Carga Solta e Refrigerada

Autora: Laila de Oliveira Moro

 Curso Capacitação em Transporte Marítimo

Carga solta, também é chamada de carga fracionada e carga refrigerada ou congelada geralmente tratada como carga reeffer . 

O manuseio da carga geral solta é conhecida em muitos dos portos brasileiros levando em conta sua grande demanda de exportação de carga homogênea ou uniforme, como o açúcar. 

Trazidos das usinas produtoras em sacos de 50kg para os armazéns do porto, onde são agrupados em prelingadas ou organizados em paletes ficam armazenados no galpão aguardando a liberação para seguirem ao navio de destino, sendo colocados nas carrocerias de caminhões comuns em direção ao cais onde serão embarcados, Cada lingada (porção de cargas agrupadas), pode ter de 30 a 50 sacos arranjados estrategicamente de acordo com a capacidade de içamento dos equipamentos de bordo dos navios. 

Em navios com guindastes de maior capacidade, somente uma ou duas lingadas podem podem ser posicionadas no cais, na área de embarque de cada porão. Além dos prélingados, a carga geral solta pode ser agrupada também em paletes, de modo a facilitar o carregamento do navio com seus guindastes ou paus de carga, O palete (ou pallet) é um estrado de madeira ou outro material dotado de entradas laterais para a introdução dos garfos das empilhadeiras e sobre o qual se arranja determinada quantidade de carga a fim de ser possível o manuseio mecânico do conjunto, especialmente no transporte, empilhamento, embarque e desembarque dos navios de carga geral. 

Os paus de carga (ou derricks) são dispositivos de içamento de cargas compostos de um mastro ou polo que é acionado a partir do nível de sua base e controlado por cabos( usualmente quatro) movidos por algum meio como a força humana ou por máquinas denominadas de molinetes, de forma que o mastro possa mover-se nas quatro direções. 

Até a década de 1960 as mercadorias mais valiosas eram acondicionadas em caixas ou engradados de madeira para serem transportadas, através destas técnicas de agrupamento e manuseio de carga geral solta ou breakbulk. O acesso fácil aos conteúdos de produtos como eletroeletrônicos, aparelhos, roupas e tecidos, componentes de motores, bebidas, cosméticos ou cigarros encorajava o roubo ou desvio nos portos e terminais, seja nos armazéns, cais e outros pontos de transferência, especialmente durante o carregamento e descarregamento dos veículos de transporte. 

Os altos níveis de roubo ou as faltas e avarias que ocorriam nas mercadorias transportadas como carga geral solta, especialmente nos anos 50, combinados com as possibilidades de aumentar a eficiência, levaram a utilização dos contêineres. Antes da conteinerização, todos os produtos que não fossem a granel eram movimentadas peça por peça. A operação não era apenas lenta e repetitiva; os outros modos de transporte, como o ferroviário e o rodoviário, basicamente atuavam com a mesma ineficiência. Além do mais, a carga era exposta a potencial ocorrência de roubo e danos. Ao longo dos anos, a capacidade de guindastes de bordo vem sendo aumentada gradualmente, de modo a embarcar( ou descarregar) quantidades maiores ligadas ao mesmo tempo. Ainda assim, o manuseio da carga constitui a parcela mais significativa na computação do custo total de transporte de bens e materiais por via marítima. Na chegada do navio ao seu destino, os procedimentos de manuseio ocorrem na ordem inversa.Em vistas das características não econômicas do manuseio da carga geral solta e no esforço para reduzir o custo total do transporte marítimo, a conteinerização da carga avança cada vez mais em todo mundo. Nesse processo. a carga é transferida diretamente desde o armazém do produtor até o porto em uma única unidade: o contêiner, o qual é equivalente à carroceria fechada (ou baú) da carreta a ser tracionada pelo cavalo mecanico, sendo o baú removível de suas rodas. 

Conclui-se então, que a vantagem prática da operação de contêineres em relação à carga geral solta está mais nas técnicas de manuseio do que na redução da quantidade de vezes que as unidades individuais de carga são movimentadas. Ou seja, a maior quantidade movimentada em cada uma das operações de manuseio resulta em custos menores por unidade de carga de forma mais significativa que a redução da quantidade total de operações. Essa vantagem de custos de manuseio soma-se à de menor incidência de roubos, faltas e avarias e à redução dos tempos de operação de carregamento/ descarga dos navios e demais veículos ao longo da cadeia de transporte.

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