TAVARES; 1996).

 

OBJETIVO

A manutenção preditiva tem como objetivos: predizer a ocorrência de uma falha ou degradação, determinar, antecipadamente, a necessidade de correção em uma peça específica, eliminar as desmontagens desnecessárias para inspeção, aumentar o tempo de disponibilidade dos equipamentos para operação, reduzir o trabalho de emergência e urgência não planejada, impedir a ocorrência de falhas e o aumento dos danos, aproveitar a vida útil total de cada componente e de um equipamento, aumentar o grau de confiança no desempenho de um equipamento e de seus componentes, determinar previamente as interrupções de fabricação para cuidar dos equipamentos, redução de custos de manutenção, aumento da produtividade e consequentemente da competitividade.

 

TIPOS DE ANÁLISES

  • Termográfica;
  • Análise de vibração;
  • Análise de lubrificantes;
  • Propriedades físico-químicas;
  • Cromatografia gasosa;
  • Espectrometria;
  • Ferrográfia
  • Radiografia;
  • Energia acústica (ultrassom);
  • Energia eletromagnética (partículas magnéticas, correntes parasíticas);
  • Fenômenos de viscosidade (líquidos penetrantes);
  • Radiações ionizantes (Raio X ou Gamagrafia);
  • Tribológia;
  • Monitoria de processos;
  • Inspeção visual;
  • Outras técnicas de análise não-destrutivas.

 

 

Termográfica

Inspeção Termográfica é a técnica de inspeção não destrutiva realizada com a utilização de sistemas infravermelhos, para a medição de temperaturas ou observação de padrões diferenciais de distribuição de calor, com o objetivo de proporcionar informações relativas à condição operacional de um componente, equipamento ou processo.

Termográfica é definida como a técnica de sensoriamento remoto que possibilita a medição de temperaturas e a formação de imagens térmicas (termogramas) de um componente, equipamento ou processo, a partir da radiação infravermelha naturalmente emitida pelos corpos.

A Termográfica é uma das técnicas preditivas que mais tem se desenvolvido nos últimos anos. Permite o acompanhamento de temperatura e a formação de imagens térmicas, é considerada uma técnica de inspeção não destrutiva na qual é utilizada no diagnóstico precoce de falhas e outros problemas em componentes elétricos, mecânicos e em processos produtivos.

A Termográfica é uma das técnicas de inspeção chamada de: Técnicas de Manutenção Preditiva definida por alguns como uma atividade de monitoramento capaz de fornecer dados suficientes para uma análise de tendências. As técnicas termográficas geralmente consistem na aplicação de tensões térmicas no objeto, medição da distribuição da temperatura da superfície e apresentação da mesma, de tal forma que as anomalias que representam as descontinuidades possam ser reconhecidas.

O monitoramento por temperatura é um dos métodos de mais fácil compreensão já que com o acompanhamento de variações, pode-se perceber uma possível falha do componente. São utilizadas em mancais, barramentos, unidades hidráulicas.

A termográfica poderia ser descrita como uma técnica de inspeção não destrutiva e não intrusiva, onde a distribuição de temperaturas de uma dada superfície é apresentada sob a forma de uma imagem térmica, através de uma câmera capaz de detectar radiações eletromagnéticas na faixa do infravermelho.

É importante ressaltar que a termográfica é realizada com os equipamentos e sistemas em pleno funcionamento, de preferência nos períodos de maior demanda, quando os pontos deficientes tornam-se mais evidentes, possibilitando a formação do perfil térmico dos equipamentos e componentes nas condições normais de funcionamento no momento da inspeção.

O ensaio termográfico, comumente, tem sido utilizado para observação remota do perfil de temperaturas das superfícies dos corpos sob exame, sem que haja inserção deliberada de calor nos mesmos, sendo o contraste visual da imagem gerado pelo gradiente térmico espontaneamente existente.

 

Inspeção Termográfica

 

Análise de Vibração

O acompanhamento e a análise de vibração tornaram-se um dos mais antigos métodos de predição na indústria, tendo a sua maior aplicação em equipamentos rotativos (bombas, turbinas, redutores, ventiladores, compressores); já que estes apresentam ciclos mais bem definidos e defeitos como desalinhamento e batimento, que são facilmente detectados por este método. O estágio atual de desenvolvimento dos instrumentos, sistemas de monitoração e programas especializados é permite que sejam detectados diversos tipos de falhas: desbalanceamento, desalinhamento, empenamento de eixos, excentricidade, desgaste em engrenagens e mancais, má fixação da máquina ou de componentes internos, roçamentos, erosão, abrasão, ressonância, folgas, desgastes em rolamentos e outros componentes rotativos, fenômenos aerodinâmicos e/ ou hidráulicos e problemas elétricos (quebra de barras de rotores, má fixação de bobinas, núcleos ou peças polares em motores, geradores e transformadores). O método tem se provado útil na monitoração da operação de máquinas rotativas (ventiladores, compressores, bombas e turbinas); na detecção e reconhecimento da deterioração de rolamentos; no estudo de mal funcionamentos típicos em maquinaria com regime cíclico de trabalho, laminadores, prensas; e na análise de vibrações proveniente dos processos de trinca, notadamente em turbinas e outras máquinas rotativas.

As técnicas de análise de vibrações estão bem desenvolvidas e vão dos métodos mais simples (medição dos valores médios das amplitudes de vibração) até os mais complexos (correlações e espectros de correlações).

Exemplificando, na verificação do grau de desbalanceamento de um eixo, geralmente é suficiente a medição da amplitude e da fase de vibração na frequência de rotação, verificados através de um acelerômetro conectado radialmente em um dos mancais do eixo.

Em outros casos, quando se está procurando anomalias localizadas tais como áreas com erosão ou trincas nas pistas dos mancais, são necessárias técnicas especiais que isolam os sinais provenientes das anomalias, do ruído de fundo.

O espectro de vibrações a ser observado no ensaio dos componentes pode ser obtido com o auxílio de sensores (acelerômetro, transdutores eletromagnéticos, etc.) e convertidos em sinais elétricos, os quais são enviados para um osciloscópio, digitalizados ou registrados na forma de gráfico.

Para alguns equipamentos de alta responsabilidade são usados instrumentos mais sofisticados que chegam a arquivar as especificações da máquina, os dados de referência com os resultados do ensaio inicial e os pontos de medição, a frequência, a amplitude e as características de fase dos sinais de vibração registrados. Muitos equipamentos acompanham cartas que mostram seu espectro de vibração, indicando o posicionamento dos sensores em eventuais análises. Assim, é possível comparar o estado atual da máquina com o desejado.

As operações de manutenção podem ser estabelecidas compilando-se um “diário” para a máquina em questão e comparando-o com o “gráfico de dinamismo”, acompanhando deste modo o comportamento do sistema ao longo do tempo.

Mesmo as mais complexas técnicas de medição localizada são afetadas por distúrbios causados por outras fontes de vibração da máquina investigada; o que dificulta a interpretação dos sinais registrados. O aumento na sensibilidade do ensaio pode resultar no aumento de alarmes falsos, quando os sinais captados não correspondem a reais anomalias. Montagem e desenvolvimento de complexos sistemas de diagnósticos tem custo elevados.

O progresso no campo dos microprocessadores tornou possível a digitalização de sinais, o que antes era processado de forma analógica. Os avanços da inteligência artificial, utilizando redes neurais, lógica fuzzy, e algoritmos genéticos, encontram aplicações na forma integrada e simultânea do uso de informações provenientes de diferentes sensores (vibrações, temperatura, pressão, carga); técnica conhecida por multisensoriamento. Desta forma a operação de uma máquina pode ser continuamente monitorada, corrigindo-a ou paralisando-a imediatamente, no caso de uma anomalia séria, antes de seu colapso.

 

Análise de Vibração

Ferrográfia

A Ferrográfia determina o grau de severidade, modos e tipos de desgastes em equipamentos por meio de identificação do acabamento superficial, coloração, natureza, e tamanho das partículas em uma amostra de óleo ou graxas lubrificantes.

A Ferrográfia foi descoberta em 1971 por Vernon C. Westcott, um tribologista de Massachusetts, Estados Unidos, e desenvolvida durante os anos subsequentes com a colaboração do Roderic Bowen e patrocínio do Centro de Engenharia Aeronaval Americano e outras entidades. Em 1982 a Ferrográfia foi liberada para uso civil e trazida para o Brasil em 1988,(Baroni T. D’A. & Gomes G. F.).

A Ferrográfia é uma técnica de monitoramento e diagnose de condições de máquinas. A partir da quantificação e análise da morfologia das partículas de desgaste (limalhas), encontradas em amostras de lubrificantes, determinam-se: tipos de desgaste, severidade, contaminantes, desempenho do lubrificante etc. Com estes dados torna-se possível à tomada de decisão quanto ao tipo e urgência de intervenção de manutenção necessária. A Ferrográfia é classificada como uma técnica de manutenção preditiva, embora possua inúmeras outras aplicações, tais como desenvolvimento de materiais e lubrificantes, (Baroni T. D’A. & Gomes G. F.).

Há dois níveis de análise ferrográfica. Uma quantitativa que consiste numa técnica de avaliação das condições de desgaste dos componentes de uma máquina por meio da quantificação das partículas em suspensão no lubrificante, e uma analítica que utiliza a observação das partículas em suspensão no lubrificante.

 

Ferrográfia

Energia acústica (ultrassom)

A manutenção preditiva por ultrassom é um método não destrutivo que detecta descontinuidades internas pelo modo de propagação das ondas sonoras através de uma peça. É mais rápido e mais fácil que os métodos convencionais, os quais utilizam pressão de ar ou água, e que propicia completa precisão. Pode ser aplicado em uma infinidade de elementos como containers, tubulações, trocadores de calor, gavetas, selos, comportas, automóveis, aviões, etc. Este método é executado colocando-se um gerador de som (Transmissor Ultra Sônico) patenteado no interior ou ao lado do elemento a ser inspecionado.

Detecta descontinuidades internas em materiais, baseando-se no fenômeno de reflexão de ondas acústicas quando encontram obstáculos à sua propagação, dentro do material. Um pulso ultrassônico é gerado e transmitido através de um transdutor especial, encostado ou acoplado ao material. Os pulsos ultrassônicos refletidos por uma descontinuidade, ou pela superfície oposta da peça, são captados pelo transdutor, convertidos em sinais eletrônicos e mostrados na tela LCD ou em um tubo de raios catódicos (TRC) do aparelho.

Os ultrassons são ondas acústicas com frequências acima do limite audível. Normalmente, as frequências ultra sônicas situam-se na faixa de 0,5 a 25 Mhz.

Geralmente, as dimensões reais de um defeito interno podem ser estimadas com uma razoável precisão, fornecendo meios para que a peça ou componente em questão possa ser aceito, ou rejeitado, baseando-se em critérios de aceitação da norma aplicável. Utiliza-se ultrassom também para medir espessura e determinar corrosão com extrema facilidade e precisão.

As aplicações deste ensaio são inúmeras: soldas, laminados, forjados, fundidos, ferrosos e não ferrosos, ligas metálicas, vidro, borracha, materiais compostos, tudo permite ser analisado por ultrassom. Indústria de base (usinas siderúrgicas) e de transformação (mecânicas pesadas), indústria automobilística, transporte marítimo, ferroviário, rodoviário, aéreo e aeroespacial: todos utilizam ultrassom.

Modernamente o ultrassom é utilizado na manutenção industrial, na detecção preventiva de vazamentos de líquidos ou gases, falhas operacionais em sistemas elétricos (efeito corona), vibrações em mancais e rolamentos.

O ensaio ultra sônico é, sem sombra de dúvidas, o método não destrutivo mais utilizado e o que apresenta o maior crescimento, para a detecção de descontinuidades internas nos materiais.

Energia Acústica (ultrassom)

Energia eletromagnética (partículas magnéticas, correntes parasíticas)

O ensaio por partículas magnéticas é usado para detectar descontinuidades superficiais e sub superficiais em materiais ferromagnéticos. São detectados defeitos tais como: trincas, junta fria, inclusões, gota fria, dupla laminação, falta de penetração, dobramentos, segregações.

O método de ensaio está baseado na geração de um campo magnético que percorre toda a superfície do material ferromagnético. As linhas magnéticas do fluxo induzido no material desviam-se de sua trajetória ao encontrar uma descontinuidade superficial ou sub superficial, criando assim uma região com polaridade magnética, altamente atrativa à partículas magnéticas. No momento em que se provoca esta magnetização na peça, aplica-se as partículas magnéticas por sobre a peça que serão atraídas à localidade da superfície que conter uma descontinuidade formando assim uma clara indicação de defeito.

Alguns exemplos típicos de aplicações são fundidos de aço ferrítico, forjados, laminados, extrudados, soldas, peças que sofreram usinagem ou tratamento térmico (porcas e parafusos), trincas por retífica e muitas outras aplicações em materiais ferrosos.

Para que as descontinuidades sejam detectadas é importante que elas estejam de tal forma que sejam “interceptadas” ou “cruzadas” pelas linhas do fluxo magnético induzido; consequentemente, a peça deverá ser magnetizada em pelo menos duas direções defasadas de 90º. Para isto utilizamos os conhecidos yokes, máquinas portáteis com contatos manuais ou equipamentos de magnetização estacionários para ensaios seriados ou padronizados.

O uso de leitores óticos representa um importante desenvolvimento na interpretação automática dos resultados.

Conforme Almeida (2008) as técnicas específicas dependerão do tipo de equipamento, do seu impacto sobre a produção, do desempenho de outros parâmetros chaves da operação da planta industrial e dos objetivos que se deseja que o programa de manutenção preditiva atinja.

Energia eletromagnética (partículas magnéticas, correntes parasíticas)

Fenômenos de viscosidade (líquidos penetrantes)

Técnica utilizada com frequência após a detecção de falhas por emissão acústica, pois através deste método torna-se mais fácil de identificar as falhas existentes. Utiliza-se um líquido de baixa viscosidade na área onde apresenta descontinuidade, adicionando um pó revelador que mostrará as trincas pelo acúmulo de pó na região, sendo possível visualizar o tamanho da falha.

O ensaio por líquidos penetrantes presta-se a detectar descontinuidades essencialmente superficiais e que sejam abertas na superfície, tais como trincas, poros, dobras, etc, podendo ser aplicado em todos os materiais sólidos e que não sejam porosos ou com superfície muito grosseira.

É muito usado em materiais não magnéticos como alumínio, magnésio, aços inoxidáveis austeníticos, ligas de titânio, e zircônio, além dos materiais magnéticos. É também aplicado em cerâmica vitrificada, vidro e plásticos.

Descontinuidades em materiais fundidos tais como gota fria, trincas de tensão provocadas por processos de têmpera ou revenimento, descontinuidades de fabricação tais como trincas, costuras, dupla laminação, sobreposição de material ou ainda trincas provocadas pela fadiga do material ou corrosão sob tensão, podem ser facilmente detectadas pelo método de Líquido Penetrante.

Princípios básicos:

O método consiste em fazer penetrar na abertura da descontinuidade um líquido. Após a remoção do excesso de líquido da superfície, faz-se sair da descontinuidade o líquido retido através de um revelador. A imagem da descontinuidade fica então desenhada sobre a superfície.

Pode-se dizer que a principal vantagem do método é a sua simplicidade. A interpretação dos resultados se dá facilmente. O aprendizado é simples e requer pouco tempo de treinamento do inspetor.

Como a indicação assemelha-se a uma fotografia do defeito, é muito fácil de avaliar os resultados. Em contrapartida o inspetor deve estar ciente dos cuidados básicos a serem tomados (limpeza, tempo de penetração, etc), para que a avaliação seja correta.

Não há limitação para o tamanho e forma das peças a ensaiar, nem tipo de material; por outro lado, as peças devem ser susceptíveis à limpeza e sua superfície não pode ser muito rugosa e nem porosa. Além disso, o método pode revelar descontinuidades (trincas) extremamente finas (da ordem de 0,001 mm de abertura).

Limitações:

Somente descontinuidades abertas para a superfície são detectadas, já que o penetrante tem que entrar na descontinuidade para ser posteriormente revelado. Por esta razão, a descontinuidade não deve estar preenchida com material estranho.

A superfície do material não pode ser porosa ou absorvente já que não haveria possibilidades de remover totalmente o excesso de penetrante, causando mascaramento de resultados.

A aplicação do penetrante deve ser feita numa determinada faixa de temperatura permitida ou recomendada pelo fabricante dos produtos. Superfícies muito frias (abaixo de 5°C) ou muito quentes (acima de 52°C) não são recomendáveis ao ensaio.

Fenômenos de viscosidade (líquidos penetrantes)

 

Radiações ionizantes (Raio X ou Gamagrafia)

São ondas eletromagnéticas ou partículas que se propagam com alta velocidade e portando energia. As radiações eletromagnéticas mais conhecidas são: luz, microndas, ondas de rádio AM e FM, radar, laser, raios X e radiação gama. As radiações eletromagnéticas do tipo X e gama, são as mais penetrantes e, dependendo de sua energia, podem atravessar vários centímetros do tecido humano até metros de blindagem de concreto. Por isso são muito utilizadas para a obtenção de radiografias e para controlar níveis de material contidos em silos de paredes espessas.

Os raios X utilizados nas aplicações técnicas são produzidos por dispositivos denominados de tubos de raios X, consistem basicamente de um filamento que produz elétrons por emissão termiônica (catodo), que são acelerados fortemente por uma diferença de potencial elétrica (kilovoltagem) até um alvo metálico (anodo), onde colidem. A maioria dos elétrons acelerados são absorvidos ou espalhados, produzindo aquecimento no alvo. Cerca de 5% dos elétrons sofrem reduções bruscas de velocidade, e a energia dissipada se converte em ondas eletromagnéticas, denominadas de raios X.

Radiação gama é emitida pelo núcleo atômico com excesso de energia (no estado excitado) após transição de próton ou nêutron para nível de energia com valor menor, gerando uma estrutura mais estável.

Essas radiações possuem várias aplicações, entre elas a radioterapia, braquiterapia ambas na área da saúde, mas o nosso enfoque é na área da engenharia, com a radiografia industrial.

A radiografia industrial é utilizada no controle de qualidade de textura e soldas de tubulações, chapas metálicas e peças fundidas é realizado com frequência com o uso de radiografia obtidas com raios X de alta energia ou radiação gama de média e alta energia.

As radiografias obtidas com raios X são realizadas em geral, em instalações fixas ou em locais de providos de rede elétrica, uma vez que, mesmo os dispositivos móveis de raios X, são muito pesados e de difícil mobilidade. O grande fator no peso são os transformadores de alta tensão, os sistemas de refrigeração do tubo e os cabos de alimentação. Para a obtenção de radiografias em frentes móveis, como por exemplo, o controle das soldas de oleodutos, gasodutos, tubulações de grande extensão, que estão em implementação no campo, utilizam-se fontes de radiação gama, como o irídio-192, césio-137 e cobalto-60. Estas radiografias são denominadas de gamagrafias.

De forma geral esses procedimentos são realizados da seguinte forma: coloca-se um material sensível à radiação utilizada, emite um feixe de radiação sobre a área desejada, de tal forma a atravessar essa área e atingir o material sensível a radiação. Dessa forma podemos perceber os locais por onde a radiação passou livremente ou não, e distinguir no material sensível uma falha, fratura, trincas e outros defeitos.

 

Radiações ionizantes (Raio X ou Gamagrafia)

Bibliografia

  • http://wwwp.feb.unesp.br/jcandido/manutencao/Grupo_8.pdf
  • http://pt.shvoong.com/social-sciences/1700280-manuten%C3%A7%C3%A3o-preventivamanuten%C3%A7%C3%A3o-preditiva/;
  • http://prope.unesp.br/xxi_cic/27_35061530802.pdf
  • http://www2.petrobras.com.br/tecnologia2/port/boletim_tecnico/v42_n1-4_jan-dez1999/pdf/7Ferrografia.PDF
  • http://www.tecem.com.br/site/downloads/artigos/baroni.pdf
  • www.compoende.com.br/liquido.doc
  • http://www.abende.org.br/info_end_oquesao_liquido.php?w=1366&h=768
  • http://www.qualidadeaeronautica.com.br/princ.LP.htm
  • http://www.cetre.com.br/portal/pdfs/apostila_lp.pdf
  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuten%C3%A7%C3%A3o_preventiva;
  • http://www.klic.hpg.ig.com.br/manutencao_tipos_e_tendencias.htm;
  • http://www.webartigos.com/articles/15395/1/MANUTENCAO-PREDITIVA– Produtividade-e-Reducao-de-Custos/pagina1.html; · www.confiabilidademp.com.br;

 

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Nossos Cursos e Muito Mais…

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Matemática dos Sons

Matemática dos Sons

MATEMÁTICA DOS SONS[1]

 

BROLLO, Davi[2]; SCHWANKE, Sophia[3]BUCHMANN, Letícia[4]; RIBEIRO, Simone[5]

 

RESUMO: Este trabalho tem como objetivo compartilhar situações de aprendizagens articuladas pelas professoras do Nível 5 – faixa etária 5 e 6 anos da Educação Infantil – e pela professora de Música do Colégio Evangélico Augusto Pestana, CEAP, envolvendo a elaboração de conceitos pertinentes à Música e à Matemática. O registro do trabalho pedagógico desenvolvido revela a potencialidade de articulação da Música e da Matemática, como contribuição à retomada de processos informais na perspectiva da elaboração conceitual. Para desenvolver as diferentes situações de aprendizagem, ocorreram vivências lúdicas e registros. As crianças, sob a mediação das professoras, foram desafiadas à manipulação de instrumentos sonoros, a conhecer mais sobre a história da Música e da Matemática, a realizar algumas execuções não complexas, como também, à elaboração de registros gráficos das diferentes situações.

 

Palavras-chave: Criança. Aprendizagem. Matemática. Música.

 

 

INTRODUÇÃO

 

A criança apropria-se do conhecimento historicamente elaborado através de diferentes e sistemáticas vivências cotidianas. Na Escola, a partir da intervenção intencional do professor, valorizando o conhecimento prévio da criança, esta avança na elaboração conceitual.  Por isso, ricas e intensas vivências, proporcionam mais oportunidades para a criança ampliar o conhecimento acerca do mundo. Esta prática é referenciada nas Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil no campo do Currículo, como também, através dos eixos norteadores, interações e brincadeiras, com vistas a promover o desenvolvimento integral de crianças de zero a cinco anos de idade. Ainda, as Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil, no que tange a Proposta Pedagógica, objetivam promover o acesso da criança a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens, na perspectiva de experiências integradas.

Nesse sentido, como desafio constante para o professor, a integração de experiências de diferentes linguagens, através das dimensões do brincar e da interação, possibilita aprimorar as práticas pedagógicas e desenvolver aprendizagens significativasna Educação Infantil.

Música e Matemática são áreas afins e para compreendê-las desta forma, ao longo da vida escolar, há a exigência progressiva de aprendizagens mais complexas. Todavia, na Educação Infantil já podem ser exploradas de forma lúdica e articulada, contribuindo para a elaboração conceitual em ambas as linguagens.

A partir do projeto “Matemática dos Sons”, as diferentes vivências e brincadeiras desenvolvidas viabilizaram contextos de relações quantitativas de medidas e apreciação do som, para atrelar o conhecimento matemático e musical à elaboração conceitual. Os conceitos explorados foram o de medida de comprimento, quantificação, seriação e parâmetros do som, no que se refere à altura (grave e agudo).

Neste viés de reconhecer a adequação da articulação de conceitos da Música e da Matemática para desenvolver o projeto de trabalho do Nível 5, as crianças desenvolveram importantes aprendizagens.

 

MATERIAL E MÉTODOS

 

O trabalho foi desenvolvido ora pela professora da turma, ora pela professora de Música da Escola, assim como de forma compartilhada por ambas as professoras, do Nível 5 – faixa etária 5 e 6 anos, com 36 crianças. Desta forma, também foi elaborado o planejamento da sequência de atividades desenvolvidas.

As crianças foram, inicialmente, provocadas a pensar sobre a matemática no cotidiano e ao longo da história. Através de “flash cards”, conheceram as formas de contagem e medição que povos antigos utilizavam. Além disso, conheceram Pitágoras e suas contribuições à Matemática e à Música.

Posteriormente, exploraramritmo e melodia em 7 tubos musicais (MARQUES, 2013, p. 72). Na construção desses instrumentos, foram utilizados canos de PVC de 40 milímetros de diâmetro, cortados em dimensões específicas para cada nota musical:DÓ – 124 cm;RÉ – 109 cm;MI – 97 cm; FÁ – 91 cm; SOL – 81 cm; LÁ – 70 cm; SI – 62 cm. Após as bordas serem lixadas levemente, um joelho de PVC foi encaixado em uma das pontas de cada tubo. A maneira utilizada para tocar foi percutindo o joelho no chão. Para diferenciação dos tubos, também foram utilizadas fitas adesivas com cores diferentes: DÓ – Azul; RÉ – Verde; MI – Vermelho; FÁ – Amarelo; SOL – Preto; LÁ – Rosa; SI – Marrom.

Os alunos foram questionados sobre a diferença entre os sons e qual a relação entre os tamanhos dos tubos e os sons produzidos.Em relação à medida dos canos, as criançasforam desafiadas à elaboração de estratégias de medição, de quantificação e seriação. Também registraram esse processo graficamente.

Outra etapada proposta consistiu em realizar a execução de uma pequena melodia com esses instrumentos. Após atividades preparatórias, as crianças, em pares e juntamente com a professora, tocaram enquanto os colegas cantavam a canção. A melodia tem quatro notas, que na tonalidade de Dó Maior são Dó, Ré, Mi e Fá. A professora ficou com os tubos Dó e Ré, uma das crianças com o Mi e outra com o Fá. No momento de cada nota foram orientadas a percutir seu tubo.

O passo seguinte consistiu em trabalhar a ordem dos canos, em função dos tamanhos e das cores, formando a escala de Dó Maior, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si. Depois, a professora separou os tubos das notas Ré, Fá e Lá para a execução de um ostinato[6] rítmico e harmônico, acompanhando uma canção que as crianças já conheciam, chamada “Índio Lindo”, de Thelma Chan. Todos executaram a proposta que foi filmada com a finalidade de registro.

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

As crianças revelaram envolvimento e motivação durante a participação nas diferentes propostas. Todavia, para análise do processo destacamos a exploração dos tubos musicais, a execução sonora e a elaboração do gráfico das medidas.

Quando apresentados ao conjunto de tubos e questionados sobre o que eram e por que foram levados à aula, logo mencionaram que serviria para fazer música. Em seguida, foram perguntados sobre como isso poderia ser feito e, então, muitas hipóteses foram elaboradas até chegarem à produção sonora apropriada.

Após tocarem os tubos, foram questionados se os canos possuíam sons iguais ou diferentes. Como a resposta foi que os sons eram diferentes, a questão seguinte buscou saber qual era a diferença entre eles. Uma das respostas apresentou as informações: “a cor, o tamanho e o som”. O próximo passo foi debater qual a diferença entre os sons e qual a relação entre o tamanho dos tubos. As crianças mencionaraminicialmente sobre a intensidade, identificando que o tubo maior produzia o som mais forte e o menor, som mais fraco. Após questionados sobre que outra diferença entre os sons poderia ser descrita, foram orientados a cantar o som de dois tubos. Mediante esse recurso, mencionaram os termosgrave e agudo, que já haviam sido trabalhados em outras ocasiões. Necessitaram de auxílio para diferenciar que o som mais “grosso” é o grave e que o agudo é o som mais “fino”.  O mesmo procedimento foi realizado comparando outros pares de tubos.

Em relação à medida dos tubos e após várias experiências para diferencia-los, as crianças resolveram usar as mãos como padrão de medida. A mão de uma colega serviu de referência e foi reproduzida várias vezes para medir cada tubo. Os tubos permaneceram na sala de aula e as mãos foram fixadas para assegurar a visualização, possibilitar a medição e identificar a quantidade de mãos utilizadas em cada tubo. Além disso, foram explorados aspectos relacionados à seriação, quantificação e sequência numérica. Em continuidade, as crianças elaboram um gráfico coletivo do material produzido e realizaram registros individuais. Também, foram desafiadas a refletir sobre o sistema de medida convencional quando sentiram a necessidade de um sistema mais preciso de medida, pois a diferença entre o tamanho dos canos, em algumas situações, era menor que a medida da mão da colega.

 

“A aprendizagem significativa é aquela que ocorre a partir do surgimento de um sentido pessoal por parte de quem aprende, o que desencadeia uma atitude proativa que tenta desvendar o novo e (re) construir conceitos que ampliam cada vez mais a habilidade de aprender.” (SANTOS, 2009, p.61)

Figura 1 – Registro gráfico individual da exploração dos tubos musicais

Fonte: Registros dos alunos

 

Figura 2 – Registro coletivo do gráfico da medição dos tubos musicais

 

 

Fonte: registros coletivos da turma

 

 

Quando as crianças foram desafiadas à execução da canção “Borboletinha” utilizando os tubos, acompanhadas pelo canto e pelas palmas dos colegas, foi possível perceber grande interesse e satisfação. O mesmo ocorreu na outra atividade envolvendo o ostinato rítmico e harmônico.

“A criança é um ser “brincante” e, brincando, faz música, pois assim se relaciona com o mundo que descobre a cada dia. Fazendo música, ela, metaforicamente, “transforma-se em sons”, num permanentemente exercício: receptiva e curiosa, a criança pesquisa materiais sonoros, “descobre instrumentos”, inventa, imita motivos melódicos e rítmicos e ouve com prazer a música de todos os povos”. (BRITO, 2003, p.35)

 

Figura 3 – Partitura da canção Borboletinha

 

 

Fonte: Partitura confeccionada por Letícia Buchmann

 

 

Mediante interação em propostas lúdicas que resgataram vivências anteriores, as crianças ampliaram aprendizagens, avançando na elaboração conceitual.

 

 

 

CONCLUSÕES

 

 

As crianças aprendem na interação com o ambiente, através de uma linguagem lúdica, movidas pelo interesse e curiosidade. Nesse contexto, a ação do educador consiste em potencializar o processo de aprender, ampliando representações e significados construídos culturalmente. Para tanto, a articulação e o planejamento intencional envolvendo diferentes áreas do conhecimento amplia ereconhece a adequação de uma determinada situação à aprendizagem.

A Matemática está presente no cotidiano e a provocação para que a criança, individual e coletivamente, identifique situações problemas, estabeleça relações, elabore questionamentos e analise processos, contribui para a construção de significados, para novas aprendizagens e compreensão do mundo que a cerca.

Ainda, a Música na escola infantil tem forte ligação com o brincar, linguagem peculiar à infância e, por isso, articulada a outras áreas do conhecimento, proporciona a abordagem de vários conceitos em uma dinâmica intensa de aprendizagens.

 

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC, SEF, 1998.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil. Secretaria de Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, 2010.

 

BRITO, Teca Alencar. Música na Educação Infantil. São Paulo: Peirópolis. 4 ed. 2003.

 

DOS SANTOS, Júlio César Furtado; Aprendizagem significativa: modalidades de aprendizagem e o papel do professor. Porto Alegre: Editora Mediação, 2009.

 

MARQUES, Estêvão. Colherim: ritmos brasileiros na dança percussiva das colheres.São Paulo: Peirópolis, 2013.

 

[1]Categoria: Educação Infantil; Modalidade: Matemática Aplicada e Inter-relação com outras Disciplinas; Colégio Evangélico Augusto Pestana.

[2] Aluno do Nível 5, Colégio Evangélico Augusto Pestana – CEAP

[3] Aluna do Nível 5, Colégio Evangélico Augusto Pestana – CEAP

[4] Professor Orientador, Colégio Evangélico Augusto Pestana, Ijuí, ltbuchmann@gmail.com

[5] Professor Orientador, Colégio Evangélico Augusto Pestana, Ijuí, sdalmolinribeiro@gmail.com

[6]Ostinato: Termo que se refere à repetição de um padrão musical por muitas vezes sucessivas.

 

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ALIMENTANDO A EDUCAÇÃO FINANCEIRA

[1]ALIMENTANDO A EDUCAÇÃO FINANCEIRA

 

 

[2]VESSOZI, Lucas da Costa; [3]HAGEL, Nadine Vitória da Costa; [4]JAEGER, Márcia Andréia Radüns

 

 

RESUMO: Este projeto reafirma a importância da Educação Financeira na vida dos alunos, acreditando na formação de adultos que demonstrem atitudes conscientes no gerenciamento da própria vida. O trabalho tem como base a produção e comercialização de alimentos, o qual foi incentivado a partir da adesão com o Projeto JEPP Jovens Empreendedores Primeiros Passos. A metodologia utilizada para o presente projeto baseou-se em referências bibliográficas pertinentes ao tema abordado. O objetivo geral é a inclusão da criança em assuntos financeiros ao oportunizar a conscientização para que no futuro se torne um adulto aliado às ferramentas indispensáveis para uma vida financeira saudável e equilibrada.

 

Palavras-chave: Alimentação. Matemática Financeira. Comercialização. Produção.

 

INTRODUÇÃO

 

Este trabalho tem como foco fomentar a cultura empreendedora, desenvolver práticas de aprendizagem, levando em consideração a autonomia do aluno, o desenvolvimento de atributos e atitudes necessárias para administrar a própria vida. Nesse sentido, a proposta é de desenvolver a matemática financeira através da montagem de um ambiente para oferta de produtos alimentícios, chamado “Espaço Gastronômico”, priorizando a alimentação saudável.

Através dos sabores, das cores e das combinações de alimentos, a proposta abrange estudo e reflexão sobre a utilização da matemática financeira, levando em consideração os aspectos culturais da região que influenciam neste hábito das pessoas. Assim serão oportunizadas atividades para a montagem do “Espaço Gastronômico”.

Este trabalho surge através do Projeto JEPP Jovens Empreendedores Primeiros Passos que trás como tema “Sabores e Cores”, que tem como desafio a produção e comercialização alimentícia através de vivências que possibilitem estimular atitudes empreendedoras nos alunos, ou seja, o aprender de forma prática e contextualizada.

Desta forma faz-se necessário um olhar sensível em reconhecer o contexto em que nosso aluno está inserido, observando as limitações e oportunidades para que o negócio alcance os objetivos planejados, através do envolvimento da comunidade escolar.

 

 

MATERIAL E MÉTODOS

 

Este projeto busca desenvolver um trabalho empreendedor na linha alimentícia, o qual inicialmente foi apresentado às famílias dos educandos, a partir de um planejamento prévio baseado em experiências bem sucedidas em anos anteriores, que possibilitaram conhecimentos em um contexto interdisciplinar, através de viagens de estudo, o qual foi bem aceito pelas famílias. Na Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino, através do Plano  de Estudo estão contempladas todas as áreas do conhecimento, entre estas, o estudo sobre a História do Rio Grande do Sul, no qual os alunos tiveram a oportunidade de visitar e conhecer alguns dos lugares estudados: Santo Ângelo e São Miguel das Missões. Estudo que pode ser ampliado para todas as outras áreas ao ser contextualizado. E esta é a proposta para este ano letivo. Soistak afirma que:

Um projeto gera situações de aprendizagem, ao mesmo tempo reais e diversificadas. Favorece, assim, a construção da autonomia e da autodisciplina, por meio de situações criadas em sala de aula para reflexão, discussão, interesse, necessidade de decisão, observação e críticas em torno do trabalho em andamento. Isso proporciona ao aluno, além da implementação do seu compromisso com o social, tornar-se sujeito do seu próprio conhecimento (SOISTAK, 2010,p.34).

 

A trajetória proposta apresenta 11 encontros, tempo em que os alunos vivenciam etapas da montagem de um negócio. Em cada encontro, o aluno realiza uma sequência de atividades que auxiliam na construção de conceitos, procedimentos e atitudes relacionadas ao plano de negócio e ao comportamento empreendedor, onde os alunos são convidados a exercitar uma postura mais consciente e ativa do dia-a-dia.

O foco principal tem início no encontro 5 “Qual a Nossa Fatia do Mercado?”, com uma visita a um restaurante para conhecer sua estrutura e funcionamento administrativo. Partindo dessa ideia do que é empreender, a turma optou em produzir alimentos para degustação, tendo como base uma lista de alimentos sugerida pelos alunos no encontro 2 “Higiene é tudo”, posteriormente passaram por um processo de pesquisa com a comunidade escolar sobre qual seria o alimento melhor aceito para comercialização, visando uma alimentação saudável, através de consumo consciente.

Conhecendo e aplicando os comportamentos empreendedores e os passos do plano de negócio, a turma partiu para uma listagem dos ingredientes utilizados na produção dos alimentos definidos na pesquisa. Assim partimos para uma segunda pesquisa, a dos preços. Com foco no encontro 7 “ Me dá um dinheiro aí!”,  fez-se a análise dos aspectos financeiros, no qual se calculam os custos para definir os preços dos produtos. Com o auxílio de encartes de supermercados, bem como a visita a alguns estabelecimentos na área da alimentação  próximos a escola, o grupo criou uma tabela com a quantidade de ingredientes e seu custo. Com base a esta, definimos a melhor opção de compra. Isso também possibilitou a definição do custo e valor necessários para comercialização, com o objetivo de não obtermos prejuízo e assim visarmos lucros.  Neste momento o grupo parte para a compra dos ingredientes.

Definido o produto a ser comercializado, juntamente com seu valor de custo e consumo, tem-se a necessidade de iniciar a fase de montagem do “Espaço Gastronômico”. No encontro 8 destacamos o item “Propaganda é a alma do negócio!”, onde se enfatiza a questão da divulgação, definindo as ações de marketing para o “Espaço Gastronômico”como o convite, os cartazes, o outdoor,…

No objetivo de fortalecer o espírito de equipe e colaboração, são distribuídas as tarefas ao grupo, para a produção e a montagem do espaço. No momento da comercialização outra escala é feita como o caixa, o atendente, o auxiliar de limpeza, repositor, ou seja, é o momento de colocar em prática tudo o que foi planejado para montar o negócio envolvendo a comunidade escolar, de acordo com:

“Assim, a criança ao socializar diferentes estratégias utilizadas na resolução de problemas possibilita uma análise qualitativa dos dados apresentados e as soluções possíveis. Portanto resolver problemas é um exercício contínuo de desenvolvimento da curiosidade, criatividade, confiança, senso crítico, autonomia do raciocínio lógico, porque permite diferentes formas de pensar sobre as problematizações enfrentadas no dia-a-dia enquanto cidadão” (Proposta Curricular,2011, pg. 24).

 

Com a produção e comercialização, é chegada a hora de avaliar os resultados do funcionamento do “Espaço Gastronômico”, como também a participação da equipe na atividade empreendedora. Assim percebeu-se que com o envolvimento da turma e o sucesso da primeira experiência, surge a possibilidade de dar sequência ao negócio.

Assim o grupo decide em semanalmente realizar na escola a comercialização de produtos que são produzidos com auxílio das famílias, com objetivo de arrecadar fundos para a viagem de estudo planejada para o mês de novembro.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

 

A Educação Financeira não significa ensinar simplesmente a economizar, mas também ter a noção correta de como usar da melhor forma o dinheiro, visando uma melhor qualidade de vida. Segundo D’Aquino (2008, p.4), “a função da Educação Financeira infantil deve ser somente criar as bases para que na vida adulta nossos filhos possam ter uma relação saudável, equilibrada e responsável em relação ao dinheiro.”

O Brasil vive um contexto consumista, e por isso é muito importante que os alunos aprendam a dar valor ao que têm, a conhecer os limites dos gastos, manejar o dinheiro, administrar os consumos e saber o valor que tem cada bem.

Desta forma, após cada comercialização o grupo realiza um registro que aponta qual o produto vendido, a quantidade, o valor unitário e o total adquirido em forma de “ata”. Estes registros ficam “arquivados” como demonstrativo financeiro para posterior prestação de contas aos alunos e familiares. Nesse sentido é importante aproximar  os alunos de ferramentas e conceitos que ajudem a conquistar autonomia e qualidade de vida tanto hoje quanto no futuro.

O processo de  comercialização é organizado e realizado pelos alunos sob orientação da professora onde o grupo se dispõe ao trabalho coletivo no atendimento ao público para alcançar um objetivo comum. Destacamos como resultado positivo do projeto a participação dos alunos, colaboração, respeito e a reflexão sobre o tema abordado e também as conseqüências da boa administração do dinheiro aliados aos conteúdos e conceitos matemáticos.

 

LEIA O TEXTO NA ÍNTEGRA

 

CONCLUSÕES:

 

O projeto “Alimentando a Educação Financeira” está em desenvolvimento, porém é necessário mencionar que cada vez mais cedo os alunos assumem hábitos consumistas. Por isso a necessidade de desenvolver este trabalho para estimular a aprendizagem, através das vivências oportunizadas, a prática do diálogo compartilhado e permanente, o debate de diferentes pontos de vista, a argumentação, o aprender a ouvir, o planejamento, a negociação na tomada de decisões, a construção coletiva do conhecimento, o desenvolvimento de novas habilidades e aperfeiçoamento daquelas já construídas.

A partir do pressuposto que a educação é um processo pelo qual  o aluno constrói o conhecimento através da mediação do professor, propomos a Educação financeira como forma de estimular os alunos a administrar desde cedo pequenos valores, para que no futuro estejam preparados para enfrentar problemas e situações relacionadas às finanças, tendo em vista  uma melhor qualidade de vida com consumo consciente.

O projeto desenvolvido atinge os objetivos propostos na medida em que verificamos que esta prática propicia a criação de uma história de vida coletiva, na qual o aluno está inserido como um sujeito que faz descobertas e constrói conhecimentos significativos, especificamente acerca da Educação Financeira e Empreendedora.  Estes aspectos influenciarão diretamente ao administrar a vida pessoal e profissional. Assim, a possibilidade de reflexão e análise dos dados obtidos pela pesquisa torna-se um momento importante na medida que possibilita a contextualização da matemática, relacionando-a com o cotidiano dos alunos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

D’AQUINO, Cassia de. Educação financeira: Como educar seus filhos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

 

MUNICÍPIO DE IJUÍ, Secretaria Municipal de Educação de Ijuí. Proposta curricular da rede municipal de ensino: um processo coletivo em permanente (re) construção. Ijuí: GD, 2004.

 

SEBRAE, Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas. Jovens empreendedores: Primeiros Passos. 5º Ano: Livro do Aluno. Brasília, 2012.

 

SOISTAK, Maria Marilei. Ensino-aprendizagem por meio de projetos desenvolvidos por equipes de reponsabilidades em sala de aula: o enfoque no ensino de matemática nas séries iniciais. 2010.97. Dissertação (mestrado em Ensino de Ciência e Tecnologia) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Ponta Grossa. Curso de Pós-Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia. Ponta Grossa, 2010.

 

 

 

 

 

[1] Categoria: Ensino Fundamental; Modalidade: Matemática aplicada e /ou inter-relação com outras disciplinas.

[2] Aluno do ensino fundamental anos iniciais.

[3] Aluna do ensino fundamental anos iniciais.

[4] Professor Orientador: Márcia Jaeger, Escola Municipal Fundamental Dona Leopoldina, Ijuí RS, donaleopoldina@ijui.rs.gov.br.

 

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CONTRIBUIÇÕES DA AVALIAÇÃO NO CONTEXTO EDUCACIONAL

 

JAEGER, Márcia Andréia Radüns. Contribuições da avaliação no contexto educacional. 2016. 22p. Trabalho de Conclusão de Curso (Pós-Graduação em Especialização em Gestão e Organização Escolar), Centro de Ciências Empresariais e Sociais Aplicadas, Universidade Norte do Paraná, Ijuí, 2016.

 

 

RESUMO

 

 

O presente artigo buscou realizar uma descrição reflexiva na busca de resultados que provoquem transformações com aprendizagens significativas, criando-se assim possibilidades para fortalecer o processo de avaliação. Neste desafio algumas ações foram desenvolvidas e socializadas entre os educadores, partindo de hipóteses para a elaboração e, posteriormente o desenvolvimento e a prática do Conselho de Classe na Educação Infantil e nos Anos Iniciais de uma escola da rede pública municipal. Este colegiado tem o objetivo de abordar, durante sua execução a intervenção e a reflexão para realizar uma avaliação acentuada das ações educacionais do educando bem como da prática pedagógica docente, na condição de mudanças ao processo de ensino e aprendizagem. Desta maneira é possível criar formas e modos de efetivarem-se os princípios da Gestão Democrática como práxis criadora no qual pesquisadores e demais participantes estão envolvidos de modo cooperativo. Neste estudo buscaram-se como fundamentação as reflexões o apoio de autores estudados durante o curso em andamento e demais que tratam sobre o assunto. A descrição deste artigo apresenta-se com uma abordagem qualitativa, no qual dados foram colhidos, descritos e analisados.

 

Palavras-chave: Avaliação. Processo. Conselho de Classe.

 

 

 

JAEGER, Márcia Andréia Radüns. Contributions of evaluation in the educational context. 2016. 22p. Course Completion Work (Graduate in Specialization in Management and School Organization), Center for Business and Applied Social Sciences, Northern University of Paraná, Ijuí, 2016.

 

 

ABSTRACT

 

The present article sought to make a reflective description in the search for results that provoke transformations with meaningful learning, thus creating possibilities to strengthen the evaluation process. In this challenge, some actions were developed and socialized among educators, starting from hypotheses for the elaboration and later the development and practice of the Class Council in Early Childhood Education and in the Early Years of a school in the municipal public network. This collegiate has the objective of approaching during its execution the intervention and the reflection to carry out a marked evaluation of the educational actions of the student as well as of the teaching pedagogical practice, in the condition of changes to the process of teaching and learning. In this way it is possible to create ways and means to implement the principles of Democratic Management as a creative praxis in which researchers and other participants are involved in a cooperative way. In this study we sought as a basis the reflections the support of authors studied during the course in progress and others that deal with the subject. The description of this article presents a qualitative approach, in which data were collected, described and analyzed.

 

Keywords: Evaluation. Process. Class council

 

 

 

 1 INTRODUÇÃO

 

 

Este artigo tem o propósito de realizar uma reflexão durante a elaboração do Projeto Político Pedagógico, referente ao processo de avaliação de uma escola da rede pública municipal, que atende crianças na faixa etária de quatro meses até onze anos de idade. Este documento orienta a ação educativa da instituição, através de estratégias que buscam garantir o sucesso dos objetivos educacionais.

Analisando a escola como um órgão de gestão que atua com o trabalho voltado ao coletivo, e desta forma considerando que o ensino e a aprendizagem de qualidade são consequências da sua avaliação, acredita-se que a mesma depende de ações conjuntas para a qualificação do desempenho educacional, com ênfase no planejamento articulado em direção à melhoria dos resultados.

A formação de profissionais competentes pode advir da avaliação diária do trabalho pedagógico prestado na escola, o qual provoca o debate, faz-se análises, criam-se convicções e consequentemente geram críticas e incertezas. No entanto estes fatores colaboram no sentido de fortalecer ações que consolidem na melhoria da educação, garantindo direitos à aprendizagem nos princípios da educação inclusiva e na perspectiva de uma gestão democrática.

Desta maneira a metodologia do trabalho a ser desenvolvido, apresenta como objetivos observar as potencialidades, possibilidades e distorções ao analisar, avaliar e verificar implicações em relação ao procedimento avaliativo. A partir de análises em embasamentos teóricos pertinentes ao assunto, busca-se através da reflexão, maneiras de fundamentar a ação educativa da escola no processo de avaliação.

Deste modo a avaliação passa a ser compreendida como um conjunto de ações que apresenta a função de orientar a atuação pedagógica, tornando-se uma aliada no processo da aprendizagem, na perspectiva de qualificar o desempenho dos sujeitos envolvidos e assim ocultar o olhar daquela avaliação que surge apenas para julgar o fracasso ou sucesso do ser humano. É criar possibilidades ao docente de avaliar por meio da intervenção pedagógica, o nível em que o educando se encontra com relação à expectativa de aprendizagem. Deste modo a avaliação ocorre constantemente, de forma sistemática, através da análise qualitativa observada durante a construção do conhecimento.

É importante mencionar que uma das metas é articular na instituição de ensino a efetivação do conselho de classe através da gestão participativa, na busca da adequação às exigências da sociedade, tendo em vista esta como uma valorosa ferramenta na qualificação do conhecimento.

Portanto, com base na Proposta Político Pedagógica, o objetivo deste trabalho é refletir sobre a importância e a necessidade da prática avaliativa e através desta implementar o conselho de classe na referida rede de ensino. Assim, viabilizar na escola processos educativos flexíveis, significativos e inclusivos no seu contexto amplo e articulado, possibilitando a qualidade no desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem no espaço educativo.

 

 

2 CONTRIBUIÇÕES DA AVALIAÇÃO NO CONTEXTO EDUCACIONAL

 

 

 

2.1 ESTRUTURA E GESTÃO DA ESCOLA

 

 

Com base nas leituras sugeridas durante as web aulas, especialmente nas disciplinas de Avaliação Institucional e Avaliação da Aprendizagem, assim como da Gestão nos Espaços Educativos do curso de Especialização em Gestão e Organização da Escola, o presente artigo trás a perspectiva da gestão democrática e da efetivação do direito à educação escolar com qualidade social. Como pesquisadora, para dar embasamento ao trabalho é necessário o auxílio de teóricos para abranger a abordagem deste assunto com o objetivo de fundamentar as ideias e concepções na busca do conhecimento.

A instituição escolar é o local privilegiado de trabalho com o conhecimento e tem responsabilidade na formação do cidadão ao possibilitar a construção de saberes indispensáveis para inserção social. Essa representação da escola na comunidade é fundamental para realizar uma prática pedagógica comprometida, através de um processo de gestão democrática.

A gestão é a maneira de organizar o funcionamento da escola como instituição pública nos seus amplos aspectos em relação à administração, finanças, tecnologias, cultura e pedagogia, com a finalidade de dar transparência às suas ações. Oportuniza a comunidade escolar e local a aquisição de conhecimentos, saberes e ideias, num processo de interação e permanente aprendizagem. Neste sentido, organizar a gestão escolar requer um olhar constante, pois o processo de gestão é considerado como mediação das diferentes realidades incluídas no contexto escolar, no sentido de pensar em estratégias que articulem a comunidade num envolvimento efetivo no compromisso com a educação.

Segundo Brasil (2013, p. 56) “a gestão democrática é entendida como princípio que orienta processos e procedimentos administrativos e pedagógicos, no âmbito da escola e nas suas relações com os demais órgãos do sistema educativo de que faz parte”. A referida instituição pauta sua gestão a partir da concepção democrático-participativa ao desenvolver o trabalho entre a direção e a comunidade escolar, com ênfase nas tarefas educacionais e relações humanas, de acordo com:

 

Define-se, pois, a gestão democrática como processo em que se criam condições para que os membros de uma coletividade, não apenas tomem parte de forma regular e contínua, de suas decisões mais importantes, mas assumam responsabilidade por sua implementação (LÜCK, 2009, p. 57).

 

As reflexões no coletivo e a participação na deliberação, coordenação e avaliações sistemáticas do trabalho na escola também fundamentam a gestão, que compartilha com os envolvidos no contexto escolar os objetivos sócio-políticos, administrativos, pedagógicos e financeiros. Exerce assim a aplicação destes com transparência na prestação de contas das despesas executadas às unidades responsáveis, sempre que necessário.

Gerir a escola democraticamente pressupõe desenvolver ações na área administrativa e pedagógica, na busca pela qualidade da educação implementada no Sistema Municipal de Ensino. Nesse contexto são realizadas intervenções, projetos contextualizados, a partir da concepção que estabelece a prática da ação reflexiva. Busca o diálogo permanente com a comunidade escolar e o comprometimento com as diretrizes estabelecidas no Plano de Ações Articuladas e no Plano de Desenvolvimento da Escola – PDDE Interativo.

A gestão democrática é composta por colegiados como o Conselho Escolar e o Círculo de Pais e Mestres – CPM, cujas ações são planejadas através do estatuto próprio e de acordo com a demanda da escola. O Conselho de Classe, outro órgão do colegiado, tem como objetivo analisar o processo de ensino no trabalho pedagógico da instituição, na perspectiva da qualidade e da inclusão.

O artigo 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação destaca que “Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades […]”. Ainda nesta perspectiva afirma-se que:

 

Um órgão colegiado escolar constitui-se em um mecanismo de gestão da escola que tem por objetivo auxiliar na tomada de decisão em todas as suas áreas de atuação, procurando diferentes meios para alcançar o objetivo de ajudar o estabelecimento de ensino em todos os seus aspectos, pela participação de modo interativo (…) (LÜCK, 2009, p. 67).

Acredito que um dos princípios que norteia o ensino é o fazer coletivo, por isso, trabalha-se para que cada profissional desempenhe de maneira consciente o seu papel, ao oportunizar a participação dos educadores nas formações continuadas para que possam se qualificar, tanto em relação à sua função, como no gerenciamento das relações na escola. Quanto às famílias a escola propicia diferentes momentos de reflexão e interação com professores e outros profissionais para garantir o sucesso e a permanência da criança no processo educacional.

Diante disso é fundamental reforçar que a participação democrática de todos os integrantes da escola, já foi garantida pela LDB9394/96 (BRASIL, 1996) ao reconhecer a necessidade da participação da equipe escolar na construção do Projeto Político Pedagógico. Assim, a Gestão Escolar passa a ter como objetivo, promover a transformação social por meio da democratização do ensino, através da garantia de acesso e permanência com sucesso do aluno na escola.

 

2.2 AVALIAÇÃO, UMA FERRAMENTA PARA UM ENSINO DE QUALIDADE

 

 

Dessa forma, a metodologia do presente trabalho que inicia sua caminhada dentro da instituição de ensino, propõem como objetivo, analisar, avaliar, observar potencialidades, possibilidades ou distorções e verificar implicações em relação ao processo de avaliação. É uma explicação da ação desenvolvida no método do trabalho da pesquisa que busca fundamentar a relação do embasamento teórico com a prática educativa da escola.

A abrangência deste estudo trata de uma pesquisa-ação num projeto que ocorre com o coletivo da instituição, tendo como tema a efetivação e implementação do Conselho de Classe nas etapas de Educação Básica (Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental) que são atendidas na respectiva unidade escolar e assim tornar-se parte integrante do item avaliação na Proposta Política Pedagógica da referida.

Em nosso dia a dia, estamos, de maneira permanente, avaliando e sendo avaliados, e também onde estabelecemos processos de interação durante a constante troca de experiências. Na instituição escolar, a prática pedagógica apresenta concepções, representações de sentidos e ações que fazem parte de nossa cultura, expressando a maneira de como cada sujeito vê o mundo.

A avaliação é compreendida como um conjunto de ações, onde através dela que o professor, a escola e os pais, verificarão se os objetivos do processo ensino e aprendizagem foram alcançados, e a partir dessa observação ela passa a ter a função de sustentar e orientar a intervenção pedagógica. Acontece contínua e sistematicamente, por meio da interpretação qualitativa do conhecimento construído pela criança e respeita seu tempo de aprendizagem. Propicia ao educador a possibilidade de saber o quanto a criança se aproxima ou não da expectativa de aprendizagem em função da intervenção pedagógica realizada. De acordo com Brasil (2016, p. 343) “o foco da avaliação (…) se centra na criança integral, nela como um todo, na sua complexidade e particularidade e na diversidade das crianças entre elas”.

Por ser um processo diagnóstico-construtivo, a avaliação leva em conta três aspectos relevantes. O primeiro refere-se ao fato de que, como processo, é dinâmica e evolutiva e constitui-se em um elemento que sofre transformação.

Segundo, a questão diagnóstica encontra-se presente nesta fase inicial do processo de avaliação e acompanha criança e educador ao longo do processo de aprendizagem. De acordo com a Proposta Curricular Tempo e Espaço de Ser Criança:

 

O processo de avaliação tem como função acompanhar, orientar e redirecionar a prática educativa. O professor, então, não apenas avalia a criança e seu desenvolvimento, mas também a sua prática pedagógico e o próprio projeto educativo da escola, constituindo-se assim o caráter global e formativo da avaliação (SMEd, 2014, p. 73).

 

O terceiro, o processo construtivo, diz respeito à utilização dos dados mais significativos que somam para o desenvolvimento da criança por meio da aprendizagem.

Ao avaliar o aluno, o professor deve sempre buscar o seu desenvolvimento integral, comparando os resultados já obtidos no seu processo de aprendizagem, reconhecendo o seu empenho de acordo com suas condições permanentes e temporárias, e constatar o que ele alcançou e quais as suas possibilidades de aprendizagens para um trabalho futuro.

Neste processo entre o presente e o futuro, quando o professor busca levantar o que o aluno possui de conhecimentos prévios e o que se espera que ele aprenda, Hoffmann (1996, p. 61) afirma que “avaliação é ‘movimento’, é ação e reflexão”.

A avaliação da criança acontece em todos os momentos. Por ter entre as finalidades o desenvolvimento individual e coletivo não pode ser vista como uma forma de ameaça, controle ou classificação. Os educadores realizam o acompanhamento da mesma de forma contínua, diagnóstica e participativa, consideram o todo e respeitam as diferenças e os saberes.

Para Fernandes (2001, p. 67) é necessário compreendermos que:

 

[…] a avaliação, não se destina a julgar de forma mesquinha ou punir com castigos e privações, nem deve ser pretexto para prêmios e recompensas. Ela é, ao contrário, um processo de redirecionamento e, portanto, de crescimento. Não se trata apenas de avaliar por avaliar, porque está na moda ou porque foi imposto pela Secretaria de Educação. É avaliar para refletir, para discutir, para acompanhar, para buscar melhorar. Avaliar como processo de maturação institucional para a transformação da escola em função da conquista da autonomia.

 

A avaliação não deve ser realizada apenas em momentos isolados do trabalho pedagógico, mas deve sim, fazer parte processo educativo como um todo. A partir do instante em que a avaliação deixa de ser um juízo de quantidade de conteúdo memorizado e passa a ser analisada como um juízo de qualidade das novas aprendizagens, ela passa a ser vista como um instrumento nas mãos do professor que o auxilia a refletir de que modo está construindo sua prática docente, sobre possíveis inadequações metodológicas, a fim de levar o aluno a aprender cada vez mais. Assim, a avaliação deve ser ao mesmo tempo, ponto de chegada e ponto de partida para novas intervenções pedagógicas.

Para tanto, a avaliação deve ser uma ferramenta, com o objetivo de promover o desenvolvimento do aluno, através de conhecimentos ainda não adquiridos durante seu processo de aprendizagem, ajudar a promover na instituição um ensino de qualidade, pois, os resultados da avaliação proporcionam uma base sólida para que os problemas da escola sejam solucionados, independentes de serem problemas referentes à sala de aula ou a escola sem perder o principia da autonomia escolar. Assim, observo a avaliação como uma ação formativa, um movimento com vida, que possibilita formar cidadãos.

Neste momento, reflito sobre as palavras de Hadji (2001) referente à avaliação, a qual cumpre com um único papel, a de ferramenta para a aprendizagem discente, podendo-se dizer que a avaliação formativa informa os dois personagens do processo educativo, o professor e o aluno.

No entanto, conforme a Proposta Político pedagógica de 2014 da instituição, três grandes funções são desempenhadas pela avaliação no sistema de ensino:

 

  1. a) Função Diagnóstica: tem por finalidade realizar uma sondagem de conhecimentos e experiências já disponíveis no aluno, bem como detectar a existência de pré-requisitos necessários à aquisição de um novo saber. Permite, ainda, identificar progressos e dificuldades de alunos e professores diante do objetivo proposto.
  2. b) Função Formativa: tem por finalidade proporcionar o feedback para o professor e para o aluno, durante o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Propicia aos envolvidos (professor/aluno) no processo a correção de falhas, esclarecimento de dúvidas e estímulo à continuação do trabalho para o alcance do objetivo. Proporciona também, ao docente informações sobre o desenvolvimento do trabalho, adequação de métodos e materiais, comunicação com o aluno e adequabilidade da linguagem.
  3. c) Função Somativa: tem o propósito de oferecer subsídios para o registro das informações relativas ao desempenho do aluno. Esta função visa proporcionar uma medida que poderá ser expressa em uma nota, conceito ou relatório sobre o desempenho do aluno, entende-se que a mesma acontecerá ao final de cada unidade de ensino, ou ao final de cada trimestre, ou ainda no final do ano letivo, por ocasião do Conselho de Classe, visto que esta avaliação é que proporcionará um diálogo mais objetivo entre os professores (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2014, p. 48).

 

Assim, na referida escola o registro da avaliação é expresso através de Relatórios de Aprendizagem e acontece ao final de cada semestre para a Educação Infantil e trimestralmente para o Ensino Fundamental.

No Relatório de Aprendizagem da Educação Infantil constam a adaptação, o convívio sócio-cultural, construção de saberes, vivências diárias, interação, descobertas e pesquisa, bem como a proposta de trabalho do grupo de educadores, que se baseiam na Proposta Curricular Tempo e Espaço de Ser Criança da Rede Municipal e na Proposta Político-Pedagógica da escola. O Relatório de Aprendizagem é o documento utilizado para informar aos responsáveis o que é desenvolvido na escola e permite às famílias conhecerem o trabalho da instituição, sendo um direito dos pais/responsáveis acompanhar e compreender as práticas pedagógicas desenvolvidas.

Para amparar o educador nesta avaliação e para documentar sobre o desenvolvimento das crianças e sobre a prática educativa, diferentes instrumentos de registro são utilizados: portfólio (registro das observações do educador e registros da criança), fotografias, filmagens e trabalho em grupo. Desta forma na Educação Infantil como nos Anos Iniciais, surgiu a necessidade da implantação do Conselho de Classe como uma ferramenta de apoio ao processo avaliativo, pois além da observação, é necessário um olhar e escuta atentos, voltados para análise, registros e intervenções. Por isso a importância de analisar de maneira crítica o quê, como, com quem, porque fazem ou deixam de fazer, de forma a captar detalhes que levem ao registro do observado. O acompanhamento também significa problematizar e questionar para proporcionar à criança uma interferência válida para que avance no seu processo de desenvolvimento. Este processo é construído gradativamente, na medida em que há interação com o grupo no ambiente escolar.

Por isso, a avaliação deve ser entendida como o acompanhamento do desenvolvimento da criança. Possui um caráter qualitativo desvinculado de qualquer atribuição no que diz respeito à nota ou conceito, sem objetivo de seleção, promoção ou classificação. Salienta-se que na Educação Infantil o ato de avaliar visa analisar o sujeito, já que possuem interesses e curiosidades relativos à sua faixa etária. Significa que existe avaliação e esta ocorre diariamente, com valorização da criatividade, do lúdico, da experiência e das diferentes manifestações humanas que fazem parte do cotidiano infantil.

No Ensino Fundamental os resultados da avaliação estão relacionados aos objetivos, conceitos e conteúdos de cada área do conhecimento. Os Relatórios de Aprendizagem deste nível de ensino contemplam a evolução da criança no período. Para amparar o educador nesta avaliação, diferentes instrumentos de registro são utilizados: portfólio (registro das observações do educador e registros da criança), fotografias, filmagens, caderno da criança, trabalho em grupo, autoavaliação e a efetivação do Conselho de Classe. Os instrumentos utilizados nos processos de avaliação referem-se ao planejamento de atividades com o propósito de subsidiar, com dados, a análise do educador acerca do momento de aprendizagem das crianças. Através destes instrumentos o professor acompanha o processo de ensino-aprendizagem e se necessário redimensiona a sua prática em sala, a fim de melhorar e garantir a qualidade de ensino. Conforme o Parecer CMEI:

 

Para que a criança possa acompanhar suas conquistas, suas dificuldades e suas possibilidades ao longo do processo de aprendizagem, apontadas pelo processo avaliativo, o professor deve compartilhar com elas e seus pais as observações registradas. Nessas situações, o retorno para as crianças deve acontecer de forma contextualizada, o que fortalece a função formativa que deve ser atribuída à avaliação (nº 02/2008 – Item 5.11).

 

Na busca por sujeitos autônomos e críticos, a escola propõe-se a implementar a auto avaliação da aprendizagem, realizada pela criança a partir da análise oral ou escrita de seu próprio processo e a auto avaliação do ensino, realizada pelo educador a partir da reflexão de sua prática, como forma de ocorrer uma transformação quanto aos conceitos e às concepções interpretados pela classe docente no que se refere à ação avaliativa.

Neste sentido, o Conselho de Classe é outro instrumento que pode contribuir para a identificação e a melhoria do desempenho da criança. Favorece a integração entre educadores e crianças, a análise do currículo e a eficácia dos métodos de ensino utilizados, ao mesmo tempo em que facilita a compreensão dos fatos com a exposição de diversos pontos de vista.

 

2.3 IMPLANTAÇÃO DO CONSELHO DE CLASSE

 

 

Nessa etapa do trabalho chegamos à implementação e efetivação do Conselho de Classe. Seu papel precisa estar presente na estrutura organizacional da escola, enquanto instância colegiada. Se caracteriza como espaço de avaliação coletiva do trabalho escolar e como instrumento de democratização das relações escolares. Acredita-se que o mesmo contribui para a democratização das relações presentes na comunidade escolar.

Conforme descrito anteriormente o objetivo é refletir e implementar o Conselho de Classe, viabilizando uma escola que promova processos educativos inclusivos, flexíveis e significativos num contexto amplo e articulado, como mecanismo de participação na Gestão e no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido na instituição. Para tanto o papel do Gestor é fundamental para desempenhar esse trabalho de maneira que atenda as demandas sociais, articule a Escola para promover um ensino de qualidade sistematizando propostas alinhadas a concepções contemporâneas que desenvolvam integralmente cada indivíduo. Nesse desafio é necessário gerar um processo de mudança nas organizações escolares que buscam se adequar aos novos padrões da sociedade atual, por meio da inovação e da prática da Gestão Participativa. Conforme Dalben (2004):

 

O conselho de classe é um órgão colegiado que pode propiciar o debate permanente e a geração de ideias numa produção social. A dimensão dos espaços coletivos é essencial para o estabelecimento de uma relação social transformadora, e torna-se fundamental o resgate das instâncias colegiadas na escola.

 

No primeiro momento a proposta de trabalho teve como foco a Proposta Político Pedagógica, no qual todos os segmentos da comunidade escolar estão envolvidos e são desafiados a refletir sobre objetivos, metas, ações, propostas na instituição. No segundo momento, em conversas com o grupo de profissionais da Escola ficou evidente o desejo de implementar e efetivar o Conselho de Classe que existe apenas teoricamente no Regimento Escolar, a fim de qualificar o processo de avaliação:

 

Art. 61. O Conselho de Classe está previsto em calendário escolar e abrange os profissionais da Educação Infantil e Ensino Fundamental da Escola. O período de realização do Conselho de Classe é anterior à entrega dos Relatórios de Aprendizagem da Educação Infantil e Ensino Fundamental (REGIMENTO ESCOLAR, 2012, p. 21).

 

O Conselho de Classe é um espaço que contribui para a identificação e a melhoria do desempenho do educando, com a finalidade de registrar, diagnosticar e levantar soluções individuais de melhoria na aprendizagem, favorecendo assim a integração entre educadores, coordenação pedagógica e equipe diretiva, a análise do currículo e da eficácia dos métodos de ensino utilizados, ao mesmo tempo em que facilita a compreensão dos fatos com a exposição de diversos pontos de vista, possibilita orientações mais homogêneas e a autoanálise do docente.

O Conselho de Classe é um dos mecanismos que permite a Gestão Democrática na instituição de ensino. É um momento de discussão coletiva onde é apontado o aproveitamento do aluno, suas dificuldades, desempenho dos profissionais da educação e seus métodos de ensino, compartilhando informações na busca de melhorias do processo ensino-aprendizagem, acreditando nisso como pesquisadora propus efetivar a implementação da prática do Conselho de Classe na instituição.

No processo de gestão democrática, o Conselho de Classe constitui-se numa das instâncias de vital importância, pois é mais um dos mecanismos de participação da comunidade na gestão e no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido na unidade escolar. Guarda em si a possibilidade de articular os diversos segmentos da escola e tem por objeto de estudo o processo de ensino, que é o eixo central em torno do qual se desenvolve o processo de trabalho escolar.

A partir de então, iniciou-se a realização dos Conselhos de Classe na Educação Infantil e nos Anos iniciais, conforme descrição anterior, no qual participaram todos os educadores envolvidos. Nesta reunião avaliativa, os envolvidos no processo ensino-aprendizagem discutem acerca da aprendizagem dos alunos, o desempenho dos docentes, os resultados das estratégias de ensino empregadas, a adequação da organização curricular e outros aspectos referentes a esse processo. Assim sendo, o conselho de classe deve ser um instrumento de fundamental importância para o acompanhamento do processo ensino aprendizagem, sobre isso temos a seguinte referência:

 

É a atividade que reúne um grupo de professores da mesma série, visando em conjunto chegar a um conhecimento mais sistemático da turma, bem como acompanhar e avaliar cada aluno individualmente, através de reuniões periódicas (SANT’ANNA, 1995, p. 88).

 

O conselho de Classe é mais do que uma reunião pedagógica, é parte integrante do processo de avaliação desenvolvido pela escola. É o momento privilegiado para redefinir práticas pedagógicas com o objetivo de superar a fragmentação do trabalho escolar e oportunizar formas diferenciadas de ensino que realmente garantam a todos os alunos a aprendizagem.

Considerando as práticas sociais e as relações humanas no contexto educacional, fundamentadas pelos princípios da administração compartilhada que gera participação, busca de autonomia e humanização nas relações é pertinente à efetivação do Conselho de Classe. Assim a Gestão Democrática da educação que é tratada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional como um dos princípios que devem reger o ensino, traz contribuições na forma de administrar a educação, constituindo-se num fazer coletivo permanentemente em processo de mudança baseada nos paradigmas de qualidade que definem a finalidade da escola. Desta forma a Gestão Democrática implica em novos processos de organização em uma dinâmica que favoreça processos coletivos e participativos que, neste caso tem como objetivo analisar o processo de ensino no trabalho escolar tendo como meta o fortalecimento de ações que consolidem a qualidade da educação.

Estudos referente ao Projeto Político Pedagógico, possibilitam a algumas considerações:

 

[…] o Conselho de Classe é outro instrumento que pode contribuir para a identificação e a melhoria do desempenho do educando, favorecendo a integração entre educadores e educandos, a análise do currículo e da eficácia dos métodos de ensino utilizados, ao mesmo tempo em que facilita a compreensão dos fatos com a exposição de diversos pontos de vista, possibilita orientações mais homogêneas e a autoanálise do docente (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2014, p. 50).

 

A função do Conselho é tornar dinâmico o processo de ensino aprendizagem, deve conduzir a analise e reflexões na prática pedagógica, tendodestaque nos processos avaliativos adequados a reorganização do conhecimento. É um dos mais importantes espaços de discussão pedagógica, pois dinamiza o coletivo escolar pela via da gestão no processo de ensino. Ainda para a autora Sant’anna é abordado o Conselho de Classe como um procedimento referente ao processo escolar, e deve em particular observar aspectos do currículo, como a mesma cita:

 

Para que haja sentido o Conselho de Classe deve: Não rotular o aluno […]; Fazer observações concretas […], Debater o aproveitamento de cada aluno […], Estabelecer o tipo de assistência especial para o aluno que não apresentou rendimento favorável. […], Orientar o aluno de como e para que estudar, Orientar o aluno para auto avaliar-se (SANT’ANNA, 2005, p. 89).

 

A efetivação da nova proposta de avaliação, constitui em promover maior participação e aproximação entre os membros da escola e assim obter maiores subsídios para oportunizar o desenvolvimento integral das crianças, através da ampliação de seus conhecimentos. Nesse sentido, avaliar não é apenas medir, comparar ou julgar. Para se alcançar e aperfeiçoar uma educação com índices satisfatórios, que venha valorizar o professor, estimular o desenvolvimento do seu trabalho e promover a escola para todos, sendo o maior objetivo: a aprendizagem.

 

… a gestão democrática como o processo em que se criam condições para que os membros de uma coletividade não apenas tomem parte, de forma regular e contínua, de suas decisões mais importantes, mas assumam responsabilidade por sua implementação (LÜCK, 2009, p. 57).

 

Dessa maneira, a forma de gerenciar as escolas da rede pública, de acordo com objetivos da Gestão Compartilhada é efetivar a execução de políticas públicas assegurando qualidade, equidade e responsabilidade social na instituição escolar envolvendo a comunidade que está inserida na respectiva unidade de ensino. Pensar, portanto na educação atual torna-se um grande desafio no sentido da ampliação e da qualificação deste processo onde a docência é compreendida como articulação e onde o objetivo da avaliação é enriquecer e valorizar as relações de aprendizagem.

 

 

3 CONCLUSÃO

 

 

Considerando a ação de avaliar como processo que se faz necessário no acompanhamento permanente do desenvolvimento do educando, é pertinente momentos na escola para refletir sobre a prática pedagógica da instituição, para ações que fortaleçam a educação e que proporcione conhecimentos e valores de formação cidadã em relações democráticas e participativas, como forma de almejar um novo horizonte para o ensino e a aprendizagem, pois “se não houver a aprendizagem esperada, estamos diante de uma certeza: o ensino não cumpriu sua finalidade – a de fazer aprender” (Both, 2011 apud Saraiva, 2008, p.27).

Assim, discutir o papel da avaliação no trabalho pedagógico escolar é fundamental para entendermos a necessidade de se consolidar uma escola democrática, principalmente quando esta escola está preocupada em garantir ao seu aluno, a sua permanência com sucesso, na medida em que busca construir uma educação de qualidade e excelência, pois o ato de avaliar visa observar e promover o sujeito, acontecendo no decorrer de todo o processo de ensino aprendizagem.

Desta forma a nova Proposta Pedagógica da instituição passa a conter um olhar ampliado sobre o processo avaliativo, para tanto, é preciso que ela seja concebida no processo de ensino e aprendizagem de forma contínua, onde um grande trabalho se desenvolve na organização proposta. Assim, acredito que este instrumento trás muitas contribuições no processo educacional e no fortalecimento da melhoria na qualidade da educação.

A ampliação do processo avaliativo com a implementação e efetivação do Conselho de Classe neste semestre/trimestre, surge como possibilidade do educador rever sua prática e assim contribuir para melhorar e redirecionar o trabalho pedagógico e principalmente o progresso do educando. Neste sentido percebe-se um clima de transição, uma gestão democrática que dá voz e vez para os membros de sua equipe escolar. Observa-se o comprometimento do grupo de educadores com sua prática educativa na busca de melhores resultados. De tal modo a avaliação passa a ter um caráter de mediação na ação reflexão ação dos envolvidos no processo educacional, ou seja, ela passa a ser mediadora na construção do conhecimento.

Enfim, é preciso alcançar progressos, é preciso mudança na postura educacional, mudança esta que venha ampliar o aspecto pedagógico referente à avaliação. Se a escola é considerada um espaço privilegiado para a formação de cidadãos, a avaliação não pode fragmentar o processo. Deve favorecer, ser vista e praticada como um benefício para o processo ensino aprendizagem, ou seja, a favor da aprendizagem.

 

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4.           REFERÊNCIAS

 

 

BOTH, I. J. Avaliação: “voz da consciência” da aprendizagem. Curitiba: Ibpex, 2011. (Série Avaliação Educacional).

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes curriculares nacionais da educação básica. Brasília: MEC/SEB/DICEI, 2013.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes curriculares nacionais da educação básica. Brasília: MEC/SEB/DICEI, 2016.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Pedagogias das infâncias, crianças e docências na educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 2016.

DALBEN, Â. I. L. F. Conselho de classe e avaliação: perspectivas na gestão pedagógica da escola.Campinas, SP: Papirus, 2004.

 

GODOI, E. G. Avaliação na educação infantil: um encontro com a realidade. Porto Alegre: Mediação, 2010.

FERNANDES, M. E. A. Avaliação institucional da escola: base teórica e construção de projeto. Edições Demócrito Rocha: Fortaleza, 2001, p. 39-61

HADJI, C.A avaliação desmistificada. Porto Alegre: Artmed, 2001.

http://www.pedagogia.com.br/artigos/funcoes_avaliacao/index.php?pagina=0.

LÜCK, E. Concepções e processos democráticos de gestão educacional. Rio de Janeiro: Vozes, 2009.

MUNICÍPIO DE IJUÍ. Conselho Municipal de Educação. Escola Municipal Fundamental Dona Leopoldina. REGIMENTO ESCOLAR (2012-2016).

 

MUNICÍPIO DE IJUÍ. Secretaria Municipal de Educação de Ijuí. Conselho Municipal de Educação de Ijuí. Parecer nº 02/2008. Institui as Diretrizes Curriculares da Educação Infantil para o Sistema Municipal de Ensino. Ijuí, 2008.

 

MUNICÍPIO DE IJUÍ. Secretaria Municipal de Educação de Ijuí. Educação infantil: tempo e espaço de ser criança. Ijuí, 2014.

MUNICÍPIO DE IJUÍ. Secretaria Municipal de Educação de Ijuí. Proposta político pedagógica da Escola Municipal Fundamental Dona Leopoldina. Ijuí, 2014-2015.

SANT’ANNA, I. M. Por que avaliar? Como avaliar?:critérios e instrumentos. Rio de Janeiro: Vozes, 1995.

UNOPAR – UNIVERSIDADE NORTE DO PARANÁ. Considerações gerais: normas da ABNT. 3. ed. atual. Paraná, 2012.

 

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Gestão escolar: reflexões sobre o conselho de classe

1 INTRODUÇÃO

Autora : Vera Lúcia Martins Gramville

e-mail: veramgranville@gmail.com

Orientadora: Maria de Fátima Oliveira.

Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão Escolar, do Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica, apresentado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Programa de Pós Graduação em Educação, como requisito para a obtenção do título de Especialista em Gestão Escolar.

 

RESUMO[1]

 

 

O presente Trabalho de Conclusão de Curso se refere às ações programadas ou mesmo posteriores à organização do Projeto Intervenção (PI), mas já implementadas na instituição de ensino. Este documento é uma descrição reflexiva de algo que produziu resultados e provocou mudanças e aprendizagens e é também uma forma de avaliação e um indicativo das necessidades da escola. As referidas reflexões têm como embasamento teórico os autores das salas ambiente do curso de especialização em andamento: Vera M. V. Peroni, João F. de Oliveira, Karine N. de Moraes, Luiz F. Dourado, Janialy A., A. Tres… e alguns autores que também contribuíram nas análises que constam neste documento: Both (2011), Bruel (2010), Lück (2009) e Oliveira (2011). As ações do PI foram desenvolvidas como ação conjunta no processo de gestão partilhada entre o diretor e o grupo da escola ao propor, elaborar e desenvolver reflexões pertinentes à avaliação. Assim é possível criar formas e modos de concretizar os princípios da Gestão Democrática como práxis criadora no qual pesquisadores e participantes estão envolvidos de modo coletivo. O alvo de intervenção é a implementação do Conselho de Classe, tendo como objetivo uma avaliação mais completa do educando e do próprio trabalho docente, oportunizando espaço de reflexão sobre ações educacionais e análise da prática pedagógica favorecendo mudanças para estratégias mais adequadas ao processo ensino aprendizagem.

 

Palavras-chave: Avaliação. Gestão Democrática. Conselho de Classe.

 

 

ABSTRACT

 

 

This Course Completion Work refers to the actions programmed or even after the Intervention Project (PI) organization, but already implemented in the educational institution. This document is a reflective description of something that has produced results and brought about changes and learning and is also a form of evaluation and an indication of the needs of the school. These reflections have as theoretical background the authors of the environment rooms of the ongoing specialization course: Vera MV Peroni, and some authors who have also contributed to the analyzes included in this document: Both (2011), Bruel (2010), Lück (2009) and Oliveira (2011). The IP actions were developed as a joint action in the shared management process between the director and the school group in proposing, elaborating and developing reflections pertinent to the evaluation. Thus, it is possible to create ways and means of realizing the principles of Democratic Management as a praxis in which researchers and participants are involved in a collective way. The objective of intervention is the implementation of the Class Council, aiming at a more complete evaluation of the student and the teaching work itself, providing space for reflection on educational actions and analysis of the pedagogical practice favoring changes to strategies more appropriate to the learning teaching process.

 

Keywords: Evaluation. Democratic Management. Class Council.

 

 

[1]GRAMVILLE, Vera Lucia Martins. Gestão escolar: um olhar sobre o conselho de classe. Ijuí. 2013. Trabalho de Conclusão de Curso – Programa de Pós Graduação em Educação. Universidade federal do Rio Grande do Sul. Ijuí/RS, 2013.

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho pretende refletir sobre o Projeto Político Pedagógico no Projeto Intervenção (PI), porque é o documento que norteia em todos os âmbitos a ação educativa da escola, onde é preciso criar estratégias para garantir o alcance dos objetivos educacionais, pois a participação favorece a construção da autonomia. O contexto escolar em que ocorreu a intervenção foi em uma instituição pública de ensino da rede municipal que atende as primeiras etapas da Educação Básica: Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental. O alvo de intervenção foi a implementação do Conselho de Classe na instituição de ensino. Faz-se necessário abordar o ensino e a avaliação como componentes educacionais que conseguem facilitar a aprendizagem quando ensejados em atuação partilhada e articulada.

Considerando que o ensino, a aprendizagem e a avaliação dependem de ações conjuntas para melhoria do desempenho educacional, temos como eixo reflexivo o Conselho de Classe enquanto espaço legitimador de discussão e participação, sendo este um órgão colegiado de gestão que efetiva o trabalho coletivo onde seu resultado será melhor quanto maior for a integração de seus membros.

De acordo com esses aspectos, têm-se como finalidade no Conselho de Classe organizar um espaço de discussão coletiva considerando objetivo geral e objetivos específicos, mencionados posteriormente, para refletir sobre o processo de ensino, contemplando, desta maneira uma avaliação mais completa do educando e do próprio trabalho docente na busca de encontrar estratégias adequadas no processo ensino aprendizagem.

No decorrer do texto serão abordados assuntos relacionados ao Referencial Teórico: reflexões com embasamento em autores que trazem suporte ao assunto pesquisado. Além disso, posteriormente a Metodologia de trabalho discorre sobre a abrangência deste estudo que trata de uma pesquisa-ação, apresentando uma abordagem qualitativa, onde os dados foram coletados, descritos e interpretados. Na sequência há descrição das ações desenvolvidas durante o processo e finalmente, as considerações pertinentes com o objetivo proposto no trabalho favorecendo a elaboração de metas na instituição de ensino.

As referidas reflexões têm como embasamento teórico os autores das salas ambiente do curso em andamento: Vera M. V. Peroni, João F. de Oliveira, Karine N. de Moraes, Luiz F. Dourado, Janialy A., A. Tres… e  alguns autores que também contribuíram nas análises que constam neste documento: Both(2011), Bruel(2010), Lück(2009) e Oliveira(2011).

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Considerando leituras das Salas Ambiente do curso de Especialização em Gestão Escolar, na perspectiva da gestão democrática e da efetivação do direito à educação escolar com qualidade social,busca-se neste momento a fundamentação teórica como base de sustentação da pesquisa apresentada neste trabalho, servindo como ponto de partida para que, como pesquisadora, possa embasar o trabalho a partir da relação de ideias com o tema pesquisado. Os referenciais a seguir apresentados constituem a base legal e teórica para análises posteriormente mencionadas que foram selecionadas a partir de uma concepção de gestão escolar democrática por ser esta a linha orientadora do curso.

A busca pela fundamentação teórica pressupõe suporte para estudos, análises e reflexões sobre o tema em evidência.  Nesse sentido é necessária a utilização de teóricos para fundamentar ideias e concepções na busca do conhecimento, na abrangência da abordagem deste assunto, pois:

A educação pode ser entendida como a apropriação da cultura, historicamente produzida pelo homem, e a escola enquanto locus privilegiado de produção sistematizado do saber. Isso significa que a escola precisa ser organizada no sentido de que suas ações, que devem ser eminentemente educativas, atinjam os objetivos da instituição de formar sujeitos concretos: participativos, críticos e criativos(OLIVEIRA, MORAES e DOURADO.2012, p.2).

No processo de gestão democrática percebe-se a necessidade de repensar a educação escolar no Brasil em relação à sua função e seu significado para a sociedade, atribuindo um novo sentido à escola pública brasileira. Assim, é preciso pensar em maneiras na tentativa de garantir formas mais efetivas de participação pois, os sujeitos, na medida em que se envolvem no processo de gestão, aprendem e ensinam de acordo com suas vivências, viabilizando uma escola que promova processos significativos e flexíveis com vistas à inclusão.Em todo esse processo o Projeto Pedagógico é o ponto inicial para uma gestão escolar efetiva, pois é esse documento que expressa as informações sobre a identidade, as intencionalidades educativas e as estratégias para promover o alcance dos objetivos definidos, pois:

O ato de planejar é inerente à vida das pessoas e, no que concerne a área educacional, uma atividade intrínseca. O planejamento dialógico, consciente e participativo torna-se fundamental para se construir um projeto de educação que vise à formação de sujeitos críticos, criativos, reflexivos e solidários e, mais ainda, para a construção de uma escola democrática. É um instrumento que possibilita a participação ativa de todas as pessoas envolvidas no processo educacional (LIMA, 2007, p.91).

Os termos gestão compartilhada e gestão participativa não se limitam à área educacional, porém fazem parte da luta destes profissionaisna busca de um projeto de educação pública de qualidade social abrangendo características democráticas. O respectivoprincípio de gestão foi aprovado na Constituição Federal no art. 206, no inciso VI: “gestão democrática do ensino público, na forma da lei”( BRASIL. Constituição, 1988.).

 A gestão é uma maneira de organizar o funcionamento da escola como instituição pública nos seus amplos aspectos, em relação à administração, finanças, tecnologias, cultura,pedagogia,com a finalidade de dar transparência às suas ações e atos e oportunizar  à comunidade escolar e local a aquisição de conhecimentos, saberes e ideias, num processo de interação e permanente aprendizagem, dessa maneira:

Essa nova forma de administrar a educação constitui-se num fazer coletivo, permanentemente em processo, processo que é mudança contínua e continuada, mudança que está baseada nos paradigmas emergentes da nova sociedade do conhecimento, os quais, por sua vez, fundamentam a concepção de qualidade na educação e definem também a finalidade da escola (OLIVEIRA, MORAES e DOURADO.2012, p.3).

Nesse sentido o projeto intervenção deve ser compreendido e desenvolvido como ação conjunta, compartilhada entre o diretor e o grupo de profissionais da escola e fundamenta-se nos pressupostos da pesquisa-ação. Envolve estudo sistemático com foco na realidade da escola, envolvendo os segmentos que fazem parte da referida comunidade de modo a uma possível intervenção e contribuições pertinentes ao assunto. Desta maneira, forma o processo de gestão educacional se propõe avançar na articulação, mobilização, organização e participação, buscando envolvimento de todos para garantir a qualidade efetiva dos processos educacionais.

Implica um repensar constante: ”Criar estratégias para garantir a participação e a decisão na gestão dos espaços, dos equipamentos e dos processos relativos ao convívio social é de fundamental importância”(Oliveira,2011,p.57),por isso, o Projeto Político Pedagógico deve ser organizado coletivamente nos paradigmas da gestão democrática e precisa tratar de questões como: função social da escola, concepções de educação, currículo, avaliação, infância, desafios e demandas da comunidade, definição de objetivos, metas, conforme:

Como o próprio nome afirma, trata-se de um projeto,poispor meio de estratégias de planejamento ele detecta desafios e organiza as intencionalidades e potencialidades com vistas ao alcance de objetivos. Étambém político, porque expressa o compromisso com a transformação social. É pedagógico, porque tem como meio os processos de ensino e de aprendizagem (OLIVEIRA,2011, p. 59).

Por isso acredito que a atividade de gestão é considerada como atividade de mediação que, nesta busca de mudança exige esforço contínuo, solidário e paciente a partir de ações no cotidiano escolar. Nesse sentido é preciso pensar em estratégias para articular a comunidade escolar num envolvimento efetivo no compromisso com a educação.

Considerando todos esses aspectos e refletindo sobre a realidade da escola, é possível afirmar que o trabalho do diretor é repleto de desafios que geram encontros, desencontros, reflexões, conflitos, mas também realizações ao pensar na mediação das relações interpessoais no trabalho coletivo da escola, buscando para isso um ambiente propício. Acredito que para construir uma escola democrática, interativa, aberta, dinâmica e acolhedora é necessário o envolvimento político de todos que participamdo processo educacional.  A construção da participação é lenta e demanda tempo e trabalho. Para que a instituição escolar se constitua democrática de fato é necessário participação e envolvimento nos aspectos políticos, sociais e culturais. Portanto, o ato de administrar a escola, deverá ter como destaque também a ênfase na autonomia e na divisão de responsabilidades, privilegiando a participação.

É preciso refletir sobre a educação com base nos avanços históricos e na mudança da escola para contextualizar os desafios que se apresentam no cotidiano em relação à administração de recursos humanos, currículo… Nesse sentido as relações mudam, algumas pelas conquistas no campo da legislação e outras pelo conhecimento a que temos acesso e que influenciam no modo de pensar e agir.

Enfim, é necessário avaliação constante para construir argumentos que garantam uma análise sobre a qualidade da educação. Portanto, é fundamental a materialização de políticas públicas educacionais democratizantes que busquem a autonomia dos indivíduos. Destaca-se a importância da compreensão de que o mundo é produzido historicamente pelos homens na relação em que estabelecem entre si e, por isso mesmo pode ser transformado e repensado.

A educação constitui-se em um processo amplo, que abrange diferentes instâncias da vida de cada sujeito. É o que o compõe, sendo resultado de seu desenvolvimento físico, intelectual, moral, afetivo e social e norteia seu relacionamento na sociedade em que está inserido. Por viver em um mundo permeado por situações e vivências, os sujeitos estão constantemente abstraindo conhecimentos e novas experiências.

A ação educativa não ocorre apenas na escola, mas estase constitui em um espaço privilegiado de sistematização de aprendizagens cotidianas, de construção de conhecimentos cognitivos, afetivos e psicomotores, e onde se consolida a formação do cidadão.

 Partindo da ideia de que aprender significa apreender, passara saber, conceitua-se aprendizagem como o processo pelo qual o ser humano vivencia o construir, o formular, o acomodar informações, adquirindo assimsaberes sobre determinados objetos/assuntos. Este processo é parte importante e indispensável no desenvolvimento de todas as habilidades que formam/constituem o ser humano, porque de acordo com:

Conceber a ação de avaliar sob os aspectos de dar e perceber valor em outrem constitui forma pedagógica correta, uma vez que atinge o âmago e a essência do ser humano, mediante o reconhecimento profundo não somente das dificuldades escolares que apresenta, como, e principalmente, dos valores e das potencialidades perceptíveis e latentes (BOTH, 2011, p. 53).

A organização curricular ocorrerá através de situações significativas, planejadas e estruturadas pelos contextos educativos que norteiam o trabalho. No momento em que o educador sistematizar suas próprias ações e os processos vividos pelos educandos, tornará concreta sua intenção na proposta pedagógica, embasadas nos referenciais teóricos e na realidade, permitirão a construção de uma proposta curricular que venha a atender as necessidades da educação, de modo a organizar o processo educativo de acordo com metas a alcançar os objetivos propostos.


 

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Gestão escolar: reflexões sobre o conselho de classe

3 METODOLOGIA

A prática do trabalho pedagógico no dia-a-dia da escola, gera análise, crítica, debates, convicções, incertezas. Todos esses fatores são fundamentais para formação de bons profissionais, pois contribuem no sentido de fortalecer ações que consolidem a qualidade da educação, garantindo direitos à aprendizagem nos princípios da educação inclusiva, na perspectiva da gestão democrática.

Dessa forma a metodologia do presente trabalho que já possui uma caminhada na instituição de ensino, tem como objetivo, analisar, avaliar, observar potencialidades, limitações ou distorções e verificar implicações em relação ao processo de avaliação. É uma explicação da ação desenvolvida no método do trabalho da pesquisa que busca fundamentar a relação do embasamento teórico com a prática educativa da escola.

A abrangência deste estudo trata de uma pesquisa-ação num projeto que ocorre com o coletivo da instituição, tendo como tema a implementação do Conselho de Classe nas etapas de Educação Básica (Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental) que são atendidas na respectiva unidade escolar. Este trabalho apresenta uma abordagem qualitativa, onde os dados foram coletados, descritos e interpretados, pois:

Pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo (PROJETO-INTERVENÇÃO,2012,p.2).

No primeiro momento a proposta de trabalho teria como foco no Projeto Intervenção a revisão do Projeto Político Pedagógico, no qual todos os segmentos da comunidade escolar poderiam estar envolvidos e desafiados a refletir sobre a realidade educacional na instituição. Durante estudos com o grupo de trabalho da Escola ficou evidente o desejo de implementar e efetivar o Conselho de Classe na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental que existe apenas teoricamente no Regimento Escolar e na Proposta Político Pedagógica. Esse instrumento de avaliação acontecia na escola antes desta ser redimensionada no ano de 2006, onde deixou de atender alunos dos anos finais e passou a atender a Educação Infantil, a qual era uma grande demanda na região. A partir de então a escola conta com uma nova realidade. Um novo Projeto Político Pedagógico foi pensado, porém durante sua elaboração não houve um diálogo efetivo com a comunidade escolar, tanto que muitas pessoas desconhecem esse documento, de acordo com as respostas analisadas no questionário que foi enviado à comunidade escolar durante o início desta pesquisa.

Em nosso dia a dia, estamos, de maneira permanente, avaliando e sendo avaliados, e também onde estabelecemos processos de interação durante a constante troca de experiências. Na instituição escolar, a prática pedagógica apresenta concepções, representações de sentidos e ações que fazem parte de nossa cultura, expressando a maneira de como cada sujeito vê o mundo.

A avaliação é um processo que não se limita a julgar sucessos ou fracassos dos sujeitos,mas é compreendida como um conjunto de ações que têm a função de orientar a intervenção pedagógica, com objetivo de facilitar a aprendizagem em prol de um bom desempenho do ser humano. Acontece de forma sistemática e constante, por meio da interpretação qualitativa no decorrer do desempenho na construção do conhecimento.  Oportuniza ao docente a possibilidade de conhecer onível em que o educando se encontra, em relação à expectativa de aprendizagem, em função da intervenção pedagógica realizada.

Desta forma consta na pesquisa a proposição dos objetivos que se dividem em geral e específicos a seguir:

  • Objetivo Geral: analisar a implantação de um Conselho de Classe na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental da Escola Imperatriz.
  • Objetivos específicos:
  • Estudar a gestão democrática;
  • Analisar a aceitação ou não da implantação de um conselho de classe;
  • Conhecer as expectativas da comunidade escolar em relação a implantação de um conselho de classe;
  • Propôr ações/metas a serem realizadas durante e após a implantação do conselho de classe.

O desafio, então passa a ser em relação à avaliação que preocupa os educadores em busca de estratégias de fortalecimento da efetivação na qualidade no processo ensino aprendizagem. Algumas ações já foram realizadas em relação à entrevistas, debates, encaminhamentos… Dessa forma, acredito na gestão como processo de mobilização de pessoas para a participação que possa promover a realização dos objetivos educacionais.

Este trabalho tem como objetivo refletir e implementar o Conselho de Classe na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, viabilizando uma escola que promova processos educativos inclusivos, flexíveis e significativos num contexto amplo e articulado, como mecanismo de participação na Gestão e no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido na instituição.  Para isso a função do Gestor é essencial para realização deste trabalho na instituição, de maneira que atenda a demanda, articulando a escola para promover um ensino de qualidade de acordo com propostas e concepções que desenvolvam integralmente cada sujeito. Em relação a este assunto é pertinente mencionar que uma das metas, é articular um processo de mudança nas unidades escolares com envolvimento dos segmentos da comunidade que buscam se adequar aos novos padrões de nossa sociedade, através da Gestão Participativa.

Com base nos referidos autores, é importante ressaltar que osprincípios da administração compartilhada geram participação, busca de autonomia e humanização nas relações, sendo pertinente, neste contexto, a efetivação do Conselho de Classe na respectiva Escola. Assim a Gestão Democrática da educação que é tratada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional como:

Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:

I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;

II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes(BRASIL, LDBEN, 1996).

Dessa forma,um dos princípios que deve ter importância relevanteno ensino, na maneira de administrar a educação, constitui-senum fazer coletivo destacando  a finalidade da escola. Desta forma a Gestão Democrática implica em novos processos de organização que visem e favoreçam processos coletivos que, neste caso tem como objetivo analisar o processo de ensino no trabalho pedagógico da instituição,na perspectiva da qualidade, efetivação de aprendizagens significativas, na inclusão e no direito à diversidade.

Com embasamento teórico oferecido pelo curso em Gestão Escolar, é possível verificar que o Conselho de Classe é um dos mecanismos que proporciona o processo democrático na instituição de ensino. É um espaço de discussão em que participam os profissionais da educação, com objetivo de apontar o desempenho do aluno, suas dificuldades, análisedo trabalho docente e seus métodos de ensino, compartilhando informações na busca de melhor qualificação do processo ensino-aprendizagem. Realizamos na escola, reuniões mensais com foco no âmbito administrativo e pedagógico como objetivo de investir na formação dos profissionais da educaçãoque atuam na instituição, gerando cada vez maior comprometimento do grupo, conforme:

A ampliação das finalidades da educação escolar pode ser pensada se considerarmos o conjunto de necessidades que cada indivíduo possui, das mais amplas às mais específicas, tais como: potencializar o desenvolvimento físico, social, intelectual e afetivo; aprimorar as capacidades de comunicação por meio do uso de diferentes linguagens; estimular o gosto da investigação e pela aprendizagem; valorizar oo exercício do pensamento crítico, do raciocínio lógico e da capacidade de argumentação; entre outras ( SILVA, 2011, p.80).

De acordo com o que já foi mencionado anteriormente o Projeto Intervenção teria como foco a revisão do PPP da escola. Foi organizado, então um questionário com objetivo de avaliar o conhecimento em relação à este documento e a forma de participação da comunidade(professores, pais e funcionários) em sua elaboração. No decorrer deste tempo, durante reuniões de estudo, ficou evidente o desejo de efetivar na escola o Conselho de Classe, órgão colegiado que consta no PPP, mas que não estava acontecendo. Então este passou a ser o foco: efetivar este instrumento com objetivo de termos uma avaliação mais completa. Estudamos O Projeto Político Pedagógico que traz algumas considerações:

Neste sentido, o Conselho de Classe é outro instrumento que pode contribuir para a identificação e a melhoria do desempenho do educando, favorecendo a integração entre educadores e educandos, a análise do currículo e da eficácia dos métodos de ensino utilizados, ao mesmo tempo em que facilita a compreensão dos fatos com a exposição de diversos pontos de vista, possibilita orientações mais homogêneas e a auto análise do docente (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2011, p.50).

Portanto, ao final do segundo semestre/2012, realizamos o primeiro Conselho de Classe com o grupo de educadoras e equipe diretiva da escola, oportunizando uma visão mais completa, adequada e abrangente do papel da avaliação no processo ensino-aprendizagem.

O desafio passou a ser também estudar o Regimento Escolar, que passou por reformulações durante o ano de 2012, foi aprovado pelo Conselho Municipal de Educação e passou a constar o artigo que trata do Conselho de Classe, previsto em calendário escolar para ser realizado no período anterior à entrega dos Relatórios de Aprendizagem na Educação Infantile no Ensino Fundamental, abrangendo os profissionais da educação na instituição.

Considerando que a escola constitui-se em um espaço privilegiado de sistematização de aprendizagens cotidianas, de construção de conhecimentos cognitivos, afetivos e psicomotores, e onde se efetiva a formação do cidadão, o tema apresentado neste trabalho torna-se de suma relevância, pois busca contribuir com a descentralização do poder, demonstrando a necessidade de integração entre o gestor sua equipe pedagógica e administrativa, educadores, pais, educandos, funcionários e outras pessoas que possam fazer parte da comunidade da instituição educacional a qual dirige para qualificar a prática pedagógica e o processo ensino-aprendizagem, além de promover a autonomia, a auto construção, o comprometimento e a transformação social.

Através da participaçãoa responsabilidade passa a ser estimulada, o sujeito se comprometeem ações nas quais faz parte, com o que ajudou a construir, a cuidar, elaborar.Nesse contesto se constitui umimportante fator que somado aos demais agrega valor e faz a diferença ao processo educacional. Consequentemente, o trabalho institucional eleva seu nível de qualidade, pois os sujeitos estão em contínuo processo de desenvolvimento, construção,ação e transformação.

 Além disso, organizar o calendário escolar/2013 com encontros determinados para o Conselho de Classe destas respectivas etapas, conforme anexo posterior.


 

4 AÇÕES DESENVOLVIDAS:

 

Através desta produção escrita, procuro articular os conteúdos e conceitos estudados com as ações narradas, expressando de forma crítica os conhecimentos até agora adquiridos e as transformações que a intervenção provocou na instituição, na atuação como gestora escolar. O relato das diferentes ações implementadas constam na sequência da formacomo foi desenvolvido o processo na escola. A seguir constam as ações realizadas para implementação do Conselho de Classe como um dos mecanismos da Gestão Democrática:

4.1 Revisão do Projeto Político Pedagógico da escola;

4.2 Análise do Regimento Escolar da instituição;

4.3 Reuniões de estudo, discussões e debates sobre Conselho de Classe;

4.4 Elaboração de questões a serem debatidas no Conselho de Classe;

4.5 Implementação e efetivação do Conselho de Classe;

4.6 Avaliação do processo;

4.7 Organização para constar o Conselho de Classe no calendário de 2013.

 

4.1 REVISÃO DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DA ESCOLA

O processo de gestão democrática depende de espaços de discussão, pois com base nestes momentos acontecem reflexões onde é importante enfatizar o compromisso profissional de cada educador em relação à princípios éticos que conduzem a sociedade na busca da transformação da realidade social. Nessa perspectiva é preciso incentivo para que todos os segmentos da comunidade escolar possam participar de alguma maneira para contribuir no processo educativo, valorizando também os profissionais da educação ao investir no processo de formação contínua, possibilitando estudo e fundamentação teórica do Projeto Político Pedagógico. Essa forma coletiva de envolvimento gera mais probabilidades de encontrar mecanismos para vencer o desafio de garantir uma educação de qualidade.

Acredito que para realizar um trabalho de gestão democrática de maneira efetiva é necessário desenvolver também ações interdisciplinares, encontros e diálogopermanente com a comunidade escolar, propiciar a organizaçãode ambientes acolhedores que visem incentivar o hábito da leitura. É importante também considerar a busca do respeito à individualidade de cada educando de acordo com suas especificidades, abrangendo a educação inclusiva para o ensino regular em geral. Ou seja, todosujeito é singular e único no processo de desenvolvimento de conceitos, conteúdos e habilidades, cabendo à escola explorar o potencial de cada um.Nessa perspectiva seguimos a caminho de garantir direito à Educação para Todos.

A possibilidade da construção de práticas administrativas na escola, voltadas para a transformação social, reside exatamente nesta contradição existente no seu interior. Nesse sentido,a administração escolar é, atualmente, vista por alguns como mediação, ou seja, como elemento mediador entre os recursos diversos existentes na instituição escolar(humanos, financeiros, materiais, pedagógicos, entre outros) e a busca dos seus objetivos(a formação cidadã) (OLIVEIRA, MORAES e DOURADO, s/d, p.4).

Percebemos, portanto queno sistema educacional é necessário um conjunto de elementos relacionados com propósito na busca de resultados das atividades sistematizadas,nas quaishá ações de acordo com objetivos intencionalmente a realizar determinadas finalidades. Essas ações precisam ser planejadas. Em todo esse processo o Projeto Político Pedagógico é o ponto inicial e fundamental para uma gestão escolar efetiva, pois,é esse documento que expressa informações sobre a identidade, diagnóstico escolar,intencionalidades educativas e as estratégias para promover o alcance dos objetivos definidos coletivamente. Em torno dessas questões o grupo de educadoras da escola discutiu, analisou, refletiu e concluiu que tão importante quanto a reformulação e fundamentação da Proposta Político Pedagógica, seria a implementação do Conselho de Classe na instituição com objetivo de termos uma avaliação efetiva e completa.

A participação nessa perspectiva é mais que estratégia: é atitude que expressa compromisso e mobilização. Assim sendo, a participação de todos agrega aos espaços públicos, nesse caso, às unidades escolares, a dinâmica dos debates, das diferentes realidades, assim como as demandas dos diferentes segmentos da população. Essa é a realidade a ser vivida, elaborada e pronunciada nos tempos atuais (OLIVEIRA. 2011, p. 33).

Durante análise da atual Proposta Político Pedagógica percebe-se claramente que a prioridade é dirigida ao educando. Afinal, é ele o fim e justificativa única de qualquer ação educativa. Assim sendo, esta proposta é fundamentalmente um processo dialógico entre educadores e educandos, diálogo em que se procura discutir a pedagogia da escola, o papel da educação no cotidiano da comunidade e o vivenciar de um trabalho elaborado, constituindo-se em uma proposta de trabalho que considera o coletivo, através da participação dos pais, educandos, professores, funcionários.

De acordo com os princípios de gestão democrática, o presente documento busca caracterizar a realidade da instituição, com clareza de ideias e objetivos do grupo da escola como um todo, que prima pela efetivação de uma educação de qualidade, proporcionando às crianças, dentro do espaço escolar, o acesso aos mais variados conhecimentos. Através de práticas pedagógicas coerentes com esta postura, objetiva-se a formação de cidadãos pensantes, capazes de interagir e transformar seu meio de acordo com as suas necessidades e da sua comunidade.

4.2 ANÁLISE DO REGIMENTO ESCOLAR DA INSTITUIÇÃO

O gestor, durante sua atuação na unidade de ensino, precisa ser um profissional com olhar crítico no trabalho que desenvolve. Nessa concepção, precisaplanejar ações em que a participação coletivabusque a avaliação dos resultados envolvendo todos os responsáveis pelo processo de ensino aprendizagem. Esta forma de gestão possibilita uma constante reflexão sobre as metas da escola, pois, conta com ideias, sugestões, troca de experiências, diversidade de conhecimentos, análises, metodologias, conceitos, enquanto instituição de ensino, comprometida com os resultados da aprendizagem, num processo contínuo de construção e reconstrução que faz parte do dia a dia da escola. Nesse sentido, no decorrer do segundo semestre/2012, durante reuniões de estudo, analisamos também o Regimento Escolar que toda instituição de ensino deve possuir, pois, neste documento constam normas e regras. Este documento precisa estar disponível à comunidade escolar e ser do conhecimento administrativo e pedagógico do grupo de profissionais da referida instituição.

Durante estudos, foram sugeridas alterações. Em destaque sobre avaliação: o Conselho de Classe passa a ser implementado semestralmente na Educação Infantil e trimestralmente nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Este documento passou por Homologação da Secretaria Municipal de Educação e pelo Conselho Municipal de Educação em dezembro/2012. Complementando de acordo com Oliveira:

O regimento escolar é um conjunto de regras que definem a organização administrativa, didática, pedagógica, disciplinar da instituição, estabelecendo normas que deverão ser seguidas para na sua elaboração, como, por exemplo, os direitos e deveres de todos que convivem no ambiente. Define os objetivos da escola, os níveis de ensino que oferece e como ela opera. Dividindo as responsabilidades e atribuições de cada pessoa, evitando assim, que o gestor concentre todas as ordens, todo o trabalho em suas mãos, determinando o que cada um deve fazer e como deve fazer.O Regimento deve surgir da reflexão que a escola tem sobre si mesma, porém, deve estar de acordo com a legislação e a ordem que é aplicada no país, estado e município. Ele é um o documento administrativo e normativo de uma unidade escolar que, fundamentado na proposta pedagógica e coordena o funcionamento da escola, regulamentando ações entre os representantes do processo educativo. Ele deve ser baseado em um texto referencial e em princípios democráticos, adotados pela Secretaria de Estado da Educação que são a base para promover a discussão, a reflexão e a tomada de decisão pelos membros da escola, buscando respostas às questões referentes ao processo de ensino e aprendizagem (OLIVEIRA, Emanuelle, 2013).

4.3 REUNIÕES DE ESTUDO, DISCUSSÕES E DEBATES SOBRE CONSELHO DE CLASSE

 

No processo de gestão democrática percebe-se a necessidade de repensar a educação escolar em relação à sua função e seu significado para a sociedade, atribuindo um novo sentido à escola pública brasileira. Espaço este de interação, intervenção, observação, registro e documentação durante o processo ensino aprendizagem. Dessa forma é preciso pensar e elaborar meios para garantir a participaçãodos sujeitos que ao se envolverem no processo educacional, aprendem e ensinam com base em suas experiências, pontos de vista e visões de mundo, viabilizando uma escola que promova processos inclusivos, flexíveis e significativos.

Esta é a realidade da instituição onde atuo e realizo o trabalho de gestão de maneira comprometida, buscando ações que consolidem a qualidade da educação, dialogando com a comunidade.

Este, portanto, é o maior desafio dos tempos atuais: promover a mudança das concepções que fundamentam a organização de todo o universo da educação pública escolar, na perspectiva da qualidade, da garantia de aprendizagens significativas, da inclusão e do reconhecimento do direito à diversidade (OLIVEIRA, 2011, p.21).

A equipe de gestão escolar viabiliza o processo de formação contínua dentro do espaço escolar, ou seja, exercício democrático, dialógico e participativo, visando o desenvolvimento global da instituição de ensino da qual é responsável, conforme Tres:

É um grande desafio para o gestor escolar atuar como líder e desenvolver formas de organização inovadoras, empreendedoras e participativas, mas isto é indispensável. Algumas das importantes e atuais funções do gestor escolar são prever e antecipar às mudanças, assim o gestor deve saber ir além e intuir a mudanças, aprender a pesquisar, avaliar e enfrentar os novos desafios. Sendo assim, o gestor para liderar as mudanças e implantá-las deve ter a consciência da existência de riscos para que assim possa evitar possíveis erros, por meio de um planejamento bem elaborado e participativo. No entanto, os erros e acertos do passado podem ser fundamentais para direcionar decisões futuras (TRES, s/d, p.4).

Nessa perspectiva, as análises, discussões e reflexõesdos profissionais da educação na escola sobre o seu próprio trabalho na oportunidade do Conselho de Classe será um instrumento que possibilitaaprendizagem e é esse espaço de interação que permite realizar uma avaliação mais adequadana busca do melhor caminho ao alcance dos objetivos, metas e ações no processo educacional, buscando comprometimento na tomada de decisão.

O papel do educador no cotidiano escolar torna-se relevanteno processo ensino-aprendizagem, uma vez que se constitui no provocador de reflexões e ações, de interações e relações que se constroem. Portanto, mediador de saberes e conhecimentos.

É o educador quem planeja o espaço e o tempo das aprendizagens, a fim de dinamizar uma ação pedagógica coerente. Sendo assim, elabora estratégias, encaminhamentos, metodologias, prevê recursos e situações de ensino, desafiando o educando a pensar, a construir seu próprio conhecimento, num movimento dialógico e interativo.

No Ensino Fundamental os resultados da avaliação estão relacionados aos objetivos, conceitos e conteúdos de cada área do conhecimento. Os Relatórios de Aprendizagem deste nível de ensino contemplam a evolução do educando no período. Para amparar o educador nesta avaliação, diferentes instrumentos de registro são utilizados: portfólio (registro das observações do educador e registros do educando), fotografias, filmagens, caderno do educando, trabalho em grupo, auto avaliação, Conselho de Classe, provas objetivas e dissertativas. Ao referir-se aos instrumentos utilizados nos processos de avaliação, se está falando das tarefas que são planejadas com o propósito de subsidiar, com dados, a análise do educador acerca do momento de aprendizagem dos educandos. (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2011,p.50).

Enquanto a escola de ensino fundamental tem como sujeito o aluno, e como objeto fundamental o ensino nas diferentes áreas através da aula; a escola infantil e a pré-escola têm como objeto as relações educativas travadas num espaço de convívio coletivo que tem como sujeito a criança de zero a cinco anos de idade. Assim, a ênfase na apropriação de significados pelas crianças, na ampliação progressiva de conhecimentos de modo contextualizado, com estratégias apropriadas às diferentes fases do desenvolvimento infantil permeadas pelas funções de cuidado e educação se justifica na formação integral do educando. Conforme PPP:

A avaliação é entendida como o acompanhamento do desenvolvimento do educando, possuindo um caráter qualitativo desvinculado de qualquer atribuição no que diz respeito à nota ou conceito. Salienta-se que na Educação Infantil o ato de avaliar visa promover o sujeito (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2011,p.50).

4.4 ELABORAÇÃO DE QUESTÕES A SEREM DEBATIDAS NO CONSELHO DE CLASSE

Ao criar oportunidades de encontros pedagógicos na escola, o grande desafioé reconhecernos outros seus pontos fortes, e unir as pessoas por suas competências, para, assim compartilhar responsabilidades a caminho do processo de gestão democrática. Portanto, acredito que todos os saberes são essenciais para contribuir com uma prática pedagógica contextualizada para construir uma educação de qualidade.

Ao estudar e analisar textos pertinentes à legislação educacional, percebe-se a grande preocupação em melhorar e qualificar a participação em cada instituição escolar brasileira. Para tanto se torna necessário possibilitar abertura de espaços no cotidiano escolar buscando criar um melhor processo de funcionamento administrativo e pedagógico para que as pessoas possam se desenvolver e viver melhor ao interagir em  ambientes de descobertas, criações, debates, construção e reflexão sobre a prática.

Desta forma, temos na escola um currículo organizado e baseado na Proposta Curricular da Rede Municipal como conjunto de experiências, vivências e atividades de aprendizagem a serem desenvolvidas no decorrer de cada ano. Através desta base curricular se torna possível significar a vivência escolar dos sujeitosnum projeto cultural que este espaço oportuniza. É a ação, o caminho construído e planejado coletivamente de forma diferenciada de acordo com a realidade na qualse contempla a possibilidade de que os alunos possam realizar escolhas, introduzir interesses ou modificações no desenvolvimento do trabalho, com a finalidade da troca relevante e significativa dos conteúdos culturais com os quais a escola deve trabalhar.

Considerando estes aspectos, buscamos na oportunidade do Conselho de Classe, organizar uma discussão coletiva onde foram apontadas algumas questões de acordo com os objetivo deoportunizar momentos de reunir os docentes para refletir sobre a aprendizagem dos alunos e o processo de ensino, promovendo uma avaliação mais completa dos educandos e dos educadores, possibilitando encaminhamentos pedagógicos mais adequados e, respectivamente, os objetivos específicos a serem debatidos.

É uma oportunidade de reunir os educadores da instituição com o objetivo de refletir sobre a aprendizagem dos alunos e o processo de ensino, favorecendo uma avaliação mais completa de cada educando e do próprio trabalho docente, promovendo possibilidades de encontrar estratégias mais adequadas para melhoria na qualidade educacional.

Em um momento posterior, realiza a reflexão de suas ações, analisa a prática,revê procedimentos, encaminhamentos, condutas, a fim de qualificar sua ação. Nesta fase também documenta momentos e resultados da aprendizagem. Deste modo, o planejamento configura-se em ação docente essencial.

4.5 IMPLEMENTAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO CONSELHO DE CLASSE

 

Nessa etapa do trabalho chegamos à implementação e efetivação do Conselho de Classe. Seu papel precisa estar presente na estrutura organizacional da escola, enquanto instância colegiada. Caracteriza-se como espaço de avaliação coletiva do trabalho escolar e como instrumento de democratização das relações escolares. Acredita-se que o mesmo contribui para a democratização das relações presentes na comunidade escolar.

O Conselho de Classe é mais um dos mecanismos de participação da comunidade na gestão e no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido na unidade escolar. Constitui-se numa das instâncias de vital importância num processo de gestão democrática, pois “guarda em si a possibilidade de articular os diversos segmentos da escola e tem por objeto de estudo o processo de ensino, que é o eixo central em torno do qual desenvolve-se o processo de trabalho escolar (OLIVEIRA,  MORAIS e DOURADO  apud Dalben, 1995, p.16).

O Conselho de Classe aconteceu outubro/2012 na escola envolvendo o grupo de profissionais da educação. Discorremos em torno das questões em foco. Esta foi a primeira experiência deste mecanismo nesta gestão. Ao observar e diagnosticar o professor deve registrar saberes sobre cada aluno de forma a perceber o nível de conhecimento e, portanto definir alvos a serem alcançados por todos. Alguns aspectos que foram discutidos: possibilidade de ampliar e rever horários de recuperações paralelas, maior atenção à frequência escolar, oportunizar mais momentos de estudo, estratégias para acompanhar a turma do 5º ano, possibilidade de oferecer laboratório de aprendizagem em turno inverso, organizar mais reuniões com pais de acordo com as especificidades da turma, organizar visitas domiciliares, ampliar situações de aprendizagem no laboratório de informática, retomar ações referentes à leitura que constam no PPP da escola, promover seminários para socialização de estudos e práticas pedagógicas. Portanto, foi um momento em que avaliamos e fomos avaliados. Um momento que também favorece a integração entre professores e equipe pedagógica, promovendo a troca de ideias e tomada de decisões rumo à melhoria do processo educacional, permitindo a avaliação de métodos utilizados com a exposição de diversos pontos de vista.

Durante o processo de avaliação é pertinente destacar que este espaço se constitui em um momento de investigação onde o educador visualiza a metodologia de seu trabalho, verificando se alcançou os objetivos curricularespropostos no respectivo Plano de Estudose quais as dificuldades dos educandos, de maneira a buscar novos encaminhamentos para a superação dos problemas constatados.Portanto a avaliação representa um momento dialético no processo do desenvolvimento, viabilizando ação-reflexão, da autonomia, do pensamento, da criatividade e criticidade, não simplesmente do educando, mas do próprio educador.

4.6 AVALIAÇÃO DO PROCESSO

 

Em sua função avaliativa, o Conselho de Classe, de acordo com suas atribuições, deve conduzir a umamodificação das relações, possibilitando a gestão democrática, enquanto instância colegiada. Tem ênfase nos processos avaliativos capazes de reorganizar o conhecimento, de analisar as relações pedagógicas, promovendodiscussões que contribuem paramelhorar metas na área educacional.

O papel do Conselho, portanto, é tornar dinâmico, flexível e significativo o processo de avaliação por meio da análise e reflexão dos participantes e estabelecer no coletivo,meios para a superação das dificuldades tanto na área administrativa como pedagógica.

Nesta perspectiva, é pertinente destacar noprocesso de construção e elaboração das práticas pedagógicas, a participação como forma significativa de promover maior aproximação entre os membros da escola, o que ainda acontece de maneira limitada porque essa participação não envolve todos de maneira efetiva, mas busca caminhos para uma gestão compartilhada da educação escolar, de acordo com:

A gestão democrática como o processo em que se criam condições para que os membros de uma coletividade não apenas tomem parte, de forma regular e contínua, de suas decisões mais importantes, mas assumam responsabilidade por sua implementação(LÜCK,2009, p.57).

Além de tratar de temas atuais e do interesse do grupo, é importante valorizar o que a criança já sabe, respeitar o modo de pensar de cada um, abrir espaço para confrontar ideias e tomar decisões relacionadas a aprendizagens da escola e da vida diária. Desta maneira exclui-se a prática que tem por base o fazer por fazer, não se aceita o jogar por jogar, reforçando que ação pedagógica necessita ser desafiadora, problematizadora e produtora de aprendizagens. Assim, as ações educativas possibilitam que as crianças criem uma postura investigativa, crítica e pesquisadora.

Acredito que no momento em que o educador sistematizar suas próprias ações e os processos vividos pelos educandos, tornará concreta sua intenção na proposta pedagógica, embasadas nos referenciais teóricos e na realidade, permitirão a construção de uma proposta curricular que venha a atender as necessidades da educação, de modo a organizar sua prática educativa com a finalidade de alcançar os objetivos propostos.

Partindo dessa ideia, a instituição escolar tem o compromisso de assumir seu papel com coerência e responsabilidade, promovendo momentos em que os educandostenham direito à educação com qualidade, respeitando suas especificidades e seu direito de permanência na escola dese apropriar de novos conceitos.

A avaliação, portanto tem papel fundamental, pois, visa redirecionar, realimentar, conduzir, enriquecer e valorizar o ensino em relação à aprendizagem. Deve ser realmente a construção de indicadores para a reorganização da prática pedagógica, considerando as condições de aprendizagem de cada educando e desafiando-os no processo de evolução dessas condições.

Considerando este caminho da avaliação, temos ainda ajustes para organizar e continuar pensando em estratégias para um bom desempenho: o tempo de duração do Conselho de Classe precisa, ser revisto, pois o momento de discussões pode ser ampliado.

4.7 ORGANIZAÇÃO PARA PREVER O CONSELHO DE CLASSE NO CALENDÁRIO DE 2013, PARA SER APROVADO PELO CONSELHO ESCOLAR E PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE IJUÍ

 

Realizar a gestão colegiada na escola implica a participação de todos os segmentos da comunidade escolar em todos os âmbitos da gestão: planejar, executar, acompanhar, avaliar está num processo permanente de construção e reconstrução. De acordo com o proposto na escola, organizamos também no Calendário Escolar/2013 a previsão de datas do Conselho de Classe para a Educação Infantil e para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental de acordo com o que menciona o PPP:

O processo de avaliação constitui-se em um momento de investigação onde o educador visualiza o seu trabalho, verificando se alcançou os objetivos propostos e quais as dificuldades dos educandos, de maneira a buscar novos encaminhamentos para a superação dos problemas constatados, necessários para a compreensão da realidade. Então a avaliação representa um momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação-reflexão, da autonomia, do pensamento, da criatividade e criticidade, não simplesmente do educando, mas do próprio educador(PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2011,p.49).

Este calendário foi homologado pela Secretaria Municipal de Educação e entra em vigor a partir de fevereiro de 2013. As datas para Educação Infantil são junho e novembro e para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental são maio, agosto e novembro.

5CONSIDERAÇÕES FINAIS

O educador possui neste processo a importante função de acompanhar a criança minuciosamente em sua totalidade, contemplando a adaptação ao ambiente escolar e a interação com o grupo de colegas. Trata-se de um olhar atento, voltado para intervenções.  O acompanhamento também significa problematizar e questionar, proporcionando ao educando uma interferência válida para que ele avance no seu processo de desenvolvimento.

É indispensável que o acompanhamento da criança seja documentado em relatórios de avaliação que serão entregues às famílias, valorizando o vínculo escola-família e proporcionando aos pais o acompanhamento do processo. À medida que os pais forem informados, também poderão auxiliar no estímulo ao desenvolvimento integral de seus filhos.

O ato de avaliar visa observar e promover o sujeito, diferenciando-se por ser uma avaliação dialética, acontecendo no decorrer do todo o processo de ensino aprendizagem, não se limitando a resultados no final de um período.

Considerando a ação de avaliar como processo que se faz necessário no acompanhamento permanente do desenvolvimento do educando, é pertinente oportunizar momentos na escola para refletir sobre a prática pedagógica na instituição buscando fortalecer ações que consolidem qualidade na educação e que proporcione conhecimento e valores de formação cidadã em relações democráticas e participativas.

Durante o corrente ano realizamos mais um momento privilegiando o Conselho de Classe, espaço em que está se fortalecendo a discussão coletiva com vistas a um objetivo comum: qualidade educacional. Nesse sentido, pensar a educação em nosso tempo é, sem dúvida um grande desafio, pois são avanços pertinentes à ampliação e qualificação da democracia que, consequentemente abrange a garantia de direitos. Conseguimos traçar metas na escola a partir dessas discussões, entre as quais se destacam a ativação da biblioteca na escola com livros adquiridos pela instituição e recebidos pelo Programa Nacional do Livro Didático e acompanhamento pedagógico em turno inverso.

Considerando a ação de avaliar como processo que se faz necessário no acompanhamento permanente do desenvolvimento do educando, é pertinente e necessário momentos na escola para refletir sobre a prática pedagógica na instituição buscando fortalecer ações que consolidem qualidade na educação e que proporcione conhecimento e valores de formação cidadã em relações democráticas e participativas.

Neste sentido o que chama atenção é o envolvimento do grupo de educadores da escola que demonstra cada vez mais comprometimento com sua prática educativa na busca de melhores resultados. Temos ainda muito trabalho a ser feito dentro da organização proposta, por isso acredito que este instrumento terá muitas contribuições no processo educacional e no fortalecimento da melhoria da qualidade da educação.

Este projeto de trabalho propõe acesso a espaços e ações com vistas ao fortalecimento da escola pública como direito social básico.


 

REFERÊNCIAS

 

BOTH. Ivo José. Avaliação: ”voz da consciência” da aprendizagem. Curitiba:Ibpex, 2011. Série Avaliação Educacional

BRASIL. Constituição, 1988.

BRASIL. LEI nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, 1996.

BRUEL. Ana Lorena de Oliveira. Políticas e legislação da educação básica no Brasil. Curitiba: Ibpex, 2010.

FARFUS. Daniele. Gestão escolar: teoria e prática na sociedade globalizada. Curitiba: Ibpex, 2008.

LIMA. Márcia Regina Canhoto de. Paulo Freire e a administração escolar: em busca de um sentido. Brasília: Líber Livro Editora, 2007.

LÜCK. Heloísa. A gestão participativa na escola. Petrópolis: Editora Vozes, 2009. Série Cadernos de Gestão.

LÜCK. Heloísa. Concepções e processos democráticos de gestão educacional. Petrópolis: Editora Vozes, 2008. Série Cadernos de Gestão.

LÜCK. Heloísa. Gestão educacional: uma questão paradigmática. Petrópolis: Editora Vozes, 2009. Série Cadernos de Gestão.

LÜCK. Heloísa. Liderança em gestão escolar. Petrópolis: Editora Vozes, 2009. Série Cadernos de Gestão.

OLIVEIRA. Emanuelle. Regimento Escolar. Disponível em http://www.infoescola.com/educação/regimento-escolar.Acesso em: 03. Jan.2013.

OLIVEIRA. Márcia Cristina de. Caminhos para a gestão compartilhada da educação escolar. Curitiba: Ibpex, 2011. Série Processos Educacionais.

OLIVEIRA, João Ferreira de; MORAES, Karine Nunes de; DOURADO, Luiz Fernandes. Texto: Organização da educação escolar no Brasil na perspectiva da gestão democrática: sistemas de ensino, órgãos deliberativos e executivos, regime de colaboração, programas, projetos e ações. Políticas e Gestão na Educação/UFRGS, S/D.

OLIVEIRA, João Ferreira de; MORAES, Karine Nunes de; DOURADO, Luiz Fernandes. Texto: Gestão escolar democrática: definições, princípios e mecanismos de implementação. Políticas e Gestão na Educação/UFRGS, S/D.

Proposta Político Pedagógica(2010-2011). IJUÍ. Secretaria Municipal de Educação. Escola Municipal Fundamental Dona Leopoldina.

TRES. Janialy Alves Araújo. Texto: Desafios do gestor escolar para a mudança organizacional da escola/ FAFIRE, S/D, UFRGS.

TEXTO: PROJETO-INTERVENÇÃO. UFRGS. S/D. Escola de Gestores da Educação Básica.

SILVA. Mônica Ribeiro. Perspectivas curriculares contemporâneas. Curitiba: Ibepex, 2011.

TEXTO NA ÍNTEGRA

 

 

 

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A oralidade, a leitura e a escrita na Alfabetização

As questões referentes ao ensino e a aprendizagem da leitura e da escrita têm estado em evidência no âmbito educacional. Muito se tem pesquisado em relação às concepções sobre alfabetização na perspectiva do letramento, na busca de uma maior compreensão do processo pelo qual se desenvolvem e, através do qual o papel da escola deve favorecer aos educandos  que participem cada vez mais de práticas sociais letradas.

A alfabetização e o letramento estão presentes na ação pedagógica, em práticas planejadas e organizadas através de projetos didáticos, sequências didáticas ou nas sequências de atividades. Para isso, o professor precisa analisar de forma diagnóstica as especificidades das crianças com o objetivo de conduzir a prática pedagógica condizente com a individualidade de cada uma.

É importante ressaltar que o processo de letramento inicia-se bem antes do processo de alfabetização, pois as crianças estão inseridas em um contexto que é cercado de material escrito e de pessoas que usam a leitura e a escrita.

 

oralidade

a oralidade, a leitura e a escrita na Alfabetização

É fundamental compreender essas duas práticas para possibilitar a alfabetização e considerar que as modalidades oral e escrita da língua interagem e se influenciam mutuamente. A alfabetização requer um contexto de letramento, com desenvolvimento de habilidades de uso da leitura e da escrita, bem como nas práticas sociais que envolvem a linguagem.

Nesse contexto, as crianças precisam vivenciar, desde cedo, situações que os levem a pensar sobre as características do nosso sistema de escrita de forma reflexiva, lúdica, inserida em atividades de leitura e escrita de diferentes textos. Se alfabetizar é ensinar a ler e escrever, letrar é o resultado da ação de ensinar e aprender e participar de  práticas sociais de leitura e escrita. Compreende-se então que não basta aprender a ler e a escrever, mas, sobretudo, adquirir competências para usar a leitura e a escrita em práticas sociais. Sendo assim, faz-se necessário alfabetizar e letrar.

Entretanto, para que todas as ações pedagógicas planejadas tenham  melhor desempenho é importante o uso de significativos e variados recursos como livros didáticos, jogos de alfabetização, obras literárias, obras complementares, tendo como referência os direitos de aprendizagem das crianças, pois assim, poderemos avançar na democratização da alfabetização plena para todos os cidadãos, com liberdade, autonomia e respeito à diversidade.

Por isso, acredito que a ação pedagógica deve garantir a perspectiva do alfabetizar letrando, a partir do qual a criança, de posse do domínio do código linguístico é desafiada a fazer uso dessa habilidade em seu cotidiano.

Autora: Vera Gramville

Professora da Rede Pública do Município de Ijuí – Rio Grande do Sul – Brasil

contato: veramgranville@gmail.com

 

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REFLEXÕES: Numeramento e Alfabetização Matemática

 

REFLEXÕES: Numeramento e Alfabetização Matemática

 Autoras :

Adriana Elisa Endruweit1

Glaucia Regina Bieger2

1 Especialista em Educação Infantil pela UNINTER e graduada em Pedagogia pela UNIJUI. Professora da rede municipal de Ijuí/RS. E-mail: adri.e1972@gmail.com.br

2 Especialista em Gestão Escolar pela FAVENI e licenciada em Matemática pela UNIJUÍ. Professora da rede municipal de Ijuí/RS. E- mail: glauciabieger@hotmail.com

 

Resumo: O presente artigo se constitui a partir de uma pesquisa qualitativa que se faz, considerando uma análise documental e tem como objetivo, problematizar, discutir e despertar nas escolas a discussão e reflexão sobre o Numeramento e Alfabetização Matemática. A partir de um levantamento e análise dos entendimentos, das proposições, das considerações e das possíveis contribuições apresentadas pelos pesquisadores Fonseca (2004) e Danyluk (2004). A pesquisa pode contribuir no processo de numeramento e alfabetização matemática, pois se configura como uma possibilidade de reflexão, capaz de promover um novo olhar para o ensino da matemática. Diante disso faz-se necessário cada vez mais que professores procurem entender como se dá a alfabetização e o numeramento efetivando assim seu aluno a capacidade de realmente ler o mundo.

Palavras chaves: Alfabetização matemática; Numeramento; Ensino de Matemática, Letramento.

Abstract: This article is based on a qualitative research that is done, considering a documentary analysis and aims to problematize, discuss and awaken in schools the discussion and reflection on Numeracy and Mathematical Literacy. From a survey and analysis of the understandings, the propositions, the considerations and the possible contributions presented by the researchers Fonseca (2004) and Danyluk (2004). The research can contribute to the numbering and mathematical literacy process, since it can be considered as a possibility of reflection, capable of promoting a new look at the teaching of mathematics. Faced with this, it is increasingly necessary for teachers to try to understand how literacy and numbering are done, thus making the student the ability to actually read the world.

Key words: Mathematical literacy; Numbering; Mathematics teaching, literacy.

INTRODUÇÃO

A educação deve preparar o homem para desenvolver sua própria capacidade dando-lhe conhecimento, ajudando-o a ser sábio, coerente, humilde, corajoso nas lutas, correto e autêntico, justo nas críticas, capaz de ver seus próprios erros, de buscar seu ideal e seu próprio meio de sobrevivência, atitudes honestas diante das coisas, das pessoas, dos fatos e da vida.

Educar é formar indivíduos com a capacidade de agirem na sociedade, agir de forma que possam mudar sempre para melhor, nós futuros educadores,

devemos possibilitar ao educando a encontrar as próprias alternativas de solução

– problema, quando eu crio uma situação eu devo pensar, refletir para resolvê-la. É através das situações que aprendemos a enfrentar as coisas. Porque problematizados, questionados, e com isso temos que refletir para buscarmos soluções.

A educação está passando por inúmeras transformações, principalmente no que diz respeito às formas de interação dos alunos com o conhecimento e a informação. O Ensino Fundamental, por ser a base de todo o sistema educacional, vem questionando todo o sistema de  acerca da memorização, de escritas mecânicas e sem sentido que não garantem o aprendizado da criança e que, por conseqüência, alimenta o fracasso escolar.

Torna-se assim cada vez mais acirrada e intrigante, a preocupação de como alfabetizar e fazer com que as crianças leiam, escrevam, interpretem, compreendam com competência, adquirindo a base alfabética. Acredita-se que a escola precise enfocar a aprendizagem enquanto função social, onde o ler e o escrever não se restrinjam, mas que se tornem um desafio na construção do conhecimento.

Desta forma, a escrita e a leitura podem transformar toda e qualquer forma de aprendizado, desde que estas cumpram os desafios que estão sendo propostos na atualidade e que as instituições escolares estejam dispostas a modificar; juntamente com professores, gestores e comunidade escolar;  as formas de leitura e escrita de mundo a qual começam já antes mesmo das crianças ingressarem na escola o que na maioria das vezes é desconsiderado pelas instituições.

Diante da preocupação que envolve todo um contexto escolar sobre o letramento, como fica a matemática? Onde acontece a aprendizagem da matemática? O que é esse tal numeramento? Qual a relação de leitura e escrita com a matemática? As escolas estão preocupadas com a aprendizagem dos alunos?

Essas são questões desafiadoras, que geram dúvidas e abrem espaço para um conflito muito grande quando pensamos nas aulas de matemática propostas na atualidade. Pensar que pouco tem sido feito enquanto prática faz com que análises sejam realizadas, que estas nos levam a perceber que algumas posições necessitam ser revistas na educação.

A partir dessas considerações, buscamos através desta pesquisa, problematizar e discutir ideias e entendimentos apresentados por pesquisadores como, Fonseca (2004), Danyluk (1991) sobre o Numeramento e Alfabetização Matemática. A pesquisa é qualitativa e se faz com e a partir de análises documentais.

ALFABETIZAÇÃO MATEMÁTICA E NUMERAMENTO

 

O mundo está em constantes transformações e não podemos ficar alheios a elas, pois a educação é algo sempre presente em nossas vidas, mesmo quando não percebemos no amontoado de fazeres e saberes do cotidiano, as mudanças estão acontecendo, por isso podemos dizer que a educação, a aprendizagem, não acontecem somente na escola mas também fora dela.

Na formação cidadã, é preciso garantir a todos, em igualdade, a construção de conhecimentos matemáticos essenciais à vida e também proporcionar situações de aprendizagem que possibilitem aos educando perceberem que a matemática está presente no seu dia-a-dia, nas mais diferentes situações.

As tarefas e demandas, face ao mundo do trabalho ou à vida diária podem requerer muito mais que simplesmente a habilidade para aplicar as capacidades básicas de matemática. Estar preparado para atender a essas demandas e tarefas requer que o sujeito esteja, mais do que alfabetizado matematicamente, “numerado”.

O numeramento é visto como um amplo conjunto de habilidades, estratégias, crenças e disposições que o sujeito necessita para manejar efetivamente e engajar-se autonomamente em situações que envolvam números e dados quantitativos ou quantificáveis, ou ainda, informação baseadas em dados quantitativos. (FONSECA: 2004, p: 103).

Isso quer dizer que quando o sujeito confronta com alguma situação, os mesmos devem utilizar os seus conhecimentos, habilidades, estratégias para atingir as metas que deseja.

Numeramento é um domínio de habilidades que envolvem um subconjunto de habilidades essenciais tanto da matemática como do letramento e que vem sendo entendida como:

…um agregado de capacidades, conhecimentos, crenças e hábitos da mente, bem como as habilidades gerais de comunicação e resolução de problemas, que os indivíduos precisam para efetivamente manejar as situações do mundo real ou para interpretar elementos matemáticos ou quantificáveis envolvidos em tarefas. (Cumming; Gal; Ginsburg, 1998:2 apud FONSECA, 2004,94).

Ser numerado envolve algumas habilidades de letramento e de habilidades de matemática, de acordo com o que é determinado em alguma situação. Numeramento, não depende apenas de conhecimentos técnicos (regras, operações), mas sim disposições, crenças, hábitos.

Os diferentes tipos de atividades da vida diária fornecem contextos e conflitos com os quais e nos quais se usam capacidades matemáticas. O nível das capacidades que um indivíduo necessita possuir depende, geralmente, das características dos meios particulares onde estes têm suas funções, ou onde vivem (local de trabalho, casa).

Algumas capacidades fundamentais como contar os números ou algumas idéias sobre adição e subtração, devem estar em todos os contextos. Outras capacidades matemáticas e habilidades de manejo dos números envolvidos em um texto (o que requer certas capacidades de letramento) podem ser requeridas em alguns contextos e em outros não.

O numeramento pode mudar ao longo do tempo, dependendo das circunstâncias pessoais de vida, trabalho, mudanças tecnológicas. O desempenho dos “numerados” envolve a influência de vários componentes, incluindo o conhecimento dos domínios específicos e das estratégias, bem como o conhecimento de mundo que pode ter sido adquirido dentro ou fora da escola.

Para tornar o ato de pensar matemático real para as pessoas, faz necessário que todo educador matemático considere os saberes já construídos, proporcione situações de aprendizagem que desenvolvam o pensamento lógico, o espírito de investigação, visando um educando crítico e criativo, que aprenda a matemática presente na vida.

Quando falamos em alfabetização, pensamos na aprendizagem da língua. É compreender as linguagens que o mundo apresenta, para que haja uma comunicação e interação do sujeito com a realidade em que vive. O homem a utiliza como instrumento para expor trocar idéias com os outros. A linguagem é o meio de estabelecer relação humana, é o aspecto fundamental do modo de ser e de existir do ser humano, por meio dela, expressa aquilo que compreende e interpreta o mundo. Conhece as letras e as relações possíveis entre elas, na utilização das estratégias de leitura, no sentido de reconhecer palavras, decompondo-as em silabas, letras.

Mesmo antes da escolarização a criança é constantemente envolvida em atividades matemáticas que mesmo não sendo assim reconhecidas por elas envolvem aspectos quantitativos da realidade. Isto significa que mesmo antes de freqüentar a escola as crianças classificam, ordenam, quantificam e medem e desta forma mantêm uma boa relação com a Matemática. Mas porque essa relação se complica quando a criança inicia sua vida escolar e se agrava no decorrer de todos os níveis de ensino?

Em geral, têm mostrado que pouco se trabalha com Matemática no início da escolarização. Seja na educação infantil ou nas séries iniciais do ensino fundamental a prioridade no trabalho dos professores são os processos de aquisição da leitura e da escrita, como se somente esse fosse componente fundamental da alfabetização, a Matemática é o segundo plano, e ainda assim tratada de forma descontextualizada, desligada da realidade, das demais disciplinas.

A alfabetização, no entanto, não pode ocupar somente o campo das letras. Trabalhando dentro da perspectiva do letramento, ser alfabetizado é fazer uso da leitura e da escrita, tocando em todos os ramos do conhecimento, percebemos então que é preciso também alfabetizar numericamente as pessoas. Desde pequenas, as crianças mergulham no mundo dos números, muitas vezes sem compreendê-lo.

As relações estabelecidas entre linguagem natural e a linguagem matemática ajudam-nos a compreender os significados atribuídos pelos alunos nos processos de leitura, escrita e interpretação do texto matemático, bem como situá-los dentro de contextos. Dessa maneira, se entendidas tais relações, permitirá aos seus envolvidos (alunos e professores) avançarem nas atividades propostas em aulas de matemática.

A criança que ingressa na escola traz conhecimentos matemáticos informais que devem ser considerados pelo professor ao organizar sua proposta de trabalho. A escola marca a transição de um contexto familiar para outro influenciado pela cultura, com outros códigos e possibilidades de relações e a Matemática surge como porta de entrada para novas competências e estratégias próprias do mundo escolar.

O ensino estabeleceu como sujeito alfabetizado aquele que consegue ler e, interpretar determinados código e sinais, se referindo ao alfabeto e aos números. O ato de alfabetizar diz respeito à compreensão e á interpretação dos sinais, com significados, impressos em um texto, bem como a expressão escrita de significados.

O termo “Alfabetização, refere-se aos atos de aprender a ler e a escrever a linguagem matemática usada nas primeiras serie da escolarização (…). Ser alfabetizado, em matemática, então é entender o que se lê e escreve o que se entende a respeito das primeiras noções de aritmética, geometria e lógica. (DANYLUK, 1991:45)

Ser alfabetizado em Matemática é compreender o que se lê e escreve a respeito das noções de números e operações, espaço e forma, grandezas e medidas e tratamento da informação.

Se ler é compreender e interpretar aquilo que está impresso em um texto, então, ao ler o discurso matemático o leitor deve compreender e interpretar aquilo que o texto de matemática mostra, ou seja, os símbolos e signos expressos pela linguagem matemática. ( DANYLUK,1991:39).

A alfabetização matemática é um ponto chave para o conhecimento matemático, pois as primeiras noções de aritmética, geometria, são compreendidas como os primeiros passos, o que dará maior possibilidade de aprendizagem.

Muitas vezes os conteúdos de matemática são expostos para os alunos, exigindo a memorização, influenciando assim na não compreensão dos significados, fazendo com que os alunos evitem esta disciplina.

Tomo a Educação como zelo, como cuidado com o ser do aluno e, com isso, falo em Alfabetização no sentido de compreender e interpretar aquilo que se escreve e que se lê. Não a considero apenas no ato de a pessoa escrever e ler o seu nome ou, então, não no sentido de decodificar palavras, silabas ou frases. Eu compreender o mundo em que o leitor esta, inserido, na sua realidade, realidade do outro, na realidade de todos nós (DANYLUK,1991:109).

CONCLUSÃO

 

Esta pesquisa contribui para o estudo de teóricos que, auxiliam, enriquecem o trabalho pedagógico, pois ensinar matemática não é nem explicar detalhadamente (de fora para dentro) para os alunos e nem esperar que eles tenham a estrutura de pensamento pronta, para então ensiná- la. O nosso papel, como professores, é intervir para a construção do conhecimento que, quanto mais abrangente for, mais elementos fornecerão para a própria estruturação do pensamento.

O aluno não aprende sozinho (daí a grande importância da escola): ele aprende resolvendo problemas do cotidiano, refletindo sobre o que observa, no confronto com as soluções e idéias dos outros – dentro e fora da sala de aula e da escola. A idéia de número é um exemplo típico deste aprender: comparar, relacionar, ordenar, comprar, vender, etc, fazem parte dos problemas que as pessoas tentam resolver no seus dia-a-dia. A contagem, por exemplo, é um instrumento que se usa para determinar quantidades, inclusive em jogos infantis. Ações e relações como essas devem ser institucionalizadas na escola, para conduzir à construção da idéia de número pelo aluno.

Diante disso faz-se necessário cada vez mais professores que também busquem entender como se da a alfabetização e o numeramento efetivando assim seu aluno a capacidade de realmente ler o mundo. É de tamanha importância que o profissional formado em matemática desperte em suas escolas a discussão e reflexão da alfabetização matemática e numeramento uma vez que este mais do que ninguém sabe da necessidade real e urgente de se pensar nestes conceitos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ADELINO,Paula Resende;FONSECA ,Maria da Conceição Ferreira Reis: Práticas de Numeramento nos livros didáticos de Matemática voltados para a educação de Jovens e Adultos. p.1-20. Disponível em

<http://www2.rc.unesp.br/eventos/matematica/ebrapem2008/upload/250-1-A- AdelinoFonsecaTrabalhoXIIEBRAPEM.pdf>. Acesso em 23 de janeiro de 2017.

DANYLUK, Ocsana S, Alfabetização Matemática: o cotidiano da vida escolar, Caxias do Sul: 2°edição, EDUCS, 1991.

FONSECA, Maria da Conceição Ferreira Reis: Sobre a adoção do conceito de numeramento no desenvolvimento de pesquisas e praticas pedagógicas na educação matemática de jovens e adultos. Universidade Federal de Minas Gerais. p.1-12. Disponível em:<www.sbem.com.br/files/ix_enem/Palestra/PA%20-%2001.doc>. Acesso em 23 de janeiro de 2017.

Letramento no Brasil: habilidades matemáticas: reflexões a partir do INAF 2002/organizadora Maria da Conceição Ferreira Reis Fonseca.-São Paulo: Global:Ação Educacional Assessória, Pesquisa e Informação: Instituto Paulo Montenegro,2004.

PAIS, Luis Carlos. Ensinar e Aprender Matemática. Belo Horizonte: Autentica 2006.

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