ALIMENTANDO A EDUCAÇÃO FINANCEIRA

[1]ALIMENTANDO A EDUCAÇÃO FINANCEIRA

 

 

[2]VESSOZI, Lucas da Costa; [3]HAGEL, Nadine Vitória da Costa; [4]JAEGER, Márcia Andréia Radüns

 

 

RESUMO: Este projeto reafirma a importância da Educação Financeira na vida dos alunos, acreditando na formação de adultos que demonstrem atitudes conscientes no gerenciamento da própria vida. O trabalho tem como base a produção e comercialização de alimentos, o qual foi incentivado a partir da adesão com o Projeto JEPP Jovens Empreendedores Primeiros Passos. A metodologia utilizada para o presente projeto baseou-se em referências bibliográficas pertinentes ao tema abordado. O objetivo geral é a inclusão da criança em assuntos financeiros ao oportunizar a conscientização para que no futuro se torne um adulto aliado às ferramentas indispensáveis para uma vida financeira saudável e equilibrada.

 

Palavras-chave: Alimentação. Matemática Financeira. Comercialização. Produção.

 

INTRODUÇÃO

 

Este trabalho tem como foco fomentar a cultura empreendedora, desenvolver práticas de aprendizagem, levando em consideração a autonomia do aluno, o desenvolvimento de atributos e atitudes necessárias para administrar a própria vida. Nesse sentido, a proposta é de desenvolver a matemática financeira através da montagem de um ambiente para oferta de produtos alimentícios, chamado “Espaço Gastronômico”, priorizando a alimentação saudável.

Através dos sabores, das cores e das combinações de alimentos, a proposta abrange estudo e reflexão sobre a utilização da matemática financeira, levando em consideração os aspectos culturais da região que influenciam neste hábito das pessoas. Assim serão oportunizadas atividades para a montagem do “Espaço Gastronômico”.

Este trabalho surge através do Projeto JEPP Jovens Empreendedores Primeiros Passos que trás como tema “Sabores e Cores”, que tem como desafio a produção e comercialização alimentícia através de vivências que possibilitem estimular atitudes empreendedoras nos alunos, ou seja, o aprender de forma prática e contextualizada.

Desta forma faz-se necessário um olhar sensível em reconhecer o contexto em que nosso aluno está inserido, observando as limitações e oportunidades para que o negócio alcance os objetivos planejados, através do envolvimento da comunidade escolar.

 

 

MATERIAL E MÉTODOS

 

Este projeto busca desenvolver um trabalho empreendedor na linha alimentícia, o qual inicialmente foi apresentado às famílias dos educandos, a partir de um planejamento prévio baseado em experiências bem sucedidas em anos anteriores, que possibilitaram conhecimentos em um contexto interdisciplinar, através de viagens de estudo, o qual foi bem aceito pelas famílias. Na Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino, através do Plano  de Estudo estão contempladas todas as áreas do conhecimento, entre estas, o estudo sobre a História do Rio Grande do Sul, no qual os alunos tiveram a oportunidade de visitar e conhecer alguns dos lugares estudados: Santo Ângelo e São Miguel das Missões. Estudo que pode ser ampliado para todas as outras áreas ao ser contextualizado. E esta é a proposta para este ano letivo. Soistak afirma que:

Um projeto gera situações de aprendizagem, ao mesmo tempo reais e diversificadas. Favorece, assim, a construção da autonomia e da autodisciplina, por meio de situações criadas em sala de aula para reflexão, discussão, interesse, necessidade de decisão, observação e críticas em torno do trabalho em andamento. Isso proporciona ao aluno, além da implementação do seu compromisso com o social, tornar-se sujeito do seu próprio conhecimento (SOISTAK, 2010,p.34).

 

A trajetória proposta apresenta 11 encontros, tempo em que os alunos vivenciam etapas da montagem de um negócio. Em cada encontro, o aluno realiza uma sequência de atividades que auxiliam na construção de conceitos, procedimentos e atitudes relacionadas ao plano de negócio e ao comportamento empreendedor, onde os alunos são convidados a exercitar uma postura mais consciente e ativa do dia-a-dia.

O foco principal tem início no encontro 5 “Qual a Nossa Fatia do Mercado?”, com uma visita a um restaurante para conhecer sua estrutura e funcionamento administrativo. Partindo dessa ideia do que é empreender, a turma optou em produzir alimentos para degustação, tendo como base uma lista de alimentos sugerida pelos alunos no encontro 2 “Higiene é tudo”, posteriormente passaram por um processo de pesquisa com a comunidade escolar sobre qual seria o alimento melhor aceito para comercialização, visando uma alimentação saudável, através de consumo consciente.

Conhecendo e aplicando os comportamentos empreendedores e os passos do plano de negócio, a turma partiu para uma listagem dos ingredientes utilizados na produção dos alimentos definidos na pesquisa. Assim partimos para uma segunda pesquisa, a dos preços. Com foco no encontro 7 “ Me dá um dinheiro aí!”,  fez-se a análise dos aspectos financeiros, no qual se calculam os custos para definir os preços dos produtos. Com o auxílio de encartes de supermercados, bem como a visita a alguns estabelecimentos na área da alimentação  próximos a escola, o grupo criou uma tabela com a quantidade de ingredientes e seu custo. Com base a esta, definimos a melhor opção de compra. Isso também possibilitou a definição do custo e valor necessários para comercialização, com o objetivo de não obtermos prejuízo e assim visarmos lucros.  Neste momento o grupo parte para a compra dos ingredientes.

Definido o produto a ser comercializado, juntamente com seu valor de custo e consumo, tem-se a necessidade de iniciar a fase de montagem do “Espaço Gastronômico”. No encontro 8 destacamos o item “Propaganda é a alma do negócio!”, onde se enfatiza a questão da divulgação, definindo as ações de marketing para o “Espaço Gastronômico”como o convite, os cartazes, o outdoor,…

No objetivo de fortalecer o espírito de equipe e colaboração, são distribuídas as tarefas ao grupo, para a produção e a montagem do espaço. No momento da comercialização outra escala é feita como o caixa, o atendente, o auxiliar de limpeza, repositor, ou seja, é o momento de colocar em prática tudo o que foi planejado para montar o negócio envolvendo a comunidade escolar, de acordo com:

“Assim, a criança ao socializar diferentes estratégias utilizadas na resolução de problemas possibilita uma análise qualitativa dos dados apresentados e as soluções possíveis. Portanto resolver problemas é um exercício contínuo de desenvolvimento da curiosidade, criatividade, confiança, senso crítico, autonomia do raciocínio lógico, porque permite diferentes formas de pensar sobre as problematizações enfrentadas no dia-a-dia enquanto cidadão” (Proposta Curricular,2011, pg. 24).

 

Com a produção e comercialização, é chegada a hora de avaliar os resultados do funcionamento do “Espaço Gastronômico”, como também a participação da equipe na atividade empreendedora. Assim percebeu-se que com o envolvimento da turma e o sucesso da primeira experiência, surge a possibilidade de dar sequência ao negócio.

Assim o grupo decide em semanalmente realizar na escola a comercialização de produtos que são produzidos com auxílio das famílias, com objetivo de arrecadar fundos para a viagem de estudo planejada para o mês de novembro.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

 

A Educação Financeira não significa ensinar simplesmente a economizar, mas também ter a noção correta de como usar da melhor forma o dinheiro, visando uma melhor qualidade de vida. Segundo D’Aquino (2008, p.4), “a função da Educação Financeira infantil deve ser somente criar as bases para que na vida adulta nossos filhos possam ter uma relação saudável, equilibrada e responsável em relação ao dinheiro.”

O Brasil vive um contexto consumista, e por isso é muito importante que os alunos aprendam a dar valor ao que têm, a conhecer os limites dos gastos, manejar o dinheiro, administrar os consumos e saber o valor que tem cada bem.

Desta forma, após cada comercialização o grupo realiza um registro que aponta qual o produto vendido, a quantidade, o valor unitário e o total adquirido em forma de “ata”. Estes registros ficam “arquivados” como demonstrativo financeiro para posterior prestação de contas aos alunos e familiares. Nesse sentido é importante aproximar  os alunos de ferramentas e conceitos que ajudem a conquistar autonomia e qualidade de vida tanto hoje quanto no futuro.

O processo de  comercialização é organizado e realizado pelos alunos sob orientação da professora onde o grupo se dispõe ao trabalho coletivo no atendimento ao público para alcançar um objetivo comum. Destacamos como resultado positivo do projeto a participação dos alunos, colaboração, respeito e a reflexão sobre o tema abordado e também as conseqüências da boa administração do dinheiro aliados aos conteúdos e conceitos matemáticos.

 

LEIA O TEXTO NA ÍNTEGRA

 

CONCLUSÕES:

 

O projeto “Alimentando a Educação Financeira” está em desenvolvimento, porém é necessário mencionar que cada vez mais cedo os alunos assumem hábitos consumistas. Por isso a necessidade de desenvolver este trabalho para estimular a aprendizagem, através das vivências oportunizadas, a prática do diálogo compartilhado e permanente, o debate de diferentes pontos de vista, a argumentação, o aprender a ouvir, o planejamento, a negociação na tomada de decisões, a construção coletiva do conhecimento, o desenvolvimento de novas habilidades e aperfeiçoamento daquelas já construídas.

A partir do pressuposto que a educação é um processo pelo qual  o aluno constrói o conhecimento através da mediação do professor, propomos a Educação financeira como forma de estimular os alunos a administrar desde cedo pequenos valores, para que no futuro estejam preparados para enfrentar problemas e situações relacionadas às finanças, tendo em vista  uma melhor qualidade de vida com consumo consciente.

O projeto desenvolvido atinge os objetivos propostos na medida em que verificamos que esta prática propicia a criação de uma história de vida coletiva, na qual o aluno está inserido como um sujeito que faz descobertas e constrói conhecimentos significativos, especificamente acerca da Educação Financeira e Empreendedora.  Estes aspectos influenciarão diretamente ao administrar a vida pessoal e profissional. Assim, a possibilidade de reflexão e análise dos dados obtidos pela pesquisa torna-se um momento importante na medida que possibilita a contextualização da matemática, relacionando-a com o cotidiano dos alunos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

D’AQUINO, Cassia de. Educação financeira: Como educar seus filhos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

 

MUNICÍPIO DE IJUÍ, Secretaria Municipal de Educação de Ijuí. Proposta curricular da rede municipal de ensino: um processo coletivo em permanente (re) construção. Ijuí: GD, 2004.

 

SEBRAE, Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas. Jovens empreendedores: Primeiros Passos. 5º Ano: Livro do Aluno. Brasília, 2012.

 

SOISTAK, Maria Marilei. Ensino-aprendizagem por meio de projetos desenvolvidos por equipes de reponsabilidades em sala de aula: o enfoque no ensino de matemática nas séries iniciais. 2010.97. Dissertação (mestrado em Ensino de Ciência e Tecnologia) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Ponta Grossa. Curso de Pós-Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia. Ponta Grossa, 2010.

 

 

 

 

 

[1] Categoria: Ensino Fundamental; Modalidade: Matemática aplicada e /ou inter-relação com outras disciplinas.

[2] Aluno do ensino fundamental anos iniciais.

[3] Aluna do ensino fundamental anos iniciais.

[4] Professor Orientador: Márcia Jaeger, Escola Municipal Fundamental Dona Leopoldina, Ijuí RS, donaleopoldina@ijui.rs.gov.br.

 

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